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O SCD-1 - completa onze anos

   
 

Mário Eugênio Saturno

O primeiro satélite brasileiro de coleta de dados (SCD-1), projetado e construído no Brasil pelo INPE, com participação de diversas empresas, foi lançado em 9 de fevereiro de 1993. E ainda está funcionando. Sua "morte" está tão certa que quase esqueceram que faz 11 anos em órbita. Às 17:30 h de 9/2/2004 o SCD-1 completou 58.018 voltas em torno da Terra cumprindo sua missão de retransmitir para Cuiabá os dados das Plataformas distribuídas por todo o território nacional e outras dos países vizinhos.

Apesar do número 11 não ser nada especial, para o INPE reflete o cuidado com que foi produzido este satélite. E para celebrar este momento de contemplação de nossa tecnologia, o Coordenador de Tecnologia Espacial Leonel Perondi estourou uma champanhe na companhia de outros 21 tecnologistas que participaram do projeto.

Entre alguns fatos curiosos, o lembrado pelo atual gerente do programa CBERS (Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres) inclui, entre os personagens da gerência, o atual prefeito de São José dos Campos Emanuel Fernandes e o fato de que em plena noite os corredores do prédio Beta continuava em atividade como se fora horário de expediente. E isso nem era solicitado. Era entusiasmo! Era a magia do primeiro satélite brasileiro.

Eu mesmo tive a oportunidade de desenvolver uma estação portátil para se testar o SCD-1 acoplado ao foguete e depois adaptar essa estação para que se transformasse em uma Estação Terrena em Alcântara, Maranhão. Provavelmente, foi a primeira estação portátil baseada em PC no mundo. E tudo porque o gerente do SCD-1, Carlos Santana, acreditava no projeto de estações portáteis.

Seja como for, tive a honra de receber as primeiras informações do satélite em órbita e de ser o primeiro brasileiro a comandá-lo conforme está registrado em fotos no livro "O Brasil Chega ao Espaço, SCD-1 Satélite de Coleta de Dados" de Fabíola Oliveira.

A história espacial brasileira sempre foi marcada por dificuldades. Desde que foi aprovado pelo Governo Federal, em 1979, o desenvolvimento do satélite passou por diversos problemas: inexperiência das equipes, perda de pessoal em razão dos baixos salários e falta de perspectivas profissionais, falta de verbas e indefinições da instituição. Apesar disso, o satélite foi concluído em 1989.

Após um investimento de 150 milhões de dólares no programa e treze anos depois, foi assinado o contrato com a empresa norte-americana Orbital Sciences Corporation (OSC), em 20/08/92, para o lançamento do SCD-1. A empresa era responsável pela construção do foguete Pegasus. Esse foguete inovou o modo de lançar satélites: carregando o foguete na asa de um avião B-52 (ou qualquer outro grande jato) e disparando-o a uma altura de 13 km. Desse modo, o Pegasus economiza um estágio do foguete. Porém, ainda não era totalmente confiável na época.

O SCD-1 foi desenvolvido para colher dados meteorológicos. Funciona como um repetidor, as Plataformas de Coleta de Dados espalhadas pelo território nacional, transmitem suas informações (medidas de gás carbônico, ozônio, marés, umidade, pressão, temperatura, etc.) para o satélite que as retransmite para as Estações Terrenas de Cuiabá e Alcântara.

No ano do lançamento eram 20 plataformas. Atualmente, 620 plataformas já foram instaladas no território brasileiro. Entre os principais usuários do Sistema de Coleta de Dados estão a ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica - no monitoramento das bacias hidrográficas do país e o próprio INPE, através do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos no uso de dados meteorológicos para a previsão de tempo.

As plataformas são utilizadas para aplicações hidrológicas (61,5% do total), meteorológicas (27,6%), bóias oceânicas (4,0%), anemográficas (1,8%), química da atmosfera (1,6%), qualidade da água (1,6%), e ainda marégrafo, localizador e outras.

O SCD-1 mostrou a competência dos especialistas brasileiros para construir um satélite com qualidade, destacando o INPE entre as instituições que contribuem para a soberania e independência tecnológica do Brasil.

 

 

 

Mário Eugênio Saturno é Tecnologista Sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva (www.fafica.br) e congregado mariano. (Email: mariosaturno@uol.com.br)

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