Qual
é a forma da Maldade? Basta olhar para as criaturas do Bem; pois não existem
obstáculos intransponívels quando desejam alcançar seus objetivos. O excesso
de bondade, como é atribuído àquelas santificadas e beatificadas por todos,
desequilibram a harmonia cósmica. Onde há luz, há trevas. É uma realidade
verdadeira. Antagonicamente, ao se falar em Deus, clama-se com o mesmo fervor
para o Diabo. Não se pode fazer o bem sem prejudicar outrem. É um princípio
ativo universal, onde a simples existência da vida, permeia a todo o instante
pelos meandros da existência da morte. É inegável essa constante. Portanto, a
vida é o sopro de Deus para o início, e a morte é o aspiro do Diabo para o
fim. Uma necessita da outra. Se não houvesse a morte, inexistiria vida, e
vice-versa. O ato de se alcançar o sucesso, o prestígio, a fama, já é um ato
de maldade para aqueles que não tiveram a mesma sorte, e, portanto, serão
obrigatoriamente esquecidos, e somente com o descenso daquele, é que poderão
chegar a vitória. A perda, a derrota, o fracasso não são uma questão
interior de cada um, mas um desequilíbrio cósmico onde, não existe nem peso
nem medidas, apenas a força da energia que se conecta, e é atraída para
aquela polaridade eletromagnética. Dessa forma, a energia é sugada para apenas
umas pouquíssimas pessoas, em detrimento de outras. O bem não interage com
unanimidade dentro de um processo em massa; apenas seletivamente, porém, a
maldade procede de uma forma equânime sem obliterar ninguém.
O mal nunca vence, mas deixa a
marca da sua existência por onde passa. O mal é a morte? Ou a morte é um mal
necessário para se justificar a vida para o bem? Quem prevalece no
embate?
Há males que vem para o bem, ou
há bondade que vem para o mal? Uma ou outra forma de pensar impreguina o
pensamento de dúvidas. Não adianta ficar filosofando em cima de respostas
estapafúrdias ou religiosas, ou sejam do que tipo for. Cristo foi sacrificado!
Ficar diletando sobre o seu cadáver é tentar apagar o fogo com cuspi. É um
fato real. Morrer pela maldade para se justificar o plano divino da vida eterna,
ou seja, o ato da bondade. A vida é passageira, mas a morte é um fato
consumado. Viver para morrer biologicamente nesta existência temporal, com
datas e prazos invalidados, incertos e inconstantes. A vida coage a morte com
promessas de eternidade espirituais, mesmo sabendo que os fins não justificam
os meios. A certeza é somente uma: Onde há vida, há morte, ou, onde existe
morte, com toda certeza já existiu vida. E sempre dessa máxima, renasce a
vida, não para a vida espiritual eterna, mas como força elementar biológica
da própria natureza, que luta e reage sempre, buscando na própria morte o
motivo principal da vida. Um círculo vicioso. Mudar tal pensamento é sucumbir
num paradoxo íntimo vivenciado por pesadelos e delírios. O que seria da vida
sem a morte? Ou a morte sem a vida? A vida geraria um descontentamento íntimo
torturante. Não haveria o pensamento da morte, e como seria ser eterno? A vida
teria algum valor? Isto é, seria considerada como tal? Como todo mundo a
conhece (?). Viver não é somente aspirar e respirar. Existe um metabolismo
muito mais intricado do que se pode imaginar, ainda desconhecido. Como se
comportaria bioquimicamente cada célula do corpo humano? Em constante mutação.
Um “Moto contínuo divino”. Uma reciclagem com a renovação molecular atômica?
Até quando duraria essa transformação biológica, ou se fosse eterna, qual
seria o processo revitalizador nuclear? Uma máquina mecânica ou eletrônica
necessita de manutenção e troca de peças geradas pelo desgaste, pelo uso contínuo.
E, mesmo sendo observado todos os cuidados, e um belo dia, quando menos se
espera, tornam-se obsoletas, ineficazes, inoperantes. Destino: são trocadas por
outras mais modernas, com menor consumo de combustível e energia. Agora, e o
Ser Eterno?
Viver eternamente, na realidade
é só em pensamento, pois haverá um dia, em que até o pensamento não será
mais eterno, ou, será eterno enquanto dure a vida. E de fato, as idéias se
juntam às idéias de eternidade, que são passadas de diversas maneiras: oral,
escrita, etc. O corpo morre, a vida tem o seu final. A única certeza que se tem
da comprovação da vida, ironicamente, é quando se acredita na existência da
morte. Não importa de que forma ela virá. Mais dias, menos dias, cedo ou
tarde, hoje, agora, neste momento que já passou, se tornou passado, quantas
vidas deixaram de existir? Ou estão nascendo. O ciclo vital contínuo em todo o
Universo se desenvolve sob beneplacência da morte, que administra friamente
cada concepção criada, evitando a gestação desmedida de criaturas, seres e
espécies diversas fora do padrão seletivo.
O bem e a morte são seletivos
na Ordem Universal, escolhem antagonicamente somente aquelas que alcançarão
fama, sucesso e fortuna, ou não passarão de simples espórios na organização
cósmica, enquanto que maldade e a vida, surgem desorganizadamente e de maneira
avassaladora...
***
Entre os humanos, na antiguidade, existiam os arúspices, sacerdotes que
prediziam o futuro pelo exame das entranhas das vítimas, ou seja, dos mortos em
sacrifícios. Através da maldade, se prevalecendo da morte, buscava-se a vida
eterna, ou mais uma vez, ironicamente, o bem. Faz parte da essência cósmica
essa ausência de futuro, assim como a procura constante de antecipar, ou
sobrepujar a maldade com o Bem, ou blefar com a Bondade objetivando o Mal. O
certo é: Nunca se saberá ao certo até que ponto o Bem prevalece, ou o Mal
termina, pois, às vezes, o que é bom para uns é mal para outros, ou o que
significadamente é prejudicial para muitos, é benéfico para poucos. E, assim
sucessivamente, as ações contínuas fatalmente se concluem em reações
adversas, e, obrigatoriamente, como uma teia de aranha, se espalham advindo
conseqüências favoráveis ou não.
Olhar o Mal sob a ótica da
maldade é esquecer como se faz o Bem e pratica-se a bondade. A idéia do Demônio
assustador e sinistro é combatida pelo sentimento divino de um Deus maravilhoso
e apaziguador. Mas o que seria desse Ser Supremo e benevolente, a não existência
dessa entidade ínfima e contraditória para manter o equilíbrio e a ordem
cosmológica? A perfeição não existe; o que se pode conceber são estruturas
perfeitamente moldadas dentro da tridimensionalidade da compreensão de cada um:
invisível ou visível. Conceitos de pensamentos que transformam a rotina do
realizar em algo construtivo. Pensar culturalmente em tudo isso cria liames atávicos
aleatórios dentro da própria trama sedosa aracnídea, que se perde em divagações
confusas e desconexas, fugindo sobremaneira da idéia principal: Até onde pode
se suportar o mal?
Mas, o que é o mal?
Propriamente
dito, na concepção da palavra: Tudo o que se opõe ao Bem, tudo o que se
desvia do que é honesto e moral, tudo o que prejudica ou fere.
E o Bem?
Tudo aquilo que é bom e está
de acordo com a moral; vantagem, proveito. Tudo o que se faz convenientemente de
modo bom.
A subjetividade das palavras
levam a conclusões apressadas e erradas. Quando o Mal se opõe ao Bem, é
porque houve um conflito de interesses. Afigura-se que o lado que não se
enquadrou dentro do pensamento do que seja conveniente bom, o é representado
pelo Mal, contudo, o Bem se apropria dessa situação e tira vantagens,
proveito! E de fato, se beneficia integralmente, em prejuízo de outros, o que
faz pensar na existência das criaturas benignas que se locupletam às custas do
Mal que proporcionam com empáfia. E assim, o Mal se revela na medida em que o
Bem se instala acintosamente, com requintes de virtudes e moral. É uma faca de
dois gumes, e a ferida depois de aberta sangra com a mesma eqüipolência filosófica,
mas a vitória final tende para o bem. Independente de quaisquer resultados
supostamente obtidos. A visão simplória e exclusiva de apenas um resultado,
como meta, não permite a mente humana abstrações maiores como resultados,
unindo satisfatoriamente duplos questionamentos viáveis. O Mal perde no campo
das inquietações mais contundentes, mais ganha terreno se comparado com os
problemas insolúveis. A dimensão do pensamento humano se restringe ao
imediatismo como regra básica, para solução de questões entre o Bem e o Mal.
No domínio das especulações, o Diabo é visto como o elemento destruidor.
Embutida essa imagem mental estereotipada, é muito difícil modificá-la. O
discurso é manipulador, coercivo e tendencioso, Não há liberdade de
pensamento ao se falar do Mal, com temeridade do próprio Bem.
Mas uma coisa é verdade: o
Universo todo conspira para o Mal; conspira em favor da maldade, porque há carência
do Bem como um todo. Fazer o Mal é muito mais fácil e rápido do que exigir um
pouco do Bem de todos. Existe o pensamento arraigado, porém não resolvido, que
o Bem de qualquer forma degenera, causa inimizades, conflitos, quando aplicado
de maneira generalizada.
Não significa que sempre foi ou
será assim. Existe um pacto de interesses entre ambos os lados. Uma conivência
engendrada em níveis superiores divinos, onde o reles humano nem pensa em
ascender. Por isso, não há mal sem bem, nem o bem sem o Mal. Tudo isso requer
sabedoria e conhecimento profundo, elevado e a mente a uma comoção catártica,
antes de se decidir por esta ou aquela facção. Contudo, tais decisões
independem de fatores internos. Muitas vezes, valores externos influenciam na
escolha. A bem da verdade, se não fosse o envolvimento externo, inexistiria a
presença constante do Mal e do Bem. É bastante significativa essa influência,
que muitas vezes cerceia, não permite ou não dá oportunidade de opção.
Externar as emoções demonstra o caráter da pessoa, e assim, é qualificada,
taxada, conceituada e enquadrada dentro de dogmas, e suas reações
conflitantes, reflexos involuntários, a deixa estigmatizada para todo o sempre.
O ambiente propícia a realização
do Bem ou do Mal, independente, algumas vezes de fatores externos, em conseqüência
de uma educação não constituidamente forte. A fraqueza de espírito é fato
importante na concepção da personalidade. Muitas vezes, o berço é esplêndido,
contudo, a carne é fraca; o Mal já brotou, só faltando adubar para progredir
e tornar-se operante. E ninguém desconfia quando ele ataca, simplesmente
acontece... O Bem já necessita de uma espécie de “mìs-em-cène” para se
revelar. É mais expansivo, explosivo, espalhafatoso na sua demonstração de
realização, isto é, significadamente muito mais trabalhoso, mais oneroso,
mais sacrificante... e muito mais odioso. Ao fazer o Bem sem olhar aquém,
incorre-se numa situação de injustiça calúnia e difamação. Sob olhares
daqueles menos prestigiados, as críticas são as mais destruidoras possíveis.
Denegrindo a ação, o gesto, o proceder de forma beligerante. Falar, criticar e
fazer o mal é muito mais fácil do que ajudar, auxiliar, confortar... Mas quem
está com a razão?
Até onde vai o Bem e seus benefícios?
Ajudar realmente importa? Criticar é mais saudável? Tudo é questão do ponto
de vista de cada um. O Bem de um lado e o Mal do outro lado, e cada um puxando a
corda, só que não é uma corda comum. É uma corda elástica que se distende
até o máximo, para depois voltar com pressão. Opção? Às vezes, o Mal vai
para o lado do Bem... Às vezes o Bem se aventura para o lado do Mal. Mas quando
isso acontece? O que se passa na mente, nas emoções, nos sentimentos de todos
é uma incógnita.
A vida está disponível para a
morte.E, só o fato de se viver plenamente, sabendo que um dia vai morrer,
desencadeia no interior de alguns, infinitas reações de desespero que terminam
em tragédias urbanas, onde o Bem e o Mal não passam de arremedos do cotidiano.
***
As civilizações, sem exceção, experimentam o paiol de elucubrações
destrutivas. Guerras que disseminam o terror, a fome, a miséria. A angústia
maior em tudo isso, é que o Bem, aquele que se denomina o salvador da pátria,
aquele que luta contra o Mal, ocasiona as barbáries contra inocentes, por uma
“Boa Causa”. Mas, que causa é essa que “causa” mais mortes do que o próprio
mal? Porque o Bem quando está em vantagem, faz o mal sem olhar a quém e sai
ileso, como justiceiro, como herói? Para se obter o Bem, conseqüentemente,
faz-se o Mal, e a morte tem seus motivos.
O Mal já se afigura como coisa
ruim. Só o fato de esta condição ser evidente, torna-se relegada quaisquer
outras prerrogativas de defesas circunstanciais do fato. Assim, neste estado de
espírito a mente oblitera-se à abertura de fundamentos óbvios e consistentes
sobre outros aspectos do Mal. Mas o Bem também não é um primor de verdade, e
ludibria, coage, manipula, escraviza, mata, tortura... E tudo em prol dos bons
costumes!
Em si, o Bem é um Mal necessário
para aplacar a fúria insana da maldade. Mas, até aonde o Bem pode prevalecer
sem transcender a sua essência? O Bem traz a paz, a tranqüilidade, a
felicidade, o amor, a harmonia, a prosperidade...E outros valores e adjetivos
exemplares, contudo, a paz em excesso, gera conflitos e discórdias e
consequentemente a guerra; tranqüilidade em demasia desequilibra o espírito,
causando confusão e desarmonia no Ser; a felicidade predispõe um nível de
inveja tal, que descamba geralmente para a tragédia descontrolada; o amor é o
vilão sintomático de toda a situação, pois o exagero termina em conflitos de
relação e de interesses, finalizando em ódio profícuo e trágico; a harmonia
é uma carcaça pútrida que encobre literalmente os piores momentos de uma
transição. Estar em harmonia é permanecer sujeito às intempéries emocionais
e equilibrando-se no fiel da balança; a prosperidade é o Bem que todos
almejam, pois com a prosperidade advém a paz, a tranqüilidade, a felicidade, o
amor, a harmonia... E uma avalanche de problemas que o Bem proporciona. Mas a
prosperidade em si é a única forma segura para se superar o Mal e o Bem. Ser
próspero indica uma condição benfazeja do domínio do Mal sob todas as formas
possíveis, e o Bem intercede por este ou aquele elemento, apenas para manter o
ritual da complacência social.
Na verdade, o Mal é o expoente
que faz o Bem ser engrandecido de todas as maneiras. Assim como a existência da
vida não prevaleceria como a entendemos, senão fosse a constante denominada
morte. Se não tem vida, logicamente está morto. E é uma certeza absoluta
viver para morrer! Não é ser fatalista. Mas enquanto escrevo, agora, neste
exato momento, estão morrendo milhares de pessoas. Até este texto ser
publicado, e você leitor, chegar a ler, o ciclo de vida e da morte se renovou
muitas vezes pelo Universo. Algum erro?
Uma verdade muito difícil de
aceitar, sem ser deveras pessimista. Devemos ser muito otimistas em se tratando
desse assunto... Tal como pensar novamente na eternidade. É uma piada! O que
seria uma eternidade? Viver para sempre? Cai-se sempre neste aforismo
existencial. Viver até quando? Atravessar gerações e gerações vendo todos
morrendo...OPS! Engano. Não existiria morte, nem tal palavra; desconheceria-se
tal conceito... A vida também não seria como a conhecemos biológica e
espiritualmente. Alma, espírito... Isso tudo faz parte do estereótipo humano,
que predetermina um conjunto de idéias filosóficas com a finalidade de
perpetuar valores morais, sem, contudo, se aproximar da veracidade do que é
isso ou aquilo, na modernização do pensamento. O que é ser imortal? Um
desafio à vida, quando tempo e espaço não possuem significado nenhum diante
do insofismável. Será que viver eternamente tem a mesma força expressiva de
ser imortal? Questionar a vida e a morte é muito mais importante do que buscar
atalhos insignificantes e distorcidos da realidade. Entretanto, justifica-se uma
resposta. A eternidade seria o tempo em que se viveu cada um o seu tempo, dentro
de uma realidade do pensamento. Ser imortal é se prevalecer da vida,
sobrepujando a morte até o final. É um sonho acalentador viver com um Ser
imortal por toda a eternidade, e ser eterno enquanto dura a imortalidade...
Apenas jogos semânticos que urgem da mente dos sábios. Realidade? Nenhuma!
Tudo é imortal enquanto dura a
vida, e eterno quando vem a morte. Pois a vida é diáfana e eterna desde o
momento em que se torna construtiva... Se bem que a destruição participa do
mesmo movimento energético. Mas somente as melhores lembranças vêem à tona
quando as recordações se evidenciam.
A desgraça é mais contumaz
como fato histórico e relevante no apogeu das civilizações. O domínio, a
guerra pela paz, com a ironia da sublevação do Mal para alcançar o Bem, ou
tudo não passa de uma farsa do Bem camuflado de Mal para obter proveito e
vantagens, sem macular própria imagem. A vida, o Bem são feitos de mortes e
maldades. A importância da felicidade é passageira, ínfima, quando se busca a
valorização da vida como se predispõe o Bem. Talvez, por passarem
desapercebidas determinadas circunstâncias, as benesses se perdem no lodo do
mal, que privilegia alguns em detrimento de outros.
De repente, quem sabe, através do exame detalhado das entranhas de
algumas vítimas, o futuro surja com uma prédica fantástica, recrudescendo no
coração de todos a importância de se viver os momentos da morte, antes que a
vida se torne obsoleta. Porque as leituras divinatórias quando clamam as forças
cósmicas, são realizadas, quase sempre, através do sacrifício de um ser
vivente? De uma forma ou de outra, os procedimentos invocam as energias do Mal
para se preconizar as vidências do Bem... As trevas possibilitam um melhor
entrosamento com as forças eólias, com os elementos mágicos, com as energias
telúricas, do que a claridade irradiante e ofuscante do dia. O ente humano
evidencia valores místicos durante os momentos noturnos quando está mais
sensibilizado e reptílico, do que naqueles diurnos, quando o subconsciente se
encontra disperso e em total irracionalidade.
Porque a morte sempre favorece a
vida? Porque a vida se prevalece sempre da morte? Porque a morte é
continuamente mostrada com pesar, choro e lamentação? Viver implica em
pesares, choros e lamentações muito mais contundentes e massificantes, com
sofrimentos, dores e lástimas que, às vezes, são mais incisivos e vividos do
que os curtos instantes diante da inefável e incorruptível presença da morte.
Somente as criaturas do Bem, possuem tais sentimentos nobres. Numa
demonstração muito profunda de apego às raízes humanas. Humanas? É muito fácil
conceber a lógica humana para os valores de nobreza. As emoções levadas a
catarse, num exemplo de justiça ou condescendência ou de lamento. Na verdade,
não importa quais sejam os motivos que levam um ser a mostrar suas reações
emotivas. Tendenciosos como são, deturpar seus estados emocionais é façanha
das mais ardilosas, que aprendem a manipular desde muito cedo. Já vem de berço.
Tais criaturas do Bem seqüestram da maldade o Dom da sutileza e praticam suas
vilanias encobertas pelo véu da singela pureza do servilismo. As criaturas do
Mal, por si só, despertam o temor e o medo, e são sacrificadas como inocentes
úteis, numa pura comprovação do escárnio e maledicência do Bem, que tudo
pode sem olhar a quém.
E nos ditames religiosos, amar é praticar o bem. Não é importante dar
nome aos bois, a carapuça serve direitinho em todos sem diferenciar este ou
aquele. Como tudo saiu do mesmo saco, é desperdício de tempo querer proteger,
aviltar ou resguardar qualquer seita do paredão. Se uma for condenada, todas
sem exceção serão condutoras ou participantes indiretas do mesmo crime. Aos
olhos de Deus, todas as crianças são puras, e todos aqueles que se arrependem
dos pecados, irão para o Reino do Céu, perdoados. Não existe o Bem e o Mal
como lhes são atribuídos valores morais e espirituais. Para as hostes
celestiais, nos mundos interiores, nos Universos dimensionais, o Bem e o Mal,
Deus e o Demônio não existem... Uma energia única, como um TODO, abrange e
envolve todo o Cosmo em serenidade. Assim, o Bem e o Mal só existem em função
da criação dos fenômenos sob a influência dos valores gerados pelas
criaturas em conflitos externos. A vida e a morte romperam os liames
existenciais e sucumbiram ao paradoxo senil da conjugação do Verbo, em pleno
estados de autofagia. Entre ser ou estar, muitos preferem ficar, pois somente
assim, ficando conseguem ser aquilo que imaginam, e estar conscientes daquilo
que pressupõem ser a permanência da vida enquanto vida.
A suprema necessidade de ser
superior a própria força da natureza, e comandar as leis cósmicas que regem o
Universo, levou o ser humano a inventar o Bem e o Mal, a Vida e a Morte; pois a
inexistência de tais fundamentos impedia que uma ordem de classificação fosse
criada para se estabelecer uma organização existencial. Desta maneira, os
conceitos foram sendo arraigados à principio de forma desordenada, como o caos,
atrapalhando a visão daquilo que era o real, e incutindo misticismo nas mentes
puras de sentimento.
A vida perde o fio da existência
quando passa a ser tolhida pela figura da morte, como destino final. A morte
perde o vínculo que transcende a vida e determina o vir-a-ser de uma incógnita
sem origem nem fim. Viver para morrer é o resultado final muito bem
esclarecido, sem nenhum constrangimento. O Bem é o Bem, o que vier a ser gerado
fora dos padrões do Bem, é representado pelo Mal. O Mal, consequentemente é a
derivação, ou melhor, o desvirtuamento da moral e a desvalorização do ser
enquanto ser. A lógica humana não refuta os termos nem as condições a que se
chega ao Bem ou ao Mal, entretanto, tendência para o que se apregoa como “Prática
do Bem” mas, na “Execução do Mal”. O pensar que existem seres com idênticas
condições de pensamento, de livre arbítrio, e existências parecidas, faz do
ser humano um paiol pronto para explodir, porque são os fatores externos que
acendem o estopim, e não o fogo interno. Ele não tem, e nunca terá condições
de implodir, pois sua energia interior foi dividida em partes e classificadas, e
o seu TODO se diluiu num engodo subconsciente.
Qual é a forma da maldade?
As criaturas do Bem se mesclam
com as criaturas do Mal simultaneamente e espontaneamente na medida em que as
necessidades carecem de ações imediatas. O Bem e o Mal são parceiros
constantes dos fatos que regem a Vida e a Morte do planeta Terra.
Iluminar a mente do ser humano,
libertar a sua energia interior para a sua expansão e esclarecimento no
Universo, é chafurdar a inteligência cósmica na lavagem dos porcos... Só
resta um consolo, beijar mão do Demônio e pedir perdão pelos erros cometidos,
e quem sabe, Deus acolha a súplica e desfaça todo o mal entendido... Em favor
do Bem.
NOTA
DO NAVEGADOR: Meus apontamentos revelaram esse pormenor existencial característico
dos seres humanos. Desenvolveram um erro bio-espiritual tão profundo, que se
tornaram dependentes dele para reger suas vidas. E sem parâmetros para
avaliarem as conseqüências dos seus desatinos, vão cada vez mais sendo
engolidos pelos preconceitos, pela esperança da salvação na eternidade, após
praticarem toda a espécie de Bem pelo Mal, ou vice-versa. É um das raças mais
complicadas que existe na Via Láctea.
OBS:
Caro leitor, se você chegou até aqui, gostaria do seu comentário a respeito
do conto BEIJA A MÃO DO DEMÔNIO.
Se
desejar saber mais a respeito do que escrevo, por favor acesse ao site: www.montecastelo.com.br.
Em e-books você encontrará o livro SÓ
OS ANJOS MORREM CEDO.
Leia
também: ESTHER E ARTHUR –. O PLANETA
DE CRISTAL e O JUÍZO FINAL,
através do site: www.ieditora.com.br.
Imprimir
esta página
©
John Dekowes 2002-2003.