O
pequeno barzinho da cooperativa agrícola é sempre bastante movimentado,
principalmente nos finais de semana. Os colonos de origem italiana (na grande
maioria, além de alguns de origem alemã) ali jogam cartas e sinuca, além dos
velhos e cultuados hábitos de contar piadas e de trocar mentiras,
organizando-se em pequenos grupos.
José,
um gaúcho forte, descendente de italianos, contava, a certa altura, como seu
filho lhe descrevia uma tentativa de contato de marcianos com americanos, que
ele havia lido em um livro de um autor germano americano de nome complicado.1
Era
mais ou menos assim: "um bicho esverdeado, com nervuras na cabeça e com
grandes olhos esbugalhados, que se aproximava da casa com um estranho gingado,
falando e gesticulando através de peidos e sapateado. O tal americano do livro
não perdeu tempo e descarregou seu fuzil no que acreditou ser a cabeça do
extra terrestre".
Todos
riram. É claro que não era uma piada, mas riram da imitação de algo vivo,
com cabeça, tronco e membros, se movimentando como que dando espaço para a
vazão ritmada de gases.
Alfonso,
um amigo de José, também descendente de italianos mas nascido no Uruguai,
pensou, rindo-se com seus botões e assistindo às imitações do amigo e as
gargalhadas convulsivas do grupo... "Será que esse americano também
enterrou a mulher e o malandro disfarçado de marciano no quintal da casa?"
NA: