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Marco
A. M. Bourguignon
"Ela
entra no metrô. Olhando-se para ela jamais se diria que é uma loba. Seus
olhos oblíquos perscrutam. O sorriso rasgado na cara felina espera a hora
certa. Suas pernas peludas escondidas dentro das botas de cano alto, sob a
saia comprida, abrem-se e fecham-se atraindo os olhares curiosos dos
homens".
Novela
galardoada com o "Prêmio Escrita de Ficção, 1984", pode ser
considerada um resgate da Ficção Científica (tão marginalizada) para
dentro da Literatura Brasileira. A narrativa de Nilza Amaral traz a preciosidade
da literatura fantástica, comparável à eterna escritora Dinah Silveira de
Queiroz. Seus contos, novelas e romances são, antes de mais nada, pura
literatura de encantamento do mundo que nos cerca. Um olhar estranho para algo
que nos é familiar. Sua linguagem é precisa e concisa, com diálogos curtos e
essenciais. O mistério e o suspense são elementos para dar o tom do enredo. As
metáforas criam ilusões perfeitas de um mundo que conhecemos.
O
que assusta em "O Dia das Lobas" é a contemporaneidade da
narrativa, facilmente reconhecida dentro do universo criado pela autora. Uma
grande cidade urbana e capitalista, em seu colapso e decadência, onde o
erotismo, o tédio, a violência, o jogo do poder, a solidão e a
automatização são elementos principais da vida quotidiana, em detrimento do
lazer e do bem-estar social.
Na
ponta da engrenagem estão os sociólogos, que desempenham uma função sinistra
na engenharia social. Os crimes são separados por categorias e têm dia certo
para acontecer: "As terças era o dia dos saqueadores...",
"Às quartas era o dia dos topadores, pessoas que saíam dando-lhe topadas
pelas ruas esburacadas, tentando roubar-lhe alguma coisa. Essa espécie já
estava quase em extinção porque se tornara ridículo tentar tirar o que os
outros não mais possuíam...", e "Era sexta-feira, dia dos
estupradores,...". Um dos maiores problemas na ordem institucionalizada
era a nova classe que estava surgindo: as lobas, criaturas angélicas, bonitas
com seus "cabelos cor de mato queimado". As sextas-feiras se
transformam em criatura de pelos macios e procuravam por suas vítimas no metrô
e "Aos sábados apareciam muitas mulheres queixando-se do
desaparecimento de seus companheiros".
Estes
é um daqueles livros que, quando começamos a ler, não conseguimos mais parar.
E ao final pedimos mais.
Leia On
Line da autora:
A
Mão Decepada
Leia
Também na Scarium MegaZine:
Como
se fosse o último dia do Ano - Scarium MegaZine, nº 3, nov/dez de
2002.
Feto!
- Scarium MegaZine, nº 0, mai/jun de 2002.
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Razão
Social
Páginas: 70
Formato: 13X21
Nilza
Amaral,
nasceu em Piracicaba, morou em várias cidades do
interior onde fez seus primeiros estudos. Fixou-se em
São Paulo nos anos 60. Formo-se em Literatura Inglesa e
Portuguesa e fez cursos de aperfeiçoamento no exterior.
Começou
na literatura abrindo caminho através de concursos
literários tendo obtido vários prêmios. Escreve
novelas nas que focaliza a inter-relação mulher
homem-ódio-amor-medo.
e-mail
para contato: nilzamar@webcable.com.br
Outras
obras da autora
O
Florista Editora Masso Ohno, SP, 1998. 127 páginas
Meia
Lua e esmalte vermelho Editora Writers, SP, 98
páginas
Lugar
de Mulher é na Cozinha Antologia Editora
Writers, S P, 2001, 120 páginas
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