Nossa casa é o lugar onde estamos felizes
14/02/2008
Já me acostumei a acordar de tempos em tempos em um universo
diferente. No início fiquei perdido e assustado, mas depois de um certo tempo
comecei a aproveitar as potencialidades dos diversos lugares que visito e
sempre acabo vivendo bem. Não sei como consigo fazer isto, nem como esta história
começou, mas o mais importante é que eu consigo guardar as impressões e lembranças
de cada um dos locais que estive.
Das coisas que aprendi e pude utilizar, posso destacar a
imortalidade, é sou imortal, consegui isto num universo que graças a uma operação
você acaba com o envelhecimento físico. Em outro universo aprendi conhecimentos
de transmutação química, noutro estudei diversas coisas básicas e em muitos
outros acumulei uma série de conhecimentos úteis, que tem sempre me auxiliado.
O único desconforto é que quando realizo uma transição (assim
que eu chamo as minhas mudanças), são os primeiros momentos de confusão e
adaptação em um novo universo, mas depois de um tempinho a coisa fica mais
calma. Normalmente o tempo que eu passo nestas realidades distintas é muito
variável, em um local fiquei apenas 1 dia e em outro cinco anos (dos antigos
anos do meu planeta Terra original), atualmente eu estou há 1 ano e 15 dias num
universo em que a humanidade não descobriu a energia elétrica. É meio monótono
aqui, sinto falta de ver uma televisão ou ouvir um rádio, porém não podemos ser
felizes em tudo. Eu estou tentando introduzir a eletricidade por aqui e já
consegui alguns progressos.
Esta história de ficar pulando de realidade já está com mais de
130 anos, desde que fiz a primeira transição, e depois disso continuo a viajar
entre “mundos”. Uma coisa que sempre me frustrou nesta história toda : nunca
encontrei com um outro “eu”, similar a mim, em todos estes universos paralelos.
E assim o tempo foi passando e cá estou eu novamente, esperando
uma nova transição, mas até agora nenhum sinal. Estava passando minhas férias
na casa do Barão Ligne, um nobre, dono de uma enorme ferrovia, que atravessava
o continente da África. Ele morava numa Paris alternativa, onde Napoleão havia
conquistado a Europa, mas tinha tempos depois a perdido para uma coligação
Russa―Alemã, que partiu o continente em dois grandes impérios .
Estava no salão de chá conversando com
ele. O Barão era um homem de seus 40 anos, magro, cabelo longo anelado, olhos
azuis e um pequeno nariz aquilino. Trajava um elegante terno preto e bebericava comigo um chá de hortelã.
― Mas me diga meu caro Alberto ―
pergunto o barão a mim ― a tal eletricidade poderá fazer por mim ?
― Meu nobre barão, o senhor ficará mais rico e impulsionará
nosso mundo a uma nova realidade.
― Entendo ― o nobre franziu a testa ― eu estou
me acostumando sua idéia ― pausou ― mas uma coisa me incomoda e
ainda não discutimos este assunto : quanto você quer por ela ?
― Meu senhor, não estranhe o que eu vou lhe dizer agora ―
iniciei ― mas gostaria apenas de sua hospitalidade enquanto eu estiver
por aqui .
― Viajará? ― perguntou
― Sim a qualquer momento, por isso, quero deixar a
eletricidade em suas mãos funcionando.
― Seu protótipo já está em uma de minhas indústrias e de
acordo com meus engenheiros já está operando. A coisa em si parece ser
interessante, a tal lâmpada que o senhor falou está funcionando totalmente.
Vamos lançar a idéia na feira mundial mês que vem.
― Ótimo ― respondi ― o senhor não sabe o bem
que fará.
― Mas o senhor irá comigo a feira ?
― Não sei senhor barão, se não precisar viajar antes
disso, pode ser que eu vá sim.
O barão olhou-me espantado
― Não entendo o senhor, me dá uma invenção revolucionária
e não quer aparecer ?
― Me entenda, é uma questão de necessidade e motivos
pessoais ― respondi ― e outra coisa, se eu viajar e não puder me
despedir do senhor, prometa que não ficará aborrecido comigo.
― Meu caro, o senhor está me dando um bem maravilhoso e
quer que eu me zangue com você? ― riu ― Você é estranho meu caro...
― Não me leve a mal por favor, mas existem coisas além de
meu controle
― Está bem ― levantou-se ― com sua licença
irei descansar agora, fique a vontade se precisar de algo chame Gaston, meu
criado.
― Boa noite sr. Barão. ― disse
― Boa Noite Alberto ― o nobre saiu da sala.
Deixou-me sozinho sorvendo os últimos goles de chá. Estava ali
sentado e me coloquei a pensar nas coisas que já tinha passado e não sabia o
que seria do futuro. Fiquei assim acho que por meia hora, quando Gaston, entrou
na sala.
― Sr. Alberto, tem uma pessoa querendo lhe ver, acho que é
um estrangeiro.
Fiquei surpreso, uma pessoa? Tinha poucos contatos neste mundo e
pouca gente sabia de minha presença aqui.
― Quem é Gaston?
― Um senhor, e está muito bem vestido.
― Mande-o entrar.
― Sim senhor. Saiu da sala
Poucos minutos depois um homem alto de tez muito clara, cabelos
escuros, magro e de profundos olhos negros entrou na sala. Sua aparência geral
impressionava e estranhamente me senti um pouco incomodado com sua presença.
― Sr. Alberto?― perguntou, sua voz era estranhamente
grossa.
― Sim sou eu ― respondi ― em que posso lhe
ajudar?
― Finalmente consegui localizar a sua pessoa ―
apontou para a cadeira ― posso sentar ?
― Por favor ― ofereci a cadeira ― mas não
conheço o senhor...
Ele sentou-se
― Realmente não, na realidade o senhor nunca me viu antes,
mas eu estou aqui com uma proposta de seu interesse...
Olhei espantado :
― Sou todo ouvidos ― falei
― Bom meu nome é Bardon, represento uma organização que
está tentando localizar o senhor há muito tempo.
― Sim Sr. Bardon, mas que organização é esta ?
― Bem sr. Alberto, nós somos os responsáveis pelas suas...
― olhou a volta ― posso falar com a certeza de que ninguém está nos
ouvindo ?
― Sim a vontade ― começava a ficar cada vez mais
intrigado.
― Pois bem, somos responsáveis por seus deslocamentos,
suas viagens...
― Como é que é ?
― Pois é, nós sem querer o envolvemos em uma de nossas
experiências, e o senhor foi tragado de sua realidade para estas constantes
viagens entre universos...
Fiquei atônito e sem ação naquele momento.
― Vejo que o senhor está perdendo a cor ― falou
Bardon ― por favor não fique assim, eu posso imaginar a série de
problemas que o senhor enfrentou...e nós estamos querendo consertar.
― Como assim consertar ?
― Podemos levar o senhor para "seu universo" de
volta e acabar de vez com este problema.
― Senhor Bardon ― iniciei ― está me dizendo
que estou viajando entre universos devido a um problema operacional da sua, hãn,
"empresa ?"
― Entenda, minha organização cuida destes problemas de
universos paralelos há algum tempo, melhor bastante tempo e nunca tivemos algo
semelhante ― olhou cabisbaixo ― estou meio constrangido, com tudo
isso, mas infelizmente aconteceu e queríamos recompensá―lo de alguma
maneira.
― Sr Bardon, posso até ter ficado aborrecido e confuso no
início de tudo isso, mas ganhei muitas coisas boas...
― Compreendo não queremos tirá-las do senhor em nenhuma
hipótese, contudo temos um probleminha que eu ainda não citei...
― Diga-me.
― O senhor provocou uma série de mudanças em diversas
"realidades", ― falou ― entendo suas boas intenções, mas
isto não podia continuar, por isso tivemos que consertar certas coisas. ―
continuou ― neste momento o senhor está tentando trazer a eletricidade
para este mundo e já começamos a trabalhar para que o gerador que o senhor
passou para o Barão não funcione .
― Mas por que? perguntei
― Existem equilíbrios que só devem ser alcançados devido a
fatores "naturais", e o senhor estava quebrando a harmonia de muitos
universos ― parou ― não estamos aborrecidos, muito pelo contrário,
a culpa é nossa por termos deixado tudo isto acontecer, mas tomamos as providências
necessárias.
― Entendo, mas e agora o que o senhor pretende fazer
comigo ?
― Levá-lo de volta para casa, colocá-lo de volta em
"seu mundo".
― Mas gostaria de lhe perguntar algo : eu já sou uma
anomalia em meu mundo, pois consegui diversas coisas que não existem em minha
realidade...
― Nós sabemos disso, mas fizemos uma análise profunda e
vimos que o impacto da sua volta, não causará nenhum tipo de distúrbio.
― Sr. Bardon, como poderei então viver em meu mundo depois
de tudo isto que passei, já se passou muito tempo desde que saí de lá, não
tenho mais ninguém de minha roda de amigos ou família, vivos.
― Nós sabemos disso, e infelizmente não podemos mexer no
fluxo de tempo, até temos o conhecimento disto, mas esta mudança, poderia neste
caso acarretar distúrbios inimagináveis.
― Bom pelo que eu vejo não tenho muitas opções...
― Infelizmente não...
― Bem vamos voltar então, já estou me acostumando a esta
idéia de ser um "deslocado" mesmo ― disse ― quando
"viajamos" ?
― Se o senhor quiser, agora.
― Tão rápido assim ― pensei ― é por que não,
podemos ir.
― Por favor se afaste um pouco.
Bardon se levantou e sacou do bolso de seu paletó uma pequena
caixa metálica escura, mais ou menos do tamanho de uma cigarreira. Fez alguma
coisa com ela e um arco de luz azulada foi projetado numa das paredes da
biblioteca. Em instantes uma passagem para uma campina verdejante estava visível
na noite e podíamos ver as luzes de prédios a distância.
― Podemos ir? me convidou.
Fiquei espantado, já que se viajar entre universos parecia tão
simples, a tecnologia deste povo era inimaginável. Bardon se dirigiu a passagem e depois eu o segui. Pensei em
sentir algo de diferente ao atravessar o "portal", mas foi
simplesmente com se tivesse saído para fora da casa do Barão. O ar era fresco e
agradável, a noite estava estrelada e ouvia―se ruídos ao longe da cidade.
― Parece que poucas coisas mudaram ― comentei ―
a coisa está bem calma por aqui.
― Sim, o senhor gostará daqui ― comentou meu
interlocutor ― venha, vamos dar uma pequena caminhada até a casa de um
membro de nossa organização. Ele irá ajudá―lo em sua adaptação e poderá
orientá―lo com as...
Me senti mal, como se de repente uma sensação de vertigem me
tirasse o equilíbrio. A minha visão começou a turvar e Bardon me olhou
espantado. Senti que ia desmaiar e tentei―me apoiar em algo. Tudo ficou
escuro e por instantes não senti nem ouvi mais nada. Estava como num vácuo
escuro sem sensação aparente como num limbo. Se a morte era isto comecei a me
desesperar, não havia nada, ninguém, apenas meus pensamentos confusos e
desconexos.
Não sei quanto tempo fiquei assim, mas de repente comecei a
ouvir uma voz me chamando ao longe.
― Sr. Alberto, acorde ― pausa ― Senhor Alberto acorde...
Procurei a origem da voz e sentia que estava a minha direita,
lentamente comecei a ter sensações novamente. Parecia que tinha um corpo, braços,
pernas e uma boca seca. Tentei falar, mas apenas um estranho ruído surgiu.
― Sr. Alberto ― novamente a voz, reconheci sendo a
de um homem ― não tente falar, pois os senhor está saindo agora de seu
tratamento.
Tratamento, que tratamento ? pensei
― O Sr, não deve recordar do acidente que quase o matou,
aos poucos a sua memória irá volta, mas podemos garantir ao senhor que tudo
correu conforme o esperado. Bem vamos fazer com que o senhor durma novamente,
para acelerar a convalescença. Descanse agora.
― Acidente ? Que história era esta ? Onde estava Bardon ?
Comecei a sentir um formigamento pelo corpo e uma estranha sensação
de sono começou a me invadir. Os pensamentos começaram a ficar mais difíceis e
em instantes adormeci.
***
Duas semanas depois estava sentado na cama do hospital tomando
meu café da manhã e ainda não acreditando no que acontecera.
― Pois bem Sr Alberto, depois do acidente de carro, o
senhor foi trazido as pressas para cá e induzido na simulação para evitar que
seu cérebro sentisse os efeitos do tratamento e das operações que o senhor foi
submetido. Nós o colocamos numa simulação e o deixamos por 5 semanas, afim de
que nenhum dano fosse feito ao senhor.
― Quer dizer que tudo que eu vivi foi uma simulação ? Nada
existiu ?
― Sim Sr. Alberto, foi uma maneira de preservarmos seu cérebro
contra possíveis traumas.
― Mas então por que a viagem entre universos ?
― Analisamos seu perfil
e descobrimos que o senhor gostava disso desde sua infância e adaptamos
o sistema para tal.
― Mas uma coisa que me perturba ― disse ― a
coisas era muito verdadeira...
― Eu sei o objetivo é este ― falou ― tentar
isolar o senhor ao máximo do ambiente a sua volta. Isto ajuda na fase de
consolidação da sua cura.
― Doutor e quando terei alta ?
― De acordo com a sua ficha dentro de uma semana o senhor
já estará apto para voltar para casa, mas não poderá abusar em suas atividades
por algum tempo.
― Obrigado doutor.
― Bem o deixarei agora, descanse, sua recuperação está a
cem por cento e não vamos atrapalhar.
O médico saiu da sala me deixando sozinho e meio perdido em meus
pensamentos. Nos últimos dias observei que meu corpo tinha pequenas cicatrizes
e doía em algumas partes, mas fora isso estava muito bem.
Lembrava ainda da "minha vida" nos multiversos e vi
que de certa forma sentia saudades de algumas coisas, mas aos poucos fui
voltando a minha realidade tradicional. O médico me falou que aos poucos eu
iria me adaptando novamente e que teria uma espécie de amnésia que iria
desaparecendo com o tempo e dando lugar as minhas lembranças.
Ainda pensando a respeito de tudo, não notei a enfermeira entrar
na sala. Aliás esta enfermeira era bem diferente da que estava me tratando, era
muito bonita com cabelos louros escuros, corpo muito belo, olhos claros e uma
boca cativante. Ela me olhou com um ar sério e começou a falar.
― Sr. Alberto, estou aqui para salvá-lo.
― Como é que é? perguntei espantado ― salvar de que?
Ela lentamente tirou a roupa de enfermeira, revelando um
conjunto de duas peças negro, que mostrava quanto realmente ela era bonita.
Estava com série de aparelhos pequenos presos ao corpo e usava dois cintos
iguais, cheio de botões na fivela. Parecia carregar uma arma num coldre
amarrado em sua bela coxa.
― Sou Samira, do Exército de Libertação Dimensional ―
disse apresada tirando um dos cintos ― vim aqui levá-lo para um lugar
seguro.
― Peraí que história é essa? perguntei espantado
― O senhor ― aproximou-se de mim e me deu o cinto ―
vista o cinto ― disse ― é um de nossos heróis, pois conseguiu mudar
o rumo de vários universos, antes que a guarda dimensional o fizesse.
― Quer dizer que tudo é verdade ― pegara o cinto ―
pera aí e Bardon ?
― Como o senhor não sabia dos fatos, ele foi enviado para
confundí-lo e traze-lo para um universo que não era o seu para matá-lo.
― Matar-me ?―
isto não faz sentido ― eu sofri um acidente de carro e estou aqui.
― A idéia é fazer com que o senhor se sinta seguro e
depois de um tempo vão eliminá-lo.
Comecei a duvidar daquilo tudo. O que estava acontecendo?
― Vista―se ela falou ― seu rosto denotava
pressa ― vamos sair daqui...
De repente a porta abriu e surgiu nada mais nada menos que
Bardon!
― Pare, você não pode levá-lo ― gritou ― ele é
muito importante!
― Bardon ― berrei ― o que está acontecendo?
perguntei
― Calma Alberto ― ele falou ― esta mulher é
louca e...
Sem perceber a mulher sacou uma arma e apontou para Bardon,
fazendo que ele caísse ao chão, gritando de maneira horrenda. A mulher
rapidamente colocou o cinto em mim enquanto eu estava deitado e apertou um botão
no mesmo. A sala, ela e tudo a minha volta desapareceram dando lugar a um
recinto abafado cheio de aparelhos e diversas portas. Haviam dois homens de
meia idade, notei que Samira surgira em seguida ao meu lado. Estava sentado no
chão com a roupa do hospital ainda. Um dos homens correu em minha direção e me
ajudou juntamente com Samira a me levantar.
― Senhor Alberto é uma honra conhecê-lo ― disse ―
sou Aristides, líder do Exército de Libertação Dimensional, conseguimos libertá-lo
dos tiranos.
― Por favor ― iniciei ― o que está
acontecendo, isto faz parte da simulação?
― Nunca existiu simulação ― disse ― queriam
apagar do senhor as suas lembranças, mas não conseguriam. Custamos a encontrá-lo,
mas Samira conseguiu que o localizassemos.
― Onde estou?
― O senhor está num intervalo entre dimensões ―
disse ― um limbo onde temos nossa base, aqui recrutamos diversas pessoas
em diferentes universos, para lutar contra a guarda dimensional.
― Guarda dimensional?
― A guarda é uma entidade que mantem o rumo dos diversos
universos em várias dimensões. O senhor conseguiu com suas viagens quebrar a
hegemonia da guarda e causar várias vitórias para o nosso lado.
― O que? a coisa ficava cada vez mais complicada em minha
cabeça.
― O senhor foi trazido para cá com o nosso mecanismo de
transporte, este cinto que Samira colocou no senhor ― apontou―me.
― Mas o que eu fiz para toda esta confusão acontecer?
Samira adiantou-se
― O senhor foi por engano colocado para viajar entre
dimensões, ou melhor universos alternativos. ― disse ― como os
guardiães, nós estavamos atrás de você, só que eles obtiveram sucesso, mas
conseguimos recuperá-lo.
― Então o senhor está agora conosco são e salvo ―
complementou Aristídes
― Mas então como é que...
Um clarão do nada surgiu e d elá de dentro apareceream dois
homens e uma outra mulher (também tão bonita como Samira), vestindo mantos
amarelos, apontando armas para nós todos.
― Afaste―se Alberto, estes homens são farsantes ―
berrou um dos homens ― somos do Exército Revolucionário Polidemnsional,
viemos aqui libertá―lo !
Olhei incrédulo, o que diabos estava acontecendo !
― Não ligue para eles Alberto! ― berrou Aristídes ―
eles são bandidos dimensionais!
― Mentira, Aristídes mente, você Alberto representa nossa
salvação, venha conosco !
― Esperem, mas que porr...
Outra clarão e um grupo de mulheres vestindo trajes mínimos e
também armadas, apareceu.
― Alberto fuja destes bandidos, somos as Amazonas
Dimensionais e estamos aqui para salvá-lo !
A confusão estava armada naquele ambiente, alguns instantes
depois surgiram mais pessoas das diferentes "facções dimensionais",
me elegendo com salvador (um deles me chamava de São Alberto !). Eles começaram
a discutir e os ânimos estavam cada vez mais acirrados. Notei que esqueceram de
mim e estavam cada vez mais concentrados em xingar uns aos outros.
Aproveitando disso peguei o cinto e notei que ele tinha um
mostrador digital com estranhos símbolos. Vi que eles podiam ser modificados
para diversas formas diferentes e selecionando uns ao acaso, apertei o botão
que Samira tocara. O ambiente a minha volta desapareceu e me vi numa bela praia
a noite.
***
Dois anos se passaram desde que fora "salvo" pelas facções
dimensionais (era assim que eu os chamava agora) e com o cinto estava viajando
entre universos. Consegui em diversos deles informações e diversas maneiras de
me disfarçar e fugir de meus perseguidores.
Estava com uma cara nova (não queria mudar de sexo, apesar de
saber que havia uma realidade que permitia fazer isso), e já mapeara cerca de
50 realidades diferentes, das quais passeava de vez em quando. Já tinha
duplicado o mecanismo do cinto fabricando diversos deles e colocando―os em
lugares seguros caso precisasse. Minha vida é engraçada, já fiz várias coisas,
inclusive encontrei Samira numa realidade e a seduzi, tornando―a minha
amante sem saber que eu era quem ela procurava (eu estava doido para
"transar" com ela desde que a conhecera).
Muitas vezes esbarrava com membros das facções e até da guarda,
mas nunca me revelava por motivos óbvios. Agora estou numa realidade que as
viagens espaciais são uma realidade, por isso vou dar uma escapada da Terra,
para conhecer o Cosmos, e quem sabe estes caras finalmente vão esquecer de mim.
Agora uma pergunta até hoje não me foi respondida : quem me
colocara nesta confusão?
"Antonio Marcelo — é autor de 14 livros sobre Linux e mantenedor dos projeto HoneypotBR (http://www.honeypot.com.br) Ávido leitor de FC e tem como
autores preferidos : Philip K. Dick, Robert Silverberg, Robert Silverberg, Robert Heinlein e Isaac Asimov. Além de adorar
escrever, tem sua segunda paixão, o mergulho, que descobriu recentemente.
Aguarda a opinião de todos sobre este singelo trabalho no email : amarcelo@plebe.com.br
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