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Renato
Rosatti
"Quatro homens e uma mulher
embarcam na mais fantástica , espetacular e aterrorizante viagem de suas
vidas..."
No
início dos anos 1980, a famosa "Sessão da Tarde" da "TV
Globo" exibia com frequência uma infinidade de nostálgicos clássicos,
filmes "B" e outras raridades do cinema de ficção científica do
passado, os quais povoaram a nossa imaginação com as mais fantásticas
aventuras já concebidas pelo Homem, seja na exploração rumo ao infinito
espaço sideral, ou para regiões misteriosas e esquecidas pela humanidade em
nosso próprio planeta, ou ainda para o espaço interno, nas profundezas de
nossos oceanos, ou até no interior do próprio corpo humano.
Filmes como "Planeta Proibido" (1956), "O Planeta dos
Macacos" (68), "Destino: Lua" (51), "A Máquina do
Tempo" (60), "O Dia Em Que a Terra Parou" (51), "A Guerra
dos Mundos" (53), "Guerra Entre Planetas" (55), "Viagem ao
Fundo do Mar" (61), "O Mundo Perdido" (60), "Vampiros de
Almas" (56), "Viagem ao Centro da Terra" (59), "A Terra Que
o Mundo Esqueceu" (75), "Cidade Submarina" (62), "A Bolha
Assassina" (58), "Vinte Mil Léguas Submarinas" (54), "O
Homem dos Olhos de Raio-X" (63), "O Incrível Homem Que Encolheu"
(57), "Robur, o Conquistador do Mundo" (61), "A Mosca da Cabeça
Branca" (58), e muitos outros mais, foram responsáveis por uma quantidade
incomensurável de satisfação e puro entretenimento na frente de uma
televisão, em momentos que devem ser o máximo possível resgatados,
compartilhados, reverenciados e enaltecidos para manter suas memórias e legados
eternos na história do cinema fantástico.
Fazendo parte dessa seleta galeria de preciosidades temos também "Viagem
Fantástica" (Fantastic Voyage), uma pérola de ficção científica
produzida em 1966 mostrando a incrível jornada de uma expedição científica
à bordo de um submarino nuclear miniaturizado, através do complexo interior do
corpo humano.
Um
importante diplomata e cientista, Dr. Jan Benes (Jean Del Val), é o único
possuidor de um conhecimento indispensável para o sucesso de um projeto
científico militar, disputado pelas principais nações da guerra fria, os
Estados Unidos e o "outro lado" (como sempre se referiam à antiga
União Soviética e os países da "Cortina de Ferro", nunca citando
nomes). Uma vez decidindo apoiar os americanos (aqueles que acreditam em Deus e
nas suas maravilhosas criações, assumindo o óbvio lado do "bem", na
visão deles), ele é recepcionado pelo governo num cuidadoso esquema de
segurança, mas que ainda assim não pode evitar um atentado terrorista que
feriu gravemente o cientista, deixando-o com um perigoso coágulo sanguíneo no
cérebro.
Para salvar sua vida, a única forma encontrada pelos militares americanos foi
colocar em prática um projeto desenvolvido secretamente, que consiste na
miniaturização de um submarino nuclear levando uma equipe científica
selecionada com o objetivo de navegar no interior do corpo do cientista ferido e
tentar dissolver o coágulo com disparos precisos de laser. O maior problema é
que a missão não pode exceder o tempo de sessenta minutos, pois a partir daí
o processo de encolhimento inicia uma reversão automática.
A missão de salvamento é liderada na base de controle por oficiais de alta
patente como o General Alan Carter (Edmond O´Brien) e o Coronel Donald Reid
(Arthur O´Connell), e a equipe de resgate é comandada pelo chefe Dr. Michaels
(Donald Pleasence), como o navegador que além de interpretar os mapas precisa
também superar um problema com claustrofobia. Completando o time de
especialistas temos ainda o cirurgião cerebral Dr. Peter Duval (Arthur Kennedy)
e sua jovem assistente Cora Peterson (a belíssima Rachel Welch), responsáveis
pela remoção com laser do coágulo, o projetista e piloto do submarino "Proteus",
Capitão Bill Owens (William Redfield), e finalmente o Dr. Grant (Stephen Boyd),
um agente do serviço secreto americano, perito em comunicações e exímio
mergulhador, encarregado pela segurança da missão.
A partir daí, com o submarino e sua tripulação reduzidos a um tamanho
microscópico, eles embarcam numa "viagem fantástica" no interior do
corpo humano, encarando uma infinidade de desafios e mistérios desconhecidos
através da corrente sanguínea do célebre cientista, com direito a passagens
turbulentas pelo coração, paradas obrigatórias nas regiões do pulmão e
ouvido, e enfrentando tentativas de sabotagem durante a perigosa missão, além
de ataques furiosos de glóbulos brancos e anticorpos.
"Viagem
Fantástica" é um típico exemplar das divertidas produções de ficção
científica das décadas de 1950 e 60, mais especificamente aquelas que com um
orçamento mais generoso e contando com um elenco expressivo, tentavam traduzir
em maravilhosas imagens mais uma incrível aventura até então apenas existente
na imaginação dos escritores.
É inevitável o envolvimento com o fascinante show de imagens coloridas do
sangue e órgãos internos do corpo humano, levando a humanidade em mais uma
viagem pelos caminhos desconhecidos da ciência, após explorar os mistérios
das estrelas, a imensidão dos oceanos e as regiões perdidas do nosso planeta.
Como toda produção da época, não podiam faltar a sofisticada base secreta
militar, localizada em um complexo subterrâneo, as salas de controle com
enormes computadores repletos de luzes piscando, o sempre recorrente conflito de
poder da guerra fria, com a paranóia nuclear, os atentados terroristas e crimes
de sabotagem, além de uma equipe científica encarregada de uma perigosa
missão.
Para reforçar o deslumbramento vivido pelo cirurgião Dr. Duval frente às
maravilhas que estava presenciando no interior do sofisticado corpo humano, ele
fez um comentário especial sobre sua primeira impressão ao navegar pelas veias
e artérias no início da viagem: "Os filósofos medievais estavam certos.
O Homem é o centro do Universo. Estamos no meio do infinito, entre o espaço
interno e o sideral. E não há limites para ambos."
E também outro pronunciamento quando estava próximo ao cérebro:
"Mesmo que todos os sóis que iluminam os corredores do Universo brilhem
menos ante às chamas de um único pensamento, proclamando a glória
incandescente: a infinita mente do Homem."
Curiosamente,
"Viagem Fantástica" esteve dois longos anos em produção, utilizando
as mais modernas técnicas de efeitos especiais da época, os saudosos anos
1960, e seus idealizadores fizeram questão de ressaltar a importância e
grandiosidade do projeto colocando uma nota na abertura do filme onde
"agradecem os muitos médicos, técnicos e cientistas pesquisadores, cujo
conhecimento e visão ajudaram a guiar a produção do filme".
O filme foi lançado no Brasil em vídeo DVD pela "20th Century Fox Home
Entertainment Brasil", numa rara oportunidade dos apreciadores de
enriquecerem suas coleções com mais essa relíquia do cinema fantástico,
tendo como ponto negativo apenas a pobreza do material extra que traz apenas um
trailer promocional sem legendas em português. "Viagem Fantástica"
também recebeu os títulos alternativos de "Microscopia" e "Strange
Journey" em sua distribuição ao redor do mundo.
O cineasta americano Richard Fleischer nasceu em 1916 em New York, e em sua
vasta filmografia ele se aventurou algumas outras vezes no gênero fantástico
como em "Vinte Mil Léguas Submarinas" (54), com Kirk Douglas,
"Terror Cego" (71), com Mia Farrow, "No Mundo de 2020" (73),
com Charlton Heston, "Conan: O Destruidor" (84), com Arnold
Schwarzenegger, e "Amityville 3: O Demônio" (83).
O escritor Jerome Bixby, autor da história na qual o filme foi baseado, faleceu
aos 73 anos em 1998. Sua contribuição para o cinema fantástico inclui
roteiros para as séries de TV "Além da Imaginação" (1959/64) e
"Jornada nas Estrelas" (1966/68).
O elenco de "Viagem Fantástica" é uma reunião de grandes nomes do
cinema na época destacando-se o ator inglês Donald Pleasence (falecido em 1995
aos 75 anos), mais conhecido como o incansável psiquiatra Dr. Loomis em cinco
filmes da franquia do psicopata Michael Myers criada em 1978 por John Carpenter
com "Halloween - A Noite do Terror". Sua participação em filmes de
horror e ficção científica é notável numa carreira com quase 200 títulos,
destacando a raridade "A Carne e o Diabo" (1959), "Circo dos
Horrores" (60), "THX 1138" (71), "Estranhas Mutações"
(73), "Tales That Witness Madness" (73), "Vozes do Além"
(73), "Drácula" (79), "The Monster Club" (80), "Fuga
de New York" (81), "Alone in the Dark" (82), "Drácula em
Veneza" (86), "Príncipe das Sombras" (87) e "Enterrado
Vivo" (89), entre outros mais.
A atriz americana Rachel Welch nasceu em 1940 em Chicago, Illinois e no mesmo
ano em que atuou em "Viagem Fantástica" também participou da
ficção científica "1000 Séculos A.C.", da produtora inglesa "Hammer".
"Unindo
a imaginação do Homem e a magia da câmera como nunca antes... Levando você
numa aventura onde ninguém jamais havia experimentado antes"
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