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Por que
Ficção Científica
Apenas em língua portuguesa, são 37.900 sites
de ficção científica na Internet. Isto significa que há uma demanda
reprimida ainda não convenientemente explorada pelas grandes editoras,
e um nicho formado por milhares de apaixonados navegando por chats,
editoras e livrarias virtuais, garimpando artigos e publicações, e
invadindo a Infovia com suas criações inspiradas em mundos
desconhecidos e seres fantásticos.
São escritores, cientistas, pesquisadores,
cineastas, roteiristas, multimídias, desenhistas, historiadores,
críticos, curiosos, leitores privilegiados ou, simplesmente, ávidos
colecionadores entre 8 e 80 anos, formando um público fiel de
consumidores exigentes que não hesitam em molestar incautos viajantes,
encomendando-lhes os últimos lançamentos das editoras americanas e
européias.
Vinda de uma geração moldada pela fábula política
de H.G. Wells, Aldous Huxley e George Orwell, pelo Despertar dos
Mágicos de Louis Pauwels e Jacques Bergier, pelas coleções da Planétè,
pela aventura de Kubrick e Arthur C. Clark, pelas reflexões de Asimov,
pela teosofia de Gurdjief e da Blavatski, pelo conto fantástico de
Hoffmann e os questionamentos de Blade Runner profetizados pela
transmissão radiofônica de Orson Welles - sem mencionar o Dr. Spock e
a nave Enterprise- tive na ficção científica um escape onírico, um
intervalo de lazer e descanso, distante daquele cânone literário que
sempre considerei essencial à formação de um escritor.
Contista com dois livros publicados e premiados, qual
não foi minha surpresa ao escolher, para estréia em romance, um
gênero tantas vezes considerado menor e até mesmo desprezível por
autores respeitáveis. Paciência. Mas o exercício mágico da
projeção da vida, a liberdade de criar sem limites e a possibilidade
de conectar-me ao inconsciente, sem sofrimento, foram das experiências
mais fortes e ricas que já tive ao longo dessa longa jornada inferno
adentro.
Sumário
Cinqüenta anos após a falência do sistema
financeiro mundial, conhecido como Big Boom, e da Grande
Guerra Genética - revolução biotecnológica liderada pela Burguess
Incorporation - milhões de seres humanos foram jogados à margem da
vida e despojados de quaisquer direitos aos benefícios científicos e
sociais conquistados ao fim de século XXI.
Em uma Copacabana devastada pelo maremoto de 2039,
dominada pela Fuck'in Company, pelos templos religiosos,
por guerrilheiros, hackers, traficantes, terroristas e miseráveis, o
rebelde negro Oz - Rei dos Mardingos - o jovem Werther, e o grão-mestre
Davos tentam salvar a humanidade da perversa "limpeza
genética" planejada pela Grande Corporação liderada por
Herbert Granswille. E enquanto a ameaça de extermínio em massa paira
sobre a multidão demenciada dos excluídos, la nave va à beira
da maré gravitacional anunciada pela Física Nuclear.
A Conspiração dos Imortais é uma
vertiginosa metáfora sobre a condição humana. São trinta e cinco
capítulos de pura ação, nos quais se misturam assassinatos,
seqüestros, implantes de chips, transmigração, teorias de
reencarnação e ressurreição, Controle da Ordem Pública,
nanotecnologia e projeções mentais, intrigas palacianas e uma
desesperada busca de transcendência e de imortalidade.
Em A Conspiração dos Imortais, o gênero
ficção científica dá a Márcia Guimarães liberdade para realizar
uma profunda reflexão sobre as questões que ora tangenciam a história
do Homem, com suas extraordinárias descobertas e conquistas no campo da
Mecânica Quântica, da Cibernética e da Biotecnologia. A indagação
que percorre as páginas deste romance incomum é, no entanto, se
seremos incluídos entre os convivas da ceia do Senhor, ou lançados à
lixeira do Inferno, onde apodrece a multidão de mardingos
(criação semântica da autora para designar os zumbis que vagavam em
massa pelas ruas, metade marginais, metade mendigos).
No inquietante cenário de uma Copacabana mítica e
emblemática, com seus personagens transitando entre os subterrâneos do
morro da Babilônia, os escombros do edifício Chopin e as arcadas
reconstruídas do Copacabana Palace, materializam-se orgias pansexuais
movidas a drogas químicas, biológicas e eletrongênicas, e cultos
coletivos onde milhares de mardingos buscam a ilusão de um mundo depois
da Morte.
John Kreuff, braço direito do poderoso Senhor da
Burguess, Teresa de Ângelis, misterioso clone de Santa Rita de Cássia,
a cientista Uber Dantzig, e o Papa Pedro III guardam o segredo dos
destinos da humanidade. No Centro Subterrâneo de Amazon, no coração
da única floresta preservada do mundo, o Sacro Sexteto irá se reunir
durante a XXXIV Conferência Planetária de Líderes Religiosos para
deliberar sobre a cláusula secreta: a danação ou a redenção dos
excluídos.
Mas talvez seja tarde demais.
Ficha Técnica
Páginas 291
Capítulos 35
Palavras 72.525
Caracteres 447.572
Parágrafos 1.877
Linhas 6.524
Personagens
Davos
Alquimista da décima segunda casa do desenvolvimento biosensorial. O
Homem da Opala Negra anunciado por Ogum irá conduzir o processo de
auto-conhecimento de Werther e despertar, nele, a dolorosa consciência da
sua própria humanidade.
Werther
Aos 18 anos, o jovem tem acesso ao arquivo que contem sua gênese e seu
destino. O mistério de sua origem, uma vez decifrado, coloca em suas mãos
o destino da espécie. Mas ele oscila perigosamente entre o amor e a
indiferença pela raça humana.
Oz
O líder dos excluídos, hacker brilhante que aprendeu toda a ciência do
século XXI através de velhos computadores catados nos lixos da cidade-luz.
É o Rei dos Mardingos, capaz de congregar milhares de homens em uma rede
planetária de terrorismo contra a perversa organização de John Kreuff.
Lully
Guerrilheira e amada de Oz, sensitiva que realiza projeções mentais e
viagens astrais.
Uber Dantzig
Cientista que participa do projeto responsável pela Grande Guerra
Genética. Seqüestrada no laboratório da Burguess, conhece o segredo da
gênese de Werther e a força letal da Bacterium Aquosis.
John Kreuff
Chefe do Departamento de Controle da Ordem Pública, promoveu o implante
de chips em massa que transformou bilhões de excluídos em seres
inofensivos. Em nome de Granswille, coordena o plano de extermínio.
Pedro III
Ex-cardeal Lomumbo Babi, sócio nos negócios da Burguess Incorp.,
conhece a história secreta do Vaticano e a misteriosa morte de três papas.
Sua liderança junto ao Sacro Sexteto - Concílio Ecumênico formado pelos
seis maiores grupos religiosos-financeiros do planeta - poderá mudar o
destino da humanidade.
E ainda, Herbert S. Granswille I e II, Teresa de Angelis, Bamboo, Zenon,
o rabino Solomon Rusdhie, o babalorixá Zumbi Bambwee, o Dalai Chong-Chwei,
Harum Bin Ravinsh, John McEnroy,
... e grande elenco
Curriculum Vitae/Resumo
MÁRCIA GUIMARÃES iniciou-se no jornalismo em
1969 na redação de O Globo, passando pelo Correio
da Manhã, Última Hora, Jornal do Commércio, Tribuna da Imprensa, A Tarde
(Salvador), revista Visão (sucursal Rio) e Estado
de São Paulo (sucursal Rio).
A partir de 1985, como coordenadora do Departamento de
Editoração da Fundação Rio, cria e organiza o Prêmio Rio de Literatura,
realizando as categorias Poesia e Romance, e lança o tablóide Letras
& Artes, posteriormente transformado no RioArtes
Jornal. Em 1989/90 edita o Boletim Informativo do
Conselho Federal de Cultura e inicia participação como
jornalista/debatedora no Sem Censura, programa nacional de debates da
rede Funtevê.
Em 1994 coordena e edita para o RioArtes o livro Memória
- 12 Anos de Mostra, sobre a importância da Mostra de Novos
Coreógrafos criada por aquela instituição.
Inicia-se na literatura em 1981com o livro O Rabo
do Presidente, prêmio Fernando Chinaglia da União
Brasileira de Escritores, publicado pela editora Civilização Brasileira/Philobiblion.
Publica contos esparsos na revista Status, na Tarde
Cultural, no jornal Letras & Artes e
no Caderno RioArte. Seu conto Piano,Pianíssimo é
dramatizado na Casa de Cultura Laura Alvim como parte do projeto Anna
Magnani, do Instituto Italiano de Cultura e acha-se em fase de tradução
para integrar uma antologia de contistas brasileiros a ser editada na
Suécia. Em setembro 1996 publica A Grande Marcha do Coronel Baldomero
Sampaio (Editora Sette Letras), que recebe o prêmio Alejandro
Cabassa, da União Brasileira de Escritores.
Seu mais recente trabalho individual foi publicado em
maio de 1999 pela Editora Nórdica - Academias & Companhias,
livro reunindo dezenas de crônicas humorísticas sobre os bastidores das
academias de ginástica. O lançamento ganhou espaço na mídia e um convite
para participar do Jô Soares Onze e Meia, tendo sua entrevista ido
ao ar no dia 2 de junho desse mesmo ano.
Convidada por Livia Garcia-Roza a integrar uma antologia
sobre o tema Fraternidade, participa, em 2003, com o conto Olho d’Água,
do livro Ficções Fraternas, ao lado dos mais importantes contistas
brasileiros da atual geração.
Formada pela Faculdade de Jornalismo da Pontifícia
Universidade Católica/PUC, Márcia Guimarães realizou estudos na
École Pratique de Hautes Études/Sorbonne (1983/84), completando o curso "Mythes
et representation de Ia realité: lectures de filmes", sob a
orientação da escritora, cineasta e professora Hélène Puiseaux.
Críticas
A Grande Marcha do Coronel Baldomero Sampaio
Editora Sette Letras
1996
109 pags.
"As obras-primas desta coletânea e como ficou dito,
do conto brasileiro, são os citados "Pas-de-deux" e "Piano
pianíssimo", nos quais ouvimos a voz de Katherine Mansfield,
nominalmente citada. Mas, em Márcia Guimarães há algo mais, como se pode
verificar à leitura do conto que dá título ao volume."
Wilson Martins
O Globo, 5/4/1997
" Márcia Guimarães não perde tempo com o
acessório. Vai logo ao essencial. Seu conto começa já pulsante e
arrebenta veias antes de esvair-se.(...) Sintética, galopante, atrevida, a
arte narrativa de Márcia Guimarães nasce crítica, resultado de um
espírito inquiridor, inquisitorial e contestador.(...)A prosadora tem
revelações desse teor: "Ao relento, debaixo de um céu
desesperadamente estrelado..." E: Uma única página bem escrita
vale todos os nossos pecadilhos". E: Eram belos como o relincho
do cavalo apavorado de Guernica". E: Entre ela e o espelho,
apenas uma dor dilacerante, impenetrável como uma opala." Quem
escreve ficção com esta desenvoltura devia ser lida e admirada. E ter
editor permanente, se este país não praticasse a anticultura."
Hélio Pólvora
A Tarde Cultural, 12/10/1996
"Como Euclides da Cunha em "Os Sertões",
embora de modo bem mais sintético e menos rebarbativo, a autora narra esses
confrontos com detalhes assustadores. Ela afirma: "Resistiram, os
homens do coronel Baldomero Sampaio, muito tempo. Lutavam como bichos, o
instinto afiando garras. E um por um foi fertilizando o pântano com seu
sangue empestado de vermes e bravura."(...) Seu mérito está
justamente em contrapor a essa carga emotiva que os personagens trazem
consigo um estilo firme e frio, nada apelativo, e em não permitir que a
chamada terceira idade combine necessariamente com paralisia ou
resignação. Para convencer um de seus adeptos a partir para o combate, o
coronel Sampaio exclama: "A morte nos espera(...). Pois vamos a ela".
Viço e velhice - essa fusão inesperada é o que confere robustez ao livro
de Guimarães."
Bernardo Ajzenberg
Folha de São Paulo, 5/1/1997
O Rabo do Presidente
Editora Civilização Brasileira/Philobiblion
1985
116 páginas
Márcia Guimarães escreve como pouca gente no Brasil.
Não há a adjetivação furibunda habitual, a coisa corre de substantivos a
verbos a objetos diretos, é talento puro e simples, com que se nasce ou
não. Leio ainda que ela vai lançar um livro pela Civilização Brasileira.
É para manter o olho em cima."
Paulo Francis.
Diário da Corte/Folha de São Paulo
11/2/1984
Irreverente (a começar pelo título), o livro reúne dez
narrativas cuja característica principal é a atualidade. Não a atualidade
do modismo, e sim a força da tão falada realidade brasileira. (...) Este
livro nos revela uma escritora de notável domínio da palavra.(...) E uma
das grandes conquistas deste livro é que tal literatura, crítica,
comprometida, é extremamente satírica, picaresca mesmo, revelando as
paixões humanas mais fundas e contraditórias."
Marco Morel
Tribuna da Imprensa
Novembro/1985
Nestes últimos anos não tínhamos lido contos tão bem
estruturados, recriados a partir de uma realidade fria e, de modo geral,
enervante. Márcia transforma o cotidiano amargo sem deformá-lo, resgata-o
naquilo que ele conserva de mais curioso ou até bisonho. Sua frase é
irônica e forte, as expressões definem personagens, os fazem brilhar, Ter
vida própria.(...) O texto de Márcia Guimarães é forte, por vezes
brutal. O sangue circula no asfalto, tolda anseios, exalta paixões, em meio
a gritos de dor e de miséria, tudo isso sob a cumplicidade de um sol
luminoso e de noites sensuais.(...) Alguns contos deste livro são
obras-primas.
José Louzeiro
Jornal do Commércio
Outubro de 1985
O Rabo do Presidente é um livro marcante, que colocará
Márcia Guimarães na primeira linha da moderna ficção brasileira e
gravará seu nome em nossa memória e em nossa estima literária.
Ênio Silveira |
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