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Renato
Rosatti
"Nunca
é fácil. Você passa pela porta e eles nunca estão ali sentados, te esperando
com um sorriso de boas vindas no rosto. Você sabe que eles vão te sacanear,
mas tem que fazer o melhor possível... O tempo acabou."
Joel Campbell, agente do FBI
Os
filmes que apresentam violentos "assassinos em série" como assunto
principal em seus argumentos fazem parte de mais uma interessante temática
dentro do fascinante cinema de Horror. Como existe uma infinidade de produções
que já exploraram à exaustão essas idéias básicas, as histórias sobre
"serial killers" raramente conseguem trazer alguma originalidade ao
estilo, com os diversos filmes se parecendo muito entre si. É o caso também de
"O Observador" (The Watcher, 2000), filme de estréia (e o único até
agora) do desconhecido diretor Joe Charbanic, que traz um elenco acima da média
com James Spader, a bela Marisa Tomei e o popular Keanu Reeves.
"O Observador" entrou em cartaz nos cinemas brasileiros em Março de
2001, e foram e continuam sendo produzidos tantos filmes com história similar
nos últimos anos que o tema perdeu um pouco de sua intensidade, com o interesse
por esses thrillers se desgastando inevitavelmente. Após o bem sucedido "Seven
- Os Sete Crimes Capitais" (95), com Morgan Freeman e Brad Pitt, vieram em
seu rastro "O Principal Suspeito" (98), com Nick Nolte,
"Ressurreição - Retalhos de Um Crime" (99), com Christopher Lambert,
"O Colecionador de Ossos" (99), com Denzel Washington e Angelina Jolie,
entre outros, e todos explorando as conturbadas relações psicológicas entre o
assassino psicopata e seus perseguidores implacáveis, policiais determinados e
também exaustos, próximos de um colapso físico e mental.
A
história de "O Observador" está centrada no duelo particular entre
um sádico e frio assassino de mulheres, David Allen Griffin (Keanu Reeves), e
um agente do FBI, Joel Campbell (James Spader). Após três anos no caso e com o
fracasso de não conseguir evitar a morte de onze vítimas em Los Angeles,
incluindo de Lisa (Yvonne Niami), uma namorada que morreu queimada graças a um
erro seu (fato que o atormenta em constantes pensamentos de flashbacks), o
policial Campbell decidiu se mudar para Chicago, deixando a investigação e
tentando se curar de uma perturbação mental que só é amenizada com a
ingestão de fortes medicamentos. Ele faz duas sessões de terapia por semana
com a psiquiatra Dra. Polly Beilman (a bela Marisa Tomei), onde tenta exorcizar
seus demônios, vivendo uma vida atormentada pelo vício em remédios, a
solidão, o sentimento de culpa e a incapacidade de deter o "serial killer".
Porém, o assassino, um exímio e inteligente "observador", que estuda
detalhadamente o perfil e rotina de suas vítimas, mulheres jovens e
solitárias, vem atrás de Campbell e passa a atacar em Chicago, despertando a
atenção da polícia local ao iniciar um jogo mortal enviando sempre uma foto
da futura vítima e estabelecendo para a polícia o curto prazo de 24 horas para
localizar a mulher antes de sua morte.
Uma vez o psicopata incitando Campbell a voltar para o caso e fazer parte
novamente do jogo psicológico, o agente aceita o desafio e com a ajuda de dois
parceiros do FBI, Hollis (Chris Ellis) e Mitch (Robert Cicchini), eles partem
para uma caçada desesperada contra o tempo na tentativa de evitar o assassinato
anunciado de duas mulheres, a funcionária de uma loja de shopping, Ellie
(Louise Smith), e uma moradora de rua, Jessica (Jill Peterson). Após uma série
de perseguições, correria, tiroteios, e mortes, o confronto final entre o
assassino e o policial culmina com um clímax envolvendo também a psiquiatra
Dra. Polly como escolhida para próxima vítima.
"O
Observador" é apenas mais um filme comum do gênero "serial killer",
não conseguindo despertar um interesse maior ou ser empolgante acima da média
em sua história de eterna perseguição entre assassino e policial. Existem
várias boas sequências de ação como barulhentas perseguições de carros,
além também de alguns momentos tensos de suspense psicológico, mas nada tão
relevante que não se esqueça rapidamente. São poucas mortes e o assassino
poderia ser bem mais insano e cruel, além do fato de que Keanu Reeves não
parece muito entusiasmado em sua atuação (curiosamente ele também fez outro
papel de homem violento em "O Dom da Premonição", 2001, de Sam Raimi).
Do trio principal de protagonistas, a atriz Marisa Tomei também não está
muito inspirada como uma psiquiatra que só tem ao seu favor o fato de ser uma
mulher muito bela, e somente James Spader parece convencer como um policial
atormentado e viciado em remédios, conseguindo evidenciar em alguns momentos o
sufocante sentimento de "stress" de seu personagem.
Um furo considerável no roteiro é quando uma das vítimas do assassino
"observador" é apresentada como uma jovem foragida de casa e moradora
de rua, que em nenhum momento desperta veracidade pois é muito "bonitinha
e limpinha" como alguém que vive pedindo esmolas e dorme em becos escuros
de uma grande cidade. Outro detalhe negativo é o super previsível desfecho,
resolvido numa sequência muito rápida e que poderia ser melhor desenvolvido,
intensificando mais o confronto psicológico entre o assassino e o policial.
Seguem
algumas informações sobre o elenco principal. Keenu Reeves nasceu em 1964 na
cidade de Beirute, Líbano, e ficou muito conhecido ao fazer o papel de Neo na
trilogia de FC "Matrix". Outros filmes de horror de sua carreira são
"Drácula de Bram Stoker" (92) e "O Advogado do Diabo" (97).
Um de seus próximos projetos é "Constantine", adaptação para as
telas de outro personagem cultuado dos quadrinhos, com previsão de lançamento
em 2004. James Spader nasceu em 1960 no Estado americano de Massachusetts, e com
uma carreira de mais de 40 filmes, no gênero fantástico já atuou na FC "Stargate"
e no horror "Lobo" (ambos de 94), além de "Crash - Estranhos
Prazeres" (96) e "Supernova" (2000). Já Marisa Tomei, nascida em
1964 em New York, é mais conhecida como comediante em filmes como
"Tratamento de Choque" (2003), e curiosamente ela participou de forma
não creditada numa ponta no obscuro "O Vingador Tóxico" (The Toxic
Avenger, 1985), divertida produção trash da "Troma", de Lloyd
Kaufman.
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