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Mário
Eugênio Saturno
Vivemos
em um planeta pequeno e insignificante do sistema solar, que gira sobre si
próprio (com duração de 24 horas e que define um dia) e circula um sol
mediano (em 365 dias) localizado na periferia da Via-Láctea. O sol, por sua
vez, move-se com as outras estrelas da galáxia. As galáxias influem nos
movimentos umas das outras.
As
estrelas que vemos no nosso céu são as mais próximas, apenas uma pequena
fração da imensidão de nossa galáxia, formada por 400 bilhões de estrelas.
Vixe! A estrela que está mais perto de nós, do nosso sistema solar, é a
chamada estrela Alfa da constelação do Centauro ou, simplesmente,
Alfa-Centauro. Essa estrela está a uma distância de 4,5 anos-luz, ou seja, a
luz que sai de nosso sol (a 300.000 Km/s) leva quatro anos e meio para chegar
lá, barbaridade! A espaçonave que o homem já construiu e enviou ao espaço
são as Voyager I e II, cuja velocidade é, aproximadamente 10.000 vezes mais
lenta que a luz. Se enviássemos uma Voyager para Alfa-Centauro, a viagem
demoraria mais de 40.000 anos. Uau! Longe, não?
Somos
viajantes do espaço, vivemos na espaçonave Terra. Também somos viajantes do
tempo, sempre ao futuro, o que fazemos hoje tem conseqüências. Todos esses
conceitos perturbaram o ser humano por séculos. O tempo e o espaço começaram
a ser entendidos em 1.895, na Toscana, norte da Itália. Foi aí que se refugiou
um jovem alemão, considerado uma nulidade sem futuro e ruim para a disciplina
por seu professor. Em solo italiano, mais liberal que o alemão, o jovem
começou a refletir sobre a velocidade da luz. Pensava ele: para medir a
velocidade da luz precisamos de uma referência, porém todas as referências
estão em movimento. Esse adolescente problemático era Albert Einstein. Suas
dúvidas mudaram o mundo.
A
velocidade da luz exige algumas reflexões. Todas as imagens do mundo são
feitas de luz e são transportadas à velocidade de 300.000 Km/s. O senso comum
acredita que para um objeto em movimento, por exemplo um carro a 100 Km/h, a sua
imagem viajaria à velocidade da luz somada à do objeto. Mas o senso comum
está errado, visto que, quando observamos ou assistimos a um filme de um choque
entre dois objetos com velocidades diferentes vemos tudo acontecer ao mesmo
tempo.
Isso
acontece com a velocidade do som no ar, como observamos dentro de um carro em
movimento ou parado, a buzina ou o ruído do motor tem um som característico.
Se estivermos fora e o carro em movimento, observamos duas situações
distintas: vindo em nossa direção, a buzina e o ruído tornam-se mais agudos e
se afastando, tornam-se mais graves. A velocidade do som permaneceu a mesma,
porém a velocidade do carro e do observador alterou a freqüência (tom) do
som. Isso também acontece com a luz que não tem sua velocidade afetada pelo
objeto em movimento mas sim seu matiz, sua cor, azula ao aproximar-se, avermelha
ao afastar-se. É mais simples do que parece, não acha?
Estava
descoberta a Teoria Especial da Relatividade. E, com ela, um limite de
velocidade para o universo, nada pode ser mais rápido que a luz. Ao aumentar
sua velocidade, parte da energia faz o objeto ganhar massa e quanto mais se
aproximar da velocidade da luz maior será a massa adquirida, tornando
impossível atingir a velocidade da luz.
Outro
fato acontece ao se aproximar da velocidade da luz, a velocidade dos mecanismos,
sejam físicos ou químicos, tornam-se mais lentos. Ou seja, o relógio
mecânico, eletrônico ou biológico anda mais devagar, o tempo torna-se
vagaroso em relação a nós aqui. Em uma viagem às estrelas próximas, um
astronauta, pai de um bebê, ao voltar, veria seu filho bem mais velho.
Essas
fantásticas descobertas teóricas foram comprovadas logo nas primeiras décadas
de nosso século abrindo um novo rumo em nossas vidas.
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