O Astronauta Brasileiro
Mário Eugênio Saturno

Rio, 19 de setembro de 2006
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O astronauta Marcos Pontes veio ao INPE agradecer os pesquisadores pelo empenho em qualificar os experimentos levados à Estação Espacial Internacional (ISS na sigla em Inglês) e explicar sua inédita experiência aos pesquisadores do Instituto. Obviamente, não perdemos a oportunidade de explorar cada aspecto de sua. Assim, também resolvi expressar uma opinião.

Muito se tem falado sobre a importância do astronauta brasileiro para a Missão Espacial. Inicialmente, precisamos ver o contexto da Missão Centenário que enviou um astronauta brasileiro ao Espaço e, mais precisamente para a Estação Espacial Internacional. Na ISS, os governos sócios investiram e investirão bilhões de dólares.

Enviar astronautas brasileiros (no plural) e experimentos faz parte do acordo. Quem prestou atenção, viu que na ISS tinha desenhado uma bandeira Brasileira junto com as das demais nações que compõem o consórcio. Isso porque o Brasil também faz parte do projeto da ISS.

Ao contrário do que se diz, o investimento da AEB, dez milhões de dólares, não foi caro. Como já dito, o Brasil deve investir também na ISS. Acordo previa cento e vinte milhões de dólares, depois foi reestimado em 350 milhões. Dez milhões, nesse contexto, foi brinde. Não custa lembrar que a Rússia cobra US 20 milhões dos "turistas espaciais". Está certo que se poderão obter melhores resultados em futuras viagens, tudo vai depender do amadurecimento da comunidade cientifica.

O acordo que o Brasil tem com os Estados Unidos previa enviar o nosso astronauta com a nave americana, o Shuttle. Porém, o acidente do Columbia em fevereiro de 2003 postergou a viagem que ficou sem data definida. Os russos ofereceram sua nave. Foi prontamente aceito. Os russos estão firmando acordos de dezenas de milhões de dólares, além do interesse em lançar naves a partir do Brasil.

Incrivelmente, foram poucos a criticar a viagem. A imprensa ficou "fascinada" com o evento e "comprou" a história. Críticas vieram de cientistas, que tem interesse em ter mais verba, portanto... Outros críticos nem foram ouvidos. Os mais afoitos pegaram somente um dos oito experimentos, o das crianças de São José dos Campos, os famosos feijões, e qualificaram a missão como "a dos feijões". Estes críticos não foram "pedagógicos".

Se se usassem cem milhões para fazer propaganda de C&T para motivar as crianças, certamente não se teria o mesmo resultado. Muitas crianças estão entusiasmadas, isso apaga qualquer crítica. Mas não podemos deixar de fazer um comparativo, o Brasil paga 130 bilhões de juros por ano, dá para enviar homens à Lua ou a Marte. Onde estão nossas prioridades?

Há quem gostaria de reforçar o caixa do projeto do foguete, destruído no trágico acidente. O Acidente com o foguete brasileiro foi uma fatalidade. Nenhum país está livre disso. Que se veja os americanos ou os próprios russos, muitos acidentes, muitos mortos. Quando eu estive nos Estados Unidos em 1992 na montagem do primeiro satélite brasileiro, o SCD-1 ao foguete Pégasus havia um alarme luminoso, se acendesse o vermelho, nem adiantaria correr...

O dinheiro gasto para a ida do astronauta só poderia servir para isso. Marcou os 100 anos do vôo do 14-Bis, mostrar ao mundo (e ao Brasil) a importância do Santos Dumont. Serviu também para afirmar aos países membros da ISS que o Brasil tem interesse em continuar participando e usando o tempo e espaço a que tem direito. Em suma, manter aquela bandeirinha brasileira no maior empreendimento da humanidade cujo fim para a próxima década é enviar seres humanos para explorar Marte.

Não podemos comparar diretamente Santos Dumont ao astronauta. Aquele foi o pioneiro da humanidade da aviação porque criou a máquina e voou nela. Marcos Pontes é pioneiro enquanto o primeiro brasileiro a ir ao espaço. O futuro da humanidade é a conquista espacial.

Nosso planeta pode ser aniquilado a qualquer momento e será. É uma questão de tempo. Esse primeiro passo representa a busca brasileira de expandir nossa nação, salvar nossa cultura e nossos costumes. Esse é o marco do Marcos.

 

Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano. (Email: mariosaturno@uol.com.br)

 

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