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José Roberto Costa
As
chances são de uma em duzentos e cinqüenta mil. É um palpite e tanto, mas
nunca se sabe. Em 9 de julho de 2002 astrônomos descobriram o asteróide 2002
NT7, uma rocha com 2 km de extensão com uma curiosa órbita. Ao contrário da
maioria dos outros asteróides que circundam o Sol mais ou menos no mesmo plano
dos planetas, 2002 NT7 segue sua trajetória de 837 dias numa órbita inclinada
em 42 graus. A maior parte do tempo ele está acima ou abaixo do Sistema Solar,
mas a cada 2,29 anos ele passa de um lado a outro, cruzando o plano dos
planetas. E é aí que está o perigo!
Depois
de seguí-lo por alguns dias, pesquisadores de fato encontraram uma chance em
duzentos e cinqüenta mil desse asteróide atingir a Terra precisamente no dia
1º de fevereiro de 2019. Mas as chances não são somente pequenas, são
incertas. O objeto foi seguido por apenas 17 dias e predições mais confiáveis
requerem muito mais observações.
O
programa da NASA que patrulha objetos perigosos nas vizinhanças da Terra -
NEO, abreviatura de Near Earth Object -
deu a 2002 NT7 a classificação “1” na escala Torino, que vai de zero a dez
e avalia o risco potencial desses objetos. Isso significa que este asteróide
deve continuar sendo monitorado, mas não merece grande preocupação.
Apesar
das chances serem reduzidas, se 2002 NT7 colidisse com o nosso planeta em 2019
ele o faria a uma velocidade de cerca de 28 km/s, o bastante para causar
destruição em massa no local de impacto, proporcionar uma mudança no clima
global ou tsunamis (ondas gigantes que cruzam oceanos) altamente destrutivos.
Poderíamos
evitar catástrofes como essa? Talvez. De qualquer forma atualmente não há
nenhuma ação pronta para responder a uma emergência desse tipo. Muitas têm
sido as propostas para interceptar, desviar ou destruir um asteróide em curso
de colisão real com a Terra. Nada foi de fato implementado, exceto o programa
de monitoramento (que precisa de mais recursos para continuar funcionando).
Além
disso, a aproximação de um objeto potencialmente perigoso nem sempre pode ser
antecipada em anos. Há pouco mais de um mês uma rocha do tamanho de um campo
de futebol passou a menos de um terço da distância Terra - Lua. O objeto
aproximou-se contra a luz do Sol e só foi percebido quando estava indo embora.
Se nos pegasse de surpresa, onde caísse seria como a explosão de uma bomba
nuclear de grande porte (sem os efeitos da radiação).
É
importante que se continue monitorando e rastreando esses objetos. Parece que
uma colisão é algo que nunca vai acontecer, seja porque não aconteceu
recentemente ou porque a última ocorrência foi há muitos milhões de anos.
Mas não é bem assim. Faz menos de cem anos quando um fragmento de cometa ou
asteróide penetrou na atmosfera terrestre e explodiu cerca de 8 km acima das
florestas as margens do rio Tunguska, na Sibéria.
Aquele
foi o dia 30 de junho de 1908. Centenas de quilômetros quadrados de floresta
foram arrasadas. As ondas de choque foram detectadas na Inglaterra, Estados
Unidos e Jacarta. Mais tarde descobriu-se que o objeto tinha apenas 60 metros de
comprimento. Ainda restam vestígios da explosão que aparentemente não teve
vítimas humanas, pois não havia povoados naquela parte do planeta. Uma sorte
que hoje não temos mais, pois nossa espécie é bem mais numerosa e ocupa muito
mais espaço que no início do século passado.
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