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A Vila dos Escravos Cegos

Angela Oiticica



Uma anciã se sentava à sombra de uma árvore, segurando um bordão. Gotas de um líquido grosso e escuro escorriam dos seus olhos.

Um anjo de asas negras observava a cena a distancia.

“Por tanto tempo eles estavam ali escondidos...” Pensou o anjo.

De repente, dos olhos da anciã, saltaram duas crianças. A anciã se transformou então, em uma cobra negra e rastejou até uma árvore, onde se enroscou nos galhos sumindo na folhagem..

O anjo pegou as crianças, às enrolou, para depois segurá-las em seus braços, voando com elas em direção a vila.

O Centurião, cor de ébano, acordou assustado em seu quarto na estalagem. Tivera um sonho enquanto descansava de mais uma guerra. Nascera na vila de Traerius, na floresta ao pé dos Alpes e agora, depois de muitos anos se encaminhava para casa. Deveria no caminho encontrar uma adivinha, que lhe revelasse o significado do sonho. Desceu a escada de madeira, deixou algumas moedas com o estalajadeiro e procurou seu cavalo, que o esperava comendo a grama macia da cavalariça. Montou e partiu aproveitando a fresca da tarde.

Seu galopar o levou a uma vila cercada por pedras secas de tom escuro. Ao longe a silhueta de um templo e suas colunas lhe chamou a atenção. Ali, talvez encontrasse uma adivinha que interpretasse seu sonho. Dirigiu a montaria para a entrada da vila. O cavalo estancou sem querer sair do lugar. O Centurião, a muito custo, amarrou o cavalo, numa estaca fora da vila e se encaminhou para o templo no topo de um morrinho.

A vila aquela hora tinha pouco movimento, as poucas pessoas que por ali andavam, carregavam as vestimentas e o tilintar das argolas dos escravos.

O Centurião se aproximou do poço, na intenção de que os escravos lhe servissem água. A água de seu cantil, não passava agora, de algo menos que duas gotas. Bebera tudo durante a marcha. Os escravos enchiam seus vasos e caminhavam em direção as casas de onde haviam saído.

O Centurião alcançou o poço e ordenou aos escravos:

“Venho de longe e quero um pouco de água...”

Não obteve resposta.

Serviu-se da água sozinho. Um escravo, de olhos que pareciam ser duas cicatrizes brancas, parou em frente ao poço sem emitir nenhum som. Só então, o Centurião notou que o escravo tinha os olhos vazados, um objeto lhes arrancara a cor da íris com imensa fúria, deixando uma disforme córnea branca. Desembainhou a espada e bateu com força na borda do poço, o ruído não chamou a atenção do escravo. Este encheu o vaso e foi andando com ele em direção a uma ruela. O sentido das coisas na vila, não pareciam funcionar como deveria ser, escravos surdos e cegos não era coisa muito comum. Os escravos também deveriam ser mudos, pois não se ouvia nenhum som de conversa entre eles.

Com o cantil cheio, o Centurião voltou ao caminho. Subiu o morro e viu que duas mocinhas conversavam na porta do templo.

A sombra da haste do relógio, na praça da cidade, demonstrava que o sol ia baixando no Ocidente. Antes de anoitecer, o Centurião queria partir dali e continuar em sua viagem. Seria melhor viajar a noite, pois durante o dia, o calor não o deixaria muito confortável. Em mais três noites, estaria em casa.

As jovens agora olhavam em sua direção. O Centurião apressou o passo e elas vieram ao seu encontro, sorridentes. Ele as cumprimentou e disse-lhes sua intenção ali:

“Ando em busca de uma adivinha que me revele o que vi em um sonho. ”

“Podemos lhe levar, até uma, que mora atrás do templo, na floresta. Elas andam sempre as voltas com os faunos e eles lhes contam tudo o que se passa com as pessoas.”

A garota que respondera usava uma coroa de flores na cabeça. Abraçou a outra, não antes de ajeitar, a vestimenta da companheira e dar-lhe um sorriso com sua boca vermelha. Saíram na frente as duas, num semi bailado, o Centurião as seguia satisfeito em haver encontrado companhia. Do alto da colina, numa ultima olhadela, o Centurião viu o cavalo em pé nas patas de trás, a sacudir as dianteiras no ar, fazendo força para se soltar do laço. Uma choupana de palha os esperava na floresta. As moças bateram na porta, uma voz melodiosa fez-se ouvir lá de dentro:

“Trouxeram o visitante? Além de água, certamente, veio a mando do cobrador de impostos de Arom...”

“Oh não! Ele nos disse que quer a interpretação de um sonho.”

“ Um sonho?”

O Centurião se adiantou até a entrada da cabana:

“Um sonho que tive esta manhã.”

“Muito me honra Centurião, recebê-lo em minha cabana. Entre.”

O Centurião entrou só, deixando as duas mocinhas do lado de fora. Olhou em volta e encostou a espada, na parede de palha da entrada. A cabana guardava almofadas espalhadas pelo chão, em volta de uma mesa baixa, redonda de madeira. Uma mulher de aparência jovem sentava em uma das almofadas ao lado da mesa. A adivinha fez um gesto para que o Centurião se sentasse ao seu lado.

“Conte-me seu sonho, assim posso decifrá-lo e lhe dar a resposta que tanto almejas..”

O Centurião contou-lhe o sonho que tivera com a anciã e as crianças. Contou da transformação da anciã em cobra e do anjo negro.

A advinha demonstrou um certo ar de surpresa quando ouviu o relato. Ficou absorta por uns instantes e inquiriu:

“Tens certeza que as crianças saíram dos olhos da anciã, antes dela se transformar em serpente?.”

“Sim, vi claramente quando aconteceu.”

“ Para decifrar o sonho, tenho que te contar a estória desta vila. Há muitos anos passados havia alegria neste lugar. Hoje, o Cônsul, a autoridade máxima local, dorme um sono induzido. Caiu neste torpor, quando suas duas crianças foram levadas, durante uma noite de luta, por soldados mercenários de uma vila vizinha. O Cônsul lutou bravamente junto aos seus soldados. Os soldados e escravos que escaparam da morte, tiveram seus olhos, língua e ouvidos queimados pelo inimigo. Uma taça, contendo um veneno, foi dada ao Cônsul e ele caiu num sono profundo em seu palácio, ao lado de sua companheira. Sei que tua intenção é sair daqui e voltar para casa. Terás que ter cuidado com o caminho, pois irá dar na vila, que roubaram as crianças e lá os visitantes não são bem vindos. Há também inúmeros sacrifícios humanos e fantasmas terríveis... Se conseguirmos trazer as crianças de volta, o Cônsul acordará e a vila reflorescerá. Alguns de nossos habitantes e soldados fugiram para a floresta, antes do ataque. Teu sonho foi um aviso de que poderemos vencer a luta um dia e trazer as crianças de volta. ”

O Centurião ouvia a adivinha. Refletia agora sobre ar pesado, que vira na vila quando entrou, era realmente assustador. Olhou sua espada e continuou a ouvir o relato. A mulher continuou:

“Muitos dos nossos que escaparam, se preparam há anos, para a grande luta. Aprendem o manejo de armas e também truques de magia”

À vontade de voltar para casa chamava, lá dentro, o Centurião. Não que fugisse quando ouvia falar de armas e magia, pois estas eram suas artes. A adivinha o olhava com um sorriso e docemente lhe fez um convite:

“ E então ficarás entre nós para a luta?”

“Dê-me alguns dias para reunir homens, armas e magos de confiança, que estejam adestrados na arte da guerra. Em poucos dias posso encontrá-los e os trarei aqui para lutar ao seu lado.”

Decidido, o Centurião despediu-se da adivinha, prometendo que reuniria um exercito quando chegasse em casa e que voltaria logo.

Pegando sua espada, desceu a pequena colina, indo a saída da vila onde deixara seu cavalo. Nem sinal da montaria, quando lá chegou, o arreio se partira e provavelmente o cavalo ia longe. Deu razão ao companheiro, havia algo de lúgubre na vila. Sua espada jorrara uma luz do cabo, duas vezes. A primeira, quando encheu o cantil e a segunda, quando entrou na cabana da adivinha. Não se encontrava satisfeito com a interpretação do sonho. Iria a uma nova adivinha em outra cidade e se coincidisse, com o que ouvira, reuniria homens e armas para a luta. Às vezes, as pitonisas em lugares afastados, não faziam boas interpretações dos sonhos e se moviam mais a interesse pessoal. Esperava que não lhe tivessem roubado o cavalo, enquanto estava na cabana.

A lua surgia, encoberta pelas nuvens, o rio murmurava um som escuro, sem as miríades que brincavam nele durante a luz do sol. Só então o Centurião viu que a noite chegara. A floresta se descortinava a sua frente e a vila as escuras nada tinha de convidativa.

Iria pela floresta, alguma outra vila deveria existir por ali, talvez até encontrasse o cavalo e pudesse chegar em casa no tempo que pensara.

Uma névoa começava a cobrir a mata, fantasmas e seres de outros mundos vagavam na escuridão. O Centurião agora se encontrava na parte mais cerrada da floresta. O murmúrio de uma voz o alcançou. Olhou em volta e viu um jovem abraçado a uma pedra como se orasse ou chorasse.

O Centurião se aproximou perguntando:

“Por que choras?”

O rapaz levantou a cabeça, o rosto limpo não demonstrava nenhum traço de lágrimas. O semblante pacífico do jovem irradiava uma luz na escuridão. Um bando de faunos correu em direção ao rio, a rir e dizer gracejos uns para os outros. O jovem olhou a carreira dos faunos e voltou-se para o Centurião:

“O que estás fazendo na floresta essa hora?”

“Perdi meu cavalo e estou a caminho de casa.”

“Longe de casa?”

“Agora nem tanto, estive na guerra e estou cansado.”

“E teu cavalo?”

“O perdi numa vila aqui perto, onde fui procurar uma adivinha para me elucidar um sonho.”

“Ah! Por acaso estivestes na vila dos escravos cegos?”

“Sim. Meu cavalo não quis entrar na vila e deixei-o amarrado, soltou-se e fugiu.”

“Ah! Os animais têm seus segredos além do nosso entendimento. Vejo que carregas tua espada.”

“Valeu-me a vida, várias vezes esta espada.”

“Estou perto de casa, se quiseres podes me acompanhar até lá. Aonde mesmo é tua vila?”

“Mais ao norte, no sopé dos Alpes. A vila de Traerius.”

“A vila de Traerius não é tão longe assim...”

“Pensei, em viajar a noite e em três noites meu cavalo me deixaria lá.”

“Posso te arranjar um cavalo, se vens a minha casa, o teu certamente chegara primeiro. Os cavalos têm um bom instinto para achar o caminho de casa.”

“Não é má idéia te acompanhar...”

“Vamos, então.”

O Centurião ia ao lado do jovem e observava, que a neblina se dissipava quanto mais fundo entravam na floresta. O jovem se mantinha calado e andava rápido entre as árvores, quando achou uma trilha. Os dois tomaram a trilha sendo guiados pela luz das estrelas e da lua crescente. Após algumas horas, chegaram a uma nova vila cercada por uma paliçada de madeira. O jovem chegou aos portões e foi saudado por uma sentinela:

“Gyr que bom que chegaste, tua mãe e irmãs te esperam ansiosas. Quem é teu amigo, também é um iniciado nos cultos?”

“Encontrei-o na floresta quando eu saudava a Mãe Noite. Perdeu seu cavalo, no caminho de casa. E se é iniciado em algo, é certamente no manejo da espada, lutou muitas guerras.”

“Vamos, entra e trás teu amigo.”

Gyr e o Centurião entraram numa vila cortada ao meio por um rio. Ali na água, enlaçados pelas ninfas, os faunos tocavam suas gaitas, cercados por meninos e meninas que se deliciavam nas águas.

Saindo da água, um garoto de cabelos longos avermelhados, estampando um sorriso largo, correu, em direção ao jovem companheiro do Centurião:

“ Gyr, te aguardava. Seja Bem-vindo. Podemos começar os preparativos?”

“Trouxe comigo alguém que poderá nos ajudar.” Gyr apontou em direção ao Centurião. Olhos brilharam naquela direção. . O dia amanhecera em festa na floresta. O trinado dos pássaros, que saltavam de galho em galho, acompanhava a alegria dos garotos a jogar flores as miríades, que por sua vez os molhavam com pequenas ondas fazendo-os correr para a areia.

Saindo de uma das enormes tendas, uma senhora andou em direção a Gyr. O qual correu, abraçando-a quando a alcançou.

Gyr ainda enlaçado pelo braço à senhora, chamou o Centurião e apresentou-os:

“Minha mãe.”

Os três andaram em direção a uma tenda bordada com dragões dourados. Duas mocinhas correram em direção a Gyr dando-lhe as boas vindas. Perguntaram logo, ávidas por uma resposta:

“Então, Gyr, nos fale de sua viagem ao Monastério da Deusa Caçadora. Sabemos, que de tudo aprendeste, lá por onde andastes. Várias vezes, nossa mãe viu teus passos, com seus poderes mágicos proféticos.”

“Calma meninas, não sejam tão curiosas. Encontrei este homem na floresta, depois dele haver perdido seu cavalo na entrada da vila, dos escravos cegos.”

O mencionar do nome do lugar deixou as moças com uma expressão de apreensão. Um silêncio momentâneo tomou conta do ambiente. Gyr sentou nas almofadas e o Centurião lhe fez companhia. As moças saíram à procura de algo, enquanto a mãe de Gyr trazia uma ânfora de leite de cabra e pães assados no forno de pedras. Enquanto servia os alimentos, a mãe inquiriu:

“Agora me contas Gyr, como foi teu aprendizado?”

“Aprendi a levantar pedras e galhos de árvores à distância. Só que não tão bem quanto você...”

A mãe de Gyr se voltou ao Centurião:

“O que foste fazer na vila dos cegos?”

“Estava numa estalagem, vindo da guerra, quando tive um sonho. E pensei em procurar uma adivinha, para me aconselhar sobre o que vi. Poderia ser um aviso de mau agouro. Então, parei na tal vila, com essa intenção e também para encher meu cantil de água, pois poderia sentir sede na estrada.”

O Centurião contou toda sua experiência, desde o sonho, até as palavras da adivinha e sua andança à noite na floresta. Gyr e a mãe se entreolhavam vez por outra. Finalmente a mãe de Gyr se dirigiu ao Centurião:

“ Foste de muita sorte em sair vivo daquela vila. A história, é bem diferente, da que ouviste da adivinha. Primeiro a mulher que te atendeu não é exatamente uma adivinha, mas, sim a consulesa daquela cidade e bem versada no lado negro da magia. Seu marido dorme durante o dia, pois os raios de sol lhe fazem mal. À noite e principalmente nas noites sem lua, anda pela floresta, a cata de vitimas para sua sede vampiresca de sangue. Ele foi o anjo negro que vistes em teu sonho, assim como a Consulesa é a anciã que se transformou em cobra. Crianças? Nunca tiveram filhos. Há sim, outra história por trás das crianças que vistes nos sonhos. Preciso averiguar depois o que é.”

O Centurião deu mais alguns comentários sobre suas observações:

“Quando passei pelo templo, vi as portas cerradas e senti como se uma barreira invisível, protegesse aquele lugar...”

“Não é exatamente um templo, que se esconde atrás daquelas colunas, ali agora é o local, onde o cônsul dorme seu sono diurno. O templo foi lá, em outra época, o Cônsul construiu ali sua fortaleza nas ruínas abandonadas.”

“ As mulheres que me levaram até a consulesa, tinham prezas pontiagudas, em seus sorrisos. O cavalo relinchava, de tão assustado, quando olhei a distancia. Os escravos cegos, eram algo assustador, mesmo para um homem como eu, acostumado a batalhas. Tratei de não permanecer ali, prometendo a consulesa, trazer reforços para a guerra, que ela diz querer travar contra a vila que os atacou.”

“ As vilas sim, temem um ataque dos Cônsules, há muito tempo. Têm medo de os enfrentar e serem transformados em escravos. Os escravos, as vezes fogem e nos contam, que foram os Cônsules e seus aliados da escuridão, que os cegaram, deixando-os também surdos mudos. Os que fugiram sabiam escrever e nos contaram suas estórias.”

“ Centurião, meu filho Gyr, foi a um monastério, longe daqui, para se iniciar e aprender a se defender do poder dos Cônsules. Trouxe consigo, um vasto conhecimento de poderes mágicos, para organizar uma defesa. Por isso, certamente que escapastes de ser pego na floresta. Os Cônsules perceberam o poder dos mestres. Sabiam que Gyr voltara, trazendo consigo meios de destruí-los. Queremos nossas florestas livres, para que as pessoas lá andem dia e noite em paz.”

Gyr levou o Centurião, à cavalariça, muitos cavalos se alimentavam nas baias. Como prometera, Gyr, deixou que o Centurião escolhesse um animal. Um cavalo branco de crina longa treinado, para os longos galopes nas trilhas da estrada. Dali, os dois novos amigos, foram ao rio, nadar e se banhar entre os faunos, miríades e habitantes da vila.

Gyr deixou o Centurião na água e foi resolver as questões da vila. Quando o Centurião os alcançou viu que se preparavam com suas armas para uma luta.

“Bem amanhã pela manhã, acabaremos de vez com a maldição do cônsul. Centurião se quiser, pode nos acompanhar, uma espada a mais não nos fará falta. Pode também, seguir seu caminho de volta para casa. A luta é bem mais nossa que tua.”

“Já viste um Centurião se afastar da luta?”

“Então virás conosco.”

“E que a luta seja breve, pois há muito me afastei de casa.”

A mãe de Gyr interrompeu:

“ Te prepares, que uma grande surpresa te espera. Teus verdadeiros poderes então despertarão, o Grande Dragão, te guardará na luta que virá.”

“Amanhã então enfrentaremos as fantasmagóricas legiões do Cônsul. Entraremos ao amanhecer na vila. As forças dele temem lutas ao sol. Neste horário, pela manhã, estarão mais enfraquecidas.”

Gyr desenhava na areia os planos da tomada da vila, os soldados e magos davam atenção aos detalhes da luta. Os magos preparavam as poções e os toques mágicos.

À noite o Centurião pode ouvir o canto das preces dos magos. Os faunos acompanhariam Gyr na luta pela manhã. O sol brilharia suas espadas.

Os primeiros raios do sol surgiram no horizonte, Gyr e o Centurião montaram seus cavalos e foram seguidos pelos soldados da vila. Os magos se aproximaram e deram a cada soldado um amuleto especial que se usado, os inimigos se desvaneceriam no ar. As espadas brilhavam em suas cinturas aguardando a luta.

Os cavalos, a uma certa altura da floresta, começaram a corcovear e levantar as orelhas como se estivessem assustados. Um morcego, apareceu do nada e abocanhou um pássaro o abatendo, o pássaro caiu morto e o morcego voou entre as árvores A este sinal, os cavalheiros sabiam terem entrado nos domínios do Cônsul. A barreira de névoa, que enfeitiçava a floresta, para proteger a vila do Cônsul, cobria as árvores, sem deixar traços de vida. O silêncio acompanhava os cavaleiros, que sustinham a força os cavalos. Os magos numa carroça dourada, iam à frente da tropa, lançando encantamentos no ar. Os encantamentos conseguiam suster o nervosismo dos animais, estes voltaram a trotar, levando seus cavalheiros até a entrada da vila.

Lá chegando, os guerreiros desceram dos cavalos e desatrelaram as parelhas, da carroça dos magos. Os cavalos partiram livres então de volta para casa, deixando os guerreiros prestes a invadir a vila. Gyr ao lado do Centurião e escondidos atrás das pedras, observavam o que se passava nas ruas da vila.

Podiam ver batalhões de pequenos lutadores, do tamanho de anões de longas barbas e enormes chifres emergindo da terra. Nas calçadas, alguns escravos se amontoavam em volta de uma espécie de canhão lança chamas. Seres alados pairavam no ar, prestes a soprar diminutas flechas, de uma espécie de corneta, embebidas em veneno. Preparavam-se assim para defender a vila. O movimento, no centro da praça, das tropas do cônsul era grande e bem coordenado. Suas legiões tomavam posições assim que brotavam da terra, como se fossem comandadas por algo, ou alguém à distância.

As tropas de Gyr entraram na cidade preparadas para a grande luta, as espadas se encontraram, embaixo de um céu escuro que nem parecia dia. O tinir das armas, os encantamentos dos magos, sustendo as pequenas flechas que vinham dos seres alados, o nervosismo dos escravos a jorrar fogo do lança chamas, dava por iniciada a batalha.

Os guerreiros ao tocar suas espadas nos anões, os devolviam para serem sugados pela terra, de onde haviam brotado Muitos anões agora cobertos por ferimentos que escorriam um liquido verde musgo sucumbiam. O encanto dos magos e os raios de suas espadas desmaterializavam no ar os seres alados que guinchavam como morcegos. Os encantamentos prendiam os escravos a parede. Mesmo lutando as cegas eles ficavam a mercê das espadas dos guerreiros, caindo feridos entre sangue e gritos.

Gyr e o Centurião se fizeram acompanhar por alguns magos, depois de uma grande luta, até a porta do que antes fora o templo da Deusa Caçadora. Ali agora se transformara, na construção guardiã do Cônsul, em sua noite eterna. Os magos soltaram algumas palavras mágicas e a enorme porta se abriu sem ruído. Gyr e o Centurião entraram e ouviram a porta bater, trancando os magos do lado de fora.

No fundo da sala uma redoma negra, se abria lentamente. Lá de dentro veio surgindo o Cônsul, que abriu suas enormes asas negras. O Centurião de imediato percebeu ser aquele o anjo negro que vira em seu sonho. O Cônsul se dirigiu a Gyr:

“Então ousastes me acordar do meu sono. Pois tenho algo a te mostrar Gyr, a tu e ao teu amigo Centurião, que de nada sabe... ainda....” Abrindo as asas voou até o teto, rindo.

Da redoma veio saindo agora a anciã que o centurião sonhara. Ela deu alguns passos e parou em frente a Gyr e o Centurião, que ouviam, a distancia, os encantamentos dos magos tentando reabrir a porta.

Do alto a voz do Cônsul mais uma vez escarneceu:

“Então Gyr, seguidor da antiga Deusa Caçadora deste templo, sei que não posso atacá-lo no terreno sagrado de tua Deusa. Mas, preparei algo para ti: olha, olha nos olhos da anciã. Tu também centurião. Olha!”

Presas num mar revolto dentro dos olhos da anciã, duas crianças lutavam nas águas, as braçadas. Submergindo e voltando a tona, cansadas de nadar, as crianças tinham uma expressão de um angustiante desespero quando viram Gyr e o Centurião olhando a íris e a pupila da anciã. Lá dentro presas, as crianças estendiam os braços, na esperança de alguém tirá-las de sua prisão.

De novo a voz do cônsul ecoava:

“E então Gyr? Eis meus reféns. Devo dizer agora quem são. Enquanto estivestes na guerra, Centurião, tua esposa deu a luz a estas duas crianças gêmeas. Um menino e uma menina. Sonhastes com teus próprios filhos, Centurião, na hora que eu e minha companheira os abduzimos. Sabíamos que vocês nos atacariam e nos precavemos.”

O Centurião ouvindo aquilo, desembainhou a espada e investiu contra a anciã, tentando acertar o coração da megera. Antes da lamina alcançar seu objetivo, a anciã se transformou na serpente negra e num silvo se arrastou para dentro da redoma.

O cônsul continuava jocoso:

“ Dificilmente verão as criancinhas de volta. Foi fácil trazê-las, numa noite sem lua e aprisioná-las nos olhos da serpente. Aqui ficaremos presos, até que decidas Gyr, quem sairá primeiro. Tu e teu amigo quererão comer, dormir e aqui só há essa redoma. Me alimento a noite, quando passa, um viajante desconhecido na floresta. Sabes que gosto de sangue e minha companheira também tem esse hábito. Alguns dias sem água e comida e não resistirão muito...”

Gyr olhava para o teto a procura de uma maneira de abrir a cúpula do antigo templo. O sol acabaria com o cônsul. As palavras mágicas dos magos continuavam, mas, a porta continuava lacrada.

A serpente se transformara agora na adivinha que recebera o Centurião. Ela cruzava suas pernas flutuando no ar, indo em direção ao Cônsul.

O Centurião por sua vez se transformara num Dragão, as escamas, madre perolas em seu corpo negro, brilhavam um furta cor no salão. De sua boca, um jato de fogo lançou-se em direção ao cônsul, a adivinha tomou-lhe à frente e apontou seus próprios olhos. Assim o Dragão recolheu o fogo para não consumir as crianças.

A voz vinha do alto:

“Então Gyr, teu amigo Dragão, não vai assar seus próprios filhos? Para libertá-los teriam de matar a mim e a consulesa. Quanto a mim se me matarem as crianças morrerão. Saibam que suas armas nenhum valor aqui terão. Manterei minha palavra a Deusa Caçadora. Não poderei matá-los aqui, no território sagrado deste seu antigo templo, não posso tocar nos servos dessa Deusa que me esconde nas ruínas de seu templo há tanto tempo. Não, nunca a servi, mas, ela nunca ligou muito para a minha presença aqui. Vejamos...”

Gyr já não queria ouvir o que o Cônsul tinha a dizer, subiu no Dragão e sentou nas suas costas. O Dragão tentava levantar vôo no pouco espaço do salão. O Cônsul ria daquela tentativa e troçava:

“Não Centurião, suas asas não trarão a liberdade de seus filhos.”

Gyr viu um arco e um alforje de flechas pendurados na parede, ao lado do antigo altar da Deusa Caçadora. Se pudesse alcançá-los e agir rápido, antes que o Cônsul notasse sua intenção. Desceu do Dragão e andou um pouco no vasto salão. Ouvia a voz do Cônsul:

“Teu amigo Dragão certamente planeja libertar os filhos. Me sinto cansado de ouvir a voz dos magos atrás da porta cerrada”. Soltou então um encantamento, por um instante a voz dos magos silenciaram, voltando rápido, com maior intensidade.

Enquanto isso se passava, Gyr se apossou do arco e armou a flecha, que partiu zunindo rápida acertando o centro do teto. A abobada se fragmentou em estilhaços, que caiam no chão, permitindo a passagem dos fracos raios do sol atrás das nuvens.

O Cônsul se contorcia em dores, seu corpo se enrijecendo, até que virou um monte de pele seca e finalmente sumiu no ar.

A adivinha perdera sua forma, agora já novamente uma serpente negra. Gyr pegou do arco mais uma vez e mirou a flecha no coração da serpente que tombou no chão se transformando na anciã. Ferida de morte a anciã, soltava um líquido escuro pelos olhos, de repente as crianças saltaram de suas pupilas. Gyr acompanhou o ultimo suspiro da consulesa, que se desvanecera no ar depois de morta. Gyr então abraçou as assustadas crianças, levando-as em direção ao Dragão.

Os magos agora dentro do templo ainda cantavam seus encantamentos em louvor a Deusa Caçadora e o sol que brilhava lá no alto inundando o recinto, agora liberto.

O Dragão derramava lágrimas, quando de repente, voltou a ser, o Centurião, recebendo de Gyr as crianças num abraço apertado.

As tropas de Gyr saíram da vila dos escravos cegos, deixando a vida reflorir nas ruínas. Pequenas borboletas e pássaros voavam entre as flores. Ao longe uma figura feminina, vestida de peles, lança e escudo acenava um adeus a suas tropas fiéis. A Deusa Caçadora mais uma vez restabelecera a paz na floresta.




 

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Your comment suspected as spam."; mysql_query("INSERT INTO {$COM_CONF['dbjunktable']} VALUES (NULL, NOW(), '{$_REQUEST['href']}', '{$_REQUEST['disc_body']}', '{$_REQUEST['disc_name']}', '{$_REQUEST['disc_email']}', '$dont_show', '{$_SERVER['REMOTE_ADDR']}')", $comments_db_link); } if ($spam_check_result == 2) { $error_message .= "
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$error_message

Please get back and try again."; return 0; } mysql_query("INSERT INTO {$COM_CONF['dbmaintable']} VALUES (NULL, NOW(), '{$_REQUEST['href']}', '{$_REQUEST['disc_body']}', '{$_REQUEST['disc_name']}', '{$_REQUEST['disc_email']}', '$dont_show', '{$_SERVER['REMOTE_ADDR']}')", $comments_db_link); if ($_REQUEST['email_me'] != '' && $_REQUEST['disc_email'] != '') { $result = mysql_query("select COUNT(*) from {$COM_CONF['dbemailstable']} where href='{$_REQUEST['href']}' AND email='{$_REQUEST['disc_email']}'", $comments_db_link); list ($count) = mysql_fetch_row($result); if ($count == 0) { $hash=md5($email . $COM_CONF['copy_random_seed']); mysql_query("INSERT INTO {$COM_CONF['dbemailstable']} VALUES (NULL, '{$_REQUEST['disc_email']}', '{$_REQUEST['href']}', '$hash')", $comments_db_link); } } if ($COM_CONF['email_admin']) { smcom_notify_admin($_REQUEST['href'], $_REQUEST['disc_name'], $_REQUEST['disc_email'], $comment_text, "{$_SERVER['REMOTE_ADDR']}, {$_SERVER['HTTP_USER_AGENT']}"); } smcom_notify_users($_REQUEST['href'], $_REQUEST['disc_name'], $_REQUEST['disc_email']); header("HTTP/1.1 302"); header("Location: {$COM_CONF['site_url']}{$_REQUEST['href']}"); print "Click here to get back."; } function smcom_notify_admin($href, $name, $email, $text, $ip) { global $comments_db_link, $COM_CONF, $COM_LANG; $headers = "From: Comments <{$COM_CONF['email_from']}>\r\n"; $text_of_message=" {$COM_LANG['email_new_comment']} {$COM_CONF['site_url']}$href {$COM_LANG['email_from']}: $name <$email> $text $ip "; mail($COM_CONF['email_admin'], "{$COM_LANG['email_new_comment']} $href", $text_of_message, $headers); } function smcom_notify_users($href, $name, $email_from) { global $comments_db_link, $COM_CONF, $COM_LANG; $headers = "From: Comments <{$COM_CONF['email_from']}>\n"; $result=mysql_query("select email, hash from {$COM_CONF['dbemailstable']} where href='$href'", $comments_db_link); while (list($email, $hash) = mysql_fetch_row($result)) { if ($email != $email_from) { $text_of_message=" {$COM_LANG['email_new_comment']} {$COM_CONF['site_url']}$href {$COM_LANG['email_from']}: $name {$COM_LANG['email_to_unsubscribe']} {$COM_CONF['site_url']}{$COM_CONF['script_url']}?action=unsub&page=$href&id=$hash "; mail($email, "{$COM_LANG['email_new_comment']} $href",$text_of_message, $headers); } } } function smcom_unsub() { global $comments_db_link, $COM_CONF, $COM_LANG; $id=mysql_escape_string($_REQUEST['id']); $href=mysql_escape_string($_REQUEST['page']); mysql_query("delete from {$COM_CONF['dbemailstable']} where href='$href' AND hash='$id'", $comments_db_link); if (mysql_affected_rows() > 0) { print "{$COM_LANG['unsubscribed']}"; } else { print "{$COM_LANG['not_unsubscribed']}"; } } function smcom_view() { global $comments_db_link, $COM_CONF, $COM_LANG; $request_uri = mysql_escape_string($_SERVER['REQUEST_URI']); $result = mysql_query("select time, text, author, email, dont_show_email from {$COM_CONF['dbmaintable']} where href='$request_uri' order by time {$COM_CONF['sort_order']}", $comments_db_link); $comments_count=0; $time=$text=$author=$email=$dont_show_email=array(); while (list($time[$comments_count], $text[$comments_count], $author[$comments_count], $email[$comments_count], $dont_show_email[$comments_count])=mysql_fetch_array($result)) { $text[$comments_count] = wordwrap($text[$comments_count], 75, "\n", 1); $time[$comments_count] = smcom_format_date($time[$comments_count]); $comments_count++; } require("{$COM_CONF['full_path']}/templates/{$COM_CONF['template']}.php"); } function smcom_format_date($date) { global $COM_LANG; $year = substr($date, 0, 4); $month = intval(substr($date, 5, 2)) - 1; $day = substr($date, 8, 2); $hour = substr($date, 11, 2); $min = substr($date, 14, 2); return "$day {$COM_LANG['months'][$month]} $year, $hour:$min"; } function smcom_is_email($Addr) { $p = '/^[a-z0-9!#$%&*+-=?^_`{|}~]+(\.[a-z0-9!#$%&*+-=?^_`{|}~]+)*'; $p.= '@([-a-z0-9]+\.)+([a-z]{2,3}'; $p.= '|info|arpa|aero|coop|name|museum)$/ix'; return preg_match($p, $Addr); } ?>

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