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O Asteróide Assassino    
 

Mário Eugênio Saturno

Há 65 milhões de anos, 70% de toda a vida na Terra desapareceu. Escavações arqueológicas revelam isso, muita vida até uma camada chamada KT, encontrada em todo o planeta. Abaixo dessa camada fina (1,5 cm) de detritos (entre eles o raro Irídio) encontramos muitos amonites. Esses seres viveram por mais de 300 milhões de anos, até serem extintos na camada KT. Acima dessa camada encontramos os animais modernos e abaixo os dinossauros.

Essa camada foi primeiramente descoberta na Itália em 1979, seguindo-se pelo resto do mundo. O tempo foi avaliado em 65 milhões de anos. O Irídio é raro na Terra mas abundante em muitos meteoros. Em 1980, foi proposta a “teoria do impacto”: um meteoro atingiu a Terra e matou os dinossauros. Mas onde está tamanha cratera?

Os pesquisadores observaram que na camada havia quartzo e era mais abundante na América do Norte. Quanto mais ao sul, maior a quantidade de quartzo, levando-se a crer que o impacto foi entre as Américas do Norte e do Sul. No Haiti, a camada KT media 50 cm. Não é preciso ser gênio para concluir que o impacto estava próximo.

Na península de Yucatán no México, a Companhia Petrolífera Mexicana detectou estranhas anomalias circulares no campo gravitacional do local. Chicxulub é o centro de um grande buraco, mas na superfície não há sinal algum de catástrofe. Aí há uma cratera de duzentos quilômetros enterrada centenas de metros. A cratera foi confirmada após 1400 medições. Colheram amostras: era quartzo de 65 milhões de anos. Estava descoberto o local do terrível impacto. O ‘site’ da Nasa tem imagens interessantes (http://neo.jpl.nasa.gov/images/yucatan.html) .

Mas algo intrigava os pesquisadores, porque tão poucos restos de dinossauros perto da camada KT? Uma nova visão se vislumbrava! Uma arma balística hipersônica do Instituto de Tecnologia da Califórnia (CalTec) foi usada para recriar o impacto e simular a criação da cratera. Também um programa usado para simular explosões nucleares foi adaptado para mostrar o impacto. 

A explosão provocada pelo meteoro foi estimada em cem milhões de megatons, mais que todas as armas nucleares existentes. O impacto foi tão energético, derretendo a terra e fazendo-a ondular semelhante à uma gota que cai na água. Milhões de toneladas de fragmentos foram lançados em trajetória sub-orbital. 

Porém, a cratera tem um formato não circular, mais semelhante a uma ferradura, sugerindo um impacto oblíquo, em torno de 30 graus, com efeitos muito piores. Novos testes revelaram a tragédia. Uma primeira onda de calor e fragmentos silenciosos (pois viajavam mais rápido que o som) passaram pela América do Norte. A seguir, uma nuvem de vapor varreu a América do Norte pulverizando tudo. 

Depois, o material lançado ao espaço retorna à Terra provocando uma chuva de meteoritos incandescentes, provocando incêndios por todo o planeta. Após muitos dias, a fuligem resultante, por ser muito fina, bloqueou por seis meses a luz solar, provocando um inverno terrível. 

Para piorar, a explosão na atmosfera gerou óxido de nitrogênio que ao precipitar forma ácido, matando a flora e a fauna. E o solo de Chicxulub é composto de uma rocha de sulfato de cálcio, incomum no resto da Terra, que produziu dióxido de enxofre que na água transforma-se em ácido sulfúrico. A chuva tornou-se de ácido, de fato. Calcula-se que cinco milhões de toneladas da rocha se transformaram no gás assassino.

Mas, a rocha mais abundante no solo era o calcário, 3 km dentro da terra, suficiente para gerar uma quantidade inimaginável de gás carbônico. E, logo após a dissipação da fuligem e o fim do inverno acidental, houve um aquecimento global, até dez graus na temperatura média. Um verdadeiro desastre, o pior possível: incêndio global, chuva ácida, escuridão, frio, aquecimento.

Entre os poucos sobreviventes estavam os pequenos mamíferos que se alimentavam de insetos e restos e viviam debaixo da Terra, único lugar seguro. Deles viemos nós milhões de anos depois.

 

 

Mário Eugênio Saturno
 é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Catanduva (FAFICA) e Congregado Mariano.

saturno@dea.inpe.br

 

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