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Renato
Rosatti
“Identidade é um segredo. Identidade é
um mistério. Identidade é um assassino.”
Apesar
da infinidade de filmes comuns que são produzidos todos os anos nos Estados
Unidos explorando em seus argumentos histórias de horror e suspense, alguns tem
se destacado por apresentar tramas realmente envolventes e que conseguem ainda
fascinar o público que aprecia e prestigia o cinema fantástico. É o caso de
“Identidade” (Identity), de James Mangold, que estreou nos cinemas
brasileiros em 26/09/03, e que tem um roteiro básico levemente inspirado no
excepcional “O Caso dos Dez Negrinhos”, da rainha do mistério Agatha
Christie. Curiosamente, o livro não foi creditado, mas apenas citado
rapidamente por uma das personagens num momento de tensão onde as ações do
filme lembravam a história da obra escrita pela famosa autora inglesa.
No
livro, um grupo de dez pessoas são convidadas a passar um final de semana
hospedados numa bela ilha, e são misteriosamente assassinados um a um num
maquiavélico plano de vingança de seu anfitrião desconhecido. Essa história
já havia sido muito bem filmada em 1945 em “O Vingador Invisível” (And
Then There Were None), de Rene Clair.
Em
“Identidade”, o filme inicia com um psiquiatra (Alfred Molina) tentando
defender seu cliente, um assassino condenado à morte por seus crimes, Malcolm
Rivers (Pruitt Taylor Vince), alegando insanidade numa audiência convocada às
pressas com o Juiz responsável pelo caso (Holmes Osborne), no meio de uma
madrugada e na véspera da execução do réu.
Paralelamente
a ação se volta para um grupo de dez pessoas que devido a uma série de
coincidências e eventos relacionados entre si, se encontram num motel à beira
de uma estrada durante uma furiosa e incessante tempestade que obstruiu todas as
possibilidades de saídas. Todos possuem um passado estranho envolto em segredos
existindo uma misteriosa relação entre eles para seus destinos se cruzarem
naquele lugar, começando pelo próprio gerente do motel, o nervoso Larry (John
Hawkes). Primeiramente ele recebe a visita do desesperado George York (John C.
McGinley), junto com seu filho mudo Timmy (Bret Loehr), trazendo nos braços sua
esposa Alice (Leila Kenzle), gravemente ferida num atropelamento causado pelo
ex-policial e agora motorista Ed (John Cusack), que transportava sua cliente
Caroline Suzanne (Rebecca De Mornay), uma atriz decadente e arrogante. Ao tentar
buscar ajuda médica para a mulher que atropelou, Ed encontra no caminho e dá
carona a uma bela prostituta que viajava sozinha e que teve o carro quebrado,
Paris (Amanda Peet), e posteriormente um casal de jovens também presos pelo
alagamento da estrada, Lou (William Lee Scott) e Ginny (Clea DuVall). Para
completar o grupo chega mais tarde e também é obrigado a hospedar-se no motel,
o policial Rhodes (Ray Liotta), que está transportando um assassino perigoso,
Robert Maine (Jake Busey).
A
partir daí, as mortes violentas tem início, num fascinante clima de
claustrofobia, acentuado pela escuridão da noite, a forte tempestade, o
isolamento forçado de um grupo de pessoas estranhas entre si num motel à beira
da estrada, e a ação misteriosa de um assassino serial, com direito à cabeças
decapitadas e esfaqueamentos sangrentos. Após uma série de reviravoltas e
revelações curiosas sobre os personagens e a trágica situação em que se
encontravam, ambas as tramas (o grupo de pessoas sendo assassinadas no motel e a
tentativa do psiquiatra em inocentar seu cliente maníaco) se relacionam num
desfecho satisfatório e interessante, no tradicional estilo “surpresa”,
enfatizando os elementos sobrenaturais e de mistério que envolvem toda a história.
Uma
cena de destaque e que merece um registro especial foi a sequência de
atropelamento da personagem Alice York no início do filme, numa violência
perturbadora, aproximando-se com méritos de uma situação verdadeira. Aliás,
o cinema tem conseguido simular atropelamentos com incrível realismo, como já
pudemos conferir na famosa e muito
comentada cena envolvendo Brad Pitt em “Encontro Marcado” (1998), onde só
ficou faltando o sangue em profusão (talvez ocultado de forma proposital
justamente para diminuir a intensidade do choque no espectador).
O
cineasta James Mangold nasceu em 1964 em New York, e entre seus trabalhos na
direção destacam-se o policial “Cop Land” (1997), com os astros Robert De
Niro, Harvey Keitel e Sylvester Stallone, o suspense “Garota Interrompida”
(1999) e a aventura romântica com elementos de ficção científica “Kate
& Leopold” (2001), com Meg Ryan e Hugh Jackman.
O
roteirista Michael Cooney possui um currículo pequeno onde destaca-se um
trabalho na direção da comédia de humor negro “Jack Frost” (1997) e sua
respectiva continuação produzida em 2000, além do roteiro do suspense de ficção
científica “The I Inside” (2003), dirigido por Roland Suso Richter.
O
elenco de “Identidade” é liderado por dois atores bastante conhecidos do
grande público, John Cusack e Ray Liotta, sendo que o primeiro nasceu em 28 de
junho de 1966 em Evanston, no Estado americano de Illinois e foi um dos soldados
do excelente drama da Segunda Guerra Mundial “Além da Linha Vermelha”
(1998). Já Ray Liotta é americano de New Jersey nascido no final de 1955,
tendo participado de filmes interessantes como o já citado policial “Cop Land”,
o suspense “Turbulência” (1997), como um psicopata que ataca os passageiros
de um avião em pleno vôo, e “Hannibal” (2001), segundo filme da franquia
do assassino canibal Dr. Lecter (Anthony Hopkins), sendo que aqui Liotta teve a
infelicidade de experimentar o gosto de seu próprio cérebro frito.
O
restante da equipe de atores coadjuvantes é formado por rostos também vistos
em vários outros filmes interessantes. Amanda Peet é americana de New York,
nascida em 1972 e participou da comédia “Meu Vizinho Mafioso” em 2000 e do
drama urbano “Fora de Controle” (2002), com Samuel L. Jackson. Também
nascido em New York, em 1959, John C. McGinley foi um dos oficiais do exército
americano no clássico moderno sobre a guerra do Vietnã “Platoon” (1986). A
jovem atriz Clea DuVall nasceu em 1977 em Los Angeles e esteve na FC de horror
“A Prova Final” (1998), no já citado “Garota Interrompida” e em
“Fantasma de Marte” (2001), de John Carpenter. O experiente ator inglês
Alfred Molina, nascido em Londres em 1953, esteve na FC de horror “A Experiência”
(1995) e será um dos vilões em “Homem-Aranha II”, a ser lançado em 2004.
Jake Busey é filho do veterano ator Gary Busey, e já esteve em filmes como
“Tropas Estelares” e “Contato” (ambos de 1997), além do horror “Os
Espíritos” (1996), de Peter Jackson. A
bela Rebecca De Mornay nasceu na California em 1962 e atuou ao lado de Jon
Voight no excepcional “Expresso Para o Inferno” (1986), além de ser a
protagonista do suspense “A Mão Que Balança o Berço” (1992). Dos outros
atores menores, John Hawkes esteve em “Mar em Fúria” (2000), William Lee
Scott foi coadjuvante na FC “Gattaca – Experiência Genética” (1997), e
Pruitt Taylor Vince, nascido em 1960, participou de “A Cela” em 2000, com
Jennifer Lopez e “Simone” dois anos depois, com Al Pacino.
“Identidade”
é um excelente filme de horror e suspense psicológico e certamente está entre
os melhores lançamentos do gênero nos cinemas brasileiros no ano de 2003,
figurando ao lado de “O Chamado” (The Ring) e “Extermínio” (28 Days
Later) no pódio daquilo que de melhor foi exibido em nossas telas grandes,
demonstrando também que o Horror ainda é um gênero que consegue exercer
grande fascínio ao apresentar histórias inteligentes em filmes de puro
entretenimento, apesar de seus temas básicos já terem sido explorados
exaustivamente (e em muitas vezes de forma equivocada) ao longo das últimas décadas.
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