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Renato
Rosatti
“Mais de 3000 ilhas de paraíso. Para alguns isto
é uma benção. Para outros... isto é uma maldição”
O
cinema americano nos últimos anos tem sido marcado por várias tendências
modistas que estão sendo responsáveis por um impulso de produção de uma
infinidade de filmes comerciais com orçamentos maiores. Existem aqueles
adaptados por exemplo em personagens famosos dos quadrinhos (como “X-Men”,
“Homem-Aranha”, “O Demolidor” e “Hulk”), ou aqueles baseados em vídeo
games (como “Final Fantasy”, “Mortal Kombat”, “Resident Evil – O Hóspede
Maldito” e “Lara Croft: Tomb Raider”), ou ainda a onda dos
“crossovers” (cruzamentos entre personagens de filmes diferentes, como
“Freddy x Jason” e “Alien x Predator”), e finalmente aqueles inspirados
em atrações do famoso parque de diversões “DisneyWorld”, como a comédia
“Beary e os Ursos Caipiras”, o humor negro “The Haunted Mansion” e a
aventura de “capa-e-espada” com elementos sobrenaturais “Piratas do
Caribe: A Maldição do Pérola Negra” (Pirates of the Caribbean: The Curse of
the Black Pearl), que estreou nos cinemas brasileiros em 29/08/03.
Com
um orçamento generoso de US$ 140 milhões, o filme já arrecadou bem mais do
que o dobro disso comprovando a eficácia da fórmula empregada, oferecendo ao
grande público o que ele exatamente está esperando, ou seja, uma mistura de
aventura com um pouco de horror “light”, e muita diversão numa história
simples e despretensiosa. A direção é de Gore Verbinski, um cineasta em evidência
no momento, vindo do bem sucedido filme de horror “O Chamado”, e a produção
é do especialista em fitas de ação Jerry Bruckheimer, responsável por uma
infinidade de super produções como “Ases Indomáveis”, “A Rocha”,
“Armageddon”, “60 Segundos”, “Pearl Harbor” e “Falcão Negro em
Perigo”, entre outros.
“Piratas
do Caribe” pode ser considerado como um típico “blockbuster” que tem como
prioridade maior a alta lucratividade nas salas de exibição e a conquista da
simpatia popular através de uma história sem complicações, porém com muita
aventura e repleta de efeitos especiais, objetivando um entretenimento sem
compromisso. Seu argumento básico, uma história de piratas dos mares, já há
muito tempo não era utilizado pelo cinema, cujos filmes dessa temática tiveram
seu ápice entre as décadas de 1930 e 50, porém mesmo passados cinquenta anos,
o gênero foi bem recepcionado garantindo o sucesso do filme, para a alegria dos
executivos do estúdio “Walt Disney”.
No
século XVII, quando os mares ainda eram dominados por navios de piratas, o excêntrico
Capitão Jack Sparrow (Johnny Depp), comandante do barco “Pérola Negra”,
enfrenta um motim e é abandonado numa ilha. Seu navio passa então a ser
conduzido pelo Capitão Barbossa (Geoffrey Rush) e sua tripulação. Numa certa
noite eles invadem a tranquila cidade de Port Royal, no Caribe, causando grande
desordem e sequestrando a bela Elizabeth Swann (Keira Knightley), filha do
governador local Weatherby (interpretado pelo veterano Jonathan Pryce).
Conseguindo
escapar da ilha, Sparrow também chega na cidade à beira do mar e conhece o
jovem Will Turner (Orlando Bloom), que é um amigo de infância da moça
sequestrada, e que sem saber inicialmente, é também filho de um lendário
pirata, mas que tornou-se um honesto ferreiro e hábil fabricante de espadas.
Ambos decidem fazer uma aliança e partem então em busca da recuperação do
navio “Pérola Negra”, além de tentar encontrar um tesouro perdido em ouro
asteca, e resgatar a jovem das mãos dos piratas. E atrás em seus rastros,
aparece também um grupo de soldados liderados pelo aristocrático Comodoro
Norrington (Jack Davenport), noivo encomendado de Elizabeth.
Em
meio a uma série de revelações, muita conversa, correrias e várias lutas,
eles descobrem que na verdade os piratas são fantasmas amaldiçoados pela
imortalidade, navegando como zumbis pelos oceanos até o final dos tempos,
transformando-se em criaturas horrendas esqueléticas e sobrenaturais durante a
noite sob a luz do luar, e cuja intenção é anular a antiga maldição
utilizando o sangue da jovem Elizabeth, e o poder mágico de um medalhão de
ouro que ela carrega em seu pescoço.
Pessoalmente,
o gênero de cinema abordando a temática dos piratas dos mares nunca me agradou
plenamente, não despertando grande interesse, e “Piratas do Caribe” não
foi uma exceção, pois basicamente destaco apenas dois fatos dignos de nota no
filme: os efeitos especiais com os piratas amaldiçoados mortos-vivos, com suas
verdadeiras feições reveladas à noite, pela luz do luar, e a interpretação
excêntrica do talentoso ator Johnny Depp, que concentra para si toda a atenção
nas inúmeras cenas em que aparece. Entretanto, uma série de pontos negativos
superaram os acertos como a longa duração (duas horas e vinte minutos), que
deixou o filme cansativo; as inevitáveis tentativas de piadas, que não
conseguiram seu objetivo com êxito (com exceção de alguns momentos engraçados
com o Capitão Jack Sparrow); e principalmente as sequências super previsíveis
com a obrigação de sempre concluir as tramas com os tradicionais desfechos
felizes, para agradar o grande público. Em resumo, o filme é apenas mais um
passatempo dispensável, sem nenhum atrativo maior senão encher de dinheiro os
bolsos dos executivos do cinema americano, e que se esquece rapidamente após
sua exibição.
No
elenco destacam-se o cultuado e talentoso ator Johnny Depp e o jovem Orlando
Bloom, num início de carreira que parece ser promissor. O americano Depp nasceu
em 1963 e seu primeiro trabalho foi uma ponta no filme “A Hora do Pesadelo”
(1984), aparecendo em seguida como um dos soldados do excepcional drama da
guerra do Vietnã “Platoon” (1986), de Oliver Stone. Sua participação no
cinema fantástico é bem significativa, atuando em filmes importantes como
“Edward Mãos-de-Tesoura” (1990), tendo o privilégio de contracenar com o
mestre Vincent Price pouco antes de sua morte, “Ed Wood” (1994), junto com o
veterano Martin Landau, “O Último Portal” (1999), com o também experiente
Frank Langella, “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça” (1999), novamente com uma
ponta de Martin Landau (não creditada) e participação especial de Christopher
Lee, e finalmente “Do Inferno” (2001), com história inspirada em uma
“graphic novel” de Alan Moore. Depp trabalhou sob o comando de diretores
consagrados como Tim Burton e Roman Polanski, e um de seus próximos filmes é
“Secret Window, Secret Garden”, baseado em novela de Stephen King. Quanto ao
jovem inglês Orlando Bloom, nascido em 1977, apesar da curta carreira, ele é
bem conhecido devido a sua significativa participação como o elfo Legolas
Greenleaf, na famosa trilogia de “O Senhor dos Anéis”, baseada na obra
literária de J. R. R. Tolkien e dirigida por Peter Jackson.
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