|
|
Josiel
Vieira vai até o futuro, não um futuro distante, mas um futuro cada vez mais
próximo da nossa realidade, talvez tão próximo que esteja dentro de nós,
um mergulho profundo na nossa consciência. Sua narrativa fala da nossa
vida.
A novela Biopanzer é uma poesia moldada no concreto do cotidiano. O
sofrimento, a cidade, a luta e a filosofia do mundo visto sobre o olhar de uma
menina, uma motogirl do futuro. Uma menina com uma armadura tão forte
como um tanque alemão. Uma armadura biológica endurecida pela vida para
enfrentar a diversidade do sofrimento.
Josiel
Vieira fala do lado humano, pode ser considerado como um humanista, vai a fundo no
sofrimento e capta todas as formas emocionais dos personagens. O mundo é
cheio de conflitos e de interesses diversos moldados na angustia da vida, por
outro lado os personagens são de sentimentos. Usa a ficção
científica para criar e moldar ambientes, onde moverão as peças de suas
cartas de tarô. Não espere naves espaciais, robôs, andróides, mundo
desconhecidos, mas literatura. O mundo de Josiel é o nosso, um olhar para
dentro de nós, para cada um de nós.
As
"metáforas" são o grande forte da presente novela que estamos
disponibilizando para que todos conheçam a obra desse artista. Veja o que ele
tem a nos dizer:
"Os
meus textos possuem várias leituras possíveis e várias sobreposições de
signos (no sentido semiótico da palavra); algumas vezes isso é feito de
maneira deliberada, outras vezes não. São labirintos de janelas fechadas e
abertas. Cada um tem seu "make off " próprio, apesar de haver uma
espécie de intersecção estética em todos eles.
Maria
Biopanzer, é assim; de tanto sofrer acabou criando uma blindagem metafórica
ao redor do seu coração. Desde a infância ela sofre, na medida em que ela
foi fruto de uma gravidez não-desejada pelos seus pais, que se separaram,
logo depois que Maria Biopanzer nasceu. O fato dos pais lhe passarem na cara
que não queriam concebê-la, que era melhor ter usado um método
anticoncepcional, etc, a torna uma cristã xiita, completamente avessa ao
controle de natalidade. E tanto mais gosta de sua posição porque o
cristianismo está em decadência, completamente fora de moda.
No
outro oposto está Ravena, jovem artista plástica de 20 anos que é o oposto
de Maria Biopanzer: Ravena sofre de hipersensibilidade; tudo toca sua alma
sensível e criadora, muito embora ela disfarce isso muito bem criando
releituras dos personagens do Snoopy. Apesar de se declarar cristã, Maria
Biopanzer é no fundo uma cética que não acredita em nada e também não
sente nada. Mas, de repente, as blindagens de seu coração começam a ser
derretidas por Ravena. Ravena, por sua vez, esconde em seu semblante de boa
menina uma alma atormentada, cuja arte nasce diretamente do seu sofrimento—
que, a bem da verdade, é uma mistura de agonia e suprema bem-aventurança,
como a escultura de Bernini "A Visão de Santa Teresa" -— e carece
da rudeza e do senso prático de Maria Biopanzer. As duas formam uma espécie
de Ouroboros, a cobra que morde o próprio rabo, pois uma é o estágio
seguinte da outra.
Biopanzer
corresponde ao arcano 12 (o Enforcado, que é o destino que nos prende pelos
pés e do qual não podemos escapar). Jonas Dark corresponde ao arcano 6
(O Enamorado); Deus Est Machina, ao 16 (A Casa de Deus, ou A Torre da
Destruição) ; Mortos Podem Dançar, ao 13 (a Morte). e tenho dois outros
textos em andamento referentes ao Arcano 18 ( A Lua).
Os
leitores atentos de minha obra poderão notar uma ponte entre os meus textos e
o obscuro início dos anos 80, em que pós-punks e góticos perambulavam por
aí, vestidos de preto pelo eminente funeral da Civilização, que parecia
correr irremediavelmente para sua destruição através de uma III Guerra
Mundial entre USA e URSS. Não havia esperanças naquela época, e as meninas
de preto traduziam isso em sua elegância apocalíptica. O mundo Dark dos meus
textos está de luto não necessariamente porque o planeta vai acabar numa
guerra atômica; não vejo mais esse perigo (muito embora nosso amigo caubói
republicano de Washington seja um entusiasta de um belo inverno nuclear,
batendo constantemente o seu próprio recorde de estupidez, querendo brincar
de soltar bombas atômicas em países miseráveis).
Por
um tempo eu chamei esse meu estilo de cibergótico, mas também as novas
definições servem apenas para rótulos ao que se é consumido. Morro de medo
que o significado do nome "Jonas Dark" se esvaia e esse nome vire
mais uma grife, mais uma coisa numa coleção de coisas nenhumas.
Lendo
a exposição acima, o leitor deve ter intuído que estou muito mais
interessado pela arte e pela densidade de significados do que com o rigor
científico dos meus textos. Aliás, a ciência em meus textos é usado com
funções estéticas semelhante a um quadro estilo Pop Art. Portanto me causou
uma certa melancolia quando um escritor português, ao ler o meu texto
"Impressão Digital", tenha chamado esse texto de pseudocientífico.
É o mesmo que chamar um ovo de objeto oval. Essa é a diferença do meu
Biopanzer para os robôs gigantes dos animes: esses robôs gigantes são
cientificamente muito plausíveis, os seus criadores estudaram a fundo
engenharia para fazê-los os mais realistas possíveis. Todas as prováveis
peças possuem fundamentos mecânicos convincentes e tudo foi feito para
funcionar. Os robôs de séries como Evangelion são tão científicos... e
tão deprimentes. O meu Biopanzer é uma menininha de 14 anos que muitos acham
que seja lésbica. E no entanto, ela me parece muito mais verdadeira que os
robôs citados anteriormente.
Outras obras do Autor:
Jonas Dark
Deus Est Machina
Mortos Podem Dançar
----------------------------------------------------------------------------
 |
|
|