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Marco A. M. Bourguignon
Zigurate
– Uma Fábula Babélica é o quarto livro do escritor Max Mallmann, que
iniciou a sua carreira em
1989. Casado com a escritora Adriana Lunardi e residentes no Rio de Janeiro,
onde trabalha como roterista da TV Globo. Autor das novelas "Coração de
Estudante (2002)" e episódios de Malhação.
Sophie
Brasier faz uma grande descoberta em uma biblioteca em Paris: Uma carta do
século XVII que se refere a uma Bíblia do século XII, nela encontra a
explicação para o mito da origem do ser humano, uma história completamente
diferente da que se conhece. O Criador teria feito, com ouro, o casal imortal
Lugal e Nin, sua imagem e semelhança. O Criador se decepcionou com o casal, por
usar a imortalidade para agir como deuses. O castigo foi os tornar estéreis e
os abandonar à própria sorte.
Deus
chorou sobre a Terra, provocando um dilúvio de lágrimas que se misturaram ao
pó e cobriram o planeta de lama, com ele criou Adão. O novo homem foi feito a
imagem e semelhança de Deus, porém mortal. Com esta teoria Max Mallman começa
o seu romance.
Sophie
é uma pesquisadora com 30 anos que vive a vida por um fio, tem AIDS e uma
doença cardíaca fatal. Sua dedicação aos estudos é a forma que possui para
se agarrar à vida, mas com a descoberta do mito na biblioteca ela ganha uma
real motivação para continuar estudando, os verdadeiros seres humanos. Se
Lugal e Nin eram imortais, então, deveriam estar vivos até hoje. É claro que
Sophie como cientista não acreditava no mito da humanidade ter começado de um
casal feito de ouro.
Sophie
atravessa a noite pesquisando na Internet, além de visitar todas as bibliotecas
em busca de textos sumérios, acádios, babilônicos e assírios. Ela encontra
diversas referências a homens e mulheres que tinham cabelos, pele e olhos
dourados, como ouro. Do Egito antigo, passando pela inquisição, pela
Revolução Francesa, as conquistas Napoliônicas até a referência mais
recente na revista Vogue dos anos 60. Sophie chega à conclusão que todos eram
o mesmo casal atravessando o tempo. Ela sai de Paris e vai até Edimburgo atrás
de Franz Lugal. Enquanto Nin trabalha no Rio de Janeiro para um deputado
brasileiro envolvido no tráfico de armas.
O
interessante, nas obras de Max Mallman, são seus personagens fantásticos que
fogem dos esterótipos conhecidos, mas são facilmente reconhecidos no
dia-a-dia. Os personagens vestem uma roupagem para falar de nós mesmo, da nossa
vida, sonhos e ambições. Na sua grande maioria são marginalizados, mas
altamente sedutores. Max na verdade é um fabricante de personagens. Outro ponto
a ressaltar é a volta ao velho tema da imortalidade, também abordado em
Síndrome de Quimera. Do resto é só diversão.
Palavras
do autor:
1 -
Seu último livro "Síndrome de Quimera" foi um sucesso fabuloso, o
livro é intrigante, e apesar de ser pura fantasia nos traz para dentro de uma
realidade estonteante, como se cada personagem fosse encontrado pelos submundos
das ruas, cafés e bares... Zigurate repete a fórmula ou o livro é totalmente
diferente da "Síndrome"?
"Zigurate
- uma fábula babélica" tem alguns pontos de contato com "Síndrome
de Quimera", mas é um trabalho bastante diferente. "Zigurate" é
um romance mais ambicioso, que exigiu mais trabalho e muita, muita pesquisa.
2
- Onde tirou inspiração para os seus personagens?
A
inspiração inicial é sempre uma idéia muito vaga, muito difusa. Em
"Síndrome de Quimera", me veio a imagem do homem com uma cobra no
coração. Daí pensei: como é esse homem? Como é a vida dele? Como é o
ambiente em que ele vive? Em "Zigurate", tive a idéia de trabalhar
com o conceito de imortalidade e comecei a pesquisar. E aí foram surgindo
Gilgamesh, Nin, Lugal e Sophie.
3
- Possui algum autor que seja seu mentor ou mestre?
Não.
Sempre fui muito iconoclasta para ter mestres, mentores ou professores. Mas
gosto muito de Machado de Assis, de Jorge Luiz Borges e de Mario Quintana, que
é o poeta que releio sempre. Acho que, para quem escreve prosa, é fundamental
ler poesia, para ter uma noção melhor de sonoridade e ritmo na construção
das frases.
Leia
um trecho do livro
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