Rio, 28 de abril de 2007

Prova de uma loucura

Jorge Plá Cid

Era uma época de dias cinzentos, embolorados, quando a série interminável de terríveis acontecimentos invadiu as ruelas e casas. Sobre a cabeça do povoado pendia ameaçador esse implacável teto esbranquiçado que tanta apreensão causava. Era o mesmo teto implacável que trazia à memória os piores dias da guerra, tempos os quais cada morador tentava esquecer sua existência. Anos haviam transcorrido desde os últimos enterros de caixões sem corpos, realizados somente pela chegada de notícias distantes transmitidas em breves comunicados oficiais. As pessoas, acostumadas a tempos difíceis como aqueles, apenas seguiram adiante, tentando não pensar no passado. Entretanto, os dias do temido teto sempre insistiam em voltar, e quando isso ocorria, os pensamentos de todos corriam para a desgraça. Migravam para um ponto único de uma era comum e miserável. A era em que homens não eram mais homens; bichos irracionais em busca de sangue e honra. E foi em meio a esse clima de profunda apreensão que chegou, numa tarde fria e insípida como quase todas as de novembro, o terrível assassino. Montado nas asas de um vento que soprava inconstante, ampliando a força da premonição coletiva; eram chegados novamente os tempos de morte.

            A primeira casa invadida se mantinha em pé justo na 6ª com a Rosenborg. O local era um asco, um autêntico lixo, onde não era mesmo possível perceber míseros traços de alguma coisa que pudesse ser chamada de estilo arquitetônico. Da fachada sobressaiam pontas e arestas cor de terra, restos dos tijolos ainda existentes sob o deteriorado reboco amarelado. Tudo aquilo nada mais era do que parte de uma ratoeira, da qual os Dubois ocupavam o subsolo. Os quartos de cima estavam a venda há mais de dois anos, tempo durante o qual o senhorio não conseguira nem mesmo visitantes interessados. Eram tempos difíceis, onde quem tinha dinheiro não o investia, guardando-o para os tempos piores que sempre estavam por chegar, e o restante dos mortais mal tinha para manter-se em pé. Foi nesses tempos sombrios, naquele lugar de morte; em meio daquele povo esquecido por deus, que os fatos começaram a ser traçados em negro.

Quando antes do alvorecer de uma sexta-feira sem cor, o pequeno, o filho caçula, fugou-se como era hábito seu para brincar com os charcos ainda gelados (antecipando-se desta forma aos seus inimigos, os primeiros raios de sol), ninguém poderia suspeitar nas conseqüências que este ato traria. Sua mãe, também seguindo seu rito habitual, prontamente ao despertar saiu à busca do pequeno, e assim, junto com eles, o assassino ganhou o interior da infecta residência. Fazia dias que ele andava a espreita, agindo sem ser notado, como ocorre sempre nestes casos. Foi quando, em pleno domingo, as horas de terror negro sobrevieram de maneira brutal, incontrolável, e em pouco mais de onze horas os corpos de seis pessoas jaziam tombados, alguns ainda agonizavam em diferentes partes do cubículo. O caçula morreu primeiro. Tinha três anos menos dois dias. Ao longo das horas em que os fatos transcorreram, as forças de todos foram minguando céleres, e quando deram pelo ocorrido já ninguém tinha mais como para pedir ajuda. A realidade que os cercava também lhes reservou uma considerável fatia de ironia cruel, pois ainda que, movidos por um sopro de suas forças, houvessem tentado prevenir alguém, ninguém os teria socorrido. Eram condenados, banidos nômades de um lugar desumano.

Pouco a pouco, cada um deles foi sentindo o corte gélido da sombra que rapidamente se espalhava, e antes que se completassem vinte e quatro horas da invasão, a família Dubois era um amontoado de carne em decomposição. Sem que alguém se desse conta, ou sentisse sua falta. Malade, o cão sarnento, porém de estimação, também estava eliminado. Seu corpo inerte velava o do caçula, deitado aos seus pés. Faces pálidas e caídas, como se tivessem a textura de massa de pão cru - parte culpa da miséria reinante naqueles tempos -, a pele frouxa sobre o esqueleto, os olhos fundos e de brilho ausente, bocas ressequidas e entreabertas. Poças de sangue escuro tingiam o assoalho, a cama, a poltrona, e qualquer lugar onde quer que tivesse existido vida. Alguns estavam retorcidos sobre o abdômen, tentando conter a dor colérica causada pelos terríveis ferimentos.

            É certo que chegado o fim do outono, a família Dubois foi a primeira em sofrer a fúria insana do terrível predador, mas do outro lado do rio, onde as construções conservavam melhor estado - casas luxuosas e de estilos definíveis -, assim como as pessoas que neles moravam, a polícia reconheceu os sinais inconfundíveis por primeira vez. Foi na grande mansão do lago escuro, onde a morte emitia uma gargalhada que ecoava silenciosa entre o rumor tenso da folhagem ressequida, que a história oficialmente teve início.

            Dentro e fora da casa. No jardim, na ala de empregados e mesmo na suíte de Madame Ramel, o assassino deixou sua marca inconfundível. O doutor Monet, chamado às pressas, imediatamente, veio de longe, quase vinte léguas, e chegou justo quando o velho mordomo acabara de falecer. Tão branco, e de aspecto tão assustador quanto os demais. Um cadáver mais; mais um cadáver ao estilo Dubois.

 

Interlúdio - Bernard Milevic

 

            Acordou. De volta, como se retornara do velho e sombrio vale-dos-sonhos-maus-e-esquecidos. Bernard levantou-se do colchão com cheiro agridoce, recendendo a bolor, com uma fina capa de suor frio cobrindo-lhe o rosto. Passou a mão, depois repetiu o gesto sobre o lençol de cor esmaecida. 

            Aquela fora apenas mais uma noite inteira de sono sem que conseguisse espantar os fantasmas da tarde anterior.

            A tarde.

            O passeio.

            Ainda recordava bem quando saiu a caminhar. Esticar as canelas, e os pensamentos.....

            Em seu isolamento ‘monastérico’, Bernard, que já avançava fartamente sobre os setenta, uma autêntica raridade, saiu para dar uma volta pelas cercanias; meditar sobre a solução que postergava há muito para seu problema. Balançava na mão direita a bengala forjada à mão por ele próprio, utilizando-a para apoiar-se mesmo sem necessitá-la. Seus passos firmes, seus olhos ainda capazes.

            Relembrava uma vez mais que seu tempo se aproximava, a areia do relógio praticamente exaurida. A hora de desenterrar a morte era chegada.

            Nas últimas noites ouvia o pranto soturno de lamentações distantes, mas aquelas mais próximas é que lhe causavam verdadeira apreensão. Mesmo o murmurar da natureza era outro. Murmurava preocupada. Como se chorasse. Ocasionalmente, nem murmurava. E tudo restava absorvido pelo silêncio esmagador. Bernard era capaz de adivinhar como pelas ruelas e sarjetas, vielas e palácios, algo concreto, ao mesmo tempo indefinível, movia-se sem ser visto.... seu toque era percebido tarde demais.....

            Ao sair para o dito passeio, movido pelas motivações internas do dever a cumprir e pela curiosidade exterior dos lamentos misteriosos, notou que a casinha dos pardais na oliveira estava vazia. Abandonada antes da época. A primeira vez em anos. Olhou ao redor e nada....., a não ser a natureza estática, como se contemplasse o tempo com pena dos homens. Por momentos seus assuntos ganharam o esquecimento e seguiu em frente à procura de respostas. Seu acompanhante? O conhecido frio sombrio da época dos casacas vermelhas, ingleses. Época em que aterrorizaram aquela região. Era jovem então, agora era bem mais velho, mas a sensação se mantinha virgem.

            De passagem pelo cemitério.

            Este se interpunha sem solução entre seu trajeto e a ponte. Seus passos diminuíram até cessarem; o cenário distante fora do comum.......

            Eram pelo menos cinco os sepultamentos simultâneos. Como não era qualquer um que tinha permissão para descansar eternamente ali, Bernard estranhou sobremaneira tanta gente importante morta ao mesmo tempo. Não recordava algo semelhante em seus anos.Exceto na guerra, onde o fora do comum não existe. Tentou, mas uma voz imperativa e perturbadora o impediu seguir adiante. Tentou mesmo assim desviar a vista, mas lhe era impossível resistir ao cenário. Sentiu-se atordoado. E foi assim, prisioneiro daquele estado de hipnose sombria, que toda a verdade se ofereceu em avalanche. Acabou descobrindo com exatidão que o horror tinha formas,traços grossos e definíveis, os quais compunham formas fantasmagóricas.........Embora lembrasse os horrores da invasão inglesa, o sofrimento que provava agora era de uma magnitude superior, pois estava vestido do inesperado.

            No topo da colina identificou um aglomerado de não mais do que quatro pessoas, todas com pesados abrigos negros.

            Não eram enterros, Meu Deus!!.

            Estavam exumando os cadáveres.

            Desenterrando-os.

            Tirando as pessoas mais importantes de seus túmulos, e levando-as. Para onde?

            Havia pás, e os homens levavam o rosto recoberto por grossos panos negros.

            Havia montes de terra ao lado das covas.

            Havia corpos espalhados por todo o terreno.

            Pelo menos quinze, contou assustado.

            O ar, o vento propagava agora um cheiro ...... insalubre....... odor de matéria ........ putrefata.... 

            Um homem, magro como um gafanhoto, se retirou a passos largos para o limiar do bosque. Sacou a máscara. Vomitou ajoelhado; tossia engasgado.

            Desesperado, outro dobrou os joelhos e ruiu, desabando como um saco de batatas dentro de uma das sepulturas reabertas.

            Uma vez mais, o horror de tempos remotos corria nas veias e artérias de Bernard; as têmporas latejavam e as mãos formigavam..... suas entranhas, retorcidas como os fios de uma amarra. Deu meia-volta com inacreditável leveza, segurando o cajado suspenso no ar; partiu. Seu único desejo? Casa. Esqueceu seus próprios assuntos pendentes, e desejava tão somente chegar em casa. Quando era muito jovem, ele lutou contra os ingleses, e conseguiu inclusive matar um par, mas agora desejava tão somente escapar da morte. Naquela época pretérita, ele lutou bravamente contra a morte como o faz um herói; com um medo terrível no estômago e um vazio espesso na mente, mas agora........ apenas escapar......... era ela que vinha a sua busca. Minutos antes........ apenas um meio de desenterrá-la, agora,....... apenas manter-se distante e seguro.

            Chegou. Fechou porta e janelas; enxotou antes o velho cão para a rua. Mal-cheiroso, já não o suportava.

            Antes de chegar seus sentidos alcançaram os rumores sobre o vendaval de mortes e O Assassino que aniquilava a todos sem piedade. Ouviu sobre as mutilações. E também sobre nada a ser feito para escapar..

            Velhos fantasmas sentaram-se ao seu lado na cama.

            O casaca vermelha, Ele, era como se perambulasse pelo quarto.

            Seu passado enterrado. Sob terra. Inexpugnável, parecia disposto a ressurgir; vir ao seu encontro, antes mesmo de exumá-lo.

            Bernard teve medo das conseqüências daquele passado. Com tanto buraco sendo reaberto por aí, tinha pânico que os homens-de-negro desenterrassem as lembranças dolorosas, antes quase esquecidas, que agora sangravam como estigmas. Bernard assomou-se à janela de vidraças enevoadas; longe, vislumbrou com nitidez sombria o ermo bosque de onde seu passado ameaçava ressurgir entre cinzas.

            O maldito casaca vermelha.

            Ergueu com fúria a parte de vidro da janela, puxou com violência as duas folhas de madeira, encerrou-se......  

           

            O assassino abandonou a ratoeira-Dubois, onde a polícia ainda não estivera. Ratos percorriam dia e noite cada buraco e corredor daquele lúgubre amontoado de materiais. O assassino também perfazia os mesmos trajetos, e um a um foi eliminando rapidamente cada morador daquela infecta periferia amaldiçoada. A polícia jamais chegaria a tempo de parar sua fúria, pelo menos não por aqueles costados da cidade.

            Em três semanas os corpos se amontoavam nas esquinas. O assassino, que não compreendia de limites dos homens, propagou sua fumaça negra sem saber das barreiras físicas ou sociais. O hospital? Apenas o endereço para onde iam todos morrer. ‘O cemitério de elefantes’. Mesmo entre médicos, apenas três, e enfermeiros, o assassino cobrou sua dívida. O terror finalmente espalhou suas garras por toda parte; as ruas não tinham mais dono, local onde apenas a nova lei mandava agora: A Morte.

Imensas fossas comuns eram abertas nas aforas da cidade, e depósitos de restos humanos eram incinerados, para depois serem recobertos com aquela terra infecta. Nuvens de um vapor negro nauseabundo ascendiam como serpentes, e o vento se encarregava de pulverizar as sementes por outros campos desérticos. A vida jamais tornaria a brotar naquele local proibido. Mas as fossas não davam conta, nem os trabalhos de cada vez menos contra cada vez mais, e assim os corpos começaram a servir-se das águas do rio, descendo com pressa as espumantes corredeiras, flutuando de maneira sinistra, tingindo de palidez e brilho sanguinolento o líquido outrora cristalino; levando a morte para terras distantes.

Ao término de dois meses, dois terços da cidade havia sucumbido nas mãos do assassino. As marcas da Peste eram evidentes nos rostos dos poucos afortunados, que para muitos eram os verdadeiros fantasmas da tragédia. Em cada lar havia histórias de dor e tristeza. Por isso todos tratavam de não falar. Enterraram em seus peitos os mortos. Lamentos há muito não se faziam mais ouvir. As lágrimas haviam secado nos olhos opacos dos sobreviventes, cansados de tanto sofrimento, enquanto os relatos de outras terras ameaçavam reabrir as chagas mal cicatrizadas.

Pouco a pouco a cidade foi recobrando certa normalidade, e dos dois lados do rio as vidas e os lares foram aos poucos sendo reconstruídos. Novas autoridades chegaram, tomaram as rédeas dos fatos, e prontamente souberam qual lado necessitava de sua ajuda mais imediata. Apesar da luta que de certa forma igualara as classes, no fim, nem mesmo a Peste teve êxito. A lei da vida começou novamente a florescer, e separar de ambos os lados do rio o que por pouco não ficara fundido para sempre entre cinzas e carnes no solo agora declarado proibido........

            Mas o fim ainda não chegara para todos......... também aquelas autoridades eram estúpidas, como o são normalmente, e mais uma vez confundiram o verdadeiro inimigo...........   

 

Prólogo - Bernard recupera o passado.

 

            Os ruídos cessaram na rua....... a terra parece desabitada. Ele? O derradeiro homem sobre a terra e sua face molhada. Apura a audição, mas nada vem ao seu encontro. Sente um vazio sereno e a fome que o açoita faz dias..... seus pensamentos são confusos, seus olhos os de um acéfalo.

Nos tempos da guerra a fome também tomou de assalto seu juízo, e ele sabe que agora precisa reaver a prova de sua desvairada ação. A prova de sua loucura.

            O bosque ainda continua lá...... de suas entranhas sobe uma fina e escura coluna de fumaça que corre na direção oposta, para onde sopra o vento.

            Nas lembranças ‘o casaca vermelha’, que entre as sombras do bosque repousa há bastante tempo. Seu fantasma parece ainda habitar aqueles campos, e nos sonhos assombra Bernard de forma cada vez mais real.

            Bernard apura mais uma vez, e o rumor que chega é o farfalhar agitado dos galhos ressequidos.... Bernard tem fome, Bernard teve fome um dia, enquanto ‘o casaca vermelha’ agonizava.

            Depois que alguns ‘incidentes’ vieram à tona, as autoridades o tinham proibido. Mas era a mais pura miséria, absoluta e desigual, que assolava a maior parte das famílias da região. As autoridades não sabiam do que tratava essa tal de fome, por isso proibiam tal procedimento. As autoridades jamais querem saber destes assuntos, razoáveis ou não, pois as autoridades apenas tratam disto, autorizar ou proibir. Os motivos ficam fora de sua jurisdição. Autoridades não chegam jamais ao tema da fome, pois apenas sentem necessidade de comer. Como eles poderiam compreender?

            E ‘o casaca vermelha’ não tem futuro.

            A fome é o pior dos flagelos humanos.

            ‘O casaca vermelha’ arde em febre, os delírios carcomem seus miolos..... Ele não tem mais pensamentos, nem vontades..... Ele apenas caminha pelo corredor escuro, onde um ponto de luz seguro e longínquo guia seus passos. Sente a paz que chega junto com a luz.

            Bernard.......Bernard tem muita fome quando chega a parte mais escondida do bosque.

            Surgem em sua mente, tão claramente verdes, os olhos moribundos do ‘casaca vermelha’. Meu Deus! Ele está mais vivo que nunca, Meu Deus, que horror!! Bernard sufoca-o, enquanto a fome corrói sua consciência. O ponto branco no corredor não existe, é só parte do delírio de Bernard. O homem, sem defesa, acaba de morrer pelas mãos de Bernard, que agora mesmo mata sua fome.....

As autoridades haviam-no proibido.

Dois acabaram na forca por comer........ Autoridades não sentem fome, apenas comem.....

Bernard saciou a fome, vomitou, e depois chorou com vergonha de si mesmo. Bernard, ‘O Animal’.

            O corpo! Onde o corpo jazia há muitos anos, agora tem a terra revolta. As árvores tombadas, troncos retorcidos, queimadas, misturadas àquele chão infecto, onde os restos da Peste misturam-se aos do ‘casaca vermelha’. Cinzas de muitas idades, com distintas histórias.

            Bernard cava com furor, precisa reaver a medalha, sua medalha, A Prova. Ainda sente em seu pescoço a mão febril do ‘casaca vermelha’, sensação que o atormenta por toda existência. Precisa reaver a medalha que ‘o casaca vermelha’ roubou-lhe antes da morte. Sua mente repete que precisa salvar a medalha. Mas sua mente lhe traz de outros recantos a recordação da mão febril, do desespero do pobre homem em seus últimos estertores. Bernard lembra claramente da mão. Quando deu por si, após a crise de consciência, e de enterrar os restos, sua medalha não era mais sua. Jazia sepultada como uma prova do crime. Bernard teve medo de encarar seu fantasma, e fugiu assustado como uma lebre. Enquanto isso, sua raposa aguardou com paciência por anos, guardiã de seu segredo mais abominável.

            Em pouco tempo a extensão da morte acaba com suas forças. Ele não liga mais. Ele não cava mais. Está velho e cansado, e os restos do ‘casaca vermelha’ provavelmente carbonizados junto com os restos de carne dos outros. A medalha também. Depois da luta de uma vida, Bernard acredita piamente que seus mortos descansam definitivamente em paz. Na extensão daquela vala, seus medos parecem perder a dimensão....... seus fantasmas exorcizados. O choro em seu peito pára de falar........

            Exausto e resignado, Bernard parte de volta para casa. No caminho de volta um material viscoso, de restos sem dono, vai se desprendendo aos poucos de seu corpo, deixando um rastro semeado que carrega em si todo tipo de mau agouro. Ele parte daquele lugar sem nome, sem qualquer identidade, acreditando estão para sempre sepultados; definitivamente enterrados. Que seu passado jaz para sempre no esquecimento dos homens.

            Aquilo que Bernard ainda não sabe, é que seu corpo fatigado carrega de volta, muito além de suas certezas, o terrível inimigo, O Assassino, que muitos na cidade acreditam extinto...... aquele para o qual as novas autoridades também não terão defesa........ Bernard carrega novamente a morte em seu sangue ainda vivo; a morte que apenas trará mais morte para os fantasmas restantes da vila.

 

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Contato com o autor: jorge.cid@bol.com.br.

 

Meu nome é Jorge Plá Cid. Nasci em Barcelona, Catalunya, em 17-04-67. Moro desde 1976 no Brasil, sendo também naturalizado. Escrevo sobre qualquer coisa que me dê prazer. Escrevo de acordo com a minha fase. Escrevo como forma de fuga. Escrevo pelo ar da minha alma. É por isso que escrevo. Autores favoritos: H. P. Lovecraft, Conan Doyle, Allan Poe, Dostoievski.....

 

 

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