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Somente as Estrelas sabem

Victor Faria


28/02/2008

“Esse livro futuramente será uma Enciclopédia Galáctica, com memórias de todas as gerações que passaram por aqui. Meu nome é Oliver Prime e inicio essa missão com relatos de meu avô. Quem arquivar esse livro, por favor, tenha muito cuidado. Toda uma geração se encontra descrita aqui. Enquanto não se tornar uma enciclopédia, denominarei esse livro com o nome que mais achei apropriado: "Somente as Estrelas sabem". Este título descreve muito bem o que estou sentindo agora, ao iniciar essa jornada...”


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Capítulo 1: Aurora

A Terra recém entrava na era robótica. Havia muito tempo que este era o sonho dos cientistas, e agora estava se realizando. Neste momento, apresentava-se um grande projeto na Convenção Científica Contemporânea, conhecida apenas como “C3”. Localizava-se em um prédio com três andares, onde o térreo era o mais amplo devido à amostra de protótipos, o segundo andar servia para reuniões, e por fim, o terceiro era destinado às novas descobertas e discursos direcionados aos assuntos espaciais.

Nesse terceiro andar, encontrava-se Abel, um cientista renomado por suas descobertas que culminariam na Era Espacial. Trouxera consigo um robô protótipo, que se destinaria à procurar planetas habitáveis ou, como ele gostaria que fosse, habitados. O protótipo tinha aparência humanóide, a não ser pelos seus quatro braços. Suas pernas eram fortes, porém finas. Seu corpo era prateado com detalhes em azul. Foi lhe dado asas, para que explorasse mais facilmente os terrenos irregulares. Abel estava falando no momento sobre ele:

— Pretendo lançá-lo dentro em breve no espaço exterior, com o objetivo de exploração. É um protótipo que contém Dados de Exploração Universal Sistemática, ou como apelidei, D.E.U.S.

Caim, um cientista que acompanhou o professor desde sua infância, mas que deixou de trabalhar com ele, devido a algumas divergências, esboçava a primeira pergunta dentre o grande número de cientistas na convenção:

— Se é realmente sistemático, a que diretivas ele segue?

— Há especificamente três diretivas principais: 1-Ambiente, 2-Subsistência e 3-Exploração. Na primeira diretiva, o robô está programado para analisar situações e se adaptar à elas, de modo a não chamar a atenção, no caso de encontrar algum planeta habitado; e analisar o terreno e se adaptar às suas condições, no caso de qualquer planeta não habitado.

Na segunda diretiva, a programação fará com que procure fontes de energia e sobreviva com qualquer forma disponível de abastecimento, desde que isso não prejudique ou venha ferir alguém.

Na terceira diretiva, será enviado para nós o relatório contendo tudo o que foi descoberto e o protótipo continuará procurando dados previamente deixados de lado até a exploração estar completa, por fim, retornando para a Terra.

— E como isso será possível com um simples robô?

— Pergunte à ele. — concluiu Abel.

O protótipo levantou sua cabeça, deu um passo para frente e direcionou seus sensores óticos para o recém assustado rosto de Caim.

— Não sou um simples robô, Doutor Caim. Fui construído com tecnologia avançada e possuo um cérebro independente, ou como vocês definem, “inteligência artificial”.

— Isto é incrível! Você é o primeiro de nós a fabricar inteligência artificial! Como conseguiu? — Caim.

— Aí está o ponto alto de meu discurso. É claro que queria demonstrar a vocês meu novo protótipo, mas esse não era o tema principal. E se eu dissesse-lhes que apenas consertei o “cérebro” e acrescentei as diretivas? — Abel.

— Consertou? Então quem o construiu?

— Estava aguardando esta pergunta. Prestem atenção. O que for dito aqui não deverá sair dessa convenção. É estritamente confidencial. Há alguns meses, minha equipe de arqueólogos estava escavando na região da Antártida e pararam ao notar que haviam descoberto algo totalmente estranho. A equipe mandou me chamar. Fui o mais rápido possível até o local. Mas não estava preparado para ver o que eu iria encontrar. Havia lá vestígios de uma civilização antiga, mas o que era mais incrível, a tecnologia encontrada lá era mais avançada do que qualquer outra que eu já havia trabalhado. Foi aí que minha equipe me mostrou uma estrutura gigantesca, parcialmente coberta, onde havia uma grande porta. A única coisa visível na estrutura era uma marca com três círculos formando um triângulo, onde em sua parte interna estava escrito “Hídequel”. Perto da porta foi encontrado o objeto, que agora aprese

nto a vocês como meu protótipo, ou seja, D.E.U.S. Minha equipe continua lá, tentando escavar o resto e liberar a gigantesca estrutura.

— Você mencionou uma porta. O que havia dentro?

— Ainda não conseguimos abrí-la. É um material duro, desconhecido. Por isso me veio à mente construir um robô explorador. Mas como descobri que a sua inteligência era maior do que a esperada, resolvi aplicar-lhe uma estrutura de exploração espacial.

— Há previsão de quando a escavação conseguirá libertar o objeto?

— Somente quando D.E.U.S. voltar...


Dia 2 — Dia do Lançamento

— Bem, esperamos que dê tudo certo. Com as três diretivas instaladas em seu cérebro, ele estará pronto para qualquer situação. — Abel.

— Apesar das nossas divergências, tenho que cumprimentá-lo Doutor Abel. Fez um ótimo trabalho. Só esperamos que ele volte inteiro... — Caim.

Enquanto isso se ouviam sirenes e vozes através de megafones, indicando que a nave estava pronta para decolar. Todos os cientistas da C3 estavam aguardando na plataforma de lançamento. Era uma nave simples, afinal, iria levar apenas um passageiro. Tinha uma forma arredondada na base, afinando ao longo da extensão. Possuía quatro jatos propulsores em cada lado e era revestida de um material resistente de cor branca. Internamente possuía espaço apenas para o robô, o computador e uma unidade móvel compacta.

Estando tudo pronto, a contagem regressiva começou. Abel estava apreensivo, pois não havia concluído os testes com o protótipo, mas ele sabia que isso era mais importante. Afinal, não havia contado para seus colegas que o objeto encontrado era na verdade uma nave espacial, e se quisesse encontrar vestígios dessa civilização antiga, teria de ser “fora” da Terra...

A nave, então, começou a subir e atravessar as camadas da atmosfera, para logo atingir o espaço exterior. Abel nunca tinha pensando em claustrofobia, mas nesse momento passava um pensamento em sua cabeça, de que o espaço era enorme demais e ele ali, preso na Terra. Mas pelo menos, era o primeiro a dar um passo em direção à colonização espacial.

A nave sumia no grande horizonte. O grande espaço exterior abria seu leque. D.E.U.S. ajeitou os comandos, fez cálculos para sair do sistema solar e acionou o motor de dobra espacial (cujo sistema interno também fora encontrado na escavação) e num “parsec”, o que correspondia aproximadamente a 3,26 milhões de anos luz, partiu rumo ao desconhecido. Devido a sua inteligência e a primeira diretiva, conseguia pilotar tranquilamente.

Não sabia bem o motivo, mas conhecia a direção que devia tomar. Através de pequenos ‘saltos’ no espaço, avistava ao longe o planeta destino. Então começou a preparar a nave para descer, mas antes disso, automaticamente a primeira diretiva entrou em ação. Olhou o que havia ao redor do planeta; como era sua aparência, qual era o peso da gravidade e se havia sinal de vida. Logo em seguida emitiu um relatório:

— Localização: Informação Desconhecida

— Aparência: Globular

— Terreno: Irregular

— Gravidade: 10G

— Coloração Atmosférica: Verde

— Tamanho: Equivalente à Terra

— Formas de Vida: Informação Desconhecida

A nave foi aproximando-se cada vez mais. Ao longe se notava grandes crateras, como se algo houvesse se chocado com o planeta. Resolveu então descer. A princípio a atmosfera não oferecia resistência. Sua nave fez uma entrada suave e pousou numa montanha próxima.

Aqui, a primeira diretiva havia sido concluída e entrava em ação a segunda diretiva. O terreno era bastante irregular, misturava pedras e resíduos com metais e restos de materiais desconhecidos, mas aonde ele iria encontrar energia num lugar desabitado? Atravessou a primeira montanha e parou.

— Meus sensores detectam fontes de energia desativadas. Parece haver um hangar por aqui. É estranho notar isso num planeta que deveria ser desabitado.

Foi aproximando-se do hangar. Estava enferrujado e fora de uso por aproximadamente 10.000 anos, segundo os cálculos do robô. Mas se estava ali, alguém o havia construído. Mas quem?

Aproximou-se ainda mais e pode “sentir” a radioatividade. Usou seus quatro braços e forçou a entrada. Para sua surpresa, avistou vários computadores empoeirados no que parecia ser uma sala de controle. Alguns circuitos de seu cérebro emitiram sons baixos e constantes, e novamente a primeira diretiva entrava em ação, para logo em seguida estender sua mão e conectar um dispositivo aos computadores.


Enquanto isso, no Plano Dimensional Ethéreo...

— E se ele descobrir? — Beta.

— Estávamos preparados para isso. Mas receio termos de usar a Chave Celestial... — Alpha.

— A Chave Celestial? Mas isso não significa... — Beta.

— Sim. Mas será nosso último recurso. — Alpha.

— Abel está se precipitando muito. Ainda era muito cedo para os outros saberem disso. — Gama.

— O que será que ele pretende? — Beta.

— Não sei, mas foi por isso que enviamos Caim. Se ele permitiu isso, deve ter seus motivos... — Alpha.

— Esperamos que sim... — Gama.

Planeta Aereon

— Isso vai agradar ao professor. Contém arquivos da civilização antiga, bem como o que aconteceu a eles nesse período.

Assim, arquivos da época, fatos, eventos e projetos bélicos, foram transmitidos diretamente para o cérebro do robô. Agora ele sabia o que havia acontecido ao povo antigo e estava pronto para enviar o relatório, quando ouviu uma voz grossa ecoando pelo hangar...

— Esqueceu de sua missão original, Apolion?

Ao ouvir isso, sentiu uma espécie de choque e logo em seguida a terceira diretiva havia sido deletada de sua programação.

— Agora concerte esses computadores e dê prosseguimento ao plano. Sua primeira diretiva o ajudará nisso. E outra coisa, isso não é um hangar, é uma nave. Concerte-a e terá sua energia restaurada.

— Entendido. Plano “Estrela do Amanhã” em andamento.

Planeta Terra

— É uma nave Abel. Não temos dúvida. E estamos prestes a abrir a porta. — Arqueólogo número 7.

— Muito bem. Reúna a equipe de cientistas.

— Pelo que entendemos, esse símbolo da porta, três círculos formando um triângulo, tem um significado bem maior. Um deles está perto do nome da nave, Hídequel. Sabendo que esse era o nome de um dos rios do Jardim do Éden, supomos que os outros dois nomes sejam “Píson” e “Giom”, conforme escrito em Gênesis. Portanto, chegamos à conclusão de que há mais duas naves perdidas em algum lugar. Para abrir a porta, basta somente pressionar a palma da mão no centro do triângulo. — Arqueólogo.

O professor, mais que depressa, posicionou sua mão e pressionou o entalhe, afastando-se ao ouvir o grande estalo produzido pela porta. Lá estava ela, abrindo-se pela metade, a parte de cima e a parte de baixo em perfeita sincronia. Finalmente poderiam ver o que havia dentro.

O professor foi o primeiro a entrar com uma lanterna e observou à primeira vista um gigantesco objeto dourado, retangular, girando no ar. Observou também um pequeno livro em cima de uma mesa.

— Vejam isso! Está escrito em fenício! Sabemos que esse primeiro alfabeto surgiu no século XIII a.C., e para controlarem melhor seus negócios, criaram essa escrita, baseada na representação dos sons através de sinais ou letras. Realmente é um item muito antigo. É a única pista que temos no momento. Preciso traduzir. Homens; retirem o artefato dourado e levem ele para nossa estação. Há muito que descobrir agora... — concluiu Abel.

— Muito mesmo... — murmurou Caim.

Passados dois meses, o livro estava traduzido e pronto para ser esclarecido. Os cientistas apenas estavam preocupados em traduzir a escrita fenícia, sem se importar com seu significado. Mas agora era chegada a hora de se entender o que realmente poderiam aprender dessa civilização vinda de outro mundo.

Abel convidou sua equipe e prepararam-se para ler o capítulo 1. O livro havia sido escrito na Terra, afinal sua constituição revelava serem folhas de papiro, e uma grande e ostentosa capa dura de metal, escrito em fenício “Infinito — Volume 1”:

Infinito — Volume 1

Capítulo 1

“No princípio, a Grande Mente, constituída de pura energia, deu vida aos materiais necessários para auxiliarem em sua meta. Esses seres, gratos pela centelha de vida que foi lhes dada, trabalharam incessantemente em construir um lar, um império, onde a Grande Mente pudesse governar suas criações e ditar-lhes regras para agirem de forma coerente no mundo físico.”

“Porém, a Grande Mente sabia que não estava sozinha no universo. Reuniu suas criações numa missão para descobrir o que mais lhe reservava o espaço.”

Capítulo 2

“Terra era seu nome. Um planeta muito interessante, onde a junção correta de gases lhe criou uma atmosfera de oxigênio, necessário para manter a vida ali encontrada.”

“Vida. Afinal o que essa palavra significava? Nós também possuímos vida, mas o espécime encontrado tinha um conceito diferente do nosso a respeito disso. Para eles, vida significava respirar e pensar. Nosso povo não respira, mas processamos dados, e de certa forma, pensamos. Então isso quer dizer que não temos vida?”

Capítulo 3

“A Grande Mente nos influenciou a construir uma nave, para que descêssemos e fizéssemos contato com a espécime definida como ‘humana’.”

“Construímos uma nave onde pudéssemos nos abrigar, caso a abordagem fosse hostil. Revestimos a nave com um metal resistente encontrado somente em nosso planeta. Fizemos uma grande abertura na lateral, onde colocaríamos nosso dispositivo de entrada e saída. Na sala central, erigimos os cubos de energia, os quais controlariam as naves.”

Capítulo 4

“Simpatizamos com um livro que era da Terra. Os humanos nos informaram que quase toda a humanidade o possuía. Estavam num idioma incompreensível para nós, mas recebemos ajuda de sábios da Terra, em troca de um estudo sobre nossa cultura.”

“Assim, as quatro naves ganharam nomes referentes ao interessante livro da Terra: Hídequel, Písom, Giom e Noah. A Grande Mente nos recomendou cautela e por isso, pousamos em lugares distintos e diferentes, numa linha que pudéssemos nos comunicar.”

— Aqui menciona uma quarta nave. E que elas estavam alinhadas. Precisamos averiguar isso. Talvez os outros volumes estejam nelas. Pelo menos aprendemos um pouco mais. Agora temos certeza que isso veio de fora. Outra coisa: não sei o que aconteceu com D.E.U.S., ele deveria ter mandado o relatório há dois meses, mas talvez tenha ligação com isso. Companheiros, conto com suas expedições para acharmos as outras naves. Temos que partir de onde estamos, afinal, o livro nos disse que as naves estavam alinhadas. Conto com vocês. — concluiu Abel.

De todos da convenção, ele era a única pessoa que não havia ficado impressionado com os relatos do livro. Mas ele sabia que havia fingido durante sua leitura, e realmente estava nervoso por uma grande descoberta. Agora, não demoraria muito para encontrarem os outros volumes...

Planeta Aereon

— A nave climática está pronta. Mas não entendo o porquê de eu reconstruí-la. Será que o mestre pretende usar a Chave Celestial? Não gostaria que meu antigo mestre sofresse, afinal, foi ele que me consertou.

A gigantesca nave surgia no horizonte de Aereon, um planeta completamente deserto, mas que servira para um grande objetivo no passado. Ao longe se podia avistar o robô fazendo os últimos preparativos para que a nave pudesse entrar em funcionamento quando precisasse. A única luz refletida na superfície do planeta, era o símbolo triangular da nave, em cujo centro estava grafado a palavra “Noah”.

Nave Giom

— Tem certeza que é por aqui, Abel?

— O livro nos dizia que elas estavam alinhadas. O motivo disso não se sabe inteiramente ainda, mas me baseei em seu símbolo triangular. Portanto, partindo de Hídequel em linha reta, chegaremos ao extremo Ártico, ou seja, aqui na Groenlândia.

O clima permanecia extremamente gelado. Mesmo assim, era menos frio que no Sul. A expedição ainda tinha um longo caminho à percorrer pelas montanhas. O professor preocupava-se ainda com seu robô no espaço, mas como agora todos sabiam das naves, era imperativo investigar isso primeiro antes que outros o fizessem.

Começaram a subir a encosta íngreme e cheia de gelo. Calçaram botas apropriadas para a ocasião, botas que possuíam finas, porém resistentes, garras de ferro em sua sola. Ventava muito naquele dia.

A expedição andava lentamente, devido a força do vento e a tempestade que se aproximava. De repente pararam. Havia pegadas no chão. Chegaram à conclusão de que não estavam sozinhos.

Pelas pegadas, parecia que uma outra expedição havia passado por ali. Esse pensamento se confirmou ao verem a equipe de Caim, perto de onde deveria estar a outra nave.

Aproximaram-se mais tranquilamente, sabendo que eram da mesma equipe. A única dúvida era o motivo de estarem ali, afinal, a missão oficial estava organizada apenas por Abel.

— O que faz aqui Caim?

— Vim atrás do Infinito volume 2, Abel.

— Você o encontrou?

— Sim. E aquela montanha ali, é a nave Giom. Ainda há os cubos de energia ali, se você os quiser. Só me interessa o livro.

— Por quê?

— Você quer mesmo saber?

— Mas é claro!

— Então espere...

Num momento, Caim tirou do bolso um aparelho, parecido com um rádio, no qual apertou um botão e digitou uma seqüência numérica.

— Temos pouco tempo agora. Logos eles saberão.

— Eles??

No Plano Dimensional Ethéreo...

— O que é isso? Sinto uma interferência. — Beta.

 

— É Caim. Ele nos traiu. — Gama.

— Vamos adiantar o plano “Estrela do Amanhã”. A humanidade chegou ao seu limite. Não nos serve mais. — Alpha.

Nave Giom...

— Abel, preste atenção. Aqui, no volume 2, está nosso futuro. Agora que tenho o livro em mãos, posso dizer-lhe que todas as nossas desavenças foram meramente um teatro. Vou lê-lo e você entenderá:

Infinito— Volume 2

Capítulo 1

“Após um período de tempo, a humanidade se tornou hostil. Acostumou-se com a nossa presença, mas temiam dar liberdade demais e tomarmos seu planeta. Suas emoções passaram a ficar incontroláveis.

Nossa única solução foi construir máquinas potentes o bastante para conter as massas. Demos o nome de “Ramsés” a essas estruturas.

Os Ramsés eram robôs gigantes, no qual um aereano podia entrar tranquilamente em seu interior e controlá-lo. Abaixo temos especificações sobre sua construção."

Capítulo 2

“Um ser humano, de nome Abel, furtou um de nossos protótipos de Ramsés. O inevitável ocorreu. Os humanos iniciaram a produção em massa dos robôs, e uma grande guerra de proporções épicas se iniciou.

Com Ramsés dos dois lados, a luta permaneceu equilibrada. Nossos líderes foram mortos. Tivemos que retirar nossas tropas.

No caminho para o planeta Aereon, nossa frota foi atingida. A nave Noah colidiu com nossa central de informações. As três naves restantes caíram num planeta desconhecido.”

Capítulo 3

“Com nossa tecnologia, transferimos a mente de nossos líderes para três supercomputadores, os quais controlavam o planeta Aereon inteiro. Alpha, Beta e Gama.”

Capítulo 4

“Foi iniciado o projeto Terra 2. No planeta desconhecido, as três naves danificadas foram transformadas numa arma. Essa arma seria acionada por uma chave, a Chave Celestial. As três naves, junto com a quarta nave climática, trariam o Mab-búl, ou, “Oceano Celestial”, ou ainda, “Dilúvio”, como os humanos chamavam.”

— Eu ouvi “Abel”?? Eu furtei um robô?

— Não sabemos, mas, o volume 3 nos dirá. Agora você viu a importância dessa missão. Eles não podem saber disso. Por isso usei o aparelho de interferência. À essa hora, eles já devem saber que os traí.

— Você o quê?

— Traí. Explico mais tarde. Precisamos ir para o Japão. Lá está o volume 3.

No Japão...

As coisas estavam ficando um pouco fora de controle, agora que os planos e objetivos tinham mudado completamente. Mas Caim conduzia os eventos de uma forma tranqüila, sabendo mais do que devia.

A última nave se encontrava em algum lugar do grande continente japonês. Caim tinha alguns contatos, os quais estavam preparados para os eventos que se seguiriam.

No Planeta Aereon...

D.E.U.S. havia reconstruído a nave climática. Neste momento ele a movia da montanha e dos escombros, direcionando-a para fora do planeta. O destino era o monte Ararat na Terra.

Nave Píson

Essa nave era a maior de todas, e estava escondida no interior do monte Fuji. A expedição havia se preparado para explorar cavernas, e era imperativo que fizessem logo. O tempo rugia.

Japão — Após 2 horas

— Aqui está a porta da terceira nave. Vou abrí-la. — Caim.

Então, ao entrarem, vislumbraram um grande complexo, formado por computadores avançados e muita maquinaria. Aqui, os cubos de energia ainda continuavam funcionando, espalhando seu brilho ao redor. Em cima do computador principal estava o volume 3.

— Ali está! Posso traduzi-lo agora, afinal, fui criado para assimilar diferentes línguas. — Caim.

— Foi criado?? — Abel.

— Espere, lerei o livro...

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Infinito— Volume 3

Capítulo 1

“O projeto Terra 2 estava concluído. Com nossa especialidade em engenharia genética, criamos dois primeiros seres para habitarem esse planeta. O projeto Abel e o projeto Caim. Esse Abel foi o mesmo que furtou o projeto Ramsés. Mas apagamos sua memória e inserimos um modo de vida totalmente diferente do anterior. Precisávamos dele, afinal, para nos furtar um projeto, teria que ter uma mente avançada. Caim foi criado para vigiá-lo, caso apresentasse mudanças drásticas. Foram criados mais humanos, que por fim encheram a Terra.”

Capítulo 2

“A Terra 2 tornou-se nosso campo de experiência. Queríamos estudar essa raça intrigante que quase nos destruiu, mas, longe da raça original. Aqui tínhamos total controle.

Criamos um robô poderoso chamado “Apolion”, que seria responsável por nos avisar de qualquer eventualidade e mudança de comportamento na humanidade. Foi-lhe embutida uma diretiva, chamada “Estrela do Amanhã”, que seria nosso último recurso antes que a humanidade nos destruísse de novo. Esse plano consistia em inundar a Terra 2, deixando-a deserta e transformando-a numa estrela, o que de fato era, antes de chegarmos aqui.”

 

Capítulo 3

“Para não haver interferências nos nossos experimentos, abandonamos o planeta Aereon e partimos para outra dimensão, o Plano Dimensional Ethéreo, para deixar a experiência ocorrer sem nossas intervenções.”

Capítulo 4

“Deixo esse arquivo para Apolion e os outros robôs. Assim saberão o que está havendo e o que poderá acontecer. Quem vos escreve aqui somos nós, Alpha, Beta e Gama. Não adianta nos procurar, estaremos há anos luz de distância. Só podemos acompanhar o experimento de longe.”

Capítulo 5

“A Grande Mente, entidade superior que nos criou estava prestes à perder energia, então transferimos sua mente para...”

— Está faltando o resto. Será que tem mais algum livro? — Caim.

— Eu...a Terra... — Abel.

— Sim. Essa não é a Terra verdadeira. É apenas um clone. Eu e você fomos criados a partir de engenharia genética. E sim, eu sabia de tudo isso. Mas como iria te contar? Lembra do livro? Ele diz “o experimento não pode ter interferências externas”.

— Mas por quê? Que experimento é esse?

— Não sei, mas sei que eles pretendem nos destruir, agora que tem o que querem. Senão, você nunca teria achado as naves. Ou acha que as encontrou por acaso? Os 3 supercomputadores não têm corpos físicos, portanto para executar o plano Estrela do Amanhã, eles precisavam das naves DESENTERRADAS. Compreende agora por que eu preciso do projeto Ramsés? Precisamos ter um meio de nos defender. A guerra começou.

— Essa não...

— O quê?

— Capítulo 4 do livro. Viu que diz que os arquivos foram deixados para os outros robôs? Que robôs?

— Eu não tinha pensado nisso. Nesse momento podemos estar sendo observados por um planeta cheio deles. Senão, por que os 3 abandonariam a experiência? Abel; estamos numa encrenca maior ainda do que eu pensava...

— E por que você não deu um jeito antes? Você está do meu lado ou do deles?

— Estou do lado da Terra 2. Você quer que ele sobreviva certo? Então me ajude com os Ramsés.

Após todos esses acontecimentos ocorridos, tudo se acalmou relativamente. Os dois cientistas, com suas equipes, pela primeira vez, trabalhavam juntos em um projeto. Enquanto isso, a nave climática, junto com Apolion, continuava sua jornada com destino à Terra 2.

Apolion não se sentia bem. Era um robô, mas sabia que algo estava errado em seu cérebro. Imagens e “flashes” de uma vida passada, se é que robôs possam ter vidas passadas, lhe atingiam a mente.

Nesses “flashes” ele via uma grande entidade luminosa criar um planeta em sua frente. Lá os habitantes eram metálicos, não sofriam com a ação do tempo e eram quase invencíveis. Era um planeta habitado por robôs. Não conseguia lembrar o nome, mas lhe parecia que o nome “Animecha” vinha repentinamente à sua mente.

Então se passaram dois meses...

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Capítulo 2: Novo Horizonte

A aparência de Animecha era descomunal. Assemelhava-se a uma cidade egípcia aos olhos de um humano. Havia pirâmides revestidas por um metal desconhecido, bem no centro do terreno úmido que cercava as construções. Era um planeta bem orgânico para um mundo habitado só por robôs. Havia florestas em algumas áreas, com plantas igualmente enormes. A flora se desenvolvia rapidamente nesse planeta. Quem o visse de fora, diria estar vendo um planeta-pântano com enormes construções piramidais em seu centro.

A comunidade robótica vivia em harmonia. Eram divididos por hierarquias. Cada um tinha seu próprio trabalho e habilidade inerente ao seu sistema. A paz reinava.

Uma coisa que os diferenciava dos robôs comuns, era que tinham consciência. Sabiam as diferenças e as qualidades entre eles. Mas nunca viram a possibilidade de não estarem sozinhos no espaço. O planeta era deles. Foram criados sem motivo. Tinham de sobreviver e cuidar do planeta. Nada mais.

Afinal, o que era consciência? Cientistas-robôs já haviam aberto cérebros eletrônicos e só encontravam fios e conexões energéticas. Onde estava a consciência? Seriam os impulsos elétricos gerados pelos fios? Era uma incógnita e permanecia como uma lenda para os robôs. Até o dia de hoje.

Vex era um robô filosófico, diferente. Sempre havia se perguntado por qual motivo a estrela próxima brilhava tanto. Essa estrela era a Terra 2, mas ele não sabia.

Havia uma pirâmide especial dentro de uma área reservada. Era uma espécie de biblioteca. Dirigiu-se até lá. Atravessou a densa floresta, esgueirou-se entre os cipós, e por fim, achou a entrada. Estendeu sua mão para o identificador, e sendo confirmada sua identidade, entrou.

Havia muitos livros lá dentro, mas a maioria era sobre temas de mecânica ou construção de objetos. Na área de ficção, havia apenas um livro, com capa dura de metal e seu título escrito em destaque: “Finito — Volumes 1,2,3”.

Esse livro era seu preferido. Pegou-o e subiu ao mirante. Essa área se localizava na ponta da pirâmide, no alto, sendo o único lugar com vista privilegiada do planeta inteiro e das estrelas em volta. Quando se preparava para abrí-lo, algo chamou sua atenção.

Olhou o céu e avistou uma grande nave, de proporções desconhecidas, indo em direção à estrela próxima. Tomou cuidado para que ninguém o visse, e usou uma de suas habilidades oculares. Acabava de guardar em sua mente, uma imagem, ou foto, do que acabara de ver.

Os outros robôs nunca notariam isso. Estavam muito ocupados com suas funções pré-definidas. Aliás, essa era outra questão que passava por sua mente; quem os havia programado. Ele concluía que era o único robô consciente de sua existência. Queria saber quem o havia criado e qual era seu objetivo na vida. O novo fato traria respostas. Havia alguém lá fora. O universo não era só o planeta Animecha.

Então, após arquivar a imagem, desceu da parte mais alta da pirâmide, saindo dentro da biblioteca. Correu até a saída, mas não foi notado pelo bibliotecário, o qual executava suas funções sem questionar — contar livros e fazer o balanço.

Vex dirigiu-se ao seu setor, o setor científico, que ficava na pirâmide central. Essa era diferente das outras. Era revestida por um vidro blindado e possuía guardiões nos quatro lados. Vex, por ser um dos chefes da pesquisa de energia, entrou sem problemas.

— Ei Apex, há algo que gostaria que visse! Não estamos sós nos universo!! — Vex.

— O que está dizendo? — Apex.

— Veja isso...

Vex projetou uma imagem de uma nave, na parede espelhada do setor. Ali, no meio de estrelas, uma nave climática, com seu nome em destaque, “Noah”. Dentro da nave podiam serem vistos dois grandes cubos de energia, transparentes e de coloração amarela.

— Parecem ser os cubos que fabricamos. — Apex.

— Então, é para isso que servem? Achava que era um recurso para nosso planeta, mas pelo visto, serve para alimentar naves. Aliás, nunca soube para quê fazíamos isto e se tínhamos um patrão. — Vex.

— Não faça muitas perguntas. Estamos aqui para desempenharmos nossas funções sem questionar.

— Mas por qual motivo? O que ganhamos com isso? Nunca quis saber o objetivo da vida?

— E você está vivo? Você é apenas uma máquina com conexões neurais maiores que as nossas, somente para desempenhar suas funções.

— Como sabe disso? Já viu alguma criatura “viva”?

— Você está ficando fora de controle. Vou chamar os guardiões...

Naquele dia, Vex foi trancafiado na prisão para robôs com mal-funcionamento, numa densa mata fora da área fabril, junto com outros robôs supostamente defeituosos. Vex pensava neste momento, que todos eles eram escravos de uma força maior. E precisava fazer algo à respeito.

Teria que modificar a programação inerente dos robôs, mas não sabia como. Ou melhor, sabia. Mas era um ato proibido. Ele era um robô especial; conseguia influenciar a mente de outros robôs.

Na área das celas, havia muitos robôs que possuíam uma mente avançada, mas por contrariarem as regras e leis do planeta, foram trancafiados ali, assim como Vex. Agora ele notava que ali, era muito diferente do resto do planeta. O resto dos robôs nem sonhavam que o sistema era na verdade uma ditadura e eram escravos. Vex teria que ajudá-los.

Chamou seu companheiro de cela e mostrou a imagem holográfica da nave que tinha avistado antes, a qual provava que não estavam sozinhos; havia um mundo lá fora. Em pouco tempo, a notícia se espalhou entre os robôs “defeituosos” e logo um plano de fuga estava em andamento.

Os guardiões eram robôs fortes, e também os únicos por dentro de toda a situação. Mas Vex conhecia amigos seus que também eram cientistas e haviam desaparecido. Vários deles conheciam as técnicas de engenharia reversa, as quais sem dúvida, usaram nas celas. Se os guardiões parassem para pensar, não jogariam cientistas que criaram toda a estrutura tecnológica do planeta; em suas próprias criações.

Vex teve de usar seu poder mental nos guardiões, mas como nunca havia feito isso, a energia desprendida foi maior do que o esperado, ocasionando vários curtos-circuitos no interior da prisão e rachando o chão à sua volta. Muitos guardiões ficaram fora de operação, liberando a passagem para os prisioneiros.

Ao voltar ao normal, Vex notou que havia feito um grande estrago. Não entendia de onde vinha tanto poder. Então, de súbito, o chão rachado cedeu. Vex despencou de uma grande altura para dentro de uma espécie de sala, uma sala hermética, que parecia abandonada há anos. Levantou-se e pôs sua mente para trabalhar. Não havia nenhuma sala secreta mencionada nos registros do planeta. Começou à explorar o local. Havia muitos computadores antigos e maquinaria pesada. Mas o que mais chamou sua atenção eram três enormes recipientes de vidro ao lado de um computador que ainda funcionava.

No primeiro vidro, se observava uma entidade metálica, possuindo somente suas estruturas principais e um grande emaranhado de fios. No segundo recipiente, essa entidade estava coberta por membranas e outros tecidos sensíveis. No terceiro e último, a “experiência” parecia completa. Todas as estruturas metálicas estavam organizadas, todas as membranas e tecidos em seus lugares, e uma aparência bem peculiar, que Vex vasculhava agora em seus arquivos mentais. Ao se aproximar mais do terceiro recipiente, achou uma inscrição em língua nativa em sua base. Estava escrito... ”Humano”...

Se robôs pudessem sentir calafrios, Vex seria um deles agora. Havia lido sobre “humanos” em seu livro preferido, mas sempre achou que era somente uma ficção.

— Humanos?? Estão criando secretamente humanos à partir de robôs?? Isto vai contra toda a ética do planeta!! Isso é grave! E se eles já foram criados e estão num planeta só deles? O que realmente nós somos?? O que fazemos aqui? Primeiro, cubos de energia, depois aparecem naves espaciais. Agora “humanos”??

No Plano Dimensional Ethéreo...

— Temos uma falha de segurança no planeta Animecha. — Alpha.

— Isto está começando a ficar fora de controle... — Beta.

— Ninguém mandou darmos livre-arbítrio a um grupo de robôs. — Gama.

— Essa era uma precaução necessária para não desconfiarem de nada. — Alpha.

— Desse jeito, não conseguiremos sair daqui. — Beta.

— Calma. O plano “Estrela do Amanhã” ainda está em andamento. — Gama.

— E como anda a construção do “Metatron”? — Alpha.

— No prazo. — Beta.

— Esperamos que sim. — Gama.

Finito— Volume 1

Capítulo 1

“Terra. Terceiro planeta do Sistema Solar. Apesar de sua localização específica, nunca foi confirmada sua existência. Os seres que se desenvolveram nesse planeta, foram denominados “humanos”. A humanidade era uma raça ávida em devorar conhecimento. Sempre queriam estar à frente de seu tempo. Um dia tentaram fazer contato com alguém de fora, e conseguiram...”

Vex deixou seu livro cair, ao avistar mais recipientes numa sala lateral. Ficou quase paralisado ao ver escrito no décimo recipiente, “V.E.X. — Versão Especial 10”. E logo no primeiro, “A.P.O.L.I.O. — N”.

Os outros recipientes tinham seus respectivos nomes: V.E.O., V.E.P., V.E.Q.,V.E.R.,V.E.S.,V.E.T.,V.E.U.. Apolion e Vex eram a primeira e a última experiência da lista.

— Isso está cada vez mais esquisito! Mas não vou parar por aqui. A essa hora, os guardiões já devem saber de nossa fuga. Preciso prosseguir. — Vex.

Vex prosseguiu pelos secretos canais subterrâneos, até chegar ao que parecia ser uma espécie de palácio. Sua estrutura interna era alta o suficiente para atingir uma pirâmide no lado de fora.

Se Vex achava que já havia visto coisas esquisitas o suficiente, se enganou ao deparar-se com um projeto gigantesco, com noventa e cinco por cento de conclusão. Sua aparência era de um cristal triangular, flutuando sobre o chão. Ao redor de seus seis braços, havia outros pequenos cristais dourados. Sua cabeça era formada por três faces em linhas que lembravam os ornamentos de faraós. Seu nome; estava escrito em outro língua, mas Vex compreendeu parte dele e traduziu como “Metatron”...

Terra — 2 horas antes da catástrofe

— Está tudo pronto Abel. — Caim.

— Ótimo. Temos que rumar para as montanhas o mais rápido possível.

Assim, partiram grandes comboios de caminhões lotados com os robôs Ramsés para o monte Ararat, onde a nave alienígena iria pousar. O clima era tenso, afinal, não era todo o dia que a Terra inteira poderia ser destruída.

Levou aproximadamente uma hora para todos chegarem ao local. Ao chegarem, dividiram os comboios em grupos e aguardaram. Não demorou muito para a nave ser avistada.

Lá estava ela, gigantesca e em todo seu esplendor, entrando na atmosfera terrestre. Sua aparência era de uma arca, mas, reluzente devido ao seu material metálico alienígena. A nave era tão grande, que ao pousar, esmagou um pedaço da montanha e alguns pequenos comboios.

Então, a porta se abriu. Lá estava ele, o robô protótipo do professor, mas totalmente diferente de quando ele deixou a Terra. Sua atitude, no momento, era completar sua missão.

— D.E.U.S., o que está fazendo?? — Abel.

— Meu nome é Apolion. Minha missão: extermínio.

— Sua primeira diretiva, esqueceu-se?

Ambiente. Fui encontrado aqui e consertado aqui. Você me consertou. Destruição da Terra acarretará em destruição dos seres vivos. Consequentemente, você morrerá também. Falha na missão.

— Exato. Pare com isso agora, ou será tarde demais.

— Prioridade: concluir missão.

— Não... E sua segunda diretiva, ainda lembra-se?

Subsistência. Sobreviver sem causar dano à outros.

— Ótimo. Você ainda quer fazer essa loucura??

— Ambiente. Reconstruí a nave, e sei operá-la. Esse, é o planeta Terra. Missão: extermínio. Situação: hostil. Exércitos de Ramsés por todos os lados. Subsistência: energia retirada dos Cubos de Sephirot. Danos à humanos: inexistente. Liberar tropas especiais de combate.

— Droga. Preparem os Ramsés, e rápido!! — Abel.

No Planeta Animecha...

— “Metatron”? Preciso revelar isso ao povo... — Vex.

Vex mexeu em alguns comandos e começou a subir na plataforma junto com o ser gigante. Lá fora, todos os robôs que estavam atarefados e enfunados em suas missões, pararam para olhar a grande pirâmide central, abrindo-se ao meio e revelando a cúpula esférica onde a entidade e Vex permaneciam imóveis.

Murmúrios e boatos correram o planeta. Na ala das experiências, Vex notou que no momento da criação, em todos os robôs eram injetados nano-inibidores de poder, mas alguns ficaram sem, para devidos fins conclusivos de experiência.

Vex novamente teve que usar seus poderes mentais, para destruir os nano-inibidores dos robôs do planeta. Como ele era uma versão especial, conseguiu emitir ondas de energia na faixa certa para não danificar seus companheiros.

Com todas as mentes liberadas, Vex pode meditar mais claramente em tudo, e chegar à uma conclusão que não gostaria que tivesse chegado.

— Espera aí. Por que eu tenho esse poder?? — Vex.

Vex acabava de descobrir para que fins tinha tanto poder. Realmente era para ser usado, mas não em prol dele mesmo. Alguém mais havia o projetado com esse fim.

No Plano Dimensional Ethéreo...

— Ótimo. Os bloqueios foram quebrados. — Alpha.

— Podemos nos transferir para o Metatron sem problemas. — Beta.

— Já era hora. Não agüentava mais ficar nessa dimensão. — Gama.

Um raio, aparentemente triangular, formou-se no céu de Animecha. Vários deles caíram na cúpula do Metatron, anunciando um teletransporte bem sucedido.

Metatron mexeu-se e saiu do lugar.

— Essa não. E tudo é culpa minha! — Vex.

Os olhares das três faces do Metatron encararam Vex, e por um instante, tudo se tornou um grande clarão de luz...

Na Terra 2...

A fumaça era densa. A guerra pela sobrevivência havia começado. De um lado, os antigos Ramsés renovados. Do outro, os protótipos Osíris de Apolion.

A batalha parecia equilibrada, o que levou Apolion à usar mais cedo a Chave Celestial. Abel já havia desistido de tentar argumentar com seu antigo robô, por isso, ao prever a ação final de Apolion, jogou-se sobre ele com toda a energia que lhe restava.

— Nãoooo... — gritou Abel.

Então, tudo se transformou num turbilhão de luz...

Em Animecha...

— Aconteceu o que prevíamos... — Metatron Alpha.

— Sorte nossa já estarmos no Metatron! — Metatron Beta.

— A Grande Mente libertou-se. Vocês acham que teremos chance? — M. Gama.

— Sim. Com as mentes liberadas, eu posso controlar o planeta inteiro. E, se necessário, lançá-lo contra a Terra 2. — M. Alpha.

Na Terra 2...

O corpo inteiro de Abel iluminou-se, e por um instante, seus átomos foram desintegrados, atingindo todos em volta e ocasionando uma grande reação em cadeia. Um raio de energia atingiu em cheio a nave climática. Essa por sua vez, retransmitiu-o às outras naves. Todas foram destruídas em questão de segundos.

Ao voltar ao normal, Abel viu-se apoiado numa pilha de robôs destroçados e desativados, inclusive Apolion. Todos haviam caído, menos ele e Caim, que estava ferido.

— Então, essa era a experiência... — Caim.

— Não compreendo... — Abel.

— Está claro! Lembra do livro? Ele não disse para quem a Grande Mente havia sido transferida. E claro que os três supercomputadores sabiam que ela não reagiria bem a um ambiente completamente estranho. Fazia tudo parte do plano. Por isso eu tinha que vigiá-lo. Agora entendo...

— A Grande Mente, em mim??

— Ainda duvida? Olhe o que você fez em volta...

— Espere, olhe seu braço! É de metal! Tem algo que ainda não me contou?

— Abel... Você é o único humano da Terra 2. Todos nós somos experiências do planeta Animecha. Agora tudo me vem à mente. Todos nós nascemos com um bloqueio no cérebro, mas de alguma forma, alguém de lá conseguiu nos desbloquear. Fomos criados para acreditar que éramos humanos, para deixar o ambiente da experiência, você, num habitat natural. Talvez também seja por isso que você perdeu a memória. Os humanos usam apenas 5% do cérebro, mas a Grande Mente usa 100%. Ela teve de apagar suas memórias para se acomodar por completo. Agora que você tocou na Chave Celestial, deve ter despertado essa parte adormecida em você, fazendo com que a Grande Mente liberasse quantidade suficiente de energia para novamente caber em sua mente.

— Isto é assustador! Quer dizer que cada vez que eu tiver um stress extremo, destruirei tudo num raio de cem quilômetros?

— Infelizmente, sim...

Em Animecha...

— Plano “Estrela do Amanhã” falhou. — M. Beta.

— Só temos uma alternativa. Controlar as mentes dos robôs e conectar-se ao planeta para que se direcione à Terra 2. Morrendo o hospedeiro, morre o parasita. — M. Alpha.

Vex sabia que a situação só iria piorar, afinal, ele havia liberado as mentes e agora sentia a presença de Metatron em todas elas. Algo grande iria acontecer.

Sentiu um leve tremor em seus pés. Os cinco cantos do planeta se dividiram e formaram uma propulsão. O planeta se movia...

A ação gravitacional do planeta era tão grande, que atingiu em partes a Terra original, ocasionando vários desastres naturais. Aos olhos humanos, era como se Júpiter estivesse entrando na área terrestre. Realmente Animecha era um planeta grande. Animecha aproximava-se rapidamente da Terra 2.

Na Terra 2...

— Ei, o que é aquilo? — Abel.

— É... O planeta Animecha!! — Caim.

— Vindo pra cá??

Abel não poderia ficar sem fazer nada, mas também não sabia o que fazer. Lutar com um robô era uma coisa, agora, lutar com um planeta, era algo inconcebível. E se caso tivesse que usar a Grande Mente, seria um desastre. Era exatamente o que eles queriam, pensou.

— Ainda não. Preciso conhecer meu planeta de origem... — meditou Abel.

Em Animecha, Vex sentiu a presença da Grande Mente, a criadora de todos, e viu que estava em perigo. Desviou-se dos guardiões distraídos, pegou uma de suas naves e partiu para Terra 2.

— Estamos mortos... — Caim.

— Não diga isso! Ei, o que vem lá? — Abel.

A nave de Vex vinha velozmente na direção dos dois. Sua pressa era tanta, que se ejetou e deixou a nave espatifar-se não muito longe dali.

— Ó Grande Mente, vim em sua ajuda. Perdoe-me se liberei o Metatron, mas eu estava sendo manipulado... — Vex.

— Mas que... Levante-se robô! Temos mais coisas com o que nos preocuparmos agora... — Abel.

— Eu posso influenciar a mente dos robôs, mas preciso de sua ajuda para aumentar meus poderes, meu mestre. — Vex.

— Isso parará a trajetória do planeta? — Abel.

— Sim. — Vex.

— Caim, afaste-se. Se por acaso minha mente ficar fora de controle... me mate. Ou será tarde demais para Terra 2. — Abel.

Abel não entendia muito bem o que tinha que fazer, mas concentrou-se nos robôs de Animecha. Vex tocou-lhe a testa e transmitiu uma mensagem.

— “Essa que vos fala é a Grande Mente. Metatron está tentando me destruir. Detenham-no.”

Logo, Metatron observou que seu controle sobre os robôs estava se esvaindo. O planeta Animecha estacionou.

— Desta vez não sobrará nada de vocês para serem reconstruídos! — Abel.

— Não precisa. O “futuro” se encarregará de vocês todos. A raça humana, robótica e aereana, deixarão de existir!! — Metatron.

Enquanto a conexão mental permanecia, Vex influenciou todos à formarem uma descarga mental no Metatron. Mais de dez mil robôs descarregaram suas energias em Metatron. Alpha, Beta e Gama, como estavam “presos” no corpo de Metatron, derreteram por completo. Seus dados e arquivos foram deletados.

Conclusão da Experiência 1: criação de organismo robótico perfeito: falha na operação.

Conclusão da Experiência 2: criação de organismo biogenético perfeito: sucesso.

Conclusão da Experiência 3: criação de entidade elemental perfeita: em andamento.

Após isso, tudo escureceu e Metatron foi desligado para sempre...

______

Passou-se um ano após estes acontecimentos. Hoje, a galáxia é representada por seis principais planetas que foram colonizados pelos homens e robôs: Terra 1, a original, Terra 2, habitada por robôs comuns, Animecha, habitado por robôs avançados, com habilidades especiais, tais como Vex, Aereon, habitado por “robôs-humanos”, resultados das experiências, possuindo um terceiro olho na testa, Ramsus, colônia penitencial para humanos ou robôs fora de controle, e por fim, Vega, planeta recém descoberto e comerciante de produtos hidropônicos.

Abel passou a viver na Terra 1, mas alguns pensamentos ainda o atormentavam. Mas aprendeu a controlar seu simbionte. A frase que não saía de sua mente era: “experiência 3: em andamento”...

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Capítulo 3: Crepúsculo

“Stardust”. Traduzido literalmente como “poeira das estrelas”. Esse foi o nome dado ao incomensurável asteróide que se aproximava da galáxia e iria arrastar os seis planetas junto com ele, se não fosse feito nada em pouco tempo.

Após várias conferências e palestras, uma equipe de expedição estava formada. Foi denominada de “Quinteto Surreal 1”. Por que “surreal”? Por causa

de seus integrantes nada “normais”: Abel, portador da Grande Mente, Vex, robô capaz de influenciar a mente de outros robôs, Luv Aereon, hibrido da raça alien-terra, Lensser Spech, psicólogo de robôs e detetive governamental, e por fim, Celes Calvin Ishtar, dona e administradora da Robots Science Factory (fábrica de ciência robótica) da Terra 1.

Era uma área ainda inexplorada do cosmos. Depois de tanto tempo, as raças novamente estavam unidas para um bem maior. A nave para a expedição, recém construída, tinha o nome “Interestella”.

No grupo, alguns se conheciam e outros eram novatos, mas tudo ocorreu bem. A nave decolou de Aereon, atravessando rapidamente a área hexagonal dos planetas. Na linha do horizonte, podia ser observado um pequeno ponto marrom, o gigantesco asteróide se aproximando.

De repente, alguns dos instrumentos começaram à falhar. A nave, por sua vez, estacionou. Os pontos luminosos em volta, as estrelas, se transformaram em traçados constantes que passavam velozmente pelas janelas.

Então, o universo embranqueceu...

— Onde estamos? — Lensser.

— Plano dimensional ethéreo. Lar das mentes que quase nos destruíram no passado. — Vex.

— Deve ser daqui que o asteróide está vindo. — Abel.

— Sinto emoções confusas vindas daqui de dentro. — Luv.

— Não fui “eu” quem criou esta coisa. Isso devia estar nos planos daqueles computadores malucos desde o início. Além disso, há uma terceira experiência em andamento. Deve ser isso. — Abel.

— Mas é só um asteróide. Como pode ser uma experiência? — Lensser.

— Você não entende porque não lutou na “Guerra Autômata” de um ano atrás. Tudo era possível na época. — Vex.

Havia uma tênue mudança de cores do lado de fora. Estavam atravessando uma turbulência no universo paralelo. A nave era nova, mas não agüentou a pressão e rachou. A rachadura espalhou-se rapidamente entre os dois lados, ocasionando uma quebra nas fibras. Por essa razão, a nave... dividiu-se em duas...

— Luv! Cuide dos humanos, rápido!! Não sobreviverão nessa atmosfera! — Vex.

— Não consigo alcançá-los! — Luv.

— Os três ficaram do outro lado... Essa não!! — Luv.

Um pequeno buraco negro surgiu e engoliu o pedaço da nave com os humanos...

Uma hora depois, Luv encontrava-se na cama da unidade de tratamento intensivo, com uma imensa dor de cabeça e seu terceiro olho enfaixado.

— O que houve? — Luv.

— Nós humanos chamamos de “alucinação”. Foi isso que você teve. — Celes.

— Parecia tão real... — Luv.

Vex continuava seguindo tranquilamente, assumindo o controle da nave, pelo universo paralelo. Cada vez que acelerava um pouco, o asteróide crescia em tamanho.

Ao atingir o tamanho do planeta, viram que era hora da exploração. Com suas roupas especiais, precisavam analisar o objeto. O primeiro a descer foi Abel, seguido de Vex. O solo era extremamente irregular e rochoso. Com suas modificações personalizadas, Vex acabava de trocar suas pernas bípedes, por quatro polias que formavam uma engrenagem de movimento semelhante a de uma escavadeira.

O solo não oferecia perigo, mas ouviu-se um ruído desconhecido à distância.

O som aproximava-se cada vez mais. Distraídos, os dois não notaram o imenso monstro saindo do solo atrás deles. Era uma “minhoca” gigantesca, com milhares de dentes em sua boca. Ela escolheu Abel, e o engoliu...

— Nãooo... — Vex.

— Calma. Estamos estacionados no asteróide e nem saímos ainda. Há algo estranho acontecendo aqui. — Lensser.

— Muito estranho... — Celes.

Nem deu tempo de Celes virar-se, Vex partiu para cima dela e a atravessou com uma barra de metal. Era outra alucinação.

— Mas que raios está havendo aqui? Há alguém brincando com nossas mentes e tornando realidade nossos medos! — Luv.

— O asteróide? — Abel.

— Talvez. — Lensser.

— Ou algo dentro dele... — Celes.

— Mas não sinto emoções vindas de lá. — Luv.

— Poderia ser um “ser” sem emoções? — Vex.

— É possível isso?? — Celes.

— Se ele se alimentasse de emoções, ao invés de possuí-las; sim, poderia. — Luv.

— E agora? O que fazemos? Nem sabemos se isso é verdade ou realmente existe... — Abel.

— Vocês dois não foram atingidos pelas alucinações. Abel tem a Grande Mente como simbionte, e Lensser é um psicólogo que conhece todos os padrões autômatos de emoção. Talvez, a “coisa”, preferiu preservar vocês, para evitar “defeitos”. Mas por quê?? — Luv.

A discussão foi interrompida por uma grande chacoalhada no solo; desta vez, de verdade. Todos olharam pelas janelas e procuraram algo ou um motivo para o tremor. Não havia.

— Alucinação coletiva? — Vex.

— Não existe isso... — Lensser.

— Não. Há algo aqui dentro querendo sair. — Celes.

— Esperem. Todos aos seus postos! O asteróide está começando a derreter! — Abel.

A nave flutuou alguns metros acima do chão, bem a tempo de fugir do derretimento. A antiga terra rochosa transformou-se em lama. Evento que ocorreu em toda a extensão do asteróide. Sua coloração também mudara, passou de terracota para um azul celeste. E se até agora não havia cauda no asteróide, acabava de ser criada uma.

— Um cometa? — Luv.

— Mas como? Um cometa é formado por gelo! — Lensser.

— Olhe nos instrumentos... — Celes.

— Elemento: água / Estado: sólido / Porcentagem: 100%. — Vex.

— Ele se transformou!! — Abel.

— Ei, olhem. Passou apenas cinco minutos desde que entramos aqui. Pelo jeito essa dimensão distorce o tempo, deixando-o mais lento. Isso é bom. Teremos mais tempo para analisar o que estamos enfrentando. — Vex.

— Não. Não é bom. Enquanto passou cinco minutos aqui, passou-se uma hora lá fora. Isso quer dizer que um dia aqui, dura apenas duas horas terrestres. — Celes.

— Puxa, não havia pensado nisso. — Lensser.

— Sou a mulher do grupo, esqueceu? — Celes.

— Fogo! — Vex.

— O que quer dizer com isso? — Celes.

— Fogo! A nave vai derreter se continuar assim! O asteróide está se transformando de novo! — Vex.

— Elemento: fogo / Estado: plasma / Porcentagem: 100%. — Luv.

— O “elemental perfeito”! — Abel.

— Precisamos sair daqui. O próximo elemento poderá ser o vento. Um asteróide gasoso e venenoso. Chega de reconhecimento de superfície. Temos que sair. — Vex.

Então, suavemente a nave mudou de direção e partiu para a entrada. Tinham que sair do plano dimensional ethéreo antes que o asteróide transforma-se de novo.

Dessa vez foi mais difícil. A gravidade que ele exercia continha uma forte zona centrífuga. A potência da nave foi testada ao máximo, enquanto se distanciavam do asteróide. Após tanto trabalho, finalmente foram lançados para fora do universo paralelo.

Havia se passado 2 horas lá dentro, o que na Terra equivaleria à um dia. A nave estava com muitas avarias, mas se mantinha firme.

Conforme o previsto, o asteróide havia se transformado em vento, um grande turbilhão, uma tempestade interna. O Quinteto Surreal estava contente por ter sobrevivido. Mas não entendiam o motivo de um asteróide mudar de forma. Só entendiam que em pouco tempo, ele atingiria os planetas.

— O que será que Metatron pretendia fazer com essa experiência? Não vejo finalidade. — Abel.

— Bem, pelo que sabemos, eles mexiam com biogenética e biorobótica na época da Guerra Autômata. Criaram nós, os aereanos e você. — Vex.

— Sim, eu entendo isso. Eles queriam se livrar da Grande Mente e criar seres que vigiassem para que esse plano funcionasse corretamente. Mas será que eles tinha outro medo? Haveria algo “maior” por trás disto tudo?? — Abel.

— Os Cubos de Energia. Nunca entendi direito de onde vinha a matéria-prima para os construirmos. Você vê alguma ligação? — Vex.

— Apolion, antes de ser destruído, mencionou “Cubos de Sephirot”. Sabe algo à respeito? — Abel.

— Eu sei. Há um livro na Terra original, que menciona que se todos os caminhos da ciência fossem percorridos, atingir-se-ia o universo paralelo de Sephirot... — Lensser.

— Espera aí. Você está dizendo que nossos cubos de energia fazem parte desse Sephirot? Os cubos são organismos vivos? — Vex.

— “Plano dimensional ethéreo”. “Plano dimensional ethéreo Sephirot”... — Celes.

— O que você disse?? Então o que nós encontramos lá dentro é... — Luv.

— “Sephirot”. Um organismo elemental completo, vivo. — Abel.

— Se os cubos fazem parte dele, talvez seja esse seu objetivo. Ou ele quer destruir os planetas por raiva de terem roubado “pedaços” dele, ou ele quer apenas recuperá-los. — Vex.

— Ou os dois. Realmente; Alpha, Beta e Gama, mexeram com o que não deviam. Por intuição, acho que eles pretendiam usar a Grande Mente e os robôs, para construir um Sephirot “controlável”. — Abel.

— Não conseguiram e quiseram destruir as “provas” — nós. — Vex.

— Esse era o medo maior. Mas agora o portal está aberto, e Sephirot, solto. O que iremos fazer? — Celes.

Não havia modo de inverter a experiência, mas poderia ser tentado uma espécie de bloqueio. A única coisa que tinham certeza, era que a “coisa” usava alucinações e podia se transformar em qualquer um dos quatro elementos.

— Ele se alimenta de emoções, não é? — Luv.

— Sim. — Celes.

— Pois então, vamos ocasionar-lhe uma indigestão. — Luv.

Luv pegou o comunicador que havia na nave e passou uma mensagem à Aereon e à Terra Original:

— Atenção. Falha missão. O asteróide destruirá os planetas em uma semana. Não há nada o que fazer. — Luv.

— Mas o que está dizendo? — Abel.

— Aguarde. — Luv.

— “Mensagem compreendida. Será repassada ao povo.” — Aereon.

Em pouco tempo, o pânico se espalhou por toda a Terra, e um pânico “simulado” pelo planeta Aereon. O asteróide acelerou seu trajeto e ao chegar perto dos planetas, dobrou de tamanho.

— Abel, infelizmente você vai morrer agora. — Luv.

Luv Aereon cutucou levemente seus companheiros, que entenderam suas intenções.

— É Abel, se conseguimos sobreviver antes; hoje não. — Vex.

— Por que estão me dizendo estas coisas? — indagava Abel, sentindo-se acuado.

Todos olharam para fora e viram o organismo triplicar de tamanho.

— Não façam isso!! Ou vamos morrer mesmo! — Abel.

— Nós teremos chance, mas você não. — Lensser.

— Parem!! — Abel.

— Pena que não verei meu “filho” de novo. — Celes.

Abel arregalou os olhos e sentiu algo que já havia sentido há um ano atrás. Começava assim.

Então, no horizonte, um clarão percorreu o universo. A nave Interestella havia explodido. O asteróide tentou transformar-se no elemento vento para escapar, mas não conseguiu. Em seu interior, em suas células, uma última transformação estava para ocorrer. Havia absorvido todo o pânico dos planetas e principalmente, o pânico da Grande Mente. Aquela foi uma explosão surda, afinal, o som não se propaga no espaço, mas foi tão forte que o brilho fez os planetas perderem suas noites por uma semana. Nascia a Nebulosa Sephirot...

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— Nossa. Então é assim que termina a Saga das Experiências?

— Sim, meu filho. — Oliver Prime.

— E como você sabe à respeito disso tudo? Se não fosse verdade, pelo menos daria uma ótima história de ficção científica!

— Eu sei por que eu escrevi a história deles. — Oliver Prime.

— Um livro?

— Sim.

— E qual é o nome dele?

— “Somente as Estrelas sabem — por Oliver Prime”. Essa parte que lhe contei, foi só a principal. Ainda há muita coisa escrita.

— Pois é, o que houve com a nave Interestella, por exemplo?

— A nave foi encontrada em Ramsus, totalmente avariada. Mas ela foi consertada e transformada num símbolo. Mais recentemente, dois companheiros inseparáveis, a transformaram numa nave comercial. Ainda lembro de duas histórias muito interessantes que escreveram em seu diário e me passaram mais tarde. Essas duas aconteceram um pouco depois da Saga das Experiências. A nave Interestella atravessava o espaço... — Oliver Prime.

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Capítulo 4: Inteligência Espacial

A nave Interestella atravessa o espaço carregando suprimentos necessários para as redes hidropônicas dos planetas do Império e chegava agora à uma região proibida: os limites do planeta vermelho, Ramsus. Mas, como uma nave de suprimentos, eles tinham a obrigação de ultrapassar o limite de naves que cercavam a área, em formato de cinturão, uma do lado da outra, para chegar a Vega.

— E agora o que faremos chefe? Temos bastante munição, mas acho que não o suficiente. — exclamou Rake.

— Espere. A inteligência vem antes da força bruta. — censurou Doyle.

— Nave Interestella 969, registro H4. É proibido ultrapassar o limite. O governo o estabeleceu há um mês e você deve cumprir essa condição. — Oficial.

A nave Interestella estava alinhada de frente ao comandante, que estava cercado por naves militares à direita e à sua esquerda.

— Por quê? — indagou Doyle.

— Cortamos nossas relações com Ramsus devido à quebra de tratados políticos.

— Oficial, eu sou um comerciante independente. Para mim, o que o governo faz ou deixa de fazer, não altera o curso do meu negócio.

— Comporte-se civil, ou abriremos fogo.

— E agora o que faremos, chefe?

— Não sei. Pensar, talvez...

A nave ficou estacionada em frente aos oficiais. O clima havia se acalmado.

Os materiais hidropônicos tinham um período elevado, contanto que ficassem dentro da estufa. No espaço duravam apenas uma semana.

Lá estava Interestella, após um dia, frente à frente com os oficiais.

— E agora chefe? — disse Rake, desvencilhando-se de uma irritante mosca.

— Não sei. Talvez tenhamos que ceder.

— Mosca chata. Você vai ver agora.

Doyle observou seu atrapalhado companheiro, pensando longe e meditando como uma mosca havia escapado da limpeza semanal da nave. Rake observou a mosca pousar e a seguiu. Com a mão, foi chegando por trás da mosca, onde ela não tinha sensibilidade e cuidadosamente se aproximou. Desferiu o golpe final.

Doyle levantou-se rapidamente de seu assento, deixando os livros e as notas caírem.

— É isso!! — exclamou.

Então, passou-se mais um dia...

— Oficiais, escutem. Qual é o limite da linha vermelha do governo? — Doyle.

— À nossa frente. Atrás de nós é cadeia.

— Tem certeza? O espaço é grande, sabe. Se você não tiver um ponto de referência, pode se enganar.

— Nos baseamos em planetas próximos. Não há falha.

— Quer dizer que se você estivesse de costas pra mim, queria dizer que à sua frente era permitido trafegar?

— Sim, exatamente como agora, civil.

— Ótimo. Já lhe ocorreu que as coordenadas podem ter mudado?

— Como assim?

— Você se baseia pelos planetas, certo?

— Sim.

— Já lhe ocorreu que os planetas deste sistema mudam sua órbita constantemente?

— ...

— E que nesse exato momento, todos vocês estão além da linha vermelha? E sabiam que tenho contato com todos os postos dos governos estelares? Amigo oficial, eu conheço o espaço muito melhor que você, por isso resolvi esperar um dia inteiro, para que o planeta mudasse sua órbita. Agora, vamos para um acordo.

— O que deseja civil?

— Liberação total. Passe livre nas linhas vermelhas do governo. Assim não denunciarei sua falha e não espalharei suas notas baixas em geografia espacial.

— Ok civil, você ganhou.

Assim, a partir daquele dia, Doyle e seu amigo Rake, prosperaram nos negócios, sendo os únicos comerciantes hidropônicos com carteira F, passe livre em todas as linhas demarcatórias do governo e amigos dos oficiais.

— Se eles demarcassem territórios por estrelas, que não se movem, em vez de planetas, estaríamos perdidos. Agradeço a você e à sua mosca pela idéia. Como eu disse antes, inteligência vem antes de força bruta...

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Capítulo 5: Singularidade Quântica

O espaço era um lugar tranqüilo e confortável para quem estava acostumado a ele. Uma dessas pessoas era Doyle e seu fiel companheiro Rake. Sentiam-se à vontade desde que iniciaram seu empreendimento de comércio de itens e peças hidropônicas, serviço feito pela sua família e passado de geração em geração. Sabiam dos perigos e algumas anomalias que poderiam ocorrer no espaço. Uma das muitas histórias que anotavam em seu diário, era sobre um encontro inesperado com um dos maiores predadores do universo: um buraco negro.

Era mais um dia tranqüilo. Doyle havia ligado o piloto automático, digitado as coordenadas e se debruçado sobre sua cadeira. Rake ajeitava e conferia a encomenda de plantas para o planeta Vega, que ficava fora do sistema solar.

Tudo estava calmo, até a nave Interestella ser atingida por uma rajada de raios e luzes. A nave chacoalhou e todos os sistemas elétricos foram desligados. Com o susto, Doyle caiu de sua cadeira. Rake derrubou uma caixa de orquídeas.

— O que foi isso Doyle?

— Algo nos atingiu. Religue os sistemas...

O visor externo que recobria a nave foi recolhido.

— Não há nenhuma nave por aqui, nem inimigos. Vamos virar a nave, preciso ver o que nos atingiu.

Mas ele se arrependeu de fazer isto, o que registraria mais tarde no diário. Avistou um enorme furo no espaço. Ele era escuro e tinha uma orla brilhante num formato peculiar de cone.

— Parece um ralo. — disse Rake.

— Parece o que?

— Um ralo.

— Rake, ligue os motores já! Reverta a posição da nave. Temos que sair daqui!!

— Por quê?

— É a anomalia mais temida pelos espaciais: um buraco negro!

Interestella não era uma nave nova, mas mesmo sendo clássica, conseguia conduzir uma mudança de planos de uma maneira suave.

— Avise a Terra. Um buraco negro engoliu Vega, nas coordenadas 5-3-1-0-2-4. Precisamos de ajuda, um raio trator. — exclamou Doyle.

Interestella perdia as forças, enquanto o pedido era enviado. A nave estava sendo puxada. O centro gravitacional era muito forte. Quando olhavam para os lados, viam os jatos de matéria sendo sugados, num imenso turbilhão. A nave adentrava cada vez mais.

— Puxa, não queria terminar assim. — Doyle.

— O que vai acontecer?

— Seremos virados do avesso, depois nossas moléculas serão separadas, nosso corpo deixará de existir e viraremos átomos, que logo serão desintegrados pelo olho, ou singularidade quântica, como é chamado, até não restar nada.

— Não iremos parar em algum lugar?

— Antigamente se acreditava que buracos negros eram portais para partes distantes do universo, mas até hoje nada foi confirmado. Acho que ninguém voltou vivo para contar se isso é verdade ou não. Irônico.

— Os sistemas elétricos estão falhando de novo...

— Ei espere! O que é aquilo? Bem no centro, parece ser Vega! Estamos sendo puxados para lá!

Então, o buraco negro ficou para trás, a nave se estabilizou e desceram no planeta. Foi lhes explicado que Vega estava em guerra, não tendo como se proteger. Os cientistas criaram uma singularidade quântica controlável, como meio de defesa de um planeta agricultor frágil. Sem querer, eles haviam ajudado à divulgar que Vega já não existia mais. É óbvio que todas essas informações não foram escritas no diário e, novamente, fizeram um negócio lucrativo e o mais importante, exclusivo.

Após as negociações, deixaram Vega tranquilamente. Entraram em contato com o resgate e cancelaram o pedido de ajuda. Mas, uma coisa não conseguiram responder.

— Aqui é a nave-resgate Delta 01. Como vocês conseguiram escapar de um buraco negro? Realmente eles são portais para outras partes do universo?

— Bem, talvez de certo modo... — Doyle.

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— Há histórias na Terra original? Não ouvi nada especifico ainda...

— Há sim. Tenho histórias de Lensser e de Celes, antes deles casarem. Esses foram fatos paralelos à guerra, por isso eles não aparecem antes do capítulo 3. A próxima história, que chamei de “Fator Surpresa”, mostra como os robôs ainda era precários, se comparados com os de Animecha. Mas ali se estabelece uma base para a segurança com robôs futuros. “Exilado”, que vem depois, mostra o primeiro simbionte robô-humano antes ainda de Alpha, Beta e Gama terem essa idéia... — Oliver Prime.

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Capítulo 6: Fator Surpresa

No futuro eram comuns as corridas de carros autômatos, nas populares Cyber Domes, arenas geradas holograficamente, onde carros reais e turbinados disputavam quem era o mais rápido.

Hoje era um dia especial. O campeão Speed Star iria correr contra um novo protótipo, o Dark Blade. O carro Speed Star tinha uma carroceria baseada num carro esportivo antigo, que se chamava Porsche. Dark Blade também, construído em cima de um Lamborghini.

Todos aguardavam ansiosamente o evento desta noite. Na linha de partida os carros estavam alinhados. Os dois competidores viraram a chave. Dark Blade partiu rapidamente, mas Speed Star, ao virar a chave... explodiu. Pedaços da carroceria voaram pela Cyber Dome. Os Aero-Emergência entraram em ação rapidamente, extinguindo o fogo. O carro Dark Blade derrapou e parou à poucos metros da partida.

Os técnicos e os cientistas se aproximaram e constataram o que não queriam: o piloto estava morto e havia uma falha no cérebro positrônico do carro.

— Mas isto é impossível! Os cérebros positrônicos são de última linha e suas três leis da robótica o impedem de cometer um ato desses.

— Mas aconteceu. É um fato senhores. — disse o detetive formado em robopsicologia Lensser Spech.

— Como nos foi ensinado, um robô não pode ferir um humano, deve servir aos humanos e garantir sua sobrevivência, contanto que isso não ocasione um desastre como esse.

— Acho que isso resume o que precisamos saber. Eram veículos, mas o cérebro positrônico tem o mesmo princípio. Havia dois veículos na corrida, não é técnico?

— Sim. A informação que nos foi passada é que o outro carro era um protótipo, senhor Lensser.

— Hum. E qual era o nome do cientista que o projetou?

— Era Eric Ishtar.

— Irei fazer uma visita à ele.

A cidade de Wayne era enorme. Prédios se confundiam com os trilhos do Aerotrem. No centro da cidade ficava a Robots Science Factory (RSF), de onde provinham todos os cérebros positrônicos dos robôs que viviam na cidade. Eles faziam vários trabalhos desde que surgiram: empregados, ajudantes, comerciantes e por fim, nesses últimos tempos, corredores...

Havia um grande corredor até a recepção, uma espécie de sistema de segurança. Lensser aproximou-se da secretária e indagou por Eric Ishtar. A secretária arregalou os olhos e perguntou:

— O que o senhor deseja com ele?

— Eu sou o detetive Lensser Spech. Informaram-me que o senhor Ishtar é perito em robotrônica, e como aconteceu um acidente com uma de suas criações, gostaria que ele me cedesse um tempo para me explicar como elas pensam.

— Só um momento senhor Lensser.

Então veio ao seu encontro uma bonita mulher, de cabelos castanhos longos, olhos azuis e um vestido que não fazia questão de esconder suas pernas.

— Boa noite, senhor Lensser.

— A senhorita é?

— A coordenadora dessa fábrica, lógico! Meu nome é Celes Calvin Ishtar. Uso o nome “Eric” apenas para afastar a mídia, o senhor deve saber.

— É que não esperava alguém tão... Jovial. Mas bem, a senhorita deve saber o porquê de eu estar aqui.

— É claro senhor Lensser. Acompanhe-me...

Os dois dirigiram-se ao elevador que levava até o subsolo e ela apertou os botões na seqüência desejada. Os elevadores dessa época podiam mover-se para infinitas direções, bastando apenas digitar as coordenadas.

Ao chegarem ao subsolo, a parede que comportava o elevador desapareceu.

— Agora que estamos à sós com os robôs, podemos conversar mais tranquilamente. Nós já estávamos desconfiando que somente esses princípios de comportamento não fossem suficientes para garantir cem por cento de segurança com os robôs. E isso se cumpriu agora, com esse acidente. Há mais um fator que não prevíamos no início.

— Qual senhorita?

— O fator humano chamado “Surpresa”.

— Surpresa? Não compreendo...

— Deixe eu lhe dar um exemplo, senhor Lensser. Imagine que sua esposa tenha um seguro de vida de valor inestimável, tendo uma forte alergia à leguminosa chamada pimenta. O robô empregado dela não sabe disso. Se o senhor fosse um marido mal-intencionado, faria uma grande torta ou outro alimento, recheado de pimenta. Mandaria o robô dar-lhe a iguaria, e ela aceitaria de bom grado, sem suspeitar de nada. A mulher morreria e robô entraria em colapso, pensando que ele havia servido o veneno. Não haveriam testemunhas e nem provas concludentes. O senhor ficaria com o seguro. O crime perfeito.

— Isso é sério!

— Exatamente. Os robôs não conseguem prever o fator surpresa. E esse fator combinado com o ser humano, é fatal.

— Há algo sendo feito à respeito?

— Claro. O outro carro só não explodiu porque era um de nossos novos protótipos com um novo fator acrescentado: o “ambiente”. Esse robô reconhece o ambiente, analisa as possibilidades de coisas perigosas no local, e toma a precaução necessária para evitar um desastre.

— Bem, falarei com o gerente responsável pelas Cyber Domes. Até logo senhorita Ishtar. Muito obrigado pela visão, quer dizer, entrevista. Até logo!

O gerente das Cyber Domes, Edgar Eastern, estava descansando em seu escritório, quando ouviu uma batida na porta.

— Bom dia senhor Edgar.

— Olá senhor Lensser. Já suponho o que o senhor veio fazer aqui.

— Sim. Estou precisando da lista dos inscritos na corrida daquele dia.

Assim, passou-se uma hora desde que Lensser começou a ler a lista. Ao chegar ao carro Speed Star, notou que não havia nenhum nome de piloto lá. Algo estava errado. Speed Star era o vencedor dos últimos cinco campeonatos das Cyber Domes, como o nome dele não poderia existir?

— Alguém inscreveu um corredor fantasma, mas por qual motivo? Aliás, fantasma ou robótico?— Lensser.

Antes de sair, Lensser notou uma foto em cima do gabinete de Edgar e partiu.

Na Robots Science Factory...

— Senhorita Ishtar. Cheguei à conclusão de que não havia nenhum piloto vivo no carro Speed Star. E sim um robô. A única fábrica de robôs daqui é a sua. Portanto, você ocasionou aquela explosão por algum motivo. O que pretende senhorita?

— Você é esperto Lensser. Vou lhe dizer. Diga-me como você conseguiria avisar um milhão de pessoas, uma por uma, que seu robô poderia se tornar um assassino a qualquer momento e que teria de trocá-lo por um novo? Assim, provoquei um suposto acidente, para alertar as pessoas que seus robôs precisavam de uma revisão, num evento que toda a cidade ligaria seus eletrovisores para acompanharem. Não acha justo?

— De certa forma sim. Mas, sabe senhorita, eu pesquiso a fundo, afinal sou um detetive. Edgar Eastern me falou que você tinha um marido, certo?

— Ele faleceu.

— Eu sei. De uma explosão de um carro de corrida, certo? Mas na época a mídia foi paga para dizer que foi um acidente mecânico. O que na verdade foi. Mas feito por um robô sem o seu “fator surpresa” instalado.

— Como sabe de tudo isso?

— Seu marido me contou. Edgar Eastern não é? Ele forjou a própria morte para ganhar a indenização familiar da antiga empresa de robótica dessa cidade. E lhe chantageou para construir um robô para correr no lugar dele, afinal, ele sabia que só você mexia com esse tipo de negócio.

— Eu queria acabar logo com tudo isso, e avisar as pessoas do perigo do fator surpresa ao mesmo tempo. — disse Celes Ishtar, secando as lágrimas.

— Não se preocupe. Neste exato momento, a policia aérea está chegando no local e prendendo seu ex-marido por falsidade de óbito, destruir uma fábrica e apossar-se de indenização indevida. No mínimo pegará cinqüenta anos de reclusão, no exílio planetário de Ramsus.

— Desculpe, mas como chegou à essa conclusão?

— Duas coisas. O nome do carro “S.p.e.e.d.” é uma abreviatura para “Super Edgar Eastern Dome” e quando vi a lista com o nome do piloto faltando, completei o quebra-cabeça, vendo uma foto sua junto com Edgar em seu gabinete. Bem, era isso. Vamos tomar um café? Sabe, eu também sou robopsicólogo... — terminou Lensser Spech, acomodando seu braço no ombro de Celes Ishtar.

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Capítulo 7: Exilado

O planeta Ramsus tinha uma atmosfera vermelha, solo rochoso e emissão de gases da crosta terrestre à cada uma hora. Seria um planeta fértil a ser explorado, se lá não se encontrasse a Colônia Penitencial de Ramsus. Essa mesma colônia apresentava anomalias no momento...

Os oficiais responsáveis não sabiam como, mas um dos exilados estava conseguindo persuadir os robôs, que cuidavam da segurança, a libertá-lo de sua cela e dos mais de mil aposentos. Pelo menos eles ainda tinham tempo de impedí-lo de fugir, se conseguissem saber como ele fazia isso, antes de chegar ao hangar das naves.

Falcon, como era chamado, era uma pessoa calma, alto e de boa aparência, mas fora exilado devido a um grave acidente que provocou na Robots Science Factory, na época em que a fábrica se consolidava como uma das maiores indústrias robóticas do planeta. Os detalhes do acidente não foram divulgados, mas sabe-se que um dos setores da fábrica ficou completamente destruído, tendo ele sendo o único sobrevivente, sendo atribuído à ele instantaneamente a culpa pelo ocorrido. Por falta de provas foi considerado inocente. Mas estranhamente, Falcon optou pelo exílio...

— Atenção setor Gama! O exilado de nome Falcon quebrou as regras de segurança dessa penitenciária. Detenham-no a qualquer custo! — exclamou o oficial.

Falcon se aproximava dos robôs guardiões silenciosamente. Ele nunca foi uma pessoa de falar muito, mas aqui, adquiriu a característica de ser mudo. Olhou para eles, os robôs analisaram sua expressão, e o deixaram entrar no setor Gama. Falcon continuava calmamente sua “caminhada” pelo exílio. Nenhum robô o detia. E ninguém sabia o motivo.

— Tirem os robôs do campus! Ele os controla de alguma maneira. Coloquem oficiais lá!! — soava o intersom da penitenciária.

Mas Falcon continuava. Seu objetivo era desconhecido, mas primeiro ele haveria de sair dali. Oficiais foram ao seu encontro. Ele os olhou profundamente e piscou. Os oficiais deram um passo à trás quando viram uma membrana metálica subir junto com suas pálpebras.

Na Terra, um dos computadores antigos que ficava na Robots Science Factory, começou a funcionar. Processava dados incompreensíveis, referentes ao primeiro protótipo de robô. Um dos cientistas notou essa anomalia e começou analisá-la. Alguém estava controlando o computador, mas de fora do planeta.

Falcon havia conseguido chegar ao último setor. Uma nave, do lado de fora, iria facilitar sua fuga. Abriu as últimas portas e se apossou da nave à sua espera. Destino: planeta Terra. Ele era a primeira pessoa que havia feito isso. Fugir do exílio de Ramsus...

Na Terra chegava o aviso de que um exilado havia fugido e se dirigia à Robots Science Factory. Então foram tomadas as devidas providências. Um cientista, um robopsicólogo e a administradora, foram convocados para analisar a situação de dentro da fábrica quando Falcon chegasse.

Passou-se uma hora de preparativos, e Falcon havia chegado. Estacionou a nave cargueira de Ramsus na entrada da fábrica e a deixou. Ao passar na recepção, foi analisado pelo cientista, através de um sistema de câmeras internas.

— Doutor! Srta. Administradora! Ele tem alta concentração de metal no corpo! Toda sua parte esquerda é biônica. Diria que ele é um ciborgue!

— O protótipo arquivado? É impossível, ele se encontra num computador defasado! — Celes Ishtar.

— Protótipo? — Lensser Spech.

— Sim. O primeiro robô era um projeto de simbiose com seres humanos. Seria usado como recurso na área de medicina, mas apresentou muitas rejeições e foi arquivado. Decidiu-se construir um robô auto-suficiente, o Alpha 01. Assim surgia nossa fábrica. — Celes Ishtar.

Analisando as emoções de Falcon, o robopsicólogo Lensser notou que lhe faltavam quaisquer expressões humanas. Ele havia sido controlado pela sua parte máquina.

Celes resolveu ficar cara a cara com Falcon. Ela desceu as escadas e seguiu para área computadorizada, onde ele estaria em poucos minutos.

— Falcon. Você era meu funcionário, lembra-se?

— Falcon morreu... Eu sou seu simbionte. Preciso entrar em contato com a progenitora.

— Eu criei você. Naquele computador velho, você encontrará apenas o que já sabe.

— Que eu irei morrer tão logo ocupe todo esse corpo e me desenvolva?

— Exato.

— Eu fiquei todo esse tempo para me desenvolver e encontrar minha criadora. Por favor, deixe-me vê-la.

— Se você insiste... — Celes.

— Mas Celes, esse computador contém arquivos secretos, desde o início dessa empresa! — cientista.

— Ele está morrendo. Não adianta eu lhe dizer que sou sua criadora, ele é uma máquina e acha que sua criadora só poderia ser um máquina. Deixem-no.

Falcon aproximou-se do computador velho e ele parou. Seus olhos fecharam-se e a membrana metálica também. Sentou-se perto dele e apagou. Pela primeira vez, Lensser notava uma expressão de felicidade.

— Ele estava exilado no próprio corpo. — concluiu Lensser.

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— Há ainda fatos pós-Metatron que antecedem a Unificação Estelar. Essas histórias são importantes, para você compreender o que virá a seguir. As provações somente haviam começado... — Oliver Prime.

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Capítulo 8: Dia do Julgamento

Ninguém diria ao ver o planeta Terra no espaço, calmo e sereno, que um dia seria posto à prova. A humanidade estava prestes a ser selecionada para dois fins, através da mão de seres superiores, que observavam calmamente o planeta, decidindo seu destino: salvação ou destruição.

Yxyv IV, um dos seres, observava atentamente o comportamento dos humanos. Sua nave era gigantesca, mas tinha a vantagem de ser revestida por um espelho refletor, o que a tornava invisível aos olhos humanos.

— Tem certeza que eles merecem a destruição? — Yxyv.

— Foi decisão do Conselho. — disse Axion, seu pai.

— Sabe pai, eu acho que eles deviam ter o direito a um julgamento.

— E quem se atreveria a aceitar essa missão, minha querida filha?

Um silêncio abateu-se no compartimento de reuniões, um silêncio “pensativo”. Por fim, vendo que ninguém realmente aceitaria tal missão, resolveu comprometer-se.

— Eu irei pai. Dê-me um ano, e voltarei com o relatório final.

Sua aparência era praticamente humana, exceto por um terceiro olho existente em sua testa, o qual cobria com uma bandana. Não seria difícil para ela, de longos cabelos roxos e belos, para os padrões da Terra.

Acabara de descer de sua nave e já estava experimentando seus primeiros passos na gravidade 10g da Terra. Movia-se com certa dificuldade pelo extenso gramado do parque, mas logo conseguiu manter o ritmo, pois seu corpo era projetado para assimilar novos fatos e eventos que exigissem a parte biológica.

Avistou um humano ao longe. Era jovem e tinha praticamente a sua idade, em torno de 24 anos. Com certo receio, aproximou-se.

—... ... ... ...? — Yxyv.

— Você é estrangeira?

— Desculpe, esqueci que sua língua nativa era diferente.

— Eu sou Isaac, muito prazer.

Aparentemente ela não havia entendido o motivo de o humano ter estendido a mão para ela, mas entendeu que ele desejava uma espécie de contato. Também estendeu a sua, que prontamente foi agarrada pelo outro.

— Meu nome é..., ou Yxyv, em sua língua.

Ali surgia uma grande amizade. Prontamente mostrou, durante o dia, quase todos os pontos turísticos da cidade, crendo que ela fosse uma turista. O que de fato era, mas do espaço.

Ao cair da noite, mostrou-lhe sua casa e indagou se ela tinha hospedagem. Ofereceu-lhe um quarto, o qual foi aceito. Explicou também um item muito importante.

— Nós não podemos sair à noite aqui. Há um “toque de recolher”, devido a possíveis invasões. — Isaac.

— Invasões de quê? — Yxyv.

— Não sabemos. A única coisa de que temos certeza, é de que quem sai à noite, desaparece completamente. Nunca retorna.

—... ... ...!

— O quê?

— Agradeço a hospedagem. Creio que você queira descansar seus sistemas biológicos, não?

À noite, um vulto esgueirava-se pela cidade. Yxyv estava decidida a descobrir o mistério dos desaparecimentos. Para isso precisava de seu terceiro olho, uma espécie de rastreamento mental. Tirou a sua bandana e olhou por todos os cantos.

Achou rastros alienígenas que não eram seus. Alguém mais de sua espécie estava ali. Isso era grave, pois se os humanos descobrissem um espião, poderiam desencadear uma guerra.

— Eu sabia! Você estava agindo de uma maneira muito estranha. Sabíamos que vocês existiam, mas eu não sabia que estavam entre nós! — Isaac exclamou, saindo de seu esconderijo.

— Você não entende? Existe alguém aqui além de mim. E pode estar por trás desses desaparecimentos.

Mas não conseguiram terminar sua discussão. Eles haviam infringido a lei, fazendo com que autoridades os avistassem e os prendesse. Yxyv só teve tempo de recolocar sua bandana.

Na prisão de segurança, ela teve todo o tempo disponível para contar à ele sua verdadeira missão. Ele compreendeu finalmente a grande responsabilidade da missão de Yxyv.

— Me desculpe. Acho que merecemos a destruição mesmo.

— Não diga isso. Vejo que apesar de tudo, os humanos se preocupam uns com os outros. Por isso você veio atrás de mim.

— Como sabe?

— Através de meu terceiro olho. Digamos que ele é um “interpretador de emoções através da mente”. Só que essa preocupação mútua que nasce com vocês, inevitavelmente leva à guerra. Acho que meu relatório está concluído.

— O capitão quer falar com vocês! — soou a voz forte do guarda do recinto.

Deixaram suas celas para trás. Isaac ainda estava assimilando as novas informações, o que não o afetava, afinal, havia criado um vínculo afetivo com a estrangeira.

— Vou ajudá-la. — sussurrou.

Ao chegarem ao gabinete do capitão, Isaac notou que Yxyv não parecia estar muito bem.

— Meu terceiro olho... Está doendo. Parece haver uma interferência mental aqui perto.

— Mas nessa sala só há o capitão! — Isaac.

— Olá Yxyv! Surpreso em me ver?

— Ziv! É você! Você está por trás disto? — terminou Yxyv, colocando as mãos sobre seu olho.

— Ora, que melhor maneira de começar uma guerra, do que uma pequena conspiração interna? Pense Yxyv. Os humanos são um vírus. Estabelecem-se num local e usam todos seus recursos. Quando não há mais recursos, lutam pelo que sobrou. Essas lutas conduzem à uma guerra. As pessoas que não participam, ficam confinadas em suas casas, o chamado “toque de recolher”. Quando não resta mais nada, vão para outro lugar, e reiniciam o processo. A natureza do homem é má. Só estou acelerando o processo. Esse mundo merece a destruição total.

— Não! Nem todos são assim. Eles podem aprender a amar. São vitimas de sua própria natureza. — Yxyv.

Ao ver o contínuo sofrimento de sua amiga, Isaac impulsivamente se atirou sobre o capitão, pegou sua arma e atirou em seu quepe. O tirou acertou a testa dele, onde também ficava seus terceiro olho. O capitão caiu duro ao chão e a pressão mental sobre Yxyv se desfez.

— Você não pode ficar aqui! Não depois de ter matado um aereano. Venha comigo!

Então, ao saírem, libertaram as pessoas que supostamente estavam desaparecidas, e partiram...

O julgamento da Terra havia sido adiado há seis meses. A Terra foi salva devido a um único sentimento, simples, mas que foi capaz de evitar uma guerra: o amor.

— Pai, tenho uma novidade.

— Diga, minha filha.

— Gerarei um filho em breve.

— Uma linhagem híbrida?

— Não haverá problema. Fiz alguns exames com nossa equipe Gênese.

— Esse menino será especial. Espero que consiga unificar a galáxia, assim como você fez com dois planetas distintos, e evitou uma guerra desnecessária que iria ser ocasionada por um Aereano ambicioso.

Isaac e Yxyv olhavam juntos, atentamente para as estrelas ao redor, pensando no futuro de seu filho, Luv Aereon. O espaço o aguardava...

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Capítulo 9: Missão: Terra

Luv Aereon acabava de acordar de seu sono profundo e se dirigia à cozinha para preparar seu café da manhã. Havia tido um sono tranqüilo, sono que durava apenas duas horas, mas, para não chamar atenção, ele sempre dormia às oito horas normais para um humano. Luv Aereon era filho de um humano casado com uma aereana. Fatos importantes que ocorreram no passado haviam unido esse casal diferente. Mas ele era um humano totalmente normal, não fosse pelo seu terceiro olho na testa, que sempre escondia com uma bandana, como fazia sua mãe. Esse olho funcionava como uma espécie de radar. Quando entrava em uso, a pessoa poderia saber que tipo de sentimento a outra pessoa estava expressando. Não lia mentes, apenas lia emoções.

Dirigiu-se então ao seu pátio, para pegar o jornal do dia. Ao abaixar-se para pegar o jornal, notou um comportamento estranho das pessoas à sua volta. Todas estavam nas ruas, observando o céu. Luv também resolveu olhar para cima. A nova informação que acabara de assimilar o havia chocado.

Uma massa gigantesca e vermelha cobria todo o céu. Até o sol parecia se esconder. Logo, essa massa foi identificada como o planeta Júpiter. Júpiter, em toda sua glória, estava agora perigosamente perto da Terra. Era algo inconcebível, mas estava acontecendo. Todos olhavam assustados para um planeta gigantesco se manifestando na atmosfera da Terra.

— Júpiter? Aqui? O que está havendo? — Luv.

Luv correu para dentro de casa, ligou sua televisão e começou a assistir.

— A informação que acaba de nos chegar é deveras intrigante. Júpiter adentrou a órbita da Terra, mas não temos ainda a informação correta a respeito. Pode ser que a Terra tenha saído de sua órbita, mas os motivos ainda não foram encontrados. Cientistas do mundo inteiro estão trabalhando para saber o que fazer, visto que a gravidade de Júpiter pode afetar desastrosamente a Terra. — repórter.

— Preciso fazer algo. Se Júpiter realmente está aqui, logo a Terra entrará em colapso. Sua órbita mudará, e terremotos, furacões, maremotos e outras coisas, destruirão a Terra. Ainda bem que meu pai trabalha na seção de pesquisas planetárias. Preciso falar com ele.

Dentro da seção, Luv, que era muito mais inteligente que qualquer humano, estava discutindo soluções com os cientistas.

— Mas não podemos fazer nada mesmo? — Cientista.

— Está brincando? Você quer que joguemos um fósforo aceso na atmosfera gasosa de Júpiter e façamo-lo explodir? Meu amigo, não é um planeta, é “o” planeta. A única solução é construirmos o que sugeri e salvar tantas pessoas quanto pudermos. A Terra vai sofrer uma alteração de qualquer jeito e será destruída. — Luv.

Um mês depois desses acontecimentos, Júpiter continuava lá, perto da Terra, com todo seu esplendor. A Terra realmente sofreu efeitos da alta gravidade do planeta vizinho. Furacões atingiram as Américas, maremotos atingiram a costa oriental, terremotos destruíram a Europa central. Nada ficou de pé, somente a construção planejada pelos cientistas. Era uma cúpula protetora, feita com um material aereano. Essa única cidade restante, por estar bem no centro da Terra, foi chamada de Nova Europa. O desastre veio rápido, por isso apenas um bilhão de pessoas pôde ser salva. Ninguém imaginava que isso aconteceria algum dia e sem explicação aparente. Lá estava a Terra, um planeta completamente destruído, com uma cidade-cúpula bem no centro. Como os eventos já haviam ocorrido, agora os cientistas poderiam pesquisar a respeito do fenômeno.

— Isso realmente é muito estranho. Como poderia Júpiter ter saído de sua órbita? Sabemos que planetas saem de sua órbita quando algum choque extremo ocorre. Não poderia ser um buraco negro, senão ele já estaria destruído. Foi outra coisa, mas o quê?

— Pessoal, olhem lá fora um pouco. Há uma mancha bem no meio de Júpiter.

Todos olharam atentamente e realmente estava lá, bem no centro, acima da mancha característica do planeta.

— É Marte! O maldito está engolindo os planetas! E nós somos os próximos! — cientista.

— Isso é impossível, a menos que uma força tenha modificado a estrutura do planeta a ponto de transformá-lo num complexo devorador. — Luv.

— Será que são os aereanos de novo? — cientista.

Luv e seu pai se olharam e por fim ele disse:

— Não. Os Aereanos prometeram não mais incomodar os humanos, e vocês deveriam estar gratos por isso. Vocês poderiam ter desaparecido completamente naquele fatídico dia. Aliás, se esse complexo realmente está vivo, precisaremos entrar em contato com a mente dele, e somente os Aereanos podem fazer isso.

— Está bem, espertinho. Mas como vamos pedir ajuda para eles? Por acaso você tem o celular deles? — cientista.

Ao ouvir essas palavras, Luv arrancou sua bandana e mostrou à todos seu inconfundível terceiro olho, brilhando acima dos dois normais.

— Eu sou um deles! E agora se calem e me ouçam. Vocês serão destruídos se não obtiverem nossa ajuda. Fui eu que ajudei vocês a construir a cúpula. Esse é um material Aereano, se fosse outro, vocês não teriam sobrevivido. Podem confiar em mim.

Luv Aereon partiu da cidade de Wayne, bem no centro de Nova Europa. Possuía um relógio que continha um mecanismo de teletransporte, dado pela sua mãe, antes de ele decidir viver na Terra. Ao apertar o botão, ele foi desintegrado em milhares de moléculas, para serem reconstruídas no destino.

Aereon era um planeta arenoso, como o nome sugeria, mas era bastante agradável. Toda a estrutura de sua metrópole era baseada no mesmo complexo de cúpulas que Luv ajudou a construir na Terra. Havia uma torre central, chamada de “Torre do Conselho”, local do qual partiu a primeira missão que quase destruiu a Terra, não fosse pela filha do Soberano local. O que de fato, foi bom, ou Luv Aereon nunca teria existido.

Ao chegar na estação de espera de teletransportes, notou que sua mãe já estava esperando na entrada, afinal, com seus olhos especiais, podiam sentir as emoções à vários quilômetros.

Ela havia compreendido tudo o que estava acontecendo e imediatamente foram reportar ao Conselho.

— Isso realmente é perigoso Yxyv. Se esse complexo devorador destruir a Terra, nós poderemos ser os próximos. Afinal, pelo que entendi, ele persegue planetas que contenham energia. Vou me reunir com o pessoal e lhe dou uma resposta em um dia. — terminou Axion.

Assim, deixaram a torre e seguiram para o pátio interno. Era uma espécie de jardim, mas que continham flores e plantas totalmente diferente das da Terra. Elas também eram sensitivas, mas a diferença é que podiam falar.

— Como foi sua estadia na Terra, Luv? — perguntou o Crisântemo Azul.

— Olha, os humanos são muito teimosos e não compreendem os sentimentos uns dos outros, mas até acho que isso é uma proteção para eles, afinal, se cada um soubesse o que se passa na mente do outro, já teriam se destruído. É uma civilização difícil de lidar. Mas foi legal. Só não gosto quando fazem piadinhas com minha raça. Se bem que, se o Conselho votar pela auxílio, eles vão ser obrigados a nos reconhecer como aliados.

Na Terra, o pai humano de Luv, Isaac, explicava toda a situação embaraçosa pelo que acabavam de passar. Ele havia explicado a origem de seu filho e tudo que havia acontecido até aquele dia. Não haveria motivo para guardar segredo agora. Afinal, eles iam conhecer uma frota inteira deles em pouco tempo. E também era a única solução.

Um estrondo foi ouvido lá fora. Todos correram e ouviram ruídos parecidos com raios. De repente, surgidas do nada, naves aereanas apareceram como relâmpagos, pousando do lado de fora da cúpula de Nova Europa. A primeira pessoa a descer foi Luv Aereon, seguida de Yxyv.

Todos desceram e se dirigiram à parte interna da cúpula. Os cientistas e cidadãos estavam tremendo, mas Luv foi o intermediário das apresentações. Primeiro fez um breve discurso falando o motivo de estarem ali. Após isso, fez um sinal para seus companheiros, e todos puseram seus olhos para funcionar. Todos os humanos sentiram um contato amigável em suas mentes, logo perdendo o medo. Então passaram à missão principal.

Nunca haviam entrado em contato com um planeta antes, o que exigia certo esforço da frota mental. Todos se reuniram no centro do complexo de estudos espaciais e direcionaram seus terceiros olhos para o planeta. Seguiu-se então, uma conversa mental, telepática. Seria difícil traduzir, mas Luv transformou o toque mental em palavras humanas para que todos pudessem entender.

— Permita me apresentar. Sou Iridion, chefe da expedição aereana. Queremos saber quais são seus motivos para destruir os planetas.

— 19820712...

— Hum. Linguagem estranha. Você é uma máquina?

— 1.

— Vejo. Mas ainda não nos disse seu motivo.

— x3n0634r5.

—...

— Isso é grave! Na verdade ele não é Júpiter e sim uma estação molecular de pesquisas avançadas. Ele quer nos transformar em cobaias! Não sei quem construiria uma coisa dessas, ou teria capacidade de construí-la. Acho que estamos diante de uma nova inteligência espacial. E eu que achava os humanos complicados... — traduziu Luv.

— Ele ainda disse que se não colaborarmos, seremos destruídos. — Luv.

— Espere! Acho que tenho a solução. Lembrei de um livro muito antigo que li uma vez na biblioteca, falando sobre um “Desintegrador de Átomos”. Muitos achavam que era apenas um conto de fadas de um cosmologista louco. Seu nome era Richard e contara que certa noite, uma entidade astral conhecida apenas como Neotron o visitou e deu informações sobre essa arma. Isso foi muito antes de vocês chegarem e o livro foi trancafiado na biblioteca. Acho que vocês, com sua tecnologia, conseguiriam montar essa arma. — disse um dos cientistas, ofegante.

Após uma semana de conversas e troca de idéias entre o planeta, aereanos e humanos, a arma estava pronta. Os aereanos ficaram curiosos de saber quem eram os Neotrons, mas isso não era um fato importante, o destino dos dois planetas estava nas mãos dessa arma, nunca antes jamais vista.

Wayne foi a cidade escolhida para abrigar a arma. Tudo estava pronto e em seu devido lugar. Um último contato foi feito antes dos acontecimentos.

— Escute. Temos uma arma nova aqui, uma que você não conhecia e muito menos nós. Portanto, você não sabe como ela funciona. Ela poderá matá-lo. O que vai fazer?

— 10101010101010101010.

Então, ao terminar sua comunicação mental, Iridion se afastou e foi até o Conselho.

Assim, todos os aereanos voltaram para suas naves e partiram. Luv Aereon ficou atônito e apenas repetiu a última frase do planeta, que já ia se afastando da órbita terrestre:

— Minha missão está concluída...

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— Nessa última, menciona-se “Neotrons”. Quem são eles?

— Ah, aí chegamos ao ponto que eu queria chegar. Nunca foi confirmada sua existência, mas o fato é que sempre de tempos em tempos eles apareciam. Essa próxima história corresponde à sua segunda aparição. Sua terceira aparição está marcada para nossa época, por isso estou lhe contando tudo isso. Se eu já não estiver mais aqui, você saberá toda a história da galáxia para tirar suas próprias conclusões. Até agora eles não se mostraram hostis, mas não sabemos suas verdadeiras intenções. Se você acompanhou meu raciocínio, percebeu que tudo o que ocorreu até agora, poderia ter sido apenas um teste. Afinal, nunca se soube muito bem quem criou a “Grande Mente”... — Oliver Prime.

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Capítulo 10: Despertar de um novo Amanhecer

O professor Richard deslocava-se rapidamente em direção à biblioteca, como fazia quase sempre, afinal seus horários eram apertados. Teria de devolver seus livros de astronomia e pegar outros de física para sua aula de cosmologia. Deslocou-se pelas estantes e parou ao ver um livro que antes não estava ali. Seu título era “Despertar de um novo Amanhecer — Neotrons”.

— Neotrons? Não seriam “nêutrons”? Deve ser um erro gráfico, mas não tenho tempo para isso agora. Vou pegá-lo e lerei depois.

À noite, Richard resolveu ler o misterioso livro. Nunca havia o visto, mas pelo título, pensava ser o que estava procurando, um livro de física. Não era. Lendo avidamente, descobriu que não era um erro gráfico. Os Neotrons eram uma raça avançada, vinda de outra dimensão. Possuíam a anatomia humana, mas seu corpo era revestido por um metal desconhecido. A única diferença marcante, era que suas cabeças tinham um formato triangular e um visor prateado no lugar dos olhos. Descobriu que eles haviam visitado a Terra e difundido conhecimentos avançados de física na área nuclear.

— Albert Einstein?? — indagou Richard.

Ele acabava de ler que a maioria das idéias e inclusive a mais famosa de todas, a fissão nuclear, haviam sido passadas para Einstein pelos Neotrons. O

documento ainda instigava uma grande questão: os Neotrons haviam passado esses conhecimentos com o objetivo de que a humanidade se destruísse sozinha? Eles previam o mau uso dos conhecimentos? Ou apenas eram altruístas e o homem usou sua capacidade interna de ser mau e virou o jogo?

Richard não sabia o que pensar. Estavam ali em sua frente todos os fatos importantes. O documento fazia questão de frisar que tudo era verdade. Até incluía uma prova incontestável, mostrando em uma das páginas, uma foto cômica de Einstein mostrando a língua e uma pequena mancha atrás dele. Era um Neotron. Eles tinham a capacidade de se tornarem invisíveis, mas pelo jeito, pegaram ele um pouco antes da transformação estar completa. E, nesse período, era impossível modificar uma foto, tornando-a uma fraude, por falta de tecnologia apropriada.

— Puxa. Nunca havia reparado nisto. Realmente há um ser atrás de Einstein nessa inédita foto cômica.

O professor não esperava que esse livro chamasse tanto a sua atenção. Mas, tudo fazia sentido. Um único humano com conhecimentos avançados jamais concebidos por algum outro. E a grande questão era se os conhecimentos tinham sido passados para acelerar nossa destruição, ou evitá-la.

O que mais surpreendeu Richard, no entanto, era que estava marcada uma nova visita à Terra. Sim, os Neotrons voltariam. O que nós diríamos a eles? Que usamos seu conhecimento para nos destruir? Ou que estávamos cumprindo suas expectativas?

No outro dia, o professor mostrou o livro à todos na universidade, e conversou francamente com seu amigo cientista, Sagan.

— Acredita nisso, Sagan?

— Olha, não existem relatos sobre isso. E você não encontraria um arquivo confidencial numa biblioteca.

— Mas, e se era para ser assim? E se eles esconderam o documento num ambiente em que ninguém desconfiaria de nada, para ser achado pela pessoa certa, na data certa?

— Você está me dizendo que os Neotrons escolheram você?

— Sabe que não tinha pensado nisso? Será que serei eu o próximo a ser visitado? Agora me lembro de nunca ter visto este livro antes. E o achei por acaso, ontem. Sagan, agora você me deixou assustado. Mas o estranho é que sou apenas um cosmologista. O cientista é você!

— Eu devia ter achado este livro então?

— Exato. Não consigo entender o motivo de eu tê-lo achado.

— Será que o significado desse documento tem mais a ver com o universo do que com um simples cientista?

— Pode ser... Vou guardar este livro comigo. Por favor, mantenha segredo. Não sabemos quando serei visitado, mas avisarei. E reze para que eles venham em paz!

Uma semana depois, Richard foi visitado por um Neotron. Ele explicou-lhe que muitos desafios viriam pela frente. Uma guerra galáctica estava prestes a iniciar. E que era vital ter uma base de informações nucleares, para ele passar para os humanos, uma nova arma de defesa contra a nova ameaça. Chamou-lhe de “Desintegrador de Átomos”.

A decisão cabia aos humanos. Usariam o conhecimento a favor ou contra eles mesmos?

Ninguém o sabia, muito menos Richard. Mas uma coisa tinha certeza: naquela noite, iniciava-se o ‘despertar de um novo amanhecer’.

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— Guerra Galáctica? Nossa...

— Pois é, talvez você não entenda o que isso significa, mas logo saberá. — Oliver Prime.

— E todos morreram naquela explosão da nave Interestella?

— Bem, de volta à Saga das Experiências. Não. Eles haviam planejado tudo e uma nave de fuga estava à espera deles. O único que sofreu com tudo isso foi Abel, mas foi necessário. Sua memória voltou, pois na energia desprendida, a Grande Mente tomou outras formas e deixou seu hospedeiro por completo. Mas, por causa disso, Abel nunca mais pôde andar. A entidade deixou seqüelas ao sair.

— Prosseguindo; muitos diriam que eu estaria louco em colocar essa história aqui, mas ela tem tudo a ver com os eventos que se seguiriam mais tarde. Vou contá-la e tire suas próprias conclusões... — Oliver Prime.

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Capítulo 11: Toca do Coelho

— Ei, Oliver! Há legumes sumindo da plantação! Vá dar uma olhada! — Abel.

— Sim, vô, já vou! — Oliver.

Depois de muito tempo guerreando pela sobrevivência, o povo da Terra original pode se dedicar a outros campos, inclusive a agricultura, do qual o avô de Oliver,— Abel—, cultivava. Já que não podia mais andar, pelo menos gostaria de estar perto da natureza.

Como um dos “salvadores” da Terra, fazendo parte do famoso Quinteto Surreal, tinha seus direitos garantidos pelo governo. E claro, uma quantia bem expressiva de indenização. Usou esse direito para conseguir uma fazenda, longe do centro do mundo, a cidade de Wayne. Ali era um local tranqüilo. Somente viviam sua família e a de seus filhos.

Depois de velho, Abel começou a contar suas histórias. Oliver resolveu escrever essas memórias em seu livro.

— Hum, meu avô tinha razão. Há algo destruindo nossa plantação. — Oliver.

Ao olhar para o centro da plantação, Oliver viu uma grande saliência. Resolveu averiguar do que se tratava.

Era uma caverna, com o tamanho aproximado da palma de uma mão. O que havia feito aquilo poderia ter sido um coelho, uma toupeira ou ainda, um tatu. Não era uma coisa muito normal por essa região, mas quis ver mais de perto. Ao escavar um pouco de terra com as mãos, Oliver ouviu um estalido. Olhou em volta e percebeu que a terra estava rachando. De repente, a parte superior desabou. Oliver só teve tempo de se segurar na ponta do buraco. Era uma grande abertura para um simples coelho. Olhou para baixo e notou que havia sido feita uma caverna. Ajeitou-se e mais que depressa foi relatar à seu avô.

— Uma caverna? Isso não é obra de coelhos! — Abel.

— Pois é, isso é muito estranho. — Oliver.

— Depois de tudo que vi e presenciei meu filho, nada mais é estranho... — Abel.

— O que vamos fazer? — Oliver.

— O que VOCÊ vai fazer... Eu já estou velho e não posso mais andar. Mas tome cuidado, muita coisa estranha já aconteceu na minha geração. Pelo visto, chegou a sua vez de presenciá-las. — Abel.

Oliver se direcionou a entrada da caverna e levou consigo materiais de alpinismo, pois iria precisar. Firmou bem o primeiro pino e começou a descer. A caverna era funda, devia ter aproximadamente dez metros de altura. Pela sua aparência, ficava perto de um lençol freático, pois estava úmida e líquidos escorriam pela sua parede.

Logo ao fundo, Oliver avistou uma criatura pequena, branca, de olhos vermelhos, que o encarava com seriedade.

— Olá amiguinho! Garanto que não foi você que fez esse buraco não é? — Oliver..

Oliver pegou o coelho no colo e prosseguiu pelas junções das cavernas. Sua aparência era de um labirinto. Ao chegar ao que seria a parte final das junções, Oliver observou uma plantação diferente, se desenvolvendo ali embaixo. Era uma protocultura. Soltou seu amigo e o deixou ir em direção das verduras e algas. O coelho chegou perto, cheirou, e começou a comer.>

Nada mais ocorreu naquele dia. Oliver recolheu o coelho e dirigiu-se a sua casa. Contaria a seu avô sobre as cavernas e a protocultura.

Tarde da noite, o coelho que Oliver tinha resgatado, saiu da casa. Estava na varanda quando as estrelas começaram a brilhar um pouco mais. Os olhos do coelho se tornaram prata e um zunido baixo se ouviu.

Uma semana após...

Uma gigantesca nave em forma de navio pousou no meio da plantação de Abel. Os dois, que estavam na varanda da casa, presenciaram tudo. A porta se abriu. Um ser metálico de aparência humanóide e aparentando 2 metros de altura, desceu. Era um Neotron.

— Eu fui o escolhido? Não pode ser... — Abel.

— Escolhido? — Oliver.

— Sim. Oliver, esse é um Neotron. Ele aparece de tempos em tempos, conforme te contei, mas cada vez que aparecem, algo grandioso está para ocorrer. Não achei que viessem tão logo. — Abel.

— Vejo que a humanidade já construiu o “Desintegrador de Átomos”... — Neotron 2.

— Que notícias vieram nos trazer desta vez? — Abel.

— Obrigado por cuidarem de nosso animal de estimação. — Neotron 1.

— O coelho? — Oliver.

O coelho saiu de onde estava e pulou para dentro da nave dos Neotrons, transformando-se em seguida num ser totalmente diferente. Era um pequeno roedor de seis patas.

— Essas plantas e algas cultivadas nas cavernas são para a sobrevivência de vocês. — Neotron 1.

— Vai acontecer algo com a Terra? — Abel.

— Já aconteceu. — Neotron 2.

— Com certeza já ouviram falar do relato que o planeta Vega estava em guerra, certo? Mas eles não disseram com quem... — Neotron 1.

— Mas isso faz tempo... — Abel.

— Não faz não. Eles estão em guerra com vocês! — Neotron 2.

— Nós?? — Oliver.

— Já ouviram falar do continuum espaço-tempo, não é? Vega achou um jeito de quebrá-lo... — Neotron 2.

— Você quer dizer que eles têm uma “Máquina do Tempo”? — Abel.

— Algo parecido com isso... — Neotron 2.

Essa é a nossa razão de visitá-los. Desde muitas eras atrás, estamos combatendo os habitantes de Vega. Mas não temos a habilidade que vocês têm para construir armas de guerra e aperfeiçoá-las. — Neotron 2.

— Devo considerar isso um elogio? — Abel.

— Hmpf... — Oliver.

— Por essa razão pegamos um dos projetos de Vega e deixamos na Terra para ser aperfeiçoado. Muita coisa conseguimos consertar no continuum espaço-tempo, mas a guerra continua. — Neotron 2.

— E o próximo alvo é a Terra. Eles têm uma arma chamada “Wormhole”. Quando a usam, algo no passado é alterado. Daqui a uma semana, a Terra voltará a ser um terreno vulcânico, e somente as plantas e algas que plantamos nas cavernas, sobreviverão. As cavernas foram feitas pelo nosso animal de estimação, na Terra inteira. — Neotron 1.

— Na Terra inteira? — Oliver.

— Não o subestimem... — Neotron 1.

— Há mais alguma notícia “boa”? — disse Abel ironicamente.

— Há uma mensagem que encontramos no espaço há muito tempo atrás e até agora não conseguimos decifrar.

Todos reuniram-se em torno do pequeno livro holográfico que o Neotron exibiu.

— Parece a descrição de um mundo completamente novo! — Oliver.

— Também entendi isso. — Abel.

— Sabemos que vocês estão no período de colonização espacial, então deixaremos essa mensagem com vocês. Mas aviso de antemão, que parece ser uma terra lendária. Mas pelo menos lá, as mãos do governo de Vega não alcançam. É uma esperança para todos nós, se caso falharmos. — Neotron 1.

Dia “D”

Por todos os cantos, a terra havia começado a rachar. A profecia dos Neotrons havia se cumprido. A Terra estava voltando ao seu estado vulcânico. Inúmeras cidades foram destruídas, o que de certa forma, já havia acontecido. Desta vez a população estava preparada, pois já conheciam os Neotrons e o evento catastrófico passado.

Ninguém diria que a humanidade fosse obrigada a viver em cavernas, mas era o que estava acontecendo. Graças aos Neotrons, a humanidade tinha como se alimentar e sobreviver.

Já que não havia mais nada o que fazer, restava agora prepararem-se para o contra-ataque à Vega. Humanos e Neotrons prepararam suas armas de guerra em conjunto e agora estavam prontos para encerrar a constante quebra do continuum espaço-tempo.

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Capítulo 12: Guerra Estelar “Neotregamana”

— Nossa, você já viu o tamanho das naves veganianas? — Oliver.

— Sim, mas nosso poder de fogo é maior. — Vex.

— Bom estar com vocês de novo. — Luv Aereon.

— E os outros? — Oliver.

— A nossa raça e a de Vex são as únicas que não envelhecem. Lensser e Celes estão com a idade de seu avô e já não têm mais energia para isso.

As naves dos dois veteranos e um novato atravessavam a multidão de naves apinhadas à frente deles, fazendo curvas inacreditáveis e disparando em tudo que se movia. De um lado, as naves de Vega, com seus estranhos formatos triangulares, e do outro, as naves-navio dos Neotrons e as naves humanas, com formas de Caças F-11 com dois pares de asas. Era um prato cheio para estudiosos de tecnologia de plantão...

A guerra estava praticamente equilibrada, até que os veganianos resolveram usar seu “planeta-robô” M.A.D.E.B.B...

— Ei, espera aí. Não foram vocês que construíram essa “coisa”? Então foram vocês que estragaram a Terra no passado? — Oliver.

— Esse projeto “era” nosso. Lembra do que falei sobre a arma “Wormhole”? Foi usada, e nosso projeto, roubado... Não fomos nós que destruímos a Terra aquela vez. — Neotron 2.

O planeta era enorme, e como já havia sido descrito antes, do tamanho de Júpiter. Se a armada de Vega era imensa; com essa nova arma, eles literalmente ficaram parecendo “ratos perto de um elefante”. O gigantesco planeta se aproximava. No caminho a armada ia se retirando, pois sabia que só ele era suficiente.

— E agora? — Oliver.

— Estratégia. Temos que descarregar nossas armas e achar um ponto fraco. — Vex.

— Eles modificaram meu projeto, mas a estrutura básica não. Isso quer dizer que há um dispositivo interno, que acionado, destruirá o planeta por completo. — Neotron 2.

— E quem construiria uma nave com um sistema de autodestruição embutido? — Oliver.

— Você conhece menos o espaço que seus amigos... — Neotron 1.

— O plano é o seguinte: Eu irei chamar a atenção do planeta, Oliver desviará a armada e os Neotrons desligam a coisa. — Vex.

Depois de algumas trocas de idéias, o plano estava em andamento. Vex usou seus foguetes e mísseis para atingir em cheio a entrada central do planeta. A explosão foi pequena, mas o estrago foi grande. Os Neotrons tomaram posição e seguiram em frente. Agora só faltava Oliver.

— Mas como irei chamar a atenção de uma esquadra inteira? — Oliver.

Depois de pensar um pouco, todos notaram o pequeno caça desviando-se da zona de batalha e indo para trás do planeta. Atrás da armada estava Vega. Oliver tinha intenção de ir até lá. Como lá ficava a arma conhecida como Wormhole, Oliver acertou em cheio sobre o que chamaria a atenção da armada. Quando todos notaram suas “más” intenções, desfizeram a formação original e partiram atrás dele, antes que ele alcançasse o planeta.

— Muito bem, Oliver. — Vex.

Ao se aproximar do planeta Vega, Oliver lembrou-se de uma das histórias da Interestella, mas já era tarde demais. Um pequeno buraco negro começou a puxá-lo, deixando a nave sem rumo. A única coisa que veio à sua mente um pouco antes de desmaiar foi uma pequena poesia que seu bisavô recitava...

O que vejo lá?

Céus, terra e mar,

Diante do qual,

Parei para contemplar...

Horizontes vermelhos e amarelos,

Pássaros que batem suas quatro asas,

Olhei tudo com anelo,

Quando pousarei nas praças?

Avisto florestas úmidas e sutis,

Seres que jamais vi,

Animais de seis patas, vis,

Para onde havemos de ir?

Terras inexploradas alcançamos,

Como um descobridor de um país,

Uma meta alçamos,

Um mapa eu fiz,

Não devo espalhar,

Essa descoberta é segredo,

Se o resto dos humanos achar,

Tudo estará desfeito,

Agora um nome devo escolher,

Um Jardim do Éden, ninguém nega,

Num enigma vou esconder,

O grandioso planeta Vega.

Se eu fosse pintor,

Pegaria todas as suas cores,

Onde o presente é o calor,

De seus maravilhosos perfumes e odores...

(Planeta Rebelde)

— O quê? Então era isso? Não acredito que estava na nossa frente o tempo todo e nem descobrimos... — disse Oliver espantado, ao acordar sobre uma imensa relva baixa.

O que todos tentavam esconder, finalmente fora descoberto. Era o próprio planeta Vega. Seus imensos campos verdes e suas flores coloridas chamavam a atenção de qualquer um que aparecesse por ali. Ao fundo, Oliver ouviu os estranhos pássaros que possuíam quatro asas, cantando e voando em sua direção. Olhou para trás e notou que sua nave estava totalmente destruída. No horizonte, pôde apreciar a tênue linha vermelha e amarela que não desapareciam. Havia também um ser nativo, de aparência similar a um dinossauro, pelo seu tamanho e suas seis patas. Era enorme. Mas se moviam calmamente, como se não tivessem medo de nada, ou como se nunca tivessem visto um humano. No lado das florestas úmidas, havia criações de morangos e outras frutas hidropônicas. Não havia nenhuma instalação humana. Era uma terra livre. Talvez esse fosse o motivo de tantos desacordos e desafios para se chegar ali. Era um santuário preservado pelos veganianos. A esquadra e o buraco-n

egro eram sistemas de segurança.

— Garanto que Rake e Doyle estiveram por aqui. Por isso eles tinham imunidade política e comercial, mais exclusividade, com esse planeta. Mas também não poderiam falar nada a respeito desse lugar. Temiam que o homem o descobrisse e quisessem civilizar o planeta. Isso iria destruí-lo. Mas então, por que estamos lutando? Estou confuso... Os Neotrons estavam enganados. Os veganianos estão protegendo a terra lendária, e não tentando destruí-la. — Oliver.

______________

— Puxa, eles modificaram totalmente nossos esquemas de controle. — Neotron 1.

— Acho que era por aqui. Espere, avistei algo. — Neotron 2.

Então, as naves-navio fizeram uma volta brusca, e se depararam com o centro do planeta-robô, denominado “Core”.

— Olha isso! Eles usaram a potência de nosso protótipo para criar o Wormhole. —Neotron 1.

— Isso é ruim. Teremos que destruir todo o complexo se quisermos destruir o Womhole. —Neotron 2.

— Ei, há algo se movendo. —Neotron 1.

— Somos nós! O módulo de batalha foi acionado! —Neotron 2.

— Agora sim a coisa vai ficar feia... —Neotron 1.

— Temos que sair daqui, antes da transformação completa. E também temos que avisar os outros. — Neotron 2.

— Espero que Oliver esteja bem. — Neotron 1.

— E desde quando você começou a se preocupar com humanos? — Neotron 2.

— Não sei. Minha convivência com eles, talvez. E para um humano, eu tenho a aparência de uma fêmea, então talvez isso chame a atenção deles também. O

engraçado é que estou começando a entender suas emoções. Oliver gosta da minha aparência, por exemplo. — Neotron 1.

— Hum. Interessante. Mas isso é um tema para ser estudado mais tarde. Vamos sair! — Neotron 2.

— Ei, pessoal! Meu radar está captando algo. É o planeta-robô. Saiam daí!! — Vex.

O planeta havia mostrado sua verdadeira forma. Era um gigantesco robô, nunca antes visto, nem na época da Guerra Autômata. Os Neotrons haviam saído a tempo de seus compartimentos, e Vex observava estarrecido, sem saber o que fazer...

Aquele parecia ser o dia das descobertas. Abel já havia tido muitas surpresas, mas chegara a vez de Oliver. Um humano sempre esteve presente nos infortúnios e achados deste grande Universo. Oliver não sabia mais se presenciava um sonho, ou um pesadelo. Por isso acabou lembrando-se de uma das histórias de seu avô, a primeira história em que aparece e é descrita a antiga cidade de Wayne.

Trem das Oito

A estação estava lotada. Quase não conseguia mover-se por entre a multidão. Arthur Raymond entrou correndo pela porta que acabava de se fechar. O Aerotrem não permitia atrasos. A enorme ponte aérea produzia um magnetismo que mantinha o Aerotrem na via, e estava programada para parar durante um tempo determinado em cada estação.

Entrou rapidamente pela porta e agradeceu aos céus por ter chegado à tempo. Olhou para os dois lados e viu que quase todos os assentos estavam ocupados, menos o último do fundo. Ninguém gostava desse banco, afinal,

ficava de frente para todo o resto do vagão, causando constrangimento. Mas precisava sentar, pois, demorava cerca de uma hora para alcançar seu setor de trabalho.

Ajeitou-se confortavelmente no banco, que era ajustável ao corpo, tendo um gel especial em seu interior, e largou sua pasta na mão mecânica projetada para isso. Observou os olhares dos outros passageiros, ajeitou sua gravata, e por fim olhou seu relógio. Eram oito horas e três minutos da manhã.

Olhou para a cidade através da janela. Os trilhos do Aerotrem passavam entre os maiores prédios administrativos, onde havia estações esperando pela chegada dos empresários. Novamente observou seu relógio, e este marcava nove horas e três minutos.

— Nove horas? Mas se eu acabei de me sentar...

Correu pelos vagões, num ato de desespero. Não entendia como uma hora tinha passado tão rápido. Lembrou-se de sua mala e voltou. Perguntou a um passageiro que horas eram, afinal, seu relógio poderia estar com defeito. Ainda eram nove horas e três minutos. Correu até o robô que controlava o Aerotrem e perguntou onde estavam.

— Em sua estação senhor. Estamos aguardando os empresários descerem e o senhor também.

— Mas isto é impossível! Apenas me distraí por um minuto!

Dirigiu-se então para a porta de saída, relutante. Esperou o mecanismo da porta ser acionado, escondendo suas extremidades acima e abaixo. Uma notável escuridão o envolveu. Olhou para trás e uma visão aterradora surgiu. O Aerotrem começava a desaparecer. Os trilhos já não existiam mais. O cenário havia sumido. Vagão por vagão desapareciam lentamente. Não restava nada.

Sentiu uma leve irritação em seus olhos e parou para coçá-los. Abriu-os e viu novamente os outros passageiros a lhe encarar. Olhou para seu relógio e viu que eram exatamente oito horas e treze minutos. Sentiu-se aliviado. Era apenas um sonho.

Revisou sua pasta e conferiu se seu recibo premiado estava ali. Nunca foi de jogar, mas sua curiosidade se transformara em sorte e acabara de ser recompensado. Olhou novamente pela janela e contemplou a cidade. Percebeu o aviso que sua estação estava próxima. Dirigiu-se à porta e revisou seu relógio e o de um passageiro. Eram dez horas e três minutos.

— Ah não! Outra vez!

Passou pela porta e a escuridão voltou. Abriu os olhos.

— Um sonho dentro de outro sonho? Como vou saber se agora é real e não estou sonhando novamente?

Olhou para o lado e avistou um amigo seu que não via há muito tempo.

— Carl meu amigo! Há quanto tempo!

— Olá Raymond. Soube que tirou a sorte grande esses dias. Rapaz sortudo!

— Pois é. Está aqui em minha pasta. Nunca fui muito disso, mas pelo jeito tenho bastante sorte.

— Sabe que andei com uns problemas financeiros e acabei me endividando. Precisaria de dez mil futuros para pagar toda a faculdade. Por acaso o amigo me emprestaria?

Sabia que aquele tom de voz era conhecido. A palavra mencionada “emprestado” significava “sem retorno”. Olhou para a mão estendida do amigo e fechou os olhos.

— É outro sonho. Só pode ser!!

Ao abrir os olhos, notou a mão do amigo estendida. Seu relógio marcava oito horas e treze minutos.

— É real. A vida é um pesadelo...

______________

Voltando a si, Oliver parou de meditar e passou a explorar o santuário. Além das florestas e das relvas, parecia não haver mais nada, mas uma formação de árvores chamou sua atenção. Eram cerca de vinte árvores dispostas de modo a formar um corredor. Esse corredor levava até uma montanha, onde havia

uma estátua com asas, de três metros de altura. Fatos estranhos, afinal, humanos não poderiam interferir na terra lendária. Oliver seguiu o caminho e deu uma volta em torno da árvore.

— O que deseja, Oliver?

— Ah? Quem falou?

— Aqui em cima...

Oliver olhou para os olhos da estátua, e esses brilharam. Seguindo todo o contorno das asas, uma áurea dourada surgiu. A estatua criou vida.

— É... Um...

— Sim, Oliver. Sou o anjo protetor desta Terra. Esperava que você viesse logo.

— ...

— Você deve saber. Os humanos perderam esta terra por serem ambiciosos. Queriam ser igual à Deus e regrar sua própria vida. Acabaram por perder o paraíso terrestre. Ele foi trancafiado e transportado para outra dimensão. Aqui. Por isso a resistência é forte. Esta terra não pertence mais a vocês. Os veganianos aprenderam isso, e agora vivem somente no espaço ao redor, protegendo esta terra. Mas o dia está chegando.

— Que dia? — Oliver.

— Você sabe. O Dia da Limpeza.

— O Juízo Final?? — Oliver.

— Armagedon, Apocalipse, Dia da Vingança. São muitos nomes, mas você sabe do que se trata.

— E quando virá? — Oliver.

— Somente Deus sabe, mas está próximo. Vocês abusaram demais de seu livre-arbítrio, e com exceção de alguns, irritaram ELE. Você já percebeu quantas guerras e coisas não-naturais vocês criaram para satisfazer suas ambições?

— Você quer dizer “colonizações espaciais” e os “robôs”? — Oliver.

— Você mesmo o disse.

— Mas, por que eu? — Oliver.

— Se você fizer as escolhas certas, saberá logo o porquê. ELE sabe o futuro de cada um, mas não interfere. Está dando um curto período de tempo para que suas criações mostrem sua lealdade. Preciso ir agora. Por favor, saia. Esta terra não é mais de vocês... Por enquanto.

Oliver acordou perto de sua nave abatida. Nunca soube se realmente o que vira fora um sonho, ou era real. Mas, sua nave estava parcialmente consertada...

Era hora de deixar para trás o “paraíso”. Sua nave ainda voava, mas não atirava. Entrou dentro dela e colocou o capacete. Ainda estava com aquela sensação estranha de ter encontrando um...

— Anjo? Devo ter batido forte a cabeça... — Oliver.

A nave decolou e saiu da órbita de Vega. Ao contrário o buraco negro não funcionava. Passou tranqüilo. Ao chegar novamente no campo de batalha, observou seus amigos espantados com a forma robô do planeta veganiano. Realmente as coisas tinham mudado ali em cima, enquanto ele estivera apreciando o planeta.

— Vex! O povo de Vega só está tentando proteger o planeta! Esse planeta é um santuário! — Oliver.

— O quê? Tem certeza? — Vex.

— Sim, pode até ser, mas ainda estão controlando nosso protótipo e ainda têm a arma Wormhole. — Neotron 2.

— Escolhas. Onde será que já ouvi isso? Neotrons, não destruam a arma Wormhole. Ela é a única capaz de restaurar a Terra. Destruam o protótipo de guerra! — Oliver.

— Está brincando? Enfrente-o sozinho então... — Neotron 2.

— Se é para restaurar a paz do universo, eu farei! — Oliver.

— Não, Oliver. Ele é extremamente perigoso! Você pode até morrer! — Neotron 1.

— Então por que o construíram? — Oliver.

— ... — Neotron 1.

— Raça ambiciosa! Ei, o que estou dizendo? — Oliver.

Oliver não sabia o que fazer, mas uma coisa era certa. Muitos iriam morrer se aquela “coisa” continuasse ativa. Então, teve uma idéia.

— Vex, você é o robô que influencia a mente de outros robôs, certo?

— Somente se houver uma brecha. — Vex.

— Muito bem. Pergunte o objetivo de ele estar aqui. — Oliver.

— Vou tentar. — Vex.

— Meu nome é Vex. Sou um robô da linhagem avançada, a mesma que você. Já que estamos lutando, gostaria de saber seus reais motivos.

— Fui criado para impedir o avanço de uma tecnologia destrutiva.

— Que tecnologia destrutiva?

— Alpha 01. Robô auto-suficiente criado por humanos.

— Oliver, tenho uma péssima notícia. — Vex.

— Qual? — Oliver.

— Os humanos criaram o Alpha 01.

— Alpha? Não me diga que... — Oliver.

— Sim. Alpha, Beta e Gama foram criados pelos humanos. — Vex.

— !!! — Oliver.

A arma conhecida como “Wormhole”, o que ela faz?

— Arma “Wormhole”, literalmente significa “Buraco de Minhoca”. É uma arma agrícola. Somente tem a denominação de “arma”, por causa de seu tamanho.

— Como irei dizer isso... Oliver, a “arma” Wormhole, é na verdade uma criadora de cavernas. — Vex.

— E o papo de “máquina do tempo” dos Neotrons? — Oliver.

— Falso.

— Então, o que abriu as cavernas na Terra, foi essa arma? — Oliver.

— Possivelmente. — Vex.

— Por isso que eles previram a destruição parcial da Terra. É obvio. Eles mesmos a criaram... — Oliver.

— Muito bem. Comecem as explicações... — Vex.

— Os humanos são muito volúveis. Acreditam em qualquer um e em qualquer coisa. Dê uma guerra a eles, e eles se sentirão vivos. Foi o que fizemos. Não alteramos em nada sua natureza. — Neotron 2.

— Nós não tínhamos a intenção de destruir suas terras. — Neotron 1.

— Não poupe palavras, tínhamos sim. — Neotron 2.

— Essa idéia não foi minha! Foi sua! Eu fui obrigada a acompanhar. — Neotron 1.

— Ora essa, você não está contente com a eliminação do vírus? — Neotron 2.

— Só acho que seus métodos são um pouco rudes. — Neotron 1.

— E nós confiamos em vocês todo esse tempo! — Oliver.

— Então, por que pediram para os humanos construírem um “desintegrador de átomos”? Não era para nossa proteção? — Vex.

— Queríamos ver até que ponto sua tecnologia chegava, para termos uma idéia e avançar ainda mais a nossa. — Neotron 2.

— Então, vocês mandaram esse planeta para ameaçar a Terra e ver se conseguíamos construir uma arma às pressas? Vocês sabem quantos morreram naquela época? — Vex.

— Esqueceu-se de algo. Vocês construíram o ser que iniciou a Saga das Experiências, lembram-se? Ali notamos que vocês tinham potencial para ser uma ameaça. — Neotron 2.

— Mas não havíamos criado ainda inteligência artificial desse nível. Como pode ter certeza? — Oliver.

— Hum. Que tal uns pequenos “ajustes”? — Neotron 2.

— Seu ser insano. Olhe só no que nos meteu! Tudo isso teve início por sua culpa! A Terra já foi destruída parcialmente duas vezes. — Oliver.

— Veja pelo lado bom. Se não fosse assim, seus amigos Vex e Luv, nunca existiriam, e a Terra não seria o centro da colonização espacial. — Neotron 2.

— Estou confuso. — Oliver.

— Nossa raça existe para acelerar o progresso dos outros, mas no caminho, alguns sacrifícios têm que ser feitos. Se você parasse para pensar, nem você estaria aqui hoje, se já não tivesse ocorrido tudo isso. Sei que é difícil, mas tente aceitar. É a nossa missão. — Neotron 1.

— E Vega está no caminho de seus planos? — Oliver.

— Na verdade, Vega é o plano. É um refúgio para os escolhidos, e precisamos dele para os sobreviventes. — Neotron 1.

— Sobreviventes? — Luv.

— Sim. A época de sua geração está terminando. Está na hora de nascer uma nova. Dentro de uma hora, nosso planeta-robô explodirá e criará uma supernova que exterminará todo o sistema estelar, restando apenas o planeta Vega. Lá será criada uma nova raça híbrida, com todos os poderes inerentes a vocês. Será um ser humano bio-cibernético, com o dom de ler emoções dos “Aereanos”, o dom de influenciar a mente de outros robôs dos “Animechs”, o poder da criação da “Grande Mente” e, por fim, nossa tecnologia. Serão denominados “humaeremechs”. Não consegue ver? O ser perfeito!! — Neotron 2.

— ...”quantas guerras e coisas não-naturais vocês criaram para satisfazer suas ambições?”... Ele tinha razão. A todos nós está faltando uma virtude: sabedoria. — Oliver.

— Essa terra é sagrada e vocês não encostarão nela! É um presente que os humanos perderam por suas escolhas. As mesmas que vocês estão fazendo agora. A ambição está cegando vocês. Nós não podemos nos governar sozinhos e nem vocês têm o direito de tomar a nossa “tutela”. Os humanos foram as primeiras criações, então vocês também vêm de lá. Talvez vocês não foram criados diretamente pelo ser humano, mas tenham a certeza, de que vieram de um linhagem imperfeita! Chega de criações e raças híbridas! Nunca conseguirão criar um ser perfeito! Desistam! — Oliver.

Nesse instante, Oliver observou no vazio do espaço, uma pequena pena de tonalidades azuis, movimentar-se com leveza.

Por um momento, ouviu em sua mente, um gracioso trinar de pássaros e suas melodias intermináveis. As estrelas ao redor brilhavam muito, movimentando-se em sincronia perfeita. Bilhões de galáxias, com seus bilhões de estrelas, e nenhuma chegavam a se tocar. A Terra era um grão de areia na praia. O que mais o espaço guardaria como segredo? O que havia em seus numerosos “cantos” e universos? Com certeza, o homem não possuía a capacidade de entender isso. Era uma criação limitada pelo seu próprio criador, para seu próprio bem. O único que era digno de louvor era o Criador...

E eu vi todo o trabalho do [verdadeiro] Deus, que a humanidade não é capaz de descobrir o trabalho que se fez debaixo do sol; por mais que a humanidade trabalhe arduamente para procurar, ainda assim não [o] descobre. E mesmo que dissessem que são bastante sábios para saber, não seriam capazes de [o] descobrir.”

(Eclesiastes 08:17)

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Capítulo 13: O Início e o Fim

Oliver não sabia como, mas acordara muito bem disposto de sua cama. Descera as escadas, cumprimentara seu avô e decidira tomar um café na varanda da casa.

— Ainda tem problemas com roedores, vô? — Oliver.

— Nem me lembre disso... — Abel.

— É. Parece que foi ontem.

— Já terminou de escrever seu livro? — Abel.

— Não, não sei como encerrá-lo. — Oliver.

— Entendo. Já aconteceu tanta coisa não é?

— Sim. E nunca saberemos o quê e quando ocorrerá de novo.

— Seu filho será privilegiado. Terá um arquivo completo de nosso sistema estelar desde sua fundação. Mas agora ajude-me a resolver esse problema. Estamos quase terminando a replantagem de todos nossos campos.

“Naquela mesma noite, comecei a escrever as memórias de meu avô, e por último, as minhas.”

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Somente as Estrelas sabem

Página 1, Capítulo 1

“Esse livro futuramente será uma Enciclopédia Galáctica, com memórias de todas as gerações que passaram por aqui. Meu nome é Oliver Prime e inicio essa missão, com relatos de meu avô. Quem arquivar esse livro, por favor, tenha muito cuidado. Toda uma geração se encontra descrita aqui. Enquanto não se tornar uma enciclopédia, denominarei esse livro com o nome que mais achei apropriado:— Somente as Estrelas sabem—. Este título, descreve muito bem o que estou sentindo agora, ao iniciar essa jornada...”

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— Percebe a importância deste livro, filho? — Oliver.

— Sim, e acho que agora entendo porque o senhor está me contando essas histórias. Eu serei o próximo a cuidar dele, não é?

— Exato. Portanto, Azel, guarde-o num local seguro. Quando tivermos colonizado todo o espaço, esse livro mostrará nossas origens e entenderemos nossas limitações. — Oliver.

— Antes de eu ir me deitar, gostaria de fazer uma última pergunta. — Azel.

— Faça. — Oliver.

— O senhor não me contou como terminou a guerra dos Neotrons. — Azel.

— O livro agora é seu. Abra na página que lhe contei o último relato e leia-o. A partir dali, você terá a responsabilidade de prosseguir em completá-lo. — Oliver.

Azel pegou o livro em suas mãos e segurou forte pelas suas abas de metal. No centro havia um desenho de uma criatura imaginária, mas com a certeza de que era algo que seu pai já havia visto. Sua coloração era amarela. O desenho era azul, e suas folhas, pela ação do tempo, um pouco amareladas. Azel abriu no último relato.


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“Era o mesmo sonho que tivera antes. Mas desta vez, quando de relance acordei, toda a armada dos Neotrons haviam sido destruídas. Quando iria me sentir aliviado, notei que a armada de Vega e a nossa, também haviam sido dizimadas. O planeta-robô estava em chamas. Vega estava intacto, expandindo suas cores e várias tonalidades de vermelho...

“Alguém” havia dado um jeito. Mas era melhor assim. Quanto mais se conquista, mais se quer e acabamos por perder o que mais temos de precioso.

Não sei o que houve, mas pelo óbvio, os Neotrons foram trancafiados de volta em sua dimensão, Vex foi desligado, Luv voltou para seu planeta e eu acordei em nossa fazenda.

Aquela pena que vi, encontrei em minha cama ao meu lado. Não queria acreditar, mas, por falta de opção, decidi não pensar mais nisso. Há coisas que a humanidade não é capaz de descobrir...

Ainda suspeito que aquela Neotron-fêmea preferiu viver entre nós. Já recebi várias cartas assinadas por uma pessoa chamada “Orquídea”. Engraçado uma pessoa ter nome de flor, mas acho que foi o mais conveniente que ela achou.

Após esses acontecimentos, a Terra tem vivido dias de paz. Finalmente encontrei Orquídea e ficamos íntimos. Nossa rede de produtos hidropônicos prosperou a cada dia. Acho que nosso filho nascerá dentro de dois anos.

O que direi para terminar minha parte destas memórias?

Acho que um par de “reticências” cai bem. Afinal, o futuro recém começou... De novo... — Oliver Prime.

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— Minha mãe? Ela... — Azel.

Azel desceu correndo as escadas e encontrou seu bisavô e seu pai conversando na sala.

— Eu disse que iriam ser dez minutos! — Abel.

— Droga! Perdi a aposta! — Oliver.

— O garoto tem uma grande responsabilidade pela frente. Cuide bem dele, e se sobrar tempo, do universo também... — Abel.

— Sempre espirituoso, não é, vô? — Oliver.

— ...

— Vô? — Oliver.

Naquela noite, Abel, já saciado de seus dias de vida, morreu. Sua missão havia terminado. A geração iria continuar. No outro dia, Oliver, Orquídea e Azel, adormeceram nas colinas, observando o maravilhoso pôr-do-sol, que anunciava uma nova aurora do amanhã...

Epílogo

A era da colonização espacial havia acabado. Não havia “cantos” onde os humanos e híbridos não conhecessem. Devido à alta proliferação de raças híbridas, os humanos originais, os primeiros terrestres, estavam em extinção. As guerras haviam cedido lugar à diplomacia, portanto, agora, toda a galáxia respondia por seus atos a um governo. Mas, de certa forma, isto freou a colonização estelar.

Azel era um dos últimos humanos normais. Mesmo sua mãe sendo uma Neotron, sua constituição não mudou, apenas ficou com a inteligência mais aguçada e mantinha a curiosidade natural inerente à sua família.

Sua família era bem conhecida por ter iniciado a Enciclopédia Galáctica, a qual não estava mais limitada a apenas uma família, e sim, a todo o universo. Nela continha todas os relatos de famílias importantes para a colonização espacial e também continha todos os arquivos e informações inerentes a projetos e outros itens alienígenas ou de dimensões exteriores.

Por causa disso, era um item muito cobiçado por militares e afins. Lá continha a descrição completa de projetos, tais como Alpha 01, Sephirot, M.A.D.E.B.B e Naves Neotrons, que fizeram um grande estrago no passado. Era mantida sob vigilância constante. Azel nunca imaginou que seu “diário”, se tornasse um item tão importante para todo o universo.

A Enciclopédia Galáctica se encontrava no Sistema de Andrômeda, num planeta denominado “Valkíria”. Era um planeta deserto, só havia a torre central de cem andares, com cada andar sendo vigiado por vários guardiões e humanos. Ali era o centro de todo o conhecimento. Cópias do livro foram distribuídas para os planetas, mas claro, só o original continha os projetos secretos de armas e itens bélicos. Era uma versão editada da enciclopédia para fins didáticos e para conhecimentos gerais. Sem ela, nos dias de hoje, ninguém sobreviveria.

Foi exatamente o que uma mente engenhosa pensou. Todos os livros editados estavam interligados com o original, de onde provinham informações conforme fossem acrescentadas. O que acarretava num certo problema, mas também, ninguém se atreveria a dizer que o livro original pudesse ser roubado da torre central de Valkíria. Se o livro original sumisse, todos os outros interligados a ele, também deixariam de existir.

Seu nome era desconhecido, mas apenas sabia-se que era uma mulher. Ela havia planejado um “golpe de estado” e estava conseguindo isso. Desejava deixar todos na “escuridão”. Um certo dia, em Valkíria, alguns humanos e guardiões notaram o desaparecimento de alguns colegas. O “golpe” havia acabado de ser executado, e o livro original, roubado.

Furtado? Mas como? Era impossível para uma pessoa comum...

A “Era do Caos” estava apenas começando...

Victor Oliveira de Faria - Não gostava muito de literatura antes de entrar no Ensino Médio. Lá, como fui obrigado a ler alguns livros, comecei a pegar o gosto ela escrita. Já escrevia redações enormes, mas ainda não havia despertado em mim o escritor interno. Após começar a frequentar um fórum de desenhos antigos, e começar a escrever os famosos "fanfics", retomei meu gosto pela escrita. Após ler um livro de meu autor preferido, voltei a ter o gosto pela leitura também.

Sempre gostei do gênero de ficção, aventura e fantasia. E ainda, quando sobra tempo, escrevo poesias também. Minha esposa me incentiva muito. Devo muitas coisas à ela.

Como onde eu morava havia um concurso literário, iniciei um projeto (que ainda está em andamento) de uma epopéia espacial. Essa história faz parte dela, e é apenas o começo...

Dedico essa obra à minha esposa Lilian de Faria...




 

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