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O SENHOR DAS GALÁXIAS
John Dekowes
A
criatura foi saindo do oceano na medida em que, como mágica, as ondas se
afastavam da orla, puxadas para dentro do mar por uma força poderosa.
Parecia muito cansada, pois caminhava pesadamente pela praia, deixando
profundas marcas na areia. A cada passo, se preocupava em levantar bem as
pernas para que a parte chapada da frente dos pés palmípedes não
dobrassem, fazendo-o cair. Parecia ter uns 15 metros ou mais de altura.
Seu corpo de ébano e másculo, de pele áspera, possuía partes lisas e
brilhantes, com placas fosforescentes que compunham o seu exoesqueleto, e
que penetravam por debaixo das axilas e contornava as costas volumosas, de
onde saia uma traquéia que se bipartia e terminava diretamente na cabeça
grande e ovalada, com apenas um olho ciclópico, frio e de cor metálica.
Respirava com dificuldade, pois o ar saia ríspido e, às vezes,
borbulhante. As águas se aproximavam, agora em forma de um gigantesco
paredão líquido com mais de 180 metros de altura. Ele não se incomodou;
apenas fincou uma espécie de bastão na areia fofa, e se prendeu a ele
com garras ventrais e os braços. Seus olhos se iluminaram quando o
turbilhão passou. Soltou um dos braços e abriu os dedos ligados entre si
por membranas.Uma esfera de luz irradiante surgiu, e pareceu lhe dar uma
indicação do volume da água que o encobrira, a extensão, a sua
localização e quanto tempo ainda demoraria a voltar ao normal. Fechou a
mão, só que antes, ativou um escudo protetor ao seu redor contra o que
viria junto com o defluxo: árvores, lixos e entulhos. Aguardou
pacientemente a tempestade passar, dentro da tenda de energia,
aproveitando o tempo para se alimentar de maneira grotesca; seus olhos se
dilatavam para cima deixando à mostra uma carreira de dentes pequenos e
serrilhados toda vez que levava comida a boca, o qual triturava com
voracidade.
E,
de repentinamente, viu-se sob o brilho azul opaco de Èpher e da claridade
mortiça rosa esverdeado de Khã-lima, luas gêmeas enrodilhadas por 3
anéis coloridos. E pareciam gigantescas diante de si. Pälydhon passava
pelo seu período de influência lunar com a aproximação perigosa dos
dois astros, que surgiam de lados opostos, e se encontravam, quase se
tocando. As partículas magnéticas, poeiras cósmicas e outros elementos
desconhecidos que formavam os anéis, é quem mantinham-nas afastadas
precariamente. Contudo, a distância do planeta para as luas, não havia
também muita diferença: 83.540 quilômetros, aproximadamente.
Não
era a primeira vez que Thur-la-Nur vinha fazer essa prospecção; só que
agora precisava de mais informações "in loco". Podia ter
ficado dentro da nave em sublimação áurea, e estaria tudo resolvido,
mas a incorporação na matéria fazia parte dos seus momentos de
fraquezas experimentais. Praticava alguns excessos, tais como aquele, para
participar dos instantes de expectativas e ansiedades das criaturas que
exalavam o "elã vital".
Aquela
fora a segunda onda. A terceira chegaria em pouco tempo, e seria muito
mais violenta. A sua crista alcançaria a altura de 380 quilômetros e
faria um estrago considerável às reservas biológica de Pälydhon.
Penetraria pelo interior de forma destruidora, arrancando e demolindo tudo
pela frente, num raio de quase 300 mil quilômetros à dentro, tal a
fúria da velocidade! Sua mão esquerda se abriu, e a esfera surgiu com
uma extensa mancha cinza se movimentando. Tocou nela, e a mesma cresceu,
duplicou, centuplicou, ficou infinitamente maior do que ele. Desativou o
campo protetor e encontrou-se na sala de comando da sua nave.
"Onda
se aproximando..." - alertou uma voz feminina, melodiosa e de uma
pureza e suavidade impressionante. "... Preparar para o impacto em 5,
4, 3, 2, 1..."
Thur-la-Nur
firmou-se contra uma parede enquanto ordenava a abertura do visiorama.
Apenas um leve tremor, quase imperceptível ocorreu no interior na nave.
Pediu imagens em diversos ângulos de aproximação e amostragem da cada
região onde ocorreriam as devastações. Uma enxurrada de fotos
holográficas foi crescendo na tela. Com ligeiro toque digital a foto da
onda foi crescendo e dominou o interior da nave e expandiu-se. Ele agora
se encontrava a poucos centímetros da parede líquida se movimentando
vertiginosamente para adiante. Olhou para frente e viu a região coberta
de prédios de edifícios e casas rústicas espalhadas ao redor.
"1
minuto para atingir Demkrön...!"
Escolheu
outra foto com imagem mais distante, que mostrava toda a área da cidade e
os subúrbios.
"45
segundos para o impacto..."
Ao
invés de um toque...
"30
segundos para o impacto..."
Fez
um grande círculo com o dedo sobre onde se encontrava a cidade.
"10
segundos para o impacto..."
Depois
procedeu da mesma maneira circundando diversas construções mais afastas.
"
... 4... 3... 2... 1..."
A
onda gigantesca e impetuosa se chocou violentamente contra a cidade e
cercanias, mas deslizou por cima de um escudo invisível; o mesmo
acontecendo nos outros lugares. Entretanto, o restante dela continuou
avançando intrépido, arrastando devastando tudo para frente.
Thur-la-Nur
pediu imagens geológicas do planeta. Surgiram imediatamente dezenas de
fotos com vários aspectos e ângulos diferentes: crosta, camada, manto,
núcleo, falhas, fissuras... Selecionou uma foto com uma enorme garganta
que se perdia para as profundezas subterrâneas. Seu olho ciclópico
iluminou tudo, num foco de luz etéreo e poderoso, enquanto ele percorria
o tortuoso caminho no interior de Pälydhon.
"2
minutos para o impacto na cidade de Novaloae" - lembrou a voz.
Acima
uma crosta de 4 quilômetros de espessura toda fragmentada, quase cedendo.
Certamente iria criar uma sucessão de explosões sísmicas afetando a
estrutura da cidade.
"1
minuto para o impacto na cidade de Novaloae"
Do
seu dedo soltou uma cintilação ígnea que foi traçando uma linha no
terreno por onde passava a falha. Um canal de 3 quilômetros de largura e
profundo separou a cidade da onda, em toda a sua extensão de impacto. E
parte da massa líquida que chegara próxima ao subúrbio, perdeu força,
se transformando numa onde de apenas 3 metros de altura.
"30
segundos..."
Mas
a onda avançou com ímpeto e chegou até Novaloae, porém, com apenas 10
centímetros, que foi drenada para os enxutores automáticos.
"10
segundos para o impacto... 5 ..4... 3... 2... 1"
Thur-la-Nur
já nem pensava mais naquela situação. Ergueu suas mãos e através das
membranas dos dedos, foram surgindo luzes iridescentes que formaram
imagens das luas: Èpher e Khã-lima. Cada movimento que fazia com os
dedos, os satélites iam deixando à mostra do que eram feitos. Èpher
possuía um blocado núcleo de ferro eletromagnético, mas Khã-lima era
completamente oco.
-Esquisito!
- pensou alto.
Khã-lima
cresceu em sua transparência e mostrou seu âmago: uma tempestade eólica
num torvelinho gigantesco ia aos poucos escavando toda as partículas
magnetizadas e expulsando-as num ritmo lento, para fora. Formando assim os
anéis coloridos. Ficou surpreso. Então era Èpher que ocasionava todo o
problema, atraindo Khã-lima, e não o contrário. Quando as luas se
juntavam, exerciam uma forte atração sobre o oceano de Pälydhon. E já
imaginava uma terrível tragédia quando Khã-lima se desintegrasse,
desestabilizando o eixo de Èpher, ocasionando a sua aproximação do
planeta, e possivelmente, até um choque. Um cubo surgiu a sua frente.
Tocou em uma das suas faces laterais e na parte superior. O mesmo pôs-se
a girar lentamente e depois foi aumentando a velocidade até se tornar
apenas uma luz brilhante; rodopiante em sentido contrário ao torvelinho,
e suplantando-o no vórtice. Um embate de forças se mostrava presente,
mas a poeira magnetizada começava a retroceder para o interior da Lua.
Èpher de um lado, à direita e Khã-lima, a sua esquerda. Em outro
ângulo, via o gigante Pälydhon à sua frente; subestimado por seus
satélites, amargava um futuro negro se não fizesse alguma coisa em seu
favor. Aquela região do espaço ficou planisférica. Milhares de estrelas
achatadas como num mapa, e em primeiro plano Pälydhon e as luas.
Assinalou uma nova rota para Èpher, afastando-o, assim evitava duas
catástrofes: Khã-lima manteria o seu curso normal, os anéis
desapareceriam, surgindo uma nova estrutura atômica sobre ela. Haveria as
aproximações lunares, só que mais distantes.
Os
dados foram arquivados com observações subliminares importantes:
retornaria por ali mais uma vez, no futuro.
Thur-la-Nur
tinha verdadeira atração pelo mar. O elemento líquido que compunha todo
o segmento cósmico de tudo o que existia no Universo, e com apenas uma
minúscula gota de chuva, criava uma criatura, uma espécie, povoava um
planeta! A força pura da energia divina. A simplicidade do átomo! Não
havia nenhum engano para ele. Onde houvesse água em qualquer um dos seus
sete estados elementais, existiria condições de vida. Cada planeta
possibilitava existências de criaturas diferenciadas com características
para cada estado: sólido, líquido, gasoso, colóide, eletrônico,
alômnico e o frânion. Este último considerado a mais pura essência da
essência da água, possibilitando estruturas complexas e infinitas
cadeias genéticas: quádruplas, sêxtuplas, decuplas...
"Concluída
as mudanças programadas. As ondas se elevarão a 8 metros acima do nível
do espelho líquido, até a orla da praia. Um túnel subterrâneo foi
aberto para a renovação automática das águas do novo canal, sem
ocasionar grande impacto ambiental para a cidade de Novaloae,
imediatamente. As espécies da flora e da fauna do planeta, que manifestam
ligações simbióticas sob a influência lunar de Èpher e Khã-lima,
completarão suas deficiências protéicas com partículas de cádmio em
decomposição pelo ar e no solo. Tempo de transformação: 250
gerações. As alterações foram iniciadas. A cada 50 ciclos
hereditários, a mutação recessiva incidirá sobre todas as criaturas,
revelando novas características predominantes e essenciais" -
finalizou a voz.
Thur-la-Nur
olhou para as mãos, assustado. Pressionou um botão azul perto do pulso e
o traje que usava, desapareceu, dando lugar a outro menos extravagante. O
visiorama se abriu em uma paisagem sideral, que parecia correr ao seu
encontro: estrelas duplas em invólucros espiralados, nuvens gasosas,
nebulosas espetaculares, quasares, cometas... Uma dimensão fundia-se a
outra numa visão universal do que compunha o cosmo. Planetas, estrelas,
sistemas planetários, galáxias, imensos vazios que engoliam tudo ao
redor... Explosões de gigantescas bolas de gases, redemoinhos
eletromagnéticos, choque de energias; formas de vida tão imensas que se
tornavam seus próprios mundos. Sóis gêmeos iluminando milhares de
sistemas em dimensões diferentes, com composições estranhas, formatos
geométricos fora do padrão da criação... Planetas quadrados,
piramidais, poliédricos, prismáticos, ovóides com rotações inusitadas
e habitados por criaturas de compleições e estruturas variadas e
muito...muito excêntricas! Na medida em que as estrelas se distanciavam e
iam surgindo outros grupos complexos de energias, mais que na verdade,
pareciam assim em virtude da distância, com a aproximação, se
dispersavam como setas de fótons lançadas para os lados, numa
vertiginosa celeridade. Universos se formando, ainda em fase embrionário,
expulsando plasmas elétricos, num jorro compulsivo e espasmódicos, de
onde surgiriam as incomensuráveis galáxias e seus micros sistemas
planetários.
"Alteração
no campo de gravidade. Interferência bioreflexiva e eletromagnética, com
tempestade lúnica de grau 18, sendo gerada no interior do caldo. Falta
consistência de energia negativa. O Excesso de carga positiva desencadeia
aberrações estelares... Análise de contraste espectrográfico indica
transgressão protoplasmática e colapso gravitacional, por excesso de
partículas radiativas que..."
Ao
seu gesto, apenas erguendo uma das mãos, viu-se dentro do caos
cosmológico.Uma massa centrífuga e compacta girava ao redor de um
núcleo escuro, que pulsava ritmado enquanto absorvia a energia para o seu
interior. E a cada tempo, desprendia um magma, uma bola laranja azulada
cheia de gases e cargas eletrônicas, que explodia causando uma violenta
reação gravitacional. Quando isso acontecia, criava um vácuo que gerava
impressionante força de sucção, que ao mesmo tempo em que sugava tudo
para o núcleo, impulsionava um movimento centrípeto.
"...
afetará esta região do universo. Desequilibrando a formação genética
das criaturas do futuro. Resultado: A recessão de elementos apropriados
para o desenvolvimento de defesas orgânicas, desencadeará no
extermínio, em tempo recorde, da raça e dos sistemas planetários
adjcentes, com eventual explosão da estrela a qual pertencerem..."
-Desequilíbrio
orgânico...? Sistemas planetários...? Explosão de estrela...? Vyragho.
O que significa essa confusão toda?
"É
latente o que ocorrerá. A estrela do sistema não terá força nem
energia suficiente para manter os planetas afastados e girando em órbita
elíptica. Resultado: Sem a gravidade para mantê-los afastados, os
planetas entrarão em choques. Formando uma massa de energia nuclear
fantástica, maior do que a da sua estrela, que será atraída, e assim,
toda a região sucumbirá numa hecatombe cósmica. Nesse ínterim, as
próprias criaturas já estarão mortas pelo desequilíbrio orgânico. A
reação bioquímica não sintetiza os raios cósmicos; sem essa
associação importante para a sobrevivência de cada ser, haverá a
assimilação em alta escada de partículas radiativas..."
-Você
virou, agora, a Defensora do Universo?
"..."
-Pode
se defender... Eu permito!
"..."
-Dê-me
o resultado aproximado do núcleo a 2 bilhões de anos no futuro.
"Não
existe o futuro. Os fatos relatados anteriormente corroboram a situação
caótica..."
-Reestrutura
o modelo subatômico, coordene as moléculas de amoníaco com novos
acidulantes compartilhados de partículas orgânicas de quartzo e fator
radioativo lambda! Quero imagens da carta estelar e do subnúcleo
galáctico deste setor. Injete antimatéria plasmática na décima quinta
cadeia celular. Reduza os elementos protéicos ampliando o nível
fosfórico...
"Eliminando
os reagentes deteriorizados e acrescendo plasmódios na polinização
convergente ao núcleo atômico..."
Um
turbilhão de imagens foi surgindo. Parecia o inferno em plena atividade.
Thur-la-Nur tocou na foto onde se via a rede de energias viva e vibrantes
em atividade, numa profusão de cores fortes e chocantes. E viu-se no meio
daquela mutação cósmica alucinante! O seu corpo completamente envolvido
pelo ambiente era apenas uma leve silhueta de luz prateada que se
destacava e movia-se ágil e silenciosamente na tormenta.
-O
resultado futuro. - pediu ele.
"A
organização planetária em transformação equilibrada. Nos próximos
bilhões de anos, a estrela solar vai manter a estabilidade, criando um
padrão orbital germinativo. Conseqüentemente, dentro deste processo
evolutivo surgirão criaturas derivadas de complexo de carbono e gases
primitivos. A harmonia diatônica será fornecida pela composição
química formada basicamente de hidrogênio e do oxigênio..."
Thur-la-Nur
encontrava-se agora no espaço sideral, antevendo à distancia, com
ligeiro sorriso de contentamento o surgimento da galáxia em seu giro
elíptico imaginada por ele.
"O
vórtice continuum é gerado por energia de antimatéria e descargas
eletromagnéticas aclásticas..."
Seus
olhos percorreram a imensidão do Universo, e se fixaram na periferia do
aglomerado de brilho interessante. Ergueu a mão direita e disse alguma
coisa em voz baixa. Uma galáxia passou através de outra e veio ao seu
encontro. Surgiram estrelas tríplices quase geminadas, nuvens de gases,
quasares... planetas gigantes... O universo se fundia a outro, numa osmose
de luz e cores mirabolantes, que surgiam no infinito e passavam
vertiginosamente, em giros de energias bastante confusas.
"Quarto
sistema solar da nebulosa... É o menor. A sua estrela é média, levando
em consideração a super gigante Anphor da Nhórux. Idênticas
condições e parâmetros vitais parecidos..."
-Quarto?
Reveja os dados...
"Próximos
a esta região, somente quatro, em toda a galáxia.
3.938.767.881.334.467,103 sistema solares, com quase dez bilhões de
milhões de planetas habitados por seres humanos. 2.763.665.206,991 por
raças antropóides, 820.659.332,56 por mutantes, 45.528.763,001 por
estruturas unicelulares e 354.895.114,70 por entes que vivem da
degradação da energia e..."
-Reveja
os dados...
"...?"
-Reveja
os dados...
Thur-la-Nur
sabia de tudo o que fizera ou deixara de fazer, assim como os
acontecimentos presentes, passados e futuros... Vyragho estava equivocada
ou...
"Bilhões
de estrelas se agrupam na galáxia chamada Via Láctea, com milhares de
sistemas galácticos semelhantes em dimensões que variam de micros,
médios e macros. Sendo que os micros sistemas planetários estão dentro
dos médios sistemas planetários e os médios, dentro dos macros sistemas
planetários... Dentro desta organização universal, existem as
disfunções cósmicas, as aberrações dimensionais e outros fenômenos
ocasionados pela infusão de antimatéria e dejetos eletromagnéticos,
além das constantes variáveis da evolução do gênesis..."
-Sei...
Reveja os dados com mais objetividade.
"..."
-O
que está acontecendo? Algo que desconheço? Alguma anormalidade
planetária?
"Quarto
sistema solar da nebulosa, estrela média com núcleo de hélio...
Planeta..."
-AHÁÁÁÁÁ!
Então é isso! Uma raça em evolução com o seu aval...Você é
bobinha... Como poderia imaginar que passaria despercebido? Eu já sabia
da sua existência. Notei a sua preocupação com a tempestade lúnica
afetando essa região... Por isso que dediquei especial atenção,
injetando antimatéria plasmática na décima quinta cadeia celular,
quando poderia apenas gerar polinização direta do núcleo. Se fizesse
isso, um dos principais elementos que constituem a natureza humana
inexistiria, e o planeta Terra seria um astro em desequilíbrio
magnético... Por "sua causa" - frisou bem. Existe uma perfeita
harmonia naquele sistema solar. O equilíbrio divino entre as energias
positivas e negativas. Não haverá nenhuma alteração dimensional no
campo gravitacional do sistema por um longo período de tempo...Eu já sei
o que ocorrerá no futuro... Darei agora no passado, o "Livre
Arbítrio" para que a sua raça possa mudar o destino, evitando assim
que precise tomar a decisão final.
"Carga
bioquímica eletrônica liberada através de erupções solares e
aglutinadores de elementos protéicos sintetizados à produção de
neuro-hormônios..."
-Contente?
"..."
-Vyragho,
posso ser condescendente também... Assim como num simples gesto, mudar
toda a elipse das galáxias... Procedimentos anteriores aplicados aos
outros sistemas idênticos.
"Fase
concluída com êxito e perfeita harmonia. Em 120 ciclos hereditários as
mudanças já terão ocorrido no planeta Terra. Nos outros sistemas
planetários: 20 ciclos sucessivos, em virtude da rotação e influências
solares..."
-Mais
alguma coisa que eu não saiba? Recomendações sobre outra raça
preferencial?
"Quarto
Sistema Solar, planeta Terra... Coberto por ¾ de água em estado
líquido, e variantes de composição: doce, salgada, pesada, oxigenada,
sanitária, termal, destilada... É encontrada também em estado sólido
ou vapor... SUPRÊSA: UM PRESENTE!"
-
Observo que estou sendo brindado com um presente estrategicamente
manipulado... Não acredito que você tenha pensado que eu ficaria calado,
percebendo suas intenções... O destino deste planeta já está
determinado... E oferecendo-o a mim, procuras evitar o seu fim... De
qualquer forma, vou apreciá-lo um pouco. VISIORAMA!
A
visão fantástica que teve da organização perfeita do Sistema Solar
alegrou-o de imediato. Do ponto onde estava, apreciava quase em primeiro
planto o planeta azul e esverdeado chamado Terra, mais adiante despontava
o sanguíneo Marte. Enorme, imenso e majestoso Júpiter à sua esquerda;
em seguida, aqueles anéis lhe despertaram atenção, como se fossem duas
pistas reluzentes de gelo coroando Saturno, amarelo escuro. Depois, vinham
Urano, Netuno e, lá distante, frio e impessoal, se encontrava Plutão.
Às suas costas sentia a presença de Vênus e Mercúrio; e também aquele
que dava força, luz e vida aqueles nove planetas: o Sol. Tudo era
perfeito!
De
repente, a aproximação do planeta Terra foi acontecendo por etapas que
se desfaziam até Thur-la-Nur encontrar-se em plena massa líquida, nas
profundezas oceânicas. Pressionou o botão azul no pulso esquerdo.
Imediatamente o traje negro cobriu o seu corpo. A nave diminuiu de
tamanho, se transformando numa diminuta esfera brilhante. Depois, pôs-se
a caminhar no leito do oceano. Aquela energia revigorante que tanto
gostava, vindo das criaturas abissais causava-lhe um prazer
indescritível. Vez ou outra era cercado por peixes gigantes que se
aproximavam curiosos e depois se afastavam. Seres menores chegavam e
ficavam tocando-o... Outros, tipo raias arrastavam-no em longos vôos
sobre seus dorsos, para em seguida, deixá-lo entre corais e flores
coloridas. Do verde escuro a água se tornava azulada e muito
transparente. Os animais marinhos pareciam sentir a sua presença, pois
aos bandos, diversas espécies se juntavam em cardumes ao derredor em
animadas acrobacias. Acima, no espaço aéreo, milhares de aves voavam em
círculos sobre determinada região do mar. Era um fenômeno
incompreensível para os seres humanos, que não entendiam o porquê de
toda aquela agitação nas águas, e que parecia ter despertado alguma
força incomum. Até os animais da terra procuravam chegar até a orla das
praias, cada um se manifestava a sua maneira. Somente alguns seres humanos
especiais, conseguiam perceber o que estava acontecendo, e sentiam uma
vibração muito forte; emanações fluídicas muito boas, repletas de
harmonia e energia positivas partiam dos seus corpos para saudar aquela
essência divina e magnífica.
"O
seu magnetismo é que nutre todas as criaturas deste planeta... A parte
líquida é 100% vida que gera e cria elementos para o fortalecimento dos
seres marinhos, aéreos e terrestres... Mas para tudo isso acontecer, a
força que emana da sua energia é imprescindível para a vida do
planeta..."
-Se
não fosse a existência da criatura humana, esse planeta alcançaria a
perfeição... O instinto de destruição é muito evidente em suas
mentes... Bilhões de anos para a evolução estabelecer uma
padronização para cada espécie, e apenas uma sub-raça em poucos
segundos acaba com tudo...
"O
criador, na sua magnanimidade, também deplora a sua criatura, após
concebê-la de forma imatura, incutindo-lhe todos os desmazelos, falhas e
seus piores instintos... Existe sempre aquele espécie que é gerada para
ser constantemente julgada, imolada e sacrificada, pagando com isso, pelos
erros dos outros, que saem incólume de todas as situações..."
-Se
por acaso os humanos foram criados com essas características, então...
INVERSÃO TEMPORAL! Eliminar partículas antimatéria, nivelar núcleo
plasmático com carbonucléicos acidulantes artificiais...
"...!"
"...?"
"..."
"Thur-la-Nur...
As criaturas não humanas do planeta Terra intercedem pelas criaturas
humanas... Suplicam por suas vidas, por suas existências com todos os
seus erros, defeitos e espíritos destrutivos... É a natureza deles...
Moldaram-se assim através dos séculos. Suas vidas também nunca foram
fáceis... Fazem parte das espécies predadoras muito importantes para o
equilíbrio do biosistema. Se eles forem modificados, o planeta não será
mais o mesmo... Imploram que Thur-la-Nur reconsidere... SEJA
CLEMENTE!".
"..."
-INVERSÃO
TEMPORAL!
Abriu
a mão direita e esfera cresceu, encobrindo-o.
A imagem do Universo era outra. Explosão de gases avermelhados, vácuos
descomunais se alargavam, engolindo estrelas gasosas, planetas, meteoros e
nebulosas gigantescas. Nuvens roxas azulada avançavam expelindo potentes
raios e descargas eletromagnéticas, que se fundiam a massas de energias
com violentos impactos protonucleares. Fagulhas eletrônicas jorravam
dessa fusão em ondas psíquicas, que afetavam as sinapses cosmológicas.
Uma paisagem inóspita encobriu toda a vista sideral. Thur-la-Nur sentado
em seu imponente trono observava o tempo em sua fatídica regressão.
Imensos buracos negros se aprofundavam num magma de luz rutilante,
engolfando para o seu interior o vazio indefinido, que sorvia a própria
energia voraz para dentro de si mesmo, numa autofagia cósmica! Até que
todo o Universo sumiu entre os dedos do Senhor das Galáxias, que
simplesmente mantinha-se mudo. Seu semblante transparecia serenidade, paz
e grande harmonia. A energia que emanava dos seus olhos ciclópico
contrastavam com asa trevas do infinito absoluto.
"...
Porquê?"
Thur-la-Nur
foi abrindo a mão esquerda bem lentamente, e quando estava totalmente
aberta, foi se formando no meio dela um globo diáfano, etéreo. Depois se
tornou tão cristalino que reluzia com pequenas partículas de luz girando
ao seu redor. Em seguida, nuvens esbranquiçadas o envolveu, dando ênfase
ao tom azulado entremeado de cores verdes alaranjadas. Encerrou
bruscamente os dedos, e a imagem sumiu. Apertou o botão azul no seu
pulso, e o traje negro se recolheu, surgindo outro de cor indefinida com
frisos dourados. O seu corpo mutava-se. Via-se nele o próprio Universo em
movimento, com suas galáxias, sistemas estelares, planetas, nebulosas,
quasares...Tudo o que criara estava dentro de si, fazia parte do seu TODO.
Fez
o mesmo movimento anterior com os dedos, e surgiu novamente o globo
terrestre, que foi crescendo, evoluindo, adquirindo dimensões
fantásticas e engolindo tudo ao redor, até chegar ao seu tamanho
natural. Ele se viu no mesmo lugar no oceano, e sentiu uma energia muito
diferente e boa vinda das criaturas do mar. Em seguida liberou a esfera
brilhante e viu-se novamente dentro da sua nave.
"O
que aconteceu?"
-Se
as criaturas não humanas intercederam em favor dos humanos, é sinal de
que eles podem não ser tão destrutivos como parecem... Vou dar-lhes uma
nova chance. Tudo deve continuar normalmente. Nada aconteceu. Apenas dei
um tempo para refletir a respeito de tudo o que tenho feito... E, vejo que
é bom.
"..."
-Obrigado
pelo presente.
"Resultado
da consistência genética com a eliminação das partículas de
antimatéria, obteve êxito no quinto Sistema de Dervix. Novo perfil
plasmonuclear reativou a estrutura celular com elementos associativos
e..."
-VYRAGHO...
"...?"
-Vai
dar um passeio no planeta Terra... O Universo conspira a seu favor...
APROVEITA!
"...!"
NOTA
DO NAVEGADOR: Essa história é quase uma lenda universal, e me foi
passada pela Bibliotecária da Fundação de Estudos dos Povos Cósmicos.
E, é sem dúvida uma demonstração de solidariedade das criaturas não
humanas, ao intercederem junto ao Criador, em clemência dos seres
humanos, mesmo sabendo que estariam para sempre condenadas às suas
matanças desenfreadas. E Vyragho, pode ser considerada a deusa protetora
do Planeta Aterra, pois se não fosse por ela, os terráqueos e o Sistema
Solar não passariam de substrato de plasma refugado. Agora sei o que
torna o ser humano tão prepotente e desumano tanto com os seus, quanto
aqueles que procuram se aproximar vindos do espaço: Não se consideram
filhos dos homens, mas se consideram Filhos de Deus!
OBS:
Caro leitor, se você chegou até aqui, gostaria do seu comentário a
respeito do conto O SENHOR DAS GALÁXIAS.
O meu e-mail é johndekowes@yahoo.com
Se
desejar saber mais a respeito do que escrevo, por favor acesse ao site:
www.montecastelo.com.br. Em e-books você encontrará o livro SÓ OS ANJOS
MORREM CEDO.
Leia
também: ESTHER E ARTHUR -. O PLANETA DE CRISTAL e O JUÍZO FINAL,
através do site: www.ieditora.com.br.
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