Universo da Scarium

Ficção Científica, Fantasia, Horror & Mistério

9225, de Regina Sylvia

Miguel Carqueija

Subtítulo: Ficção da Nova Era

©.1987 Regina Sylvia. Capa: Harmut Oster. Primeira edição - 1989. Segunda edição - 1990. Poesia “Aguadeiro celeste” de Júlio Bueno Neto (do livro “Despertar do louco”) História em quadrinhos “Estrela cadente”de Flávio Calaznas. Edição da autora.*

Este é um dos livros mais estranhos e originais que eu tenho lido. Ressente-se de, digamos, um amadorismo de estilo que reflete a extrema juventude da autora; mas em nenhum momento se pode afirmar que a história se perca, seja mal conduzida ou não desperte interesse. A edição é independente e, surpreendentemente, o exemplar que possuo (ahcado num sebo de rua) é da segunda edição. A técnica narrativa é ousada, sem divisão em capítulos, mas não tudo de uma enfiada como em “Grande sertão: veredas”, de Guimarães Rosa, mas em alternâncias de narrativa, ora na terceira pessoa, ora na primeira, com o ponto de vista da protagonista, a soldada 9225.

A autora só explica de forma perfunctória como a humanidade chegou àquela distopia, de um mundo unificado sob a ditadura de Eunuco, um estranho personagem que estabeleceu o mal como ideal de vida: os homens eram maus por natureza, e deviam assumir a sua maldade. O medo passava a ser encarado como um crime, o mundo passava a ser conhecido como “Inferno”. O alienígena Pedra Escura é chamado de “extrainfernal”.

A história possui uma riqueza que a autora não consegue administrar. Passa uma mensagem de valorização do amor humano, de retorno às fontes, mas com um entremeio extravagante de concepções “hyppies” ou contraculturistas e alguma coisa de doutrina espírita kardecista e mística oriental. Fica um texto desequilibrado mas com uma certa desenvoltura, e personagens bem delineados, além da fina ironia do mapa-mundi que supões alguma catástrofe modificadora da configuração dos continentes. Alguns são continentes atômicos: os “Estados Unidos das Usinas Atômicas”, a “União das Usinas Atômicas” e a “Índia Atômica”. Os demais são o “Primeiro Mundo” (Europa), “Segundo Mundo” (Austrália) e “Terceiro Mundo” (América do Sul e África, unidas num só continente). É um mapa muito engraçado, onde aparecem “Brasílha”, “Rio de Fevereiro”, “Aires Poluídos”, a “Hidrelétrica de Paraguaias Afundadas”, o “Rio da Zona”(Amazonas!), o “Cabo sem Esperanças” e por aí afora.

Em suma é um livro divertido, polêmico, bizarro, como poucos das letras nacionais. Nas entrelinhas ou abertamente aparecem conceitos da autora que eu julgo questionáveis, mas que não tiram a qualidade da obra - sinalizadora de uma novelista que merece atenção.

Uma observação: Regina Sylvia consegue criar uma heroína simpática, a Dhyana ou 9225, que de seguidora devotada do extravagante ditador vai aos poucos valorizando coisas como o amor, a amizade, a natureza e - detalhe importante! - a maternidade.

Outro detalhe importante: através da invenção apelidada “videograma”, a autora previu simplesmente… a internet! Uma façanha que os mais conhecidos autores de FC não conseguiram.

A Literatura de Ficção Científica Brasileira está moribunda?

Marco Bourguignon

Convido a todos para fazer uma reflexão, a moda de terapia de grupo. Vou levantar várias perguntas e quem puder me responder, responda.

Se admitirmos que a literatura de Ficção Científica esteja moribunda no Brasil, um doente terminal, poderemos culpar a crise financeira? Ou dizer que os leitores têm preconceito contra o gênero? Nos anos 80, parecia que haveria uma volta por cima, mas o gênero se perdeu em alguns títulos e em alguns números de uma revista de renome. Ao entrar nos anos 90, ela estava fadada a desaparecer, ou restrita a apenas alguns grupos de fãs. Quem foram os vilões?

Hoje, o que vejo é uma grande contradição entre os escritores iniciantes. Escrevem FC, mas não as lêem. Na verdade, lêem muito pouco qualquer coisa, ou simplesmente, ficam restritos apenas aos autores da moda e buscam reproduzi-los em seus escritos. Influências são boas; mas cópias, não. Sem estilo próprio e sem história própria. Olha que não estou buscando algo genial, mas um pouco de entretenimento, uma história bem contada. Faço estas observações ao me deparar com os textos do último “Concurso da Scarium” que organizei. O quê está acontecendo?

A “culpa” é das editoras? Sim, as editoras têm preconceito contra o gênero. Será? Não somente. Veja a produção independente nacional. Quantos títulos são realmente bons? Neste caso, a falta de experimento e de criatividade não pode ser explicada pelo peso do “mercado”, nem da figura do “editor mercenário”. Os autores são também editores da publicação; então, cadê o obstáculo da inovação? Da criação de algo nacional? Por que vamos nos ater em copiar um estilo já consagrado lá fora para contar uma história comercial, seguindo um padrão usado à exaustão? Ora, o autor-editor é livre para a criatividade. O leitor que curte estas histórias comerciais vai querer ler os autores que já dominam a técnica e o assunto; e não um autor novo, desconhecido, que tenta enveredar por seguir modelos de outros (cópias): “A minha história é muito boa, tem elementos de ‘Star Wars’ com um pouco de ‘Star Trek’”. “Eu sigo o estilo de Asimov.” “Por que meu conto foi reprovado? Se você não percebeu, tem semelhanças com ‘2001, Uma Odisséia no Espaço’. Você não entendeu nada”. “Você é um editor burro pra caramba, escrevi uma história na linha do Harry Porter”.

A “culpa” é que o Brasil não tem tradição tecnológica suficiente capaz de despertar o interesse pela FC. Ah! Sim! Para uma boa história de FC é necessário um bom conhecimento de tecnologia? Ou que o povo goste de inovações tecnológicas? Não somos um país com tradição em ciência. Será que a literatura de FC só pode ser construída em países com estas tradições? Por que não ambientar nossas histórias em países com estas tradições, mas escrever com nosso estilo e forma? Outros irão dizer que temos que ambientar no Brasil e colocar nomes brasileiros. O negócio não é o ambiente ou a tradição tecnológica, mas sim o estilo e a forma de contar a história. Outra vez vi uma discussão de que para ser um conto tem de haver um número “X” de palavras, do contrário, vira novela, e tendo um número acima de “XX”, se transformaria em romance. Acho que os pretensos escritores deveriam perceber e estudar que contos, novelas e romances têm formatos próprios na literatura brasileira. A classificação não é feita pelo número de palavras ou páginas. Isso também é mera cópia dos chefes do norte.

Então o que falta para uma boa história de ficção científica? Esta é a reflexão final que gostaria de deixar aqui. Então me digam?

Scarium Megazine no FANTASTICON

Scarium Megazine estará presente na primeira edição de FANTASTICON - Simpósio de Literatura Fantástica, evento que faz parte do XV EIRPG - Encontro Internacional de RPG, no colégio Arquidiocesano em SP.

DOMINGO, dia 08 de julho

*11:00 às 13:00 Bate-papo com Douglas Quinta Reis (Editora Devir), Adriano Fromer XV Piazzi (Aleph Publicações) e Giulia Moon (Scarium Megazine e FicZine) sobre as perspectivas do mercado editorial de Literatura Fantástica e quais serão seus futuros lançamentos. Saiba como fazer chegar suas histórias àqueles que irão publicá-las - Sala 119.

FANTASTICON - Simpósio de Literatura Fantástica
7 e 8 de julho - Colégio Marista Arquidiocesano SP
Rua Domingos de Moraes, 2565
Vila Mariana - São Paulo/SP
(Metrô Santa Cruz).

O evento conta com muitas outras atrações fantásticas. Para ver a programação completa, acesse o site do FANTASTICON e do XV EIRPG.

Spectra O Planeta Misterioso

 

Miguel Carqueija

 

RESENHA: SPECTRA O PLANETA MISTERIOSO de Margot L. Valente

Contemp Editora Ltda. - Salvador, BA, 1983 (cx.postal 2432, CEP 40000)
Prefácio de Germano Machado, do Conselho Estadual de Cultura da Bahia.
Impresso pela Editora Odeam Ltda. - Av. Joana Angélica 1054 - tel. 243-7342 e 242-8780 - Salvador, BA, CEP 40000.

Este livro foi encontrado num sebo de rua e é sem dúvida uma raridade. A autora, nascida em 1932, em Salvador, chama-se Margarida Maria Franco Marques L. Valente, conforme notícia bibliográfica no final do volume (só não se diz de qual nome é a inicial L). Segundo o seu currículo, é professora de música, formada em 1953, é médica formada em 1956, mais tarde fez pós-graduação e especializou-se em Pediatria. Residiu em vários locais do país, mas voltou a morar em Salvador.

                   Sem embargo de tantas credenciais, como escritora Margot L. Valente é decepcionante. O livro é tremendamente mal escrito, tanto em concepção como em redação, pois os erros de português estão espalhados do princípio ao fim. Entre os cacoetes, vemos que “numa” e “num” ela redige “n’uma” e “n’um”, além de omitir crases ou colocá-las onde não existem. Fora isso há frases mal construídas, verbos mal utilizados e abobrinhas como esta (pg. 65): “Neste preciso instante, uma nave alaranjada submerge (sic) do fundo do mar.”

                    O próprio título é uma abobrinha, pois o tal planeta Spectra nada tem de misterioso: é o nosso velho conhecido Saturno, habitado por uma humanidade que vive na beatitude, comunicando-se amplamente com as humanidades de outros planetas, inclusive fora do Sistema Solar e da Via Láctea. Todas as pessoas, embora corporais e mortais (ainda que longevas, sobrevivendo milhares de anos), são maravilhosas, cheias de salamaleques, de amabilidades, não andam mas esvoaçam (a autora usa o verbo volitar ), irradiam luz, comunicam-se por telepatia. Os personagens terrestres, abduzidos em discos voadores, têm dificuldade em se adaptar a um mundo tão maravilhosamente perfeito, melhor dizendo, a toda aquela pieguice. Os diálogos são particularmente paulificantes. Vejam esta pequena amostra:

                   ” - E tu, Mateo, que achaste da experiência?

                   Magnífica, senhor! Jamais havia pensado, em meus pequenos passeios (sic) nas Galáxias e planetas próximos, que viajar no Cosmo para tão longe constituísse tamanho conteúdo de experiências novas, de alegrias e de êxtase ao ver tantas e tão diferentes formas de beleza!”

                   Outro detalhe constrangedor é o do planeta que, explodindo, libera um pedaço gigantesco que sai pelos espaços afora, ameaçando a estabilidade do universo. A certa altura o planeta Dino (o que restou dele) causa um grande sobressalto, conforme explica o enviado de Moyra: “Chocou-se com uma pequena estrela e um incêndio (sic) ameaça atingir o planeta Corios de habitantes primitivos porém pacíficos!” Lá vai então o grupo de socorro, e a patética descrição prossegue: “Dino gira com velocidade espantosa e a “pequena” estrela, que é duas vezes maior que a Terra na verdade, parece um grande sol em chamas. O planeta mais próximo está situado neste momento, bem embaixo dela (sic), de modo que, ao cair (sic), fatalmente o fará na atmosfera dele (sic!), causando danos incalculáveis…”A coisa ainda piora (preciso lembrar que estrelas já estão em chamas?), pois os “bombeiros” cósmicos acabam por deter o planeta com redes espaciais, destruindo-o com os tais raios Zelten.

                   De fato não dá para analisar a sério o enredo, se é que se pode falar assim. Também não consigo entender o prefácio, que deve ter sido redigido por um amigo pessoal da autora. Afinal, sem atender ao absurdo do enredo e aos erros de português, e mesmo sendo membro do conselho de cultura do estado, ele usa expressões como “grande literatura” e “maturidade criativa” para comentar o romance de Margot L. Valente.

                   Quanto à notícia biográfica do final, elenca uma série de livros da autora, como “Bem-aventurados os que choram” e “Uma mulher de branco”, mas nenhuma referência à publicação dos mesmos. Um dos títulos, “Nós e as estrelas”, parece ser ficção científica. Pelo estilo impessoal, puramente referencial, essa notícia deve ter sido redigida pela própria autora.

                   É fácil deduzir que o livro foi bancado pela autora, apesar do selo de uma editora baiana. A revisão não existe, o volume não faz parte de nenhuma coleção e não há referencia a outros livros da mesma publicadora. As orelhas estão em branco e não há qualquer apresentação da própria editora..

Frankenstein Created Woman

Miguel Carqueija

FRANKENSTEIN CREATED WOMAN ( Frankenstein criou a mulher) – Inglaterra, 1967; Hammer Films.

A produtora inglesa Hammer ficou famosa por haver filmado, nos anos 50, 60 e 70, um grande número de obras de terror que, conforme opinião da crítica especializada, renovaram o gênero naquela época. Era ainda um terror gótico, diferente do “gore” que viria pontificar nas décadas seguintes, ou seja a violência crua e explícita com todas as barbaridades possíveis. Assim é que nos filmes da Hammer destacaram-se dois atores que viraram símbolo do cinema de horror clássico, Christopher Lee e Peter Cushing.

                   O segundo aparece neste “Frankenstein criou a mulher” onde sequer é mencionada – até onde pude reparar nos créditos – a escritora Mary Shelley, autora da novela original do personagem Dr. Victor Frankenstein.E realmente a história é outra; o cientista não dá vida a um amálgama de cadáveres por meio da eletricidade, criando o monstro sem nome que Boris Karloff e outros interpretaram nas telas; o que ele faz é conservar a alma de um sujeito executado na guilhotina, transferindo-a para o corpo de uma moça que morreu afogada, Christina (Susan Derberg) e que também é ressuscitada. O Dr. Frankenstein insiste com seu auxiliar Hertz que a alma não abandona o corpo imediatamente após a morte, e que a ressurreição será possível se a referida alma puder ser retida no corpo ou transferida para outro que esteja funcional.

                    Que um cientista possa ficar manipulando almas parece uma idéia esdrúxula. Peter Cushing, ator hierático, esforça-se bastante para dar credibilidade ao seu personagem, e realmente ele tem um bom tipo para cientista louco. O grande problema é a resolução do enredo tal como a associação de Anthony Nelson Keys, Terence Fisher e John Elder (respectivamente produtor, diretor e roteirista) forjou; pois os furos são muitos e o clima geral é forçado. Primeiramente, noto que a película é omissa no que concerne ao local e à época da ação; a presença ominosa e constante da guilhotina, sombra minaz à beira da estrada do vilarejo, sugere a França. Mas os nomes são ingleses, havendo também um Hans. O filme começa com uma execução esquisita, quase clandestina, prosseguindo anos depois, quando o filho do executado cresceu e se apaixonou pela filha de rosto desfigurado de um estalajadeiro. Quando a tragédia atinge os dois jovens o Dr. Frankenstein, como um abutre, se apossa dos corpos para as suas experiências.

                    Nada se diz sobre as mães dos dois amantes; sobre como se arranjou Hans após a execução do pai, visto ser ainda uma criança; como a garota ficou daquele jeito; de onde vinham os recursos de Frankenstein; quem eram aqueles rapazes gozadores e por que o estalajadeiro tinha tanto medo deles; como é que uma estalagem não tinha empregados, ou como dois sujeitos meio aristocráticos como Frankenstein e Hertz podiam morar numa casa espaçosa igualmente sem manter nenhum empregado; e como afinal Frankenstein se explicou com a polícia. Então, o filme se ressente da ausência de uma história lógica e não apresenta o charme das obras de terror de um Roger Corman, por exemplo. Mas, para os fãs do terror, é interessante assistir, pela interpretação exemplar de Peter Cushing, destaque total no elenco.

Departamento de Polícia Judiciária (Hélio do Soveral)

Resenha de Miguel Carqueija

Editora Vecchi, Rio de Janeiro (Rua do Resende, 144), 1962

Código 801 – Série Inspetor Marques, 1 – capa de Simonetti

Os livros de bolso da Editora Vecchi eram lançados nas bancas de jornais e distribuídos depois em outros pontos de vendas (livrarias e outros locais) após um mês do lançamento, sendo então substituídos, nas bancas, pelas novas edições. Pelo menos é isto que se informa neste volume, caracterizando-se portanto – a começar pelo formato de bolso, monetariamente accessível – o caráter popular dessas edições, ainda que profissionais.

É escassa a literatura policial brasileira e Hélio do Soveral foi sem dúvida um dos seus principais artífices, e até mesmo o seu iniciador, se estiver rigorosamente correta a assertiva editorial da página 7 sobre “o autor”: ele teria dado início ao gênero no Brasil em 1933, publicando contos no “suplemento policial” do jornal “A Manhã”, passando às novelas de rádio em 1935 e lançando o primeiro romance policial brasileiro – ou pelo menos, novela – em 1939: “Mistério em alto-mar”, pela Cooperativa Cultural Guanabara. Quanto ao presente volume, é apresentado como adaptação do programa de rádio “Teatro de Mistério”, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, que apresentava roteiros de Hélio do Soveral.

Departamento de Polícia Judiciária é o volume inicial da Série Inspetor Marques – o que se deduz da numeração 801, pois a Vecchi, como a Tecnoprint, utilizava o estranho sistema de uma numeração única para todas as séries, cada uma ocupando um espaço numérico, esta por exemplo partindo do início da nona centena. Já a série de ficção científica (Astronautas) iniciava no 601. E isso já dava a entender carreira curta para as coleções (certamente muitos números ficavam sem preencher).

O livro que vamos avaliar é uma coletânea em torno de um detetive brasileiro de ficção, o Inspetor Mário Marques, diretor do fictício departamento que dá título ao volume.

FALSO ÁLIBI

O diálogo de Hélio do Soveral ressente-se de uma certa afetação, ou falta de naturalidade, o que prejudica o texto, ainda que haja uma certa elegância de estilo. O Inspetor Marques é um personagem bastante neutro: a única esquisitice digna de nota é o seu hábito de falar com o anjo da guarda, a quem ele chama Gabriel.

Soveral esquematiza as suas histórias, em demasia a meu ver. Começa com uma ficha (“dossier”) onde constam o nome do caso, local, data, nome do detetive (o Inspetor Marques) e as observações. Isto já quebra um pouco a graça do texto. E este é dividido em “princípio”, “meio” (subdividido em vários capítulos numerados) e “fim”.

Nesse primeiro conto não senti o clima das verdadeiras histórias de mistério. Soveral revela previamente ao leitor alguns pontos importantes da trama, referente ao assassinato do Professor Atílio Masaccio, fulminado por dois tiros ao abrir a porta de madrugada, na sua residência de luxo no Leblon. As suspeitas recaem sobre Paulo Macedo, um jovem que namorava com Neuza, a esposa coquete da vítima – com apenas 25 anos, muito mais nova que o marido e apresentada como mulher sedutora. Aqui noto duas coisas: Paulo, ou Paulinho, arranja um falso álibi com um amigo, o Prof. Flávio Cordeiro. E o Inspetor Marques, duvidando desse álibi, o pressiona até que ele revele a verdade.

O ponto fraco é que não se vê uma razão sólida para a atitude do investigador. É estranho basear-se em que os vizinhos não viram uma visita através da janela, como se o interior de uma casa devesse ser devassado.

Com diálogos fracos, a história é apenas mediana e não revela uma figura realmente interessante de detetive de ficção.

O BARBA-AZUL DE SANTANA

O dossiê no.2 dá como local Santana, no Espírito Santo, e a data de onze de março (de que ano?). O caso tem alguns aspectos bisonhos, chegando a ser meio irritante, apesar do português escorreito e do estilo conciso e seguro do autor.

Um homem, Bruno Richard, proprietário de uma fazenda no local mencionado, casou-se quatro vezes em apenas dez anos, e todas as esposas desapareceram sem deixar vestígios. Embora impronunciado pela Justiça, e enfrentando depois a acusação de bigamia, pretende inocência. Adquire fãs e prepara-se para casar pela quinta vez, depois de apresentar os atestados de óbitos das esposas desaparecidas, que teriam morrido as quatro na Amazônia (?), cada uma delas após abandoná-lo em poucos dias (?) e beneficiá-lo com a herança dos seus bens (?). Como se vê é escandalosamente óbvio, portanto o faro do Inspetor Marques, nesse caso específico, nada tem de mais.

Apesar das inverossimilhanças a trama apreenta alguns aspectos interessantes, como um ligeiro toque de humor no personagem do Delegado Osório – mas só porque ele tem a mania de dizer “com licença da má palavra”. O Inspetor Marques não chega a ser muito brilhante. Nessa história comparece a sua assistente Arlete, que tem uma participação importante. A personagem Nilce, a quinta noiva, é interessante e podia ter sido mais bem desenvolvida. O vilão Bruno é mais ridículo que sinistro, e seu diálogo é muito ruim. Foi bem bolada a explicação sobre o desaparecimento dos corpos das vítimas.

A MORTE DO CISNE

Aqui vemos a clássica trama do crime na ópera, com ambientação no imaginário “Teatro Estadual do Rio de Janeiro”. O Inspetor Marques comparece para assistir a estréia do “Real Ballet de Stalingrado”, que apresenta “O cisne de Tuonela”, composição do célebre Sibelius. Temos muita coisa previsível: pelo próprio título já adivinhamos que Ana Petrucínia será assassinada e, muito provavelmente, na própria apresentação do bailado.

Soveral está aqui um pouco melhor que nos contos anteriores, e mais próximo do nível do policial norte-americano. Mas não consegue um senso de humor razoável e nem uma trama muito complexa. Parece que alguns personagens – como a bailarina Ondine, que permanece uma presença obscura, embora dê a impressão de ser importante – foram postos para distrair um pouco atenções e suspeitas. O Inspetor Marques representa uma polícia brasileira assaz idealizada, e que hoje, no século XXI, soaria inverossímil. Ele não dá tiradas brilhantes, e seu jeito tranqüilo e neutro só apresenta praticamente duas idiossincrasias: a piteira e o seu hábito de dirigir-se ao anjo da guarda, como nesta frase:

“Complicado, Gabriel! No Real Ballet de Stalingrado todos se amam e todos se casam, mas cada um ama a pessoa com quem não se casou!”

A Saga de Cid: uma epópéia e um mega-projeto

Antonio Lorhan (da redação)

Depois de meses de preparação, um mega-projeto no campo da ficção científica tem início - trata-se da “Saga de Cid”, uma coleção de cinco livros, cujo primeiro volume (’Cid, a Revelação’) será lançado em junho.Mas já é possível saborear a história de Dod Aia, um ‘Marco Polo às avessas’, um alienígena que, após anos de missão na Terra, resolve contar tudo sobre seu mundo de origem, Moa, e sobre seu país, Cid. No site da saga1 é possível baixar, em PDF, os primeiros cinco capítulos do primeiro livro.

A história, escrita por Flavio C. Rebello, terá cinco volumes ao todo - ‘A Revelação’, ‘A Descoberta’, ‘A Guerra’, ‘O Retorno’ e ‘O Renascimento’. A proposta é apresentar uma ficção científica de alto nível, cujo cenário principal é o Brasil, mas também por almejar se tornar uma franquia, envolvendo vários produtos.

Detalhes importantes do mundo de Moa estão no site oficial da saga.

Na epopéia de Sid há o ‘Saad’, uma filosofia religiosa e filosófica que move toda a trama. A tecnologia e a sociedade deste novo mundo, habitado por humanos, também é descrita com detalhes ao longo da série.

Também está sendo disponibilizado o idioma dos “Sids” na Internet, com direito a curso on line gratuito com monitoria. Há inclusive vidoclips no “YouTube”2 produzido com o idioma, bem como revistas e ebooks on line.

Ligações:

Site Oficial
Comunidade no Orkut
Para Aprender o Idioma

  1. http://br.cidcan.org []
  2. http://www.youtube.com []

MONITORANDO: Juvenatrix e Astaroth

Juvenatrix # 105 - Horror e Ficção Científica

• Edição # 105 – março de 2007 – 16 páginas – R$ 5,00
• Editado por Renato Rosatti desde 1991
renatorosatti@yahoo.com.br
• Website: http://www.juvenatrix.blogspot.com

Juvenatrix, o mais antigo fanzine de horror e Ficção Científica, completa 17 anos e a marca de 2.820 páginas de publicação desde a sua fundação, com a edição # 105 (março/2007). Neste número, capa de E.R. Corrêa e contra capa de Rosana Raven. A ficção ficou a cargo de Mário Carneiro, “O Lençol”; Rita Maria Felix da Silva, “Comentário Sanguíneo” e Michael Kiss, “A Fúria dos Orixás”. A edição ainda traz as resenhas sobre filmes escritas por Renato Rosatti: “O Grito”, “A Floresta”, “O Massacre da Serra Elétrica: O Início”, “Turistas”, “The Darkroom”, “Altered”, “Quarentena”, “Unknown”, “Carta Para a Morte”, “Abominável”, “Caçados”, “Zombics”, “O Hospedeiro”, “Batalha Real”, “Pumpkin Karver” e “A Praga”. Completa ainda a edição uma seção de notícias e divulgação.

 

Astaroth # 55

• Edição # 55 – março de 2007 – 6 páginas – R$ 0,55
• Editado por Renato Rosatti desde 1995
renatorosatti@yahoo.com.br

• O fanzine de Horror e Ficção Científica Astaroth # 55 (Março de 2007) está disponível com 6 páginas em formato A4, com ilustração de capa de autoria de E. R. Corrêa, trazendo contatos e divulgação de produção alternativa.
• A edição traz também resenhas sobre o livro “A Canção de Kali”, de Dan Simmons, escrita por Marcello Simão Branco, e os contos “Lição de Etiqueta”, “João Dois-Mundos” e “Uma Pequena Divergência”, de Rita Maria Felix da Silva.

Astaroth # 54

• Edição # 54 – fevereiro de 2007 – 6 páginas – R$ 0,55
• Editado por Renato Rosatti desde 1995
renatorosatti@yahoo.com.br

• O fanzine de Horror e Ficção Científica Astaroth # 54 (fevereiro de 2007) está disponível com 6 páginas em formato A4, com ilustração de capa de autoria de E. R. Corrêa, trazendo contatos e divulgação de produção alternativa.
• A edição traz também resenha do DVD “Extermínio” (28 Days Later, 2002) de Marcello Simão Blanco e dos livros de R. L. Stine “Paixão Mortal” (The New Girl) e “Número Errado” (The Wrong Number), de Michael Kiss, além dos contos “O Último Vôo”, de Frederico Falcão, e “Eu sei o que vocês vão fazer no próximo verão”, de Miguel Carqueija.

Resenha: A Corrida do Rinoceronte

A Corrida do Rinoceronte
Marco A. M. Bourguignon

Roberto de Sousa Causo pode ser considerado um dos mais importantes autores da atualidade de Ficção Científica e Fantasia brasileiros, seu nome extrapola as nossa fronteiras e chega na Europa e nos Estados Unidos, com os seus polêmicos artigos e a divulgação dos dois gêneros em revistas. Um dos mais importantes críticos e articulistas da FCB, autor do livro “Ficção Científica, Fantasia e Horror no Brasil: 1875 a 1950” (2003) e “A Sombra dos Homens” (2004) entre outros.

O autor nos apresenta um livro de fantasia contemporânea com um sabor especial, que nos faz ao mesmo tempo reconhecer e estranhar o nosso mundo. O romance narra a complicada adaptação de Eduardo Câmara a vida nos Estados Unidos, onde foi trabalhar em uma empresa de software. Ele é considerado negro nos Estados Unidos, apesar de no Brasil passar por mulato e ter certa hierarquização na pirâmide social brasileira, e é maltratado pela maioria das pessoas da pequena cidade de South River, na Califórnia. Antes mesmo de conhecer a “hospitalidade” do local, ele compra um “carro dos sonhos”, o Chevrolet Camaro z/28 1969 – um veículo turbinado que participava dos “rachas” nas redondezas. Em seguida, conhece Jennifer Adams, uma oficial de polícia, loura, e fica atraído pela beleza dela. A oficial é a responsável pelo controle das corridas de rua.

Um grande problema na cidade é o tráfico de drogas, ampliado pelo pessoal de outras regiões que participa das corridas ilegais. Mas as coisas ficam realmente estranhas quando Eduardo começa a ver um misterioso rinoceronte-fantasma que não é notado por mais ninguém.

É nesse emaranhado de situações, somado a outros eventos que vão sucedendo que a personagem deve resolver, é que o autor vai habilmente traçando sua obra..

“A Corrida do Rinoceronte” é um excelente livro, leitura obrigatória para quem gosta de um bom romance, onde o realismo mistura com o fantástico para criticar a nossa sociedade contemporânea. Ler Roberto Causo é muito mais do que ler um ótimo romance, é refletir sobre a nossa vida e o nosso mundo.

A Corrida do Rinoceronte
Roberto de Sousa Causo
Devir Livraria, 2006
Fantasia Contemporânea

Scarium 19 é Scarium Pulp

Estamos de volta com mais uma edição da Scarium. A edição 19 é uma homenagem aos antigos pulps de ficção científica. Há muito eu desejava fazer uma edição com somente contos de aventura e ação, uma edição voltada para a FC e o talento do Gabriel Boz deu a feição e o corpo deste número. A capa ficou a cargo de Emir Ribeiro, o autor da Velta.

Finalmente, nesta edição o resultado do III Concurso de Contos da Scarium. Primeiramente divulgado na edição impressa e no futuro colocaremos on line.

Leia mais no nosso Editorial Blog .

Edição de abril/maio/junho de 2007 - SCARIUM 19 - “Scarium Pulp”

Editorial

Balaio da Scarium (Gabriel Boz)
Notícias do mundo da Ficção Científica, do horror, da fantasia e do mundo fantástico, lançamentos, resenhas, livros e projetos futuros. Coluna escrita pelo Gabriel Boz.

Cartas (Opinião de nossos leitores)

A Esfinge
Edgar Alan Poe - Trad. Gabriel Boz Batalhas na Memória
Roberto de Sousa Causo

Terror no Planeta dos Canibais
Carlos Orsi

A Besta do Planeta Gernsback 5
Max Z. Egon

Lentidão
Ana Cristina Rodrigues

O Planetóide Pirata
Charles Dias

Artigos
Balaio da Scarium
Gabriel Boz

Ficção Científica Popular, uma visão sobre FC Pulp
Ana Cristina Rodrigues e Alexander Lancaster

Resenha de “A Mão que Cria”
Octávio Aragão

Fullmetal Alchemist
Cesar Silva

Concurso:
Resultado do III Concurso de Contos da Scarium

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