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Rio,
25 de setembro de 2005
Tornando-me
um vampiro - a loucura de droga
Mão Branca
Naquele
dia acordei e fiz o mesmo que fazia todos os dias: acendi um baseado. Li
até anoitecer, alternando mijadas e cigarros de maconha. Não comi nada. Eu
era magro como um peso médio. Na verdade eu era peso-médio; minha única
atividade além de ler e fumar maconha era apanhar na academia da esquina.
Minha
renda era suprida por meu pai, que mandava dinheiro para a faculdade que eu
havia largado há quase dois anos. Usava o dinheiro para as orgias de drogas
e prostitutas no meu quarto. Eu vivia uma vida louca, solitária e
destrutiva.
-
Foi isso que me atraiu até você. - Disse a vampira que me criou.
-
O que? - Perguntei. Estávamos na rua do Conic, em Brasília, um local com
vários bares e boates com shows de prostitutas. Eu estava lá para
contratar uma ou duas para passarem a noite comigo. Acabara de entrar numa
viela para procurar um bar.
-
Sua loucura. - Ela me olhou e sorriu. Notei seus caninos alongados. Lembro
que não acreditei no que vi. A vampira estava excitada pela caçada. -
Você quer ir ao fundo! - Ela falou e entrou na minha mente. Lembro da
sensação; meus pensamentos se tornaram absortos, perdi a concentração
olhando para o nada, sem me importar com a mulher na minha frente.
Ela
pulou e chegou ao meu lado. Achei louco uma mulher pular mais de seis
metros, mas eu estava tão alucinado pela maconha que nem me importei. Achei
que talvez fosse mais uma das pirações que passavam pela minha cabeça. Eu
nem tinha idéia do que é realmente uma piração.
Senti
sua língua encostando em minha carótida. Ela aqueceu minha pele. Minha
criadora era muito delicada e eu estava hipnotizado por ela. A caçadora
havia jogado seu feitiço. Ela respirou no meu ouvido, continuei parado em
pé enquanto ela me circulava e encostava seu corpo no meu. Fiquei
paralisado de medo e tesão. Havia uma energia muito maligna saindo daquela
mulher. Talvez ela estivesse absorvendo a luz ao seu redor, talvez sua
beleza fosse excessiva, eu a olhava apaixonado e inseguro. Lembro que o
terror que sentia enfraquecia minha vontade. Eu não conseguia me mexer.
Queria que ela acabasse logo com aquilo. Preferia a morte àquela
sensação!
-
Sem pressa. - Ela me olhou e sorriu. Seus caninos pareciam maiores. Seus
cabelos pretos e lisos estavam soltos sobre o vestido. Usava um conjunto
claro, de um pano macio. Vi a forma de seus seios sob a roupa. - Você é
realmente muito louco. - Ela falou, espantada.
-
Como? - Perguntei.
-
Você está com tesão por mim. - Ela riu e se afastou. - Você sentiu a
morte! - Olhou nos meus olhos e sorriu. Não vi caninos salientes, apenas
afiados. - Sentiu meu ataque. Sabia que iria morrer. - Fez uma pausa, olhou
para o céu e virou de costas. O cabelo roçou a bunda. Era redonda e
empinada, seguida por longas pernas. - O que fez então? Ficou com tesão
por mim. - Ela virou-se num pulo. - Ainda está com tesão por mim!
Aquela
era a minha mais deliciosa alucinação. Num breve momento de lucidez pensei
que aquela mulher talvez fosse uma prostituta de luxo, perdida no meio
daquela rua imunda. O local era freqüentado apenas por vadias de trinta
reais, aquela mulher linda e clara como o luar só podia estar perdida.
-
Tô cheio de tesão, gostosa. - Eu a enlacei nos braços. Ela não acreditou
eu a abracei; uma vampira tão poderosa e antiga quanto ela nunca havia
encarado uma vítima como eu, mesmo quando caçou em Paris durante a
Revolução Francesa. - Você é linda. - Eu resmunguei em seu ouvido. -
Quer sair comigo?
Minha
criadora deu-me a mão e fechou os olhos.
Lembro
da explosão em meu cérebro. Primeiro senti o terror de ser um caçador e
depois o prazer de caçar. Vi imagens de lugares durante a noite e tive
sensações aprofundadas de cheiros e gostos. Mas eram gostos estranhos,
azedos e açucarados ao mesmo tempo. Ouvi vozes em diferentes pares da minha
cabeça. Fiquei atordoado com tantas informações. Eu não sabia de nada
ainda.
-
O seu tesão é forte? - Perguntou, com o rosto no meu peito e ronronando.
Esticou a pequena mão branca e vi uma gota de sangue. Apertei os olhos e
percebi que era na verdade uma pílula vermelha, uma bola.
-
Quanto? - Eu toparia tomar a bola com ela, mas temi não ter dinheiro para
pagar. A mulher me parecia divina. E assustadora.
-
Sua alma. - Ela continuou séria e seus olhos brilharam com a luz dos
faróis de um carro.
Gargalhei.
Afastei-me da prostituta e me abaixei, tossindo. Ri até a boca doer.
-
Que clichê, minha filha, mas eu gostei. - Dei um tapa naquela bundinha
gostosa. - Fala sério. Quanto?
-
Se você fizer gostoso, só paga as bolinhas.
Um
negócio da China! Uma prostituta e uma viagem por pouco mais de cinqüenta
pratas. E que prostituta! Ela não tinha cheiro, apenas uma fragrância de
capim fresco nos cabelos. Eu estava inebriado.
Apitei
o alarme do meu carro e quando notei, ela já estava ao volante com o motor
ligado. Ela adorava a velocidade. No pouco caminho até meu quarto fumamos
um baseado.
-
Você acha que isso faz a cabeça? - Perguntou. Eu estava sentindo o tampão
da minha testa se descolando. "Acho sim", pensei. - Não faz a
minha. Sinta o que eu vejo. - Virou-se para mim, sem desacelerar, e me
beijou. Seu rosto quase tampava minha visão da frente do carro. Ela
desviava dos outros sem parar o beijo. Flashes de visões com outras
dimensões apareciam na minha mente. Lembro que não falei nada e quando dei
por mim estava na frente do meu hotel. Eu havia sido expulso do antigo
condomínio e agora vivia mudando de hotel.
Subimos
ao meu quarto. Mal fechei a porta e ela me mordeu. Eu a empurrei e a mordi
também. Começamos a tirar nossas roupas. Ela usava uma cinta-liga branca.
O corpo firme cheio de curvas me fez perder a atenção na brincadeira. Ela
segurou meu rosto e me beijou. Prendeu o canino afiado nos meus lábios e o
cortou. Lambeu meu sangue.
-
Ai, porra! - Reclamei, puxando a cabeça.
-
Desculpe. - Seu hálito era estranho. Fiquei excitado com o cheiro, ainda
que o achasse meio azedo. - Vingue-se. Morda minha boca.
Mordi.
-
Mais força.
Apertei.
-
Morde, porra! - Ela urrou. Eu gelei da nuca até os pés. Cravei meu canino
no meio de seus lábios. Macios, eles se abriram com meus dentes. Ela não
se mexeu de dor. Lambi seu sangue. Gostei do sabor. - Agora a gente não
precisa usar camisinha. - Ela falou.
-
O que? - Perguntei, assustado com o som de um sino batendo na minha cabeça.
Ouvi um badalo tocando sem parar.
-
Tome. - A pílula vermelha apareceu novamente na mão da mulher. Ela a
empurrou na minha boca. A pílula dissolveu na minha língua como se fosse
vinho. Eu a senti passando pelo pescoço e batendo no estômago. Pisquei os
olhos e vi que a bolinha já estava fazendo efeito. Senti o estômago
ardendo como se estivesse se dilacerando. Apertei a barriga e respirei
fundo. Desmaiei.
Acordei
com o movimento de um corpo sobre o meu. Eu estava nu e a puta estava
rebolando sobre mim. Seu corpo esbelto e aveludado se contorcia e tremia.
Olhei o rosto da mulher e me assustei. Ela estava impávida como mármore.
Olhei
para o lado e vi a mulher deitada ao meu lado na cama. Ela estava
profundamente adormecida. Era linda e sua nudez tornava a visão divina. Eu
escutava sua respiração embora não percebesse o peito mexendo. Olhei a
janela e vi a escuridão da madrugada. Consegui ouvir os pingos do sereno.
Senti
que não estávamos sós no quarto. Procurei com os olhos e achei uma barata
atrás da prateleira de livros. Eu vi suas patas e antenas com detalhes,
mesmo à distância. Percebi que meus sentidos estavam aguçados. Eu já
havia tomado drogas como essa, que alteravam os sentidos. Eu estava
deliciado mas sabia que logo viria a paranóia.
Sentei-me
na cama, olhei a prostituta e lembrei que não sabia seu nome. "Soraya",
escutei. Não era um som, na verdade, parecia mais um sussurro. "Soraya".
Um pensamento.
Vi
que ela me olhava na escuridão.
Seus
olhos negros realçavam a brancura da pele. Notei que seus lábios estavam
rubros. Ela se curvou e procurou minha boca. Mordiscou meu queixo e foi para
minha jugular. Senti que ela a apertou com os dentes. Eu fiquei parado,
sentindo sua língua brincando na minha pele. Ela parecia passar a língua
por todo meu pescoço sem abrir os dentes.
Fiquei
excitado como nunca havia ficado antes. Eu queria possuir aquela mulher. Ela
mexeu o corpo como se concordasse com meus pensamentos. Quando tirou os
dentes da minha pele senti o pescoço queimar como se estivesse em brasa. A
vampira me olhava diretamente. Não consegui desviar o olhar. Ela puxou meu
corpo sobre o seu. Encaixei-me entre suas pernas. Sentia-me confortável e
protegido. E morrendo de tesão!
Penetrei
a vampira com apenas uma estocada. Ela gemeu e arranhou minhas costas. Eu
mexi o quadril. Ela lambeu a ponta dos dedos, passou novamente as unhas nas
minhas costelas e chupou avidamente as mãos. Olhei sobre meu ombro e tive a
impressão de ver sangue escorrendo pelas até minhas nádegas. Ela me
abraçou.
Colei
meu rosto no pescoço daquela mulher maravilhosa e me mexi como uma cobra.
Eu serpenteava no meio da coxas brancas e longas. Apertei um seio macio e
firme. Cores explodiam no meu cérebro. Ela prendeu minha cabeça no seu
pescoço segurando minha nuca. Ela apertou e eu abri a boca.
Mordi
seu pescoço.
Senti
que a machuquei. Ela se encolheu e contraiu a vagina. Eu quase me perdi nas
brumas que aturdiram minha visão. No meio da névoa, pequenas explosões de
cores formavam imagens magníficas; lindas mulheres e belas paisagens. Meu
sexo estava em choque e minha razão havia sumido. Bebi o líquido que
escorria pelo pescoço da prostituta; parecia suor mas não tão salgado.
Era esmaltado.
Desmaiei.
E acho que gozei.
Acordei
como da outra vez, mas a mulher não estava ao meu lado. Havia apenas uma
caixa com umas bolinhas cor de rosa. O sol estava a pino.
Meu
quarto estava uma bagunça. De onde surgiram tantas garrafas e tantos copos.
Quantas pessoas estiveram aqui? Olhei ao redor, procurando Soraya. Era mesmo
esse o nome dela ou foi outro sonho? Havia um bilhete sobre a prateleira de
livros.
"Tome
a bola rosa se ficar mal.
Volto."
Porque
eu ficaria mal? Pensei.
Meu
estômago tentou sair pela boca. Eu o prendi na garganta e corri para o
banheiro, levando as bolas rosas comigo.
Vomitei
uma gosma vermelha. Não era bílis nem nada que eu já tivesse vomitado.
Parecia uma espécie de menstruação. Lavei a boca com água e fiquei ainda
mais enjoado. Joguei uma bola rosa pela garganta e ela logo me aliviou.
Mandei mais duas para dentro e fui me deitar na cama.
Respirei
fundo. O ar que entrou trouxe cheiros fortes que contavam histórias dos
locais onde estiveram. Eu senti quem estava nas redondezas, identifiquei
seus odores, soube o que estavam fazendo, além de sentir os cheiros dos
animais e das coisas. Fiquei tonto com tantas idéias diferentes.
Recostei-me na cama para ficar mais confortável. Empurrei meu tronco com os
pés e senti minhas costas encontrando a parede. Ela estava fria e o toque
agradava minha pele. Continuei me empurrando com os pés. Deixei a cama para
trás, arrastando-me pelas paredes buscando locais frios para encostar.
Minhas costas logo esquentavam cada ponto onde eu parava. Empurrei-me mais.
Quando foquei os olhos, vi a cama à minha frente. Eu estava colado no teto.
Não
me assustei. Pulei para o chão. Equilibrei-me novamente à gravidade e fui
ao banheiro pegar outras bolas rosas. Engoli mais uma e rapidamente apertei
um baseado. Queria esperar Soraya bem alto.
Algumas
horas se passaram. Ao cair da noite, notei uma bruma cobrir meus olhos.
Prestei atenção e vi que era uma fumaça negra entrando pela janela.
-
Sentiu minha falta? - A doce voz atrás de mim me surpreendeu.
-
Muita. - Falei. Olhei a mulher. Ela usava o mesmo vestido. A pele estava
mais pálida e os lábios cintilavam. Colei-me neles. Mordi com força e
lambi o sangue.
Soraya
me empurrou com uma força inacreditável. Bati as costas na parede e
escorreguei para o chão. Eu estava fraco, não havia comido nada. As
pílulas rosas havia acabado e a maconha já havia arrancado o tampão do
meu cérebro. Mal conseguia ficar em pé.
Ela
me arrastou para a cama e tirou minha roupa. Subiu sobre minha barriga. Eu
vi sua vagina encostada no meu peito, sentia seu cheiro entorpecente. Tentei
me mexer.
-
Quieto. - Soraya surgiu com uma taça na mão. Com a outra enfiou umas cinco
bolas na minha boca. Bebeu um gole da taça, encheu a boca e abaixou-se até
mim. Seus lábios úmidos despejaram um líquido delicioso na minha
garganta. As bolas desceram junto. A língua de Soraya se aventurava pela
minha goela. Senti-a entrando pela minha garganta. Fiquei enjoado. Um
arrepio de tesão transformou-se em muita tontura e quase me fez perder os
sentidos. Cada sensação parecia um choque.
Abracei
aquela mulher deliciosa. Meus braços encostaram nas minhas próprias
costas. Forcei-os para frente e minhas mãos alcançaram Soraya. Eu tinha
cobras no lugar dos braços. Deitei-a sobre uma bruma e cheirei seu corpo,
dos pés à cabeça. Cada curva com um cheiro, cada cheiro uma história.
Passei pela vagina, lambendo-a levemente, mordisquei os mamilos e ataquei o
pescoço.
Soraya
não gostou do meu ataque. Empurrou minha cabeça e bateu no meu rosto. Foi
apenas um tapa, mas foi a última coisa que me lembro. O som do tapa no meu
rosto.
Não
sei quanto tempo fiquei inconsciente. Quando acordei, eu estava debaixo da
cama. O frio do chão tranqüilizava a ardência na minha pele. O resto de
sol que se punha na janela doía principalmente nos meus olhos. A colcha
deixava passar pequenas frestas de luz.
A
escuridão fez-se absoluta. Levantei-me e procurei Soraya pelo quarto.
Estava vazio. Procurei no chão por algumas bolinhas que pudessem ter
caído. Nada. Respirei fundo. Queria sentir o ambiente. Eu estava fraco,
apenas tossi de pigarro. Fumei um baseado para me acalmar. Eu estava
apavorado. Senti muito medo de ter sido abandonado.
As
luzes artificiais não me incomodavam, mas eu preferia ficar na penumbra.
Dormi durante os dias e nas noites seguintes sai em busca de Soraya. Em cada
beco, em cada casa de show, em cada bar. Nenhuma outra prostituta a
conhecia. Eu não sabia mais o que fazer para conseguir aquelas bolinhas!
Usei
várias outras drogas. Algumas injetáveis. Nenhuma tinha os mesmos efeitos.
Eu
andava louco naqueles tempos. Vivia recluso no apartamento, saía apenas
depois do anoitecer, procurando drogas. Usava tudo que encontrava. Acabei
criando uma grande resistência, só o vinho ainda me entorpecia. Não me
importava com minha aparência, pois minha barba não crescia e meus cabelos
ficaram sempre do mesmo tamanho. As unhas eram as únicas que aumentavam; e
como aumentavam! Eu andava sempre com grandes unhas.
Não
comia nada, algumas vezes devorava alguma proteína para conseguir ficar de
pé. Um bife bem mal-passado, carpaccio, sashimi, quibe cru. Quando ficava
com muita fome bebia cachaça, que amortecia o estômago e as idéias.
Vivia
cercado por prostitutas. Continuava tentando encontrar aquela que me criou.
Somente depois de muito tempo comecei a pensar que talvez ela só estivesse
no meio das putas para me caçar. Eu devia procurá-la em outros lugares.
Mantive, contudo, a presença das putas. Elas me conseguiam drogas e sexo
fácil, nessa ordem.
Visitei
museus, desfiles de moda, bares de diferentes estilos. Meu dinheiro sempre
acabava, mas eu descobri um fascinante charme que me abria as portas para
todos os salões: simplesmente convencia as pessoas a fazerem as coisas por
mim.
-
Você gosta de viagens? - Perguntei para uma moça que conheci num show de
rock'n roll. Eu era convidado do produtor, que era irmão de um maluco que
eu conhecia.
-
Gosto. - Ela respondeu e me devolveu o baseado.
-
Venha a minha casa. - Pedi. Minha voz era na verdade uma ordem. A primeira
manifestação dos poderes vampiros. Eu adorava aquela capacidade e ainda
não sabia de nada.
Levei
a garota a um quarto de hotel. Queria fazer uma putaria louca. Eu tinha
bebida, baseados e muitas anfetaminas. Ela era loira e bem novinha; lembro
bem, foi minha primeira vítima. Logo a seduzi e a deixei apenas de
calcinha. Ela era bem gostosa mas isso pouco me importava. Eu queria mais.
Bebemos
e fumamos. A garota era bem animada. Eu a enchi de anfetaminas. De todas as
cores: vermelhas, fortes e explosivas; amarelas, lisérgicas e sensitivas e
até as rubras, que alteravam a percepção. A garota dançou nua pelo
quarto, movendo-se como uma gata no cio. Eu brincava de tentar segurá-la e
ela fugia aos risos. Logo ela ficou apreensiva e até gritou de medo.
Contive-me e continuamos brincando. Acho que me transformei.
Quando
a segurei sobre a cama, penetrei sua vagina sem umedecê-la. Ela gemeu e
levantou o queixo. Avancei em seu pescoço e mordisquei a jugular. Senti
meus caninos crescendo e apertei a boca com delicadeza. Senti o sangue
quente e viscoso jorrando dos ferimentos.
A
vagina apertou-me com força. Parecia contrair os músculos no mesmo ritmo
do coração. As jorradas de sangue escorriam para minha boca. Passei a
língua pelas presas por puro delírio. Gozei sentindo meu pau eclodir como
um vulcão. Minha visão estava turva, eu enxergava apenas um mar de cores
flutuando ritmadas por um vento invisível. O sangue descia pela minha
garganta trazendo cada momento da vida da menina. Senti sua infância na
casa dos pais, os tempos no colégio, a educação religiosa e a revolta com
as instituições. Deliciei-me ao vê-la trepar pelas primeiras vezes e
também por usar uns bagulhos de vez em quando. Ela era bem protegida mas
adorava o lado real da vida, não a prisão de um lar perfeito. Agora ela
era minha.
Senti
as últimas contrações de sua vagina. Olhei para a garota curioso. Eu
sentia que ela iria morrer em dez, não, nove batimentos do coração.
Retirei o pênis no oitavo batimento e parei de chupar seu sangue no quinto.
Eu sabia que não devia sugar o sangue de alguém morto. Era o mesmo que o
instinto do leite materno. Eu sabia o que me fazia bem e o que me fazia mal.
Eu era um vampiro.
O
coração da garota pulsou novamente. Olhei sua face atormentada de terror.
Percebi o cabelo loiro pela primeira vez. Sua pele brilhava. Olhei novamente
para seu rosto juvenil e perfeito. Descobri que a expressão assustada, na
verdade, era êxtase. Notei claramente que ela estava gozando algum prazer
cósmico em outra dimensão. O rosto torcido era o prazer máximo. Empurrei
meu pau de volta à sua vagina.
Dois
batimentos.
Uma
contração.
Ela
morreu. O último calor de seu corpo passou para mim. Minha pele,
constantemente fria, aqueceu-se por alguns minutos. Descobri que aquele era
o único calor que os vampiros gostavam de sentir. Muitos de nós nem se
alimentam mais assim; preferem apenas o sangue. Eu ainda adoro sangue no
meio de uma trepada.
Vivo
agora nas casas das minhas vítimas. Saio com elas, aproveitamos as boas
coisas da noite. Consigo tudo o que querem: de drogas a diversões. Em
poucos dias consigo levar uma pessoa à loucura. Muitas festas, putarias,
anfetaminas, maconhas, injetáveis, xaropes, químicos, sintéticos. Nenhuma
dessas drogas, todavia, é tão potente quanto a que me transformou no que
sou. Essa eu não passo para ninguém. Não quero dividir meu prazer.
Ao
final, quando me canso das pessoas, eu as mato e bebo o sangue. Logo seduzo
outra vítima e me mudo para sua vida, até que sua mesquinhez me entedie e
me faça procurar outro pouso.
Sempre
termino o dia, ou melhor, a noite, do mesmo jeito: acendo um baseado.
Algumas vezes para apreciar o sabor do sangue nas presas, outras para tramar
meus passos na noite seguinte, mas sempre para dormir durante o dia o sono
dos malucos.
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