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O
astronauta Marcos Pontes veio ao INPE agradecer os pesquisadores pelo
empenho em qualificar os experimentos levados à Estação Espacial
Internacional (ISS na sigla em Inglês) e explicar sua inédita experiência
aos pesquisadores do Instituto. Obviamente, não perdemos a oportunidade
de explorar cada aspecto de sua. Assim, também resolvi expressar uma
opinião.
Muito
se tem falado sobre a importância do astronauta brasileiro para a Missão
Espacial. Inicialmente, precisamos ver o contexto da Missão Centenário
que enviou um astronauta brasileiro ao Espaço e, mais precisamente para a
Estação Espacial Internacional. Na ISS, os governos sócios investiram e
investirão bilhões de dólares.
Enviar
astronautas brasileiros (no plural) e experimentos faz parte do acordo.
Quem prestou atenção, viu que na ISS tinha desenhado uma bandeira
Brasileira junto com as das demais nações que compõem o consórcio.
Isso porque o Brasil também faz parte do projeto da ISS.
Ao
contrário do que se diz, o investimento da AEB, dez milhões de dólares,
não foi caro. Como já dito, o Brasil deve investir também na ISS.
Acordo previa cento e vinte milhões de dólares, depois foi reestimado em
350 milhões. Dez milhões, nesse contexto, foi brinde. Não custa lembrar
que a Rússia cobra US 20 milhões dos "turistas espaciais". Está
certo que se poderão obter melhores resultados em futuras viagens, tudo
vai depender do amadurecimento da comunidade cientifica.
O
acordo que o Brasil tem com os Estados Unidos previa enviar o nosso
astronauta com a nave americana, o Shuttle. Porém, o acidente do Columbia
em fevereiro de 2003 postergou a viagem que ficou sem data definida. Os
russos ofereceram sua nave. Foi prontamente aceito. Os russos estão
firmando acordos de dezenas de milhões de dólares, além do interesse em
lançar naves a partir do Brasil.
Incrivelmente,
foram poucos a criticar a viagem. A imprensa ficou "fascinada"
com o evento e "comprou" a história. Críticas vieram de
cientistas, que tem interesse em ter mais verba, portanto... Outros críticos
nem foram ouvidos. Os mais afoitos pegaram somente um dos oito
experimentos, o das crianças de São José dos Campos, os famosos feijões,
e qualificaram a missão como "a dos feijões". Estes críticos
não foram "pedagógicos".
Se
se usassem cem milhões para fazer propaganda de C&T para motivar as
crianças, certamente não se teria o mesmo resultado. Muitas crianças
estão entusiasmadas, isso apaga qualquer crítica. Mas não podemos
deixar de fazer um comparativo, o Brasil paga 130 bilhões de juros por
ano, dá para enviar homens à Lua ou a Marte. Onde estão nossas
prioridades?
Há
quem gostaria de reforçar o caixa do projeto do foguete, destruído no trágico
acidente. O Acidente com o foguete brasileiro foi uma fatalidade. Nenhum
país está livre disso. Que se veja os americanos ou os próprios russos,
muitos acidentes, muitos mortos. Quando eu estive nos Estados Unidos em
1992 na montagem do primeiro satélite brasileiro, o SCD-1 ao foguete Pégasus
havia um alarme luminoso, se acendesse o vermelho, nem adiantaria
correr...
O
dinheiro gasto para a ida do astronauta só poderia servir para isso.
Marcou os 100 anos do vôo do 14-Bis, mostrar ao mundo (e ao Brasil) a
importância do Santos Dumont. Serviu também para afirmar aos países
membros da ISS que o Brasil tem interesse em continuar participando e
usando o tempo e espaço a que tem direito. Em suma, manter aquela
bandeirinha brasileira no maior empreendimento da humanidade cujo fim para
a próxima década é enviar seres humanos para explorar Marte.
Não
podemos comparar diretamente Santos Dumont ao astronauta. Aquele foi o
pioneiro da humanidade da aviação porque criou a máquina e voou nela.
Marcos Pontes é pioneiro enquanto o primeiro brasileiro a ir ao espaço.
O futuro da humanidade é a conquista espacial.
Nosso
planeta pode ser aniquilado a qualquer momento e será. É uma questão de
tempo. Esse primeiro passo representa a busca brasileira de expandir nossa
nação, salvar nossa cultura e nossos costumes. Esse é o marco do
Marcos.
Mario
Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de
Catanduva e congregado mariano. (Email: mariosaturno@uol.com.br)
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