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1. Começamos dando-lhe boas-vindas.
Vimos acompanhando seu trabalho de divulgação, frente o CLFC, e o
que diria Alfredo Keppler sobre si mesmo?
Bom, eu poderia
começar com aquela introdução-padrão: sou um ser humano, nativo do
planeta Terra, que orbita uma estrela classe M5 etc, etc, porém acho
que não seria muito ilustrativo. Melhor dizer que sou paulistano de
origem, porém à-vontade em qualquer outro lugar da Terra; sou
casado, 2 filhos, 54 anos, enfim aquela história burguesa típica.
Durante um certo tempo eu acalentei a idéia de me alistar na
tripulação de uma nave de exploração estelar porém, como paramos
por ali na Lua, ao invés de manter corpo e alma juntos consertando
sub-sistemas de refrigeração em Vega IV, eu acabei tendo que
trabalhar como engenheiro, projetando plataformas de petróleo no Rio
de Janeiro. Bom, ainda espero...
O CLFC entrou na
minha vida por acaso. Eu
gostava de FC e já lia muito quando me deparei com uma reportagem
sobre o clube num jornal, lá pelos idos de 1989. Eu apareci na
reunião seguinte e fui muito bem recebido – afinal, o que é mais
um lunático no hospício!, o resto é história, muito chopp e muita
pizza. Nesta ordem!
2. Noto que você é bastante
descontraído e bem-humorado em suas respostas, por isso vamos em
frente e tentando não perder essa informalidade: Keppler, é sem
dúvida, um sobrenome homônimo a um dos mais famoso astrônomos que
tivemos. Alguma homenagem ou relação parental com esse cientista
alemão do século XVII?
Dizia o meu avô
Keppler que tínhamos um parentesco remoto, porém eu desconfio que
deve ser lorota. Afinal, o sobrenome Keppler é muito comum na
Alemanha e na Áustria e tem origens bastante humildes – vem de
"Kapeler", que quer dizer "chapeleiro". Como
naquelas priscas eras todo mundo usava chapéu, eu presumo que toda
aldeia devia ter o seu chapeleiro. Astrônomo porém era bastante
incomum (e ainda é...), logo, pela lógica fria dos números, é bem
mais provável que eu descenda de um chapeleiro do que do famoso
astrônomo!
3. Se não está no céu pelo menos
cobre a cabeça das pessoas. Isso também é louvável. Empossado em
2003, recebendo o bastão de seu antecessor, Gerson Lodi-Ribeiro
(que manteve o cargo por dois mandatos consecutivos), você é o
atual maestro do CLFC. Qual será sua política pessoal, algo que
lhe servirá de meta e tentará fazer cumprir?
Êpa, quando me
candidataram não me disseram nada desse negócio de "receber o
bastão"! Era apenas para "segurar o leme" que o Gerson
estava largando... No bom sentido, é claro!
Eu devo confessar que
começo o mandato já com um sério problema. Aliás, são dois. O
primeiro é por causa da diretoria anterior: ao contrário da imensa
maioria dos demais recém-eleitos, eu não terei a escapatória usual
de botar a culpa no pessoal que saiu, pois além deles serem meus
amigos e de terem feito um trabalho impecável ao longo dos seus dois
mandatos, ainda por cima nos deixaram as finanças em ordem. O outro
é que eu tampouco vou poder mudar o "ministério" ao longo
do caminho, por motivos óbvios.
O que me resta então
é começar mantendo o barco do CLFC no mesmo rumo ¾ qualquer
semelhança com o Lula é mera coincidência! Depois, eu gostaria de
tentar algo novo:
- Criação do
Banco Virtual de Livros | uma espécie de Biblioteca Circulante
destinada a alimentar os "famintos por livros" ¾ Não é
Fome Zero para as traças! A idéia veio da constatação óbvia de
que os livros de FC escasseiam nas livrarias daqui. Ora, diriam
alguns, tem a Amazon. É, tem, mas eles esquecem que lá se paga na
moeda da Matriz, mas com salários da Filial. Sem contar que muitos
clássicos estão fora dos prelos faz tempo. Num parêntesis, não é
de espantar que FC&F&H hoje seja sinônimo de filmes, pois
tirando os "arripóters" da vida, só aparece filme por
aqui. Temos, porém, muitos sócios detentores de robustas
bibliotecas, alguns até com problemas de espaço pra guardar montes
de livros, que eles jamais irão reler, entregues ao mofo e às
traças mutantes. Uma péssima "distribuição de renda",
que poderia ser mitigada com algumas doações generosas. Sem
contar que daria até para começar com o razoável acervo de livros
do próprio CLFC. Em linhas gerais, a idéia é disponibilizar livros
para empréstimo aos sócios pagantes. Duas tacadas no mesmo Klingon:
estimulamos a leitura e damos mais uma motivação para os sócios.
- Ampliação do
escopo do CLFC - Hoje o clube é visto pelo pessoal, digamos, das
"novas gerações", assim meio de través, como um bando de
velhinhos (hehehe, de fato...) inofensivos, apesar das suas idéias
bizarras e subversivas, e um tanto excêntricos – eles lêem livros!
Eu acho que seria bom tirar um pouco dessa conotação estritamente
literária do clube, transformando o Clube dos Leitores de FC na
Comunidade dos Ligados em FC. Isto é, sem mudar o essencial, mas aceitando
o fato óbvio de que o interesse por FC&F&H não se limita
necessariamente à mídia impressa. Outra idéia era de juntar as duas
Listas de Discussão do CLFC na Internet numa só, evitando uma
divisão desnecessária entre sócios e não-sócios, que também
aliena as pessoas que também gostam de FC&F&H, porém se
ligam preferencialmente a mangás, RPG e seriados de TV. Essa proposta
foi, porém, rejeitada num plebiscito, a maioria achou que seria útil
manter as duas listas. Vox populi, vox Aragão...
- Atualização do
cadastro dos sócios do CLFC ¾ Outro trabalho aparentemente
hercúleo, mas que na prática deve ser mais simples do que parece ¾
vide o cadastro do Somnium, que rolou muito tempo na categoria das
Missões Impossíveis e acabou saindo. Aliás, fazer o cadastro dos
sócios será de fato mais fácil, pois já existem os Arquivos
X e Y do Gérson e do Humberto, respectivamente.
- Reativação do
Somnium – Infelizmente, por enquanto esse plano é mais
para pensar do que pra fazer, visto que envolve muito mais trabalho.
Mas ele tem grande importância para o Clube, para reativar um
tradicional canal de divulgação do trabalho dos novos
escritores, hoje praticamente limitados à Internet e a um ou outro
zine esporádico. Será um sonho distante? Será reanimar um zumbi
tecnológico? Perguntas ainda sem resposta.
4. Sua premissa básica de ‘governo’
faria qualquer ouriço morrer de inveja. Aproveitando o ensejo, como
enxerga o fandom e o que seria sua utopia predileta em se tratando
de realização de um sonho – ou quase - para a Ficção
Científica Tupiniquim?
Eu pessoalmente nunca
vi esse bicho de nome esquisito, esse tal de fandom brasileiro. O que
eu sempre vi e continuo vendo é uma coleção variada de pessoas,
unidas frouxamente pelos laços imateriais de um interesse em
comum – a FC. Uma espécie de "karass" Vonnegutiano, um
grupo de pessoas não necessariamente ligadas por algum grau de
parentesco, porém gravitando em torno de outras pessoas, numa
dimensão espacial fora das 11 usuais (vide "Cama de Gato").
Sendo um "karass", a coesão do grupo é bastante frouxa e a
maioria nem sequer sabe que faz parte dele!
O meu sonho é ver
crescer este grupo de pessoas fantásticas, opinionáticas e, acima de
tudo, interessantes, até atingir a massa crítica necessária para
manter e sustentar a reação em cadeia "escritor/produtor –
editor – leitor/consumidor".
Idealmente, eu
imagino que deveríamos ser um grupo vibrante, aguerrido, dinâmico,
atuante, por aí a fora. Algo como uma torcida uniformizada de
futebol, porém sem a violência, mesmo porque imaginem o estrago se,
por exemplo, os Jeddais entrassem em guerra campal com os Trekkies!
Entre golpes de espadas e balaços de raios phaser, não ia sobrar
nada...
Mas um sonho meu bem
mais modesto já estaria realizado se surgissem pelo menos mais uma
dúzia de pessoas dispostas a dedicar um pouco do seu tempo a
trabalhar pela FCB. Algo na linha do excelente trabalho que o nosso
"Mestre da Teia", o Marcos Bubolz, vem fazendo com a página
do CLFC: com um mínimo de recursos de fora (aliás, nada...), ele vem
mantendo uma página interessante e atualizada, na base do puro
voluntariado.
Ou seja, eu sonho
mesmo de ter mais gente conosco com o Trio de Ouro do Voluntário:
Tempo, Vontade e Talento. Principalmente Vontade, que é
imprescindível para por em prática as inúmeras boas idéias
levantadas até agora. "Mais operários e menos ideários"
seria um bom lema. Ah sim, é claro, seria melhor ainda se os atuais
lapidários resolvessem passar pro lado dos remadores!
5. Sem dúvida! Não importa o que
diga a cultura da massificação: as pessoas fazem diferença e
canalizar esforços, ainda que mínimos, porém coordenados,
distribuídos, resultaria em uma produção mais significativa.
Captar novos sócios e injetar ânimo nos antigos, conquanto tarefa
árdua, deve vir de encontro às suas aspirações. Considerando que
seja portador do vírus da FC, como você contraiu essa ‘doença’?
Fale-nos daquilo que o trouxe para a ficção científica, os
livros, filmes, documentários, enfim, o que julgar procedente para
que possamos avaliar suas preferência e influências.
Vamos às
reminiscências. Eu comecei na FC por volta de 1963, lá pelos meus 13
~ 14 anos, com uns livrinhos da série"Futurâmica". Os meus
avós paternos se mudaram para Santos e eu e meu irmão passávamos as
férias com eles. Nós íamos com a minha avó de bonde até o
Boqueirão, havia lá uma grande livraria onde ela comprava as suas
revistas de tricô e uns gibis para nós dois. Um belo dia eu vi
exposto um daqueles "pockets" da EDIOURO, "A Vingança
do Marciano", uma bela capa com foguetes e tudo, acabei saindo
com o livrinho embrulhado. Eu o tenho até hoje como lembrança, já
todo espandongado, capa e folhas soltando. Depois, vieram os
Argonautas, os GRDs ("Cidade","Um Cântico para
Leibowitz") e tantos outros, encontrados também em Santos e em
praticamente todas as livrarias do Centro de SP.
Em resumo, eu tive a
sorte de pegar o gosto pela coisa numa época em que quase todos os
livros "clássicos" estavam disponíveis nas livrarias e,
importante, a preços acessíveis até para um garoto que recebia uma
mesada bastante modesta. Ah sim, eu já estava viciado naquela droga
quando também tive a sorte de assistir Star Trek e 2001 na estréia
(vide adiante). Foi outra revelação – tinha também FC fora dos
livros! E por falar em livros, é de se notar que foi por causa da FC
que eu aprendi Inglês "na marra": após ter esgotado
quase tudo o que havia em Português na época, eu parti pra cima de
um "pocket"de FC em Inglês escolhido ao acaso. Acho que
levei um mês para ler a primeira página, folheando um dicionário
velho. E foi um dos melhores investimentos de tempo que eu fiz!
Hoje seria muito
difícil alguém refazer sozinho a minha trajetória FC-livresca, que
foi aliás a mesma trajetória dos fans da minha idade. As
mega-livrarias só estão investindo em livros apoiados por mega-doses
de promoção e somos afogados por uma enxurrada de bosta-sellers e
auto-ajuda. Sem falar no empobrecimento da população, uma
barreira pouco lembrada porém bastante sentida. Portanto, o que
sobrou hoje de FC são os mega-filmes, na maioria "space
operas" tipo tiros, bombas e massacres. Até daria para alguém
começar a pegar o gosto pela coisa com isso, mas vai morrer ali, pois
não haverá mais nada de adulto para continuar.
Mesmo assim, temos
tido algumas novas adesões ao clube nos últimos meses, o que não
deixa de ser animador.
6. Também guardo o meu "A
Vingança do Marciano" e já li a minha cota de bosta-sellers.
Mudando um pouco de assunto, sem uma grande guinada, qual seria sua
política em relação ao próximo ARGOS (**)? O ‘Oscar’ do CLFC
será mantido? Em tempo: na hipótese do prêmio continuar, na
próxima questão o assunto se desdobra.
Se depender de mim e
dos atuais membros da comissão organizadora, o ARGOS não só
continuará como ainda, presumo eu, deverá ser ampliado com o
desdobramento do prêmio de ficção em dois, um para ficção
"curta" (contos e noveletas) e outro contemplando livros e
obras, digamos, de maior extensão.
7. Espero que isso seja ratificado.
Como prometido (alguns diriam ‘ameaçado’), no segmento ‘idéias’
reúno aqui alguns tópicos que gostaria de colher sua opinião: O
Argos já é algo que goza de boa aceitação. Criar um selo, a ser
conferido aos vencedores, a ser impresso nas publicações e demais
trabalhos premiados, não seria um bom incentivo?
A idéia em si do
selo é uma boa, seria algo parecido, "mutatis mutandis",
com o selo de qualidade dos cafés, que de fato valoriza e orienta os
consumidores. No caso do ARGOS, orientaria os leitores. Seria o caso
de bolar um logotipo, criar o selo e, daí pra frente, bom, pode até
levar um tempo, mas também o Goncourt, o Jabutí e, porque não, o
Nobel também um dia tiveram que começar!
8. Poderemos ter um pool de
publicações – conferindo prêmios - todos ajudando a divulgar e
prestigiar, irmanados na captação de textos inéditos dentro da
esfera de interesse do CLFC?
Possível é, porém
só quem já organizou um prêmio literário amador sabe da
trabalheira que isso dá. E como normalmente os editores das
publicações mal conseguem tempo e $$ para publicá-las, o que dizer
de organizar e promover premiações? Talvez a SBAF, se ela
conseguisse uma representatividade significativa do universo editorial
da FCB, quem sabe poderia centralizar algo nas linhas do que v.
propõe.
9. A Scarium se
coloca ao seu inteiro dispor. Por falar nisso, como o fomento
principal – assim consideramos – é a revitalização de textos e
autores nacionais, os escritores estrangeiros não poderiam participar
em uma categoria à parte? Ou postula a universalização da escrita?
Um dos cânones do
CLFC sempre foi o incentivo à produção de FCB, mais recentemente
estendido à FC Lusófona em geral. Eu não vejo muita necessidade de
ampliar o âmbito do ARGOS às obras em outras línguas, por elas já
estarem muito bem atendidas por outros prêmios. E veja que já é
complicado incluir os escritores lusófonos ultra-marinos, pois os
livros de FC estrangeiros (incluindo estes, infelizmente) simplesmente
sumiram das nossas livrarias e das prateleiras dos fans, tragados pela
já mencionada enxurrada de bosta-sellers e auto-ajuda e cortados pelo
empobrecimento dos leitores.
10. Também não
seria mais indicado, até em termos de adequação, restringir o Argos
a somente obras de Ficção Científica, vedando aos textos de terror
e fantasia, entre outros? Ou termos o Argos segmentado em categorias
estanques, mantendo sua logística atual que visa premiar –
corrija-me se estiver errado – (a) O melhor conto; (b) O melhor
livro e (c) A melhor publicação, virtual ou não?
Eu acho que não
devemos segmentar mais o ARGOS, muito menos limitá-lo à "FC
pura". Se olharmos o mini-universo do que é publicado
anualmente por autores lusófonos – que é o âmbito do ARGOS, fica
claro que não podemos limitar, nem tampouco segmentar mais o prêmio,
sob o risco (ou melhor, quase certeza) de ficarmos com categorias
vazias ou, no mínimo, muito mal representadas. Fora que daríamos uma
grande abertura para nos perder no pantanal das polêmicas estéreis,
tipo isso aqui ou aquilo alí não é FC, é F ou é H ou é etc.
Porém, fora isso e sem jamais excluir os lados F&H do ARGOS, nada
impediria que no futuro a coisa evolua para a segmentação, conforme
ocorra a natural expansão do referido mini- universo.
11. Diga-nos o que
achou do último concurso, onde a participação popular (2a
Fase) esteve presente (embora sem cumprir muitas das instruções) e
escolheu as obras dentro do universo votado pelo próprio Clube?
Quanto ao concurso em
si, estou certo de que ele foi bastante representativo dos fans
"ativos", por assim dizer, atualmente coisa de umas 50 ~ 60
pessoas no Brasil, se tanto. E as obras escolhidas, se não foram
unanimidade, pelo menos realmente se destacaram das outras. Enfim,
prêmios justos e merecidos. Agora, eu devo dizer francamente que
fiquei muito decepcionado com o baixíssimo quorum da cerimônia de
entrega do Prêmio. Faltou platéia até dos nativos e, pior, faltaram
também muitos premiados. Algumas ausências foram justificadas e
outras até justificáveis, porém realmente não deu para entender o
vazio no salão: o local era excelente, o clima ajudou, o horário e a
data eram adequados, a divulgação foi intensa, enfim, um excelente
trabalho de organização que não foi correspondido à altura.
12. Para efeito de
transparência e melhor organização dos trabalhos indicados ao
Prêmio, é possível termos uma sinopse das obras (livro, conto ou
publicação) e até amostras de material, dados de como encontrar,
incentivando o público a conhecer mais a fundo o universo daqueles
que escrevem e publicam e estão sendo votados?
Outra idéia
interessante, apesar de eu não ver muita lógica em colocar sinopses
e amostras – afinal, espera-se que quem for indicar e votar já
tenha no mínimo lido a obra! Mas sem dúvida vale a sugestão, já
encampada, de preparar a lista de obras passíveis de leitura,
indicação e votação, incluindo as coordenadas para localizá-las.
13. Ainda em
relação ao Argos, vamos a uma digressão e a pergunta está no
final: Verificou-se uma alta incidência daquilo que foi rotulado de
"lobby" de pessoas – orientadas ou desinformadas - votando
em uma e outra obra, ‘esquecendo’ que a cédula de votação
prevê um espectro mais vasto de indicações. Alguns acreditam que
isso não é tão nefasto assim. Que força os concorrentes a se
manterem atuantes, expandindo fronteiras, tentando captar os votantes
onde quer que eles estejam, num corpo-a-corpo que visa atrair e fixar
público. Por outro lado, fala-se que a qualidade pode não
necessariamente andar de braço dado com a quantidade, ou seja, que
autores e publicações concorrentes influentes, com maior poder de
mídia, são uma concorrência desleal aos demais, até mesmo
desenvolvendo rixas e uma cisão pouco salutar. Isso se dá porque
faltou uma política, um regulamento interno, uma cartilha básica, a
ser submetida (talvez em fórum aberto) e aprovada, usando o
ensinamento dos concursos passados, prevendo punições e dispositivos
para que, ainda que presente, o desgaste não seja tão grande. Você
acredita que o CLFC precisa meter a mão na massa, criar uma
comissão, se pretende (e isso é altamente louvável) levar a
literatura e o pensamento de seu nicho para o grande público,
policiando e azeitando as engrenagens de todo processo seletivo? Ou
crê que as coisas possam se ajeitar sozinhas, que algo tão complexo
não carece de qualquer gerenciamento?
Francamente, não
vejo como coibir o "lobby" num concurso desse tipo, até o
Oscar e o Nobel são influenciados por "lobbies", em maior
ou menor escala. A nosso favor entretanto, tem o fato de que não há
quase que nenhum ganho monetário direto para os premiados, nem
tampouco somos uma comunidade de otários alienados, que vendem os
seus votos ou os dão ao primeiro malandro que aparecer com uns
trocados e palavras melosas. Ou seja, nós temos que confiar que a
divulgação da lista das obras publicadas no período de abrangência
da premiação já sirva para chamar a atenção dos sócios, o resto
tem que ficar na consciência de cada um e no olho atento da Comissão
Organizadora, para pegar alguma eventual pilantragem mais escandalosa.
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A meu ver, o atual
Regulamento do ARGOS já é suficientemente "ditatorial"
para prescindir de punições adicionais, fora o que a exposição
pública dos eventuais fraudadores já seria punição suficiente.
14. É possível o
CLFC reinvestir no Somnium (***), formato papel, distribuindo arquivos
em PDF para o grande público, também prestando um serviço à FCB? E
sobre o site, o que podemos esperar como novidade em 2004?
Eu gostaria que a
resposta para o Somnium fosse um grande SIM. E tudo isso aí que v.
sugeriu é possível, com certeza. Sob risco porém de soar redundante
e chato, o único empecilho para que isso aconteça, para que o
Somnium prossiga saindo com qualidade e regularidade, continua sendo a
conspícua carência de voluntários para remar na canoa. Algum
candidato aí? "En passant", eu fico ouriçado toda vez que
ouço uma frase tipo "o CLFC precisa fazer isso ou aquilo",
ou pior ainda, quando alguém pede a palavra para sugerir no plural
majestático "nós precisamos fazer X e Y". "Nós"
quem, cara-pálida? O CLFC não existe como entidade física, ele não
faz nada, são os voluntários que fazem!
Quanto ao nosso
sítio, logo de cara eu tenho que elogiar novamente o trabalho que vem
sendo feito pelo Marcos Bubolz (t.c.c Gilgamesh), incansável
batalhador na inclusão de novos arquivos e atrações, sem o que a
página "morreria" - como por exemplo, a secção de arte
fantástica. Um ponto que poderia ser melhorado é que a página
continua hospedada num daqueles famigerados "provedores
grátis" – de fato, grátis pra nós, porém sustentados pela
inserção contínua de "banners" e "pop-ups"
pentelhos. Nós já recebemos propostas para hospedagem em sítios
afins (o da Casa da Cultura, do André Masini) e o Gilgamesh também
já andou empregando os seus mitológicos super-poderes na pesquisa de
alternativas pagas, porém eu puxei o freio até ver como ficam as
nossas finanças neste ano. Fora isso, de novidade, estou pensando em
incluir um Ponto de Encontro dos fans de FC&F&H, onde estariam
as coordenadas dos interessados em contactar outros lunáticos. Isso
é algo que faz falta e volta e meia alguém nos escreve pedindo
ajuda. Continuaremos também incorporando links de outras páginas e
pessoas afins.
15. A propósito
de ‘movimentar as massas’, o CLFC aprovaria alguma iniciativa
externa (de algum sócio ou não) de montar alguma Convenção? No
caso de sim, quais seriam os autores e personalidades (nacionais e
estrangeiros) que, num primeiro momento, hipoteticamente, você
informaria para serem convidados? Só em termos de qualificação,
algum sócio estaria capacitado para dar workshops e palestras?
No caso, pode indicar o(s) nome(s) e especialidade(s)? O objetivo
desta pergunta é tornar público que precisamos divulgar mais a FC e
Convenções costumam atrair interesse externo, inclusive por parte da
mídia.
Essa pergunta sobre a
aprovação do CLFC às iniciativas dos fans já foi feita muitas
vezes no passado e a resposta sempre foi e será a mesma: "Vai em
frente, José!!". Claro que pode! Se justamente o que nos falta
são voluntários para agitar o barraco, jamais poderíamos ser
contra, ou de alguma forma querer impedir um herói de organizar um
evento ou uma Convenção fanística, que é um dos troços mais
complicados e trabalhosos de se fazer! Evidente que qualquer evento
com o patrocínio ou em nome do CLFC teria que ser proposto antes para
apreciação dos sócios, mas isso é fácil e eu garanto que ninguém
vai ficar fazendo exigências ou picuinhas a toa.
Normalmente o empreendedor tem
carta-cinza pra tocar a coisa, ele só tem que se fortalecer para
segurar o rojão de críticas dos lapidários de plantão. E não
contar com muita ajuda e apoio do CLFC, além do apoio
"moral", lembrando sempre que o CLFC é um grupo de
voluntários!
Alguns sócios do
CLFC andaram participando das convenções de FC em Portugal,
promovidas pela (falecida? moribunda?) SIMETRIA. Eu fui à última
delas como convidado e gostaria muito de poder re-editar algo do
gênero aqui em Pindorama. Seriam convenções bienais temáticas,
convidando de preferência o pessoal cucaracho e, eventualmente, algum
gringo famoso como isca. Eu acho porém que ainda vamos ficar um bom
tempo só na vontade, faltam pessoas para organizar e dinheiro para
pagar as contas – e eu me recusaria a trazer algum mané decadente
à la Sinatra e Spock, só para atrair os trouxas, custa caro e os
resultados, passado o oba-oba, seriam pífios.
16. Há tempos
mandei pro CLFC uma proposta assim. Concordo inteiramente que isso é
obra de maluco. Mas temos isso sobrando, não é? Falamos de Alfredo
Keppler, Presidente do CLFC. Mas como é o dia-a-dia do cidadão
Alfredo, despido de seu cargo?
Hahaha, pena que essa
entrevista não seja ao vivo, pois ia ser muito engraçado ver eu
tentando me "despir do cargo" pra responder a essa pergunta!
Que seja então no sentido figurado. Eu trabalho num escritório de
engenharia e portanto, na síntese genial dos franceses, eu vivo num
círculo diabólico "Metro-Bulot-Dodô" (em Francês rima,
em Português fica mais ou menos Metro-Trampô-Nanô). Isto é, o meu
quotidiano não é mais aventuresco do que o da imensa maioria dos
outros habitantes desta Cidade Maravilhosa, que também todo dia saem
de casa para o trabalho esquivando-se dos pivetes, camelôs,
punguistas, deputados, vereadores e outros vadios variados que vivem
na espera de te tungar algum. Pra que mais aventura?
17. É a
capacidade natural das coisas de entramos em fria. É uma aventura
chegar em casa, ileso, e precisamos aprender a (sobre)viver com isso.
A seguir, mais alguns tópicos que pedem respostas (curtas ou não) e
nos ajudarão a conhecê-lo um pouco melhor. Se a resposta for um sim
ou um não, justifique:
a. Seu livro de cabeceira;
São as
"Meditações", do (ex) imperador romano Marco Aurélio.
Ajudam a me lembrar de que já faz tempo que se pensa no sentido da
vida e ainda não se tem uma resposta satisfatória.
b. Se fosse escreve algo, dentro
ou fora da ficção científica, a partir de hoje, sobre o que
seria?
Eu não tenho
nenhuma pretensão literária, mais talvez por não querer ser mais
um a torrar os pacovás dos amigos com suas elucubrações. Ou
talvez mesmo por reconhecer honestamente que não tenho talento nem
nada de novo e interessante a contar. Mas é claro que escrevo e
muito, porém voltado à minha área de atuação profissional.
c. Suas respostas são muito
contundentes e acredito que seu texto ficcional não deve ficar
atrás. Já publicou algo?
Não que me lembre,
exceto uns trabalhos em congressos e seminários de engenharia. Ah
sim, também escrevi alguns artigos em fanzines – porém nunca
publiquei nada de ficção.
d. Como desse mato não sai
cachorro – ao menos por enquanto – uma outra guinada: gosta de
cinema? Quais os 3 filmes que mais curtiu? Se quiser pode incluir
seriados de TV ou HQs.
Eu gosto muito de
cinema, se bem que menos que de um bom livro. O filme geralmente é
uma interpretação visual explícita feita por um terceiro,
enquanto que ler um livro, é mais interessante, é você que
constrói a cena.
Quanto aos meus 3
filmes preferidos, bem, eu já comentei sobre isso mas vale a pena
relembrar. Inevitável citar 2001. Eu tive a sorte de ter ido à
estréia em SP, naqueles anos de chumbo, mais sorte por ter ainda
só 19 anos e algumas ilusões. Eu cheguei um pouco atrasado e o
filme já havia começado – estava naquela cena dos macacos
olhando o monólito. Bom, já faz uns 35 anos, mas eu ainda me
lembro como se fosse hoje: o cinema estava cheio, mas quando acabou
o filme, nem eu nem quase ninguém se levantou, ficamos chapados com
o que havíamos visto. Foi um momento mágico e inesquecível. Hoje
vejo que 2001 envelheceu e eu também, mas ficou a lembrança da
emoção e do sentimento daquela época. Incidentalmente, a garota
que estava comigo achou 2001 um saco, nem preciso dizer que a coisa
entre nós não durou muito tempo mais! Incompatibilidade total de
gênios!
Depois vem Star
Trek, a série original. Num nível muito mais simplório do que
2001, é claro, ST era algo mais pro estilo
anões-com-trajes-de-borracha, mas ainda assim teve lampejos de
grandeza – apesar do capitão ainda ser um WASP, tinha também
aquela gostosíssima Ohura e um oficial claramente eslavo/russo.
Quem hoje não vê nada demais nisso é porque não viveu o
"apartheid" explícito da época, nem a paranóia da
Guerra Fria.
O terceiro seria
Blade Runner, que eu só fui ver muito depois do lançamento. E
curiosamente para um PKDista de carteirinha, sem ter lido antes o
conto original. Talvez até por isso é que eu gostei tanto do
filme, que para mim é um dos poucos que saiu melhor do que o
texto-mãe. Ou melhor, que virou uma obra que se sustenta sozinha.
Mesmo não sendo uma versão quadro a quadro fiel ao texto, BR
transmite aquela potente inquietação dickiana sobre o que é real,
o que é irreal e sobre que diabos afinal significa ser humano.
e.
E os 3 livros (autores
nacionais e estrangeiros)?
Difícil, muito
difícil. Mesmo porque cada época teve os seus "livros
inesquecíveis" e vai parecer esquisito eu botar livros que eu
hoje reconheço como campeões, lado a lado com os campeões do
passado, muitos dos quais eu hoje nem teria mais saco pra reler. Mas
no espírito da sua pergunta, eu levaria comigo pra Marte "O
fim da infância"do Clarke, "Lord of Light"do Zelazny
e "Cama de Gato"do Vonnegut.
f.
Boas escolhas. Particularmente
o "Senhor da Luz" é muito surreal e inesquecível. Em
contrapartida ao item anterior, pode nos apontar alguma
publicação execrável, um livro ou filme ou documentário ‘esquecível’?
Sai dessa, capeta!
Eu não entro nessa! Já vi muitas amizades e até casamentos
desfeitos justamente por exporem em público aquilo que só se deve
pensar – e pensar bem baixinho, pra nenhum telepata captar! Como
já sabiamente reconhecia o filósofo Protágoras, num contexto
semelhante, "evite fazer inimigos, pois se os amigos vêm e
vão, os inimigos se acumulam".
g.
Já que testei meus chifres,
vamos continuar na mesma linha: se pudesse escolher o comandante e
tripulação de uma nave, usando tanto personagens ‘reais’,
atuais, quanto históricos e fictícios, como você escalaria os
10 postos-chave desse veículo espacial? Qual seria o nome de
batismo da nave?
Caramba, eu vou ter
que escapar dessa também pela tangente! Depende de quais seriam os
objetivos desta nave, é claro! Se ela fosse de exploração, o que
parece ser o mais provável, eu poria nela a Capitã Barbosa – ela
pelo menos falaria português e de quebra, ainda seria mais
fotogênica. Ela seria auxiliada por uma trupe de cientistas
variados, incluindo ao menos um etologista ateu. A nave seria a Kon
Tiki, é claro, lembrando aqueles polinésios que foram certamente
os maiores navegadores de todos os tempos.
h.
Não era exatamente isso que
tinha em mente, porém vou aceitar o seu drible. Mas sou
insistente: o que levaria no compartimento de bagagem e poderia
ter em seu alojamento, se você pudesse ser o dono desse veículo
de orçamento ilimitado e recursos inimagináveis? Vale qualquer
coisa, desde objetos até sentimentos.
Eu levaria uns 15 a
20 sextilhões de espaço de memória e uma quantidade
"suficiente" de elixir-da-longa-vida, para cada um dos
companheiros da nave. E quem sabe, talvez também uma boa dose de
SuperbonderCardíaco, uma dose que desse para consertar de vez todos
os corações partidos...
i.
Quais seriam os 3 primeiros
portos a serem visitados? Não esqueça de justificar e pode até
incluir quaisquer dos planetas e dimensões que conhecemos no
campo ficcional.
Interessante essa
pergunta. Eu me lembro de um conto do Damon Knight, se não me
engano intitulado "A ticket to anywhere" ("Um bilhete
para qualquer lugar"), no qual um dos últimos desajustados
numa Terra onde toda violência e patologia mental foi dominada (à
custa de deixar todo mundo biruta) acaba embarcando numa das mais
extraordinárias viagens já imaginadas na FC. Ele entra numa cabine
abandonada em Marte há zilênios por alguma raça desaparecida, Ela
está vazia, exceto por uma alavanca. Toda vez que ele mexia nessa
alavanca, ele era transportado instantaneamente para um ponto
qualquer na Galáxia. Não havia como escolher o destino, só a
ação de ir.
Aqui não dá pra
resumir direito o conto, uma pérola perdida numa dessas antologias
de FC, porém eu me lembro que acabei de ler e fiquei um bom tempo
meio aéreo, matutando naquilo. Cacete, taí uma viagem que eu
gostaria de fazer, sem destino imediato definido, sabendo apenas que
enquanto eu continuasse viajando e vendo coisas novas, não
envelheceria. E pouco a pouco iria espiralando em direção ao
Centro da Galáxia, onde...
j.
Isso têm cara de
continuação. Como esta não veio, que tal sabermos se a
Astronomia também exerce algum fascínio em você?
Difícil ter
continuação, infelizmente (ou não) o conto também acabava em
aberto e esse era mesmo o espírito da coisa. Quanto à Astronomia,
eu desde criança fui ligado nisso, tanto é que antes mesmo de
entrar para o CLFC eu já era sócio de duas associações de
astrônomos amadores, construía telescópios e dava umas espiadas
sem compromisso. E ainda hoje eu observo sempre que dá tempo e abre
o céu – coisa rara em SP! Aliás, a minha experiência passada
com associações amadoras de astronomia me é bastante útil
hoje para entender o CLFC, os problemas são os mesmos. E o prazer
também é o mesmo, o prazer de uma ocupação totalmente inútil,
que no fundo é o que realmente vale a pena na vida.
l.
Se pudesse batizar um sistema
estelar binário, com doze planetas, que nomes usaria?
Certamente não
seria Novo Sol, mesmo porque logo de cara já seriam dois! E já
chega o meu nome, que é igual ao do meu pai e do meu avô, coisa
mais sem imaginação! Eu gostaria mesmo é de botar nomes
totalmente sem sentido, como "Gropx" e "Apltr",
por exemplo.Um troço anarquista, simbolizando um novo começo para
os eventuais colonos. E é claro, nessa mesma linha anárquica, os
planetas seriam numerados ao acaso, sem a menor ordem!
m.
Se Alfredo hibernasse por 1000
anos, o que enxergaria nesse primeiro dia no futuro? Como existem
esquifes vagos, alguma companhia no sono criogênico?
Eu já pensei muito
nisso e imagino que, além de alguns gadgets novos, no futuro próximo o
impacto da biotecnologia vai virar tudo de pernas para o ar: troca de
órgãos, de cor, sexo e mentes, vidas longas e variadas e muito menos
gente na Terra do que hoje. Porém suponho também que estruturalmente
as coisas não mudariam tanto. Isto é, as sociedades continuariam sendo
piramidais, como são desde os tempos dos faraós, os que mandam em cima
e os companheiros obedecendo embaixo. Quanto à companhia nessa
"fria", sei não, tirando o(a)s óbvio(a)s, eu levaria pelo
menos um cara que saiba fazer pizza.
18. É sua 2a
citação que envolve pizzas. Espero que dentro dum milênio elas
existam, ao menos para o seu bem. Com isso chegamos no fim do túnel.
Palavras finais: sua opinião sobre esta entrevista à Scarium,
comentário geral sobre quaisquer assuntos que não tenham sido
ventilados e uma frase que gostaria de deixar para reflexão.
Eu gostaria de dizer
que estou impressionado com o ímpeto dos Scarianos, tocando um zine de
aspecto e conteúdo quase que profissional – e isso é um elogio! Mas
estou também um tanto alarmado: Horror não falta, basta ver os nossos
políticos, a TV de domingo a tarde, nosso futebol e o etc..., porém
será que eles terão gás para continuar queimando desse jeito? Espero
que sim e, principalmente, espero que o distinto público leitor dê o
seu apoio efetivo, comprando e lendo tanto a versão texto como o
excelente e-zine (vale pra mim também!).
Por sinal, eu vejo
também essa "novidade" dos e-zines como um troço altamente
positivo para a divulgação de FC&F&H, pois liberta os
escritores e os editores dos grilhões dos custos do papel e da
distribuição – daqui pra frente, os leitores potenciais ligados à
Teia estarão a um click de mouse de distância. Por outro lado, eu temo
que esta mesma facilidade possa fomentar uma enxurrada-trash capaz de
espantar até o mais ávido consumidor compulsivo. Enfim, o tempo dirá.
A minha visão pessoal
é que FC&F&H é mais um estado de espírito do que qualquer
outra coisa, não podendo portanto ser enclausurado nem limitado pelas
amarras de mídia e de tema. Ou seja, FC&F&H não são os
livros, nem os filmes nem qualquer outra espécie de mídia, são as
IDÉIAS. Idéias que nos abrem a mente e que com certeza nos tornam
pessoas melhores do que seriamos sem elas. E é também algo só para
quem estaria disposto a embarcar numa viagem em direção ao sol poente,
para além das montanhas azuis no horizonte e do braço local da
Galáxia. Enfim, uma espécie de "droga" para abrir os
horizontes mentais, sem o risco de ter a polícia atrás de si!
(*) O Clube de
Leitores de FC (página oficial: http://www.clfc.rg3.net
/ e-mail: clfcbr@attglobal.net
) foi fundado em São Paulo, no dia 14 de Dezembro de 1985. É uma
sociedade civil, apartidária, com personalidade jurídica de direito
privado e sem fins lucrativos, que vem há 18 anos divulgando a FC
enquanto manifestação cultural, assim como reunindo pessoas com
idéias interessantes. Atualmente, o objetivo básico do CLFC é de
congregar os aficcionados de Ficção Científica e gêneros afins, pois
apesar do CLFC ser um clube de leitores, são igualmente bem vindos os
que preferem cinema, TV, quadrinhos e outras formas de manifestação
ligadas a FC&F&H. Procuramos também incentivar autores e
editores nacionais na produção, seleção, publicação e divulgação
de obras do gênero, contribuindo de todas as maneiras para o
fortalecimento e crescimento da FC no Brasil, em suas diversas formas de
manifestação. Em 1991, o CLFC foi aceito como membro da "Science
Fiction Writers of America", a mais importante organização
mundial ligada ao gênero, na categoria de "Institucional Member",
sendo o primeiro clube amador de FC a ter este privilégio (por AK).
(**) ARGOS 2000:
www.clfc.rg3.net
(***) O SOMNIUM é o
fanzine do CLFC e o seu veículo oficial por excelência. É formado
essencialmente por material produzido pelos sócios que gostam de
escrever e mostrar o seu trabalho. São páginas repletas de
informações, contos, ilustrações, resenhas de livros e tudo de
melhor para proporcionar ao leitor bons momentos de entretenimento e
informação. Muitos escritores conhecidos começaram no SOMNIUM, sendo
publicados e premiados no Brasil e exterior, e fazendo deste uma das
mais respeitadas publicações de FC. O SOMNIUM é recebido
automaticamente por todos os sócios em dia com a Tesouraria do Clube.
Para entrar em contato, enviar contos etc., é só acessar a página do
CLFC em http://www.clfc.rg3.net
(por AK).
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