Scarium Ficção Fantástica

 

Rogério Amaral de Vasconcellos

 

 

 


Entrevista na íntegra
 de Rogério Amaral de Vasconcellos
 concedida ao Hiperespaço nº 51.

Rogério Amaral de Vasconcellos tem se destacado no meio do fandom de FC&F por coordenar uma série de oficinas de literatura criativa através da internet, conhecidas como SLEV, sigla do estranho termo Suruba Literária Experimental Virtual, da qual já realizou duas temporadas e agora tem uma terceira em plena atividade. O resultado da segunda SLEV foi a novela Idade da decadência - Inferno em Khallah, editada pela Mitsukai em 2001, com relançamento previsto para 2003 pela Textus.Textos,  e resenhada em nossa edição nº50. Vasconcellos é autor do romance Campus de Guerra (Writers, 2000) e já teve contos publicados no Hiperespaço.

Hiperespaço: Rogério, explique o que é, exatamente, uma Slev. É um jogo, um projeto artístico-literário, ou um projeto comercial?

Rogério: A SLEV – Suruba Literária Experimental Virtual – significa quase tudo que você destacou, Cesar. Pelo lado do jogo, confere pontos e desenvolve habilidades de disputa (no melhor sentido), como um rally literário, emprestando dificuldades, tipo prazo exíguo (10 dias para entrega de texto), limitação de palavras e um determinado tema, principalmente. Como Projeto (desde 2000) visa montar os mecanismos para que os autores possam absorver e transmitir conhecimentos, privilegiando o lado multimídia da Slev. Já em seu braço comercial, tudo dependerá de uma série de ajustes e parcerias para torná-lo economicamente viável. Por enquanto, é uma prestação gratuita de serviços que faço, em sintonia com recursos mínimos – a maior parte comprometimento e disposição para privilegiar a coletividade do Projeto por parte dos inscritos – viabilizando um bom entretenimento e treino, em especial na forma literária.

Hiperespaço: Quem são os consumidores dos produtos das SLEVs? São os próprios autores, os internautas ou algum outro tipo de gueto ou fandom?

Rogério: Tento, na medida do possível, evitar o termo 'gueto', pois isso já embute um certo preconceito de base. Nem o chamado fandom é necessariamente meu alvo imediato. Busco gente que goste de desafios e pretenda trabalhar em grupo (já viu alguma suruba individual?), todos agregados pelas facilidade do meio virtual que tende a unir classes, credos e distâncias. Meu alvo tende a ser o mais amplo possível. Perderei, ao deixar de insistir ou focar o tradicional. Terei êxito quando quebrar alguns elos dos grilhões dessa Babel. Sendo a coisa mais complicada de se fazer, uma vez que o intercâmbio de informações não se faz impunemente. Por isso agradar a todos não faz parte de meus objetivos. A Slev quer ser consumida e quer se alimentar também de seus participantes, não importa qual estilo seja empregado, ou FC, Terror ou Fantasia (e outros mais que sejam apropriados). O detalhe está na participação ativa de seus membros, tornando viável algo que antes era apenas uma idéia. Esse é o meu público.

Hiperespaço: Na edição 50 do Hiper, resenhei a novela Idade da Decadência – Inferno em Khallah que foi fruto da Slev II. O que resultou da Slev I? Porque não foi igualmente publicado?

Rogério: Sim. Que fim levou ela? Foi a primeirona e poderia ficar usando seu precioso espaço para explicar, em detalhes, porque não se concretizou na forma de livro ou outro produto qualquer. Tentarei condensar, embora saiba que a tentativa não deve resultar tão certo assim: A Slev 2000 foi gerada não para funcionar como 'robin round' (aquele estilo onde um escritor escreve e não conclui, deixando a cargo do próximo escritor essa tarefa). Era sobre Terror, também havendo um pano de fundo comum, embora sem qualquer exigência de ligação maior entre as obras. Porém os demais participantes – membros da Oficina Literária onde o Projeto se originou, em www.oficinaliteraria.hpg.com.br – fizeram coro e desejaram fiat robin round!! A 'clientela' pedindo, cumpri essa vontade.

Conhece o ditado daquilo que começa mal tende a terminar pior? Pois é. Quando algumas coisas não são devidamente amarradas, dão nisso. Confesso que devo ter pecado aí, não por haver cedido à robin round, mas justamente por não ter-me entregue de corpo & alma quanto deveria, transparecendo isso. Resumo da ópera: Ao partir por trilhar os mesmos caminhos dos demais, um outro participante quis mudar as regras do Jogo, para evitar a saia justa na qual fora colocado (por mim). Foi o que faltava para quase lacrar o caixão. O último cravo estava a caminho: Postecipadamente 'incorporei' o Congresso Nacional no caso Collor e decretei o empeachment de um dos contos, do autor que preferiu fugir a estrutura encadeada – sendo o maior entusiasta da idéia no início -, comum às R&R, transformando a minha estória em um simples sonho, apagando-o do mapa, quando deveria mostrar em sua obra seu real valor. Sendo assim, com polêmica no começo e no fim, não houve um final verdadeiro para a Slev 2000.

A maioria dos trabalhos (inéditos) estão no site www.slev.cjb.net. Existem muitas coisas curiosas com relação a essa edição da Slev, e faz parte de meus planos, em comum acordo com alguns dos participantes, sanar a deficiência e publicar a obra futuramente.

Aproveito o espaço cedido para agradecer a resenha da edição 2001, feita pelo Hiper, que está exibida em destaque no site do Projeto, como tudo que diz respeito ao mesmo.

Hiperespaço: Quem foi considerado o ganhador da Slev II e por quê?

Rogério: Cláudia Furtado foi a campeã da Slev 2001. Ela é uma escritora carioca, pequena em tamanho mas grande em talento. Atualmente está inscrita na Slev 2002. E o motivo de ter ganho, posso arriscar em dizê-lo, residiu no melhor aproveitamento de suas obras (foram duas), tanto pelo aspecto ortográfico, como pela estória em si, unindo os elos de escritores anteriores e desenvolvendo uma trama que, na opinião de seus próprios companheiros – todos são obrigados a julgar as obras uns dos outros, com exceção do Coordenador (eu) – cumpriu com a maioria dos requisitos da Slev, por isso os méritos são todos dela.

Hiperespaço: Idade da Decadência – Inferno em Khallah é apresentada como parte 2 de uma trilogia. As partes 1 e 3 ganharão publicação?

Rogério: Certamente. Mas não farão parte da Slev. Serão obras escritas como livros individuais. A parte 1 voltará no tempo, mostrando a chegada em Khallah das mais de 100 raças trazidas pelos Atemporais, fugindo de uma praga que assolava a galáxia na ocasião (seres elipsóides, que se alimentavam de energia vital, chamados de Anéis). Fará um plano geral da história do planeta gigante, mostrando as várias "Idades" de ocupação, do apogeu, a criação da megacidade de Robotróia, ao declínio humano, com a chegada da praga Fogo Alucinante, dizimando raças indiscriminadamente. A parte 3, óbvio, retratará Khallah após os acontecimentos narrados em IDIK, com a tomada do poder pelos revoltosos, a Liga dos 1000 Sóis, e a partir disso a conquista interna e externa para a formação do Império Khallah. Também serão revelados alguns mistérios do livro 2...

Um desses livros ficará a cargo da ganhadora da Slev 2001, e o outro será feito por mim, provavelmente no próximo ano.

Hiperespaço: Acabei de reler o regulamento da Slev III, e confesso que fiquei um tanto confuso. O regulamento é draconiano. Isso não prejudica a formação de um bom corpo criativo na obra, uma vez que cada autor estará trabalhando sempre com a corda no pescoço?

Rogério: Interessante sua pergunta. A Slev não pretende ficar só batendo em teclas antes tocadas. Para um projeto experimental, novas propostas estão em julgamento. Nunca tivemos um regulamento tão complexo e, apesar desse suposto draconianismo, e por existirem vários Adendos com informações precisas sobre outros fatores, apostei na tenacidade dos escritores e no geral não estou perdendo. Pela primeira vez, além do estilo Ficção Científica, está sendo aplicado um gênero que muitos não consideram associado com a FC. É a ficção histórica. Nossos escritores foram recrutados cientes que deveriam compor obras alternativas, partindo da ficção histórica para, aliando ao cenário e personagens construídos por mim, desenvolverem uma trama compatível com o formato da Slev 3. Uma coisa assim nunca é possível sem um roteiro prévio e dispositivos de controle. Mas estou fazendo minha parte, nunca deixando qualquer pergunta sem resposta. Mais que uma pretensão no sentido lato, procuro seguir essa determinação à risca. Instruo-os a porem para fora toda dificuldade encontrada. O feedback é a única saída viável. Faz parte do processo de aprendizado coletivo. Ouso dizer que está dando certo. O pessoal começou a perceber qual a minha intenção para tamanha complexidade. São estimulados a serem mais criativos e lidar com coisas desenvolvidas para minar seu caminho, superando as armadilhas e dificuldades. E eles estão fazendo isso! Não é porque EU queira. É porque ELES querem. Posso afirmar, agora que recebi quatro obras da Slev 3 (estou dando esta entrevista em 05/08/02), que a criatividade fez da proverbial 'corda no pescoço' uma gravata.

Certo que nem tudo é 100%, mais estamos trabalhando para isso. Erros são bastante instrutivos também, se o dissecamos, usando-os como trampolins par coisas melhores. Procuro sempre envolver os participantes em projetos paralelos, criando testes – os chamados Perde & Ganha, ou Pegas – para auferir conhecimentos, penalizando e premiando os participantes. Além disso temos o Sonda, comandado por Ricardo Caceffo, para pesquisa na internet de assuntos 'polêmicos'; o Nlingua, chefiado por Mauricio Wojciekowski, para a tradução de textos, servindo como pilar para o intercâmbio com participantes de outras nacionalidades; o Rima, supervisionado por Daniela Abelha, núcleo de roteiro e imagem da Slev, para adaptar as obras para outro formato – roteiro de televisão, storyboards e quadrinhos, por exemplo – entre outros sistemas criados para sempre deixar a Slev vibrante. A Lista de Debates, a espinha dorsal da Slev, é o palco virtual onde tudo isso acontece, tendo como tela o site, executado pelo web designer Miguel Angel Pérez Corrêa, um mago que transforma minhas idéias leigas em realidade. Criei até um sistema de ‘visto temporário’, autorizando eventuais visitantes, aspirantes de alguma vaga na Slev, que ainda não estão bem certos do compromisso com o Projeto. O Visto igualmente visa atrair gente de mídia, pois ainda estamos fracos de pessoal habilitado para a criação de imagens, seguindo daí para elaborarmos coisas mais sofisticadas. Contudo vamos chegar lá, e mais além, até o ponto de criarmos um desenho com computação gráfica, feito a partir de alguma estória da Slev. Quer mais? Aguarde!

Hiperespaço: A idéia da Slev 3 é uma aventura de história alternativa e/ou mundos paralelos, com liberdade temática para cada autor. Além disso, uma das regras é a farta distribuição de personagens-embriões para os autores trabalharem. Isso não causará uma superpopulação de personagens e ambientes na obra final, fragmentando a narrativa dramática como aconteceu em Idade da Decadência?

Rogério: Foi pensando nisso que, antes mesmo da Slev se iniciar pra valer, em Maio, aconselhei e coloquei em votação a eliminação dos Embriões. Eles não existem mais na versão gama do Regulamento (a que você teve acesso para fazer sua pergunta foi a versão Delta, uma das primeiras a serem geradas). Inclusive dei permissão para alguns escritores, bem afastados entre si, optarem por ‘eliminar’ até 3 dos personagens considerados como fixos (um deles, inclusive, já ‘capotou’, vivendo em uma espécie de paraíso, num Japão medieval). Essas eliminações não necessariamente acontecerão de forma física. O simples fato do personagem ser abandonado nos cenários alternativos caracteriza o descarte provisório do mesmo. Por quê provisório? Bem, na fase 2 da Slev III posso vir a esquematizar o enredo para que alguns resgates sejam possíveis. Mas isso faz parte de um contexto que precisa ser desenvolvido a partir do término da presente fase, em conluio com os finalistas. O que posso reforçar é que na Slev 3: Lapidação – E se a História fosse outra?, seu nome de batismo completo, a fase 1 não lidará com mundos paralelos no sentido onírico, como muitos associam a coisa. Foi para evitar – e talvez até provocar – muitas dúvidas que criei Vaca Profana – Teoria da Revolução, um livro de consulta em forma romanceada. Apesar das mais de 51.000 palavras, ainda está por terminar (justamente a parte de História Alternativa, executada pelos participantes). Na Vaca esboço todos os 13 personagens fixos, além de alguns outros e circunstâncias especiais da atual Slev, mostrando regras práticas e mecanismos a serem observados, tudo embutido no enredo. Fiz todo material introdutório para que os contos deles tenham um sentido de ligação natural, como obras independentes e ao mesmo tempo ligadas entre si de forma sutil, ou não tão sutil assim, dependendo do autor encarregado de sua parte no projeto.

 

Hiperespaço: O critério de avaliação por notas, na base de todos avaliam todos, não é um tanto inadequado? Afinal, como garantir dos autores isenção e competência real para julgar seus colegas?

Rogério: Evidentemente não considero assim. Se é preciso lidar com material humano, alguns até fazendo pela primeira vez esse tipo de exercício na vida (aviso que temos jovens de 16 anos até não tão teens, quarentões, alguns com mais estrada literária que outros, independentemente da idade), devemos nutrir o melhor juízo possível. A competência é sempre satisfatória, e ajudará na troca de experiências com os menos preparados. De toda forma, usando um mecanismo de média (que acaba com o fantasma da participação eventual dos concorrentes, por abandono do projeto, até a hora do julgamento) isso tenderá a ser nivelado. Sobretudo, Cesar, e como reza no Regulamento, item 12 ("Caberá também ao coordenador, em casos extremos, interpelar um determinado julgador quando achar que algum conjunto de notas necessitem de alguma explicação, a fim de zelar pela transparência na apuração das notas"), serei o juiz para casos que achar gritante na aplicação de notas sem fundamento compatível (tenho notas já computadas que corroboram a preocupação dos autores com essa avaliação objetiva, e a maioria está cumprindo seus prazos com rigor profissional). Inclusive, por conta dos Anexos ao Regulamento, todos os participantes são obrigados a justificarem suas notas. A partir disso fica mais fácil compreendermos o ponto de vista do julgador. É por todo momento as réplicas e tréplicas estão acontecendo. Ajuda a preencher o intervalo entre uma obra e outra.

 

A completa isenção e preparo olímpico é algo para mim muito mais fantasioso e irreal que o método explanado acima. Nem com uma bancada de Desembargadores que não estejam escrevendo na Slev conseguiríamos certeza absoluta disso.

Hiperespaço: Como ficam acertadas as questões de propriedade intelectual e comercial dos trabalhos das Slevs?

Slev

Rogério: Eu sou o autor do Projeto e do trabalho-base, com os personagens e situações descritas em Vaca Profana. Mas todos os demais participantes estão livres para usar suas construções em História Alternativa as personagens/situações, tomando-os emprestado. Quando tais obras forem publicadas em outros veículos (fanzines, antologias, sites, livros, etc), bastará que seja observada a regra mencionada no Regulamento: "Item 20: Toda obra concebida a partir do livro inicial no Projeto Slev III, isto é, as continuações feitas por seus respectivos autores, serão de sua autoria, devendo apenas, uma vez publicada fora do site Slev, indicar o seguinte texto: Obra concebida a partir do Projeto Slev III, baseado no livro Vaca Profana – Teoria da Revolução, criado por Rogério Amaral de Vasconcellos". Se alguma obra futura – filme, desenho animado, RPG, ..., - surgir da união dos trabalhos concebidos na Slev, certamente cada autor terá participação de acordo com aquilo que fizer. Se nada for usado desses autores, obviamente também nada poderá ser cobrado. O respeito mútuo é a base de uma boa e duradoura relação.

Hiperespaço: A SLEV 3 está em que fase, neste momento?

Rogério: Depois de certo adiamento, rejeitando alguns cadastros para conquistarmos um cast de autores compatível com o projeto – mesmo advertindo quanto as dificuldades, nunca tivemos tantos inscritos em uma única Slev, preenchendo 15 das 20 vagas reservadas – já avançamos até o 4º conto, sendo que o 5º está sendo preparado neste exato instante, e até a edição do Hiperespaço sair (presumindo que seja em setembro), já teremos praticamente concluído a 1ª jornada da Slev, com os finalistas preparando-se para o próximo nível, em um ambiente um pouco mais vasto. A primeira obra encaminhada foi "De Templos e Tempos", de Maurício Moraes Wojciekowski; o 2º conto foi "O futuro é reflexo do passado", de Turíbio Alceu Cristóvão Gabil-bizar; sendo o 3º "Iroha", escrito por Ernesto Eiji Nakamura, e o 4º, denominado "Ankh", de Daniela Dias Abelha Fabrin de Barros (o menor titulo até o presente instante). Ricardo Cacceffo está em vias de entregar o 5º conto. Ainda temos os seguintes escritores de sobreaviso: Roberval Barcellos, Maria Helena Bandeira, Jaime Araújo, Miguel Pérez, Maria Odila, Paulo Alexandre e Cláudia Furtado. O período histórico até aqui mais usado foi a Idade Média, apresentando 'locações' em Portugal e Japão, começando um pequeno vôo para atrás no tempo, chegando até a costa da Grécia, passando para Roma e Egito, a partir do ano 31 a.C.

Hiperespaço: Quais as perspectivas para outras edições da Slev? Como os interessados podem participar?

Rogério: As melhores perspectivas possíveis, Cesar. Estou pensando para o próximo ano, uma Slev cujo o tema é Guerra (o título provisório mais cotado é Nada de Novo no Front..., abordando batalhas no espaço, na mente, na alma, no céu, na terra, mar ou no inferno, em qualquer parte, em qualquer época). Também temos vagas para a 1ª fase da Slev, mas, estou sendo absolutamente sincero, será muito trabalhoso para os novos inscritos tomarem ciência do material já veiculado e julgá-los na forma do Regulamento (essa posição vale até princípio de agosto). Todavia nada impede se assim o quiserem, bastando que mandem sua Ficha de Adesão devidamente preenchida para concessão de passes e cadastros futuros. Esse modelo de Ficha está disponível no site da Slev, dentro da edição 2002 do Projeto. Basta fazer o download (aproveite para ler o regulamento ‘draconiano’) e responder a todas as questões, com especial atenção para a última, testando o seu conhecimento em história alternativa, que a maioria das pessoas não entendem muito bem o significado disso.

Obrigado por tudo, e aplausos por sua revista que é um importante fórum para todas tendências.

 

 

 

 

 

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