Rio, 05 de maio de 2007

As Torres Douradas e o Cavaleiro da Armadura Azul

Adriana Martins

O cavaleiro azul está morto!...

As Torres Douradas do Mundo dos Mortos erguidas sobre a dor e o sangue, será a marca para que sua presença seja lembrada na eternidade. O austero cavaleiro deixara para sempre sua presença naquele triste povoado.

 Quando daqui a séculos ninguém mais lembrar dele, as imensas torres erguidas contra o céu firmarão sua presença marcante neste mundo de dor. Acabou também o encantamento da Guardiã do Crepúsculo. Os dias vãos se tornar novamente longos, as noites sem o brilho das estrelas, e, junto com o encantamento os seres da floresta partirão. Os sonhos eram impossíveis de acontecer, jamais poderiam ser amigos, eram de mundos diferentes Ela amava aquele mundo que ele foi ensinado a odiar. Jamais poderia caminhar junto na mesma direção, suas vida, seus ideais, seus valores eram totalmente diferentes.

A Cidade dos Mortos sempre teve grande importância para ela, que durante séculos teceu uma grande rede para não deixar escapar os sonhos de seus habitantes. Para ele, era somente um trabalho que realizaria usando da força e de seu poder sem se importar com mais nada, mais isso não aconteceu. A Guardiã do Crepúsculo acreditava que ele fosse como o sol, iluminando toda a montanha e trazendo de volta a alegria para os bosques. Agora a imensa montanha continuará escura, sombria e sem vida. Mais sua presença será sempre lembrada nos lagos negros e profundos, na grande estrada de pedras e no dócil leão, que ele conseguiu dominar.

O cavaleiro está morto! Será realizado um ritual ao Grande Mistério para que sua alma se junte a de seus antepassados, e possa entrar nos portões do Desconhecido sem deixar qualquer ligação com a Grande Mãe Terra. Seu ritual será feito na Lua Negra, onde se reverenciam as Deusas Escuras, pois isso dará a sua alma a transformação real e o colocara frente a seus ancestrais.Ele vinha de uma antiga linhagem de guerreiros... Mais vamos a historia... Ele chegou justamente quando uma grande tempestade estava anunciada,todos temiam pela Cidade dos Mortos, a violência, os saques, os assassinatos estavam causando muita dor.

A Guardiã do Crepúsculo ajudava de todas as formas. Muitas vezes deixava seus domínios e se aventurava em outros condados em busca de ajuda.Foi quando o cavaleiro surgiu repentinamente em meio a uma grande reunião do condado da Velha Torre do Relógio do Sol.

Naquele momento ela sentiu que poderia ter como aliado em sua eterna luta.Apesar de não confiar nele, alguma coisa em seu intimo parecia descobrir outras vidas passadas, alguma ligação bem antiga.O austero cavaleiro a principio mostrava uma grande desconfiança e as vezes chegava a ser cruel,mais em pouco tempo compreende sua missão.As lutas não paravam.

A Guardiã do crepúsculo procurava sempre abrigo na sua imensa caverna de pedra. Conversavam muito e sempre algo era feito em beneficio da cidade dos mortos, que vivia também um grande conflito por ser habitadas por tribos diferentes. As transformações passaram a serem notadas no momento em que o cavaleiro aceitou de coração assumir as responsabilidades por aquelas tribos bárbaras.

Todos sabiam que era um guerreiro rude, mais somente ela sabia que seu coração era muito bondoso, e passou a confiar nele. Novas casas foram erguidas, estradas foram restauradas, arvores foram plantadas, e sempre que podia, ele ia de aldeia em aldeia escutar seus habitantes. As tribos eram hostis entre si, havia os Bárbaros Vermelhos, o Terceiro Poder, os Adoradores e também antigos guerreiros mercenário que vivia exilados. Era sempre muito difícil dominar os guerreiros guardiões, que apesar de serem comandados pelo cavaleiro, em sua ausência tomavam para si o direito de roubar e matar esse povo. As lutas eram ferozes, os problemas cada vez mais precisavam de sua compreensão. A Guardiã às vezes se sentia frágil diante de sua figura porque sabia que apesar de sua grande amizade por ele jamais poderia revelar os mistérios de seu povo. Fora treinada para nunca ter medo. Agora já podia deitar em seu leito de musgos e ervas cuidar de sua família e sonhar com dias melhores porque sabia que podia contar com sua ajuda. Os anos se passaram e novamente a esperança surgiu como um raio de sol em meio à tempestade.

Podiam se ouvir novamente os pássaros, o canto das águas, o grito do falcão, e, principalmente o encantamento que pairava acima dos bosques. Novas redes foram tecidas pela fada, agora eram redes tecidas com o mais fino fio da teia da aranha dourada. Essas redes frágeis buscavam reter todo o amor e harmonia que agora existiam. O cavaleiro era visto sempre cavalgando em seu cavalo negro. As tribos passaram a respeitar sua presença. Ate mesmo no Primeiro castelo era admirado por seu senso de justiça. Os guerreiros das tribos passaram a respeitar sua presença. Todos eram felizes... E agora, sem qualquer motivo o cavaleiro está morto!Choram os pássaros, não se ouve mais o canto das águas, o grito do falcão é de dor, ouve-se novamente o pio das corujas, e, o encantamento do bosque foi quebrado... 

A Guardiã do Crepúsculo está novamente sozinha e desamparada, sabe que deve continuar como guardiã da Cidade dos Mortos, mais pela primeira vez se sente confusa. A estrada parece não ter fim. A terra dos mortos parece novamente sem solução. Pode-se ouvir seu choro sentido pelos bosques escuros, antes iluminados de esperança. Ela sabe que não pode fugir, pois está presa a um pacto feito há muitos séculos em troca de proteção para seu filho. E prisioneira eterna, se quebrar esse pacto encontrara a morte!O cavaleiro está morto, todo o encantamento está destruído. Novos bárbaros estão chegando, são de tribos diferentes, sem qualquer conhecimento ou sentimentos, a Guardiã está novamente só, muito só...

Volta a tecer uma nova rede, agora com suas lagrimas, uma rede frágil para tentar reter as esperanças e todos os sonhos. È um trabalho de recomeço, e, ela esta triste e cansada. Lembranças do cavaleiro serão marcadas por sua bondade e pelas imensas Torres Dourada, que ficarão como guardiãs incansáveis na entrada da Terra dos Mortos. O cavaleiro foi um enorme cristal banhado pelo sol, por onde fluíam raios de justiça e bondade através do qual olhamos todos imaginando uma vida melhor que agora ficou perdida no tempo. 

No crepúsculo sobe uma fumaça etérea da pira funerária, cercada de urzes brancas, A Guardiã jura que jamais aceitara a derrota. De seus lábios jamais se ouvira qualquer lamento, mais sabe que seu mundo este ameaçado pela destruição. E não pode contar mais com seu amigo. Cobre os ouvidos para não ouvir o gemido triste do vento. Entretanto as Torres Douradas permanecerão para sempre assim como a presença do Cavaleiro. Novamente a eterna guardiã tem esperança de abrir seu coração, tentar viver livre da dor, de tudo o que foi ou o que sempre será.

 

E a estória continua...

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