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Vale a pena investir em missões espaciais?    
 

José Roberto de Vasconcelos Costa

 

Tem muita gente que pensa que países como o nosso não deveriam gastar um centavo sequer  para lançar foguetes ao espaço. Para essas pessoas as missões espaciais são um negócio para países ricos, ou pior: de quem tem dinheiro para jogar fora.

Nada mais equivocado. Aplicações em programas espaciais significam desenvolver a indústria nacional, gerar novos empregos e crescer economicamente. E um país que não investe em setores estratégicos está condenado a sempre estar as voltas com os mesmos problemas, dependendo de recursos tecnológicos importados que muitas vezes não atende a realidade nacional.

 

 

Lançando satélites

No mundo de hoje - e especialmente em países com dimensões continentais como o Brasil - satélites são elementos indispensáveis, pois deles dependem os sistemas de telecomunicações, a coleta de dados sobre fenômenos climáticos que influenciam na agricultura e outros setores, o monitoramento de condições ambientais, a realização de experimentos científicos que necessitam dos ambientes de microgravidade etc.

 

A Missão Espacial Completa Brasileira, como é chamada, é um programa visando o projeto, desenvolvimento, construção e operação de satélites de fabricação nacional, a serem colocados em órbitas baixas por um foguete projetado e construído no país e lançado de uma base situada em território brasileiro.

 

Este programa compreende também a operação em órbita de seis satélites, com aplicações voltadas às necessidades do país, sendo três satélites de coleta de dados, dois de sensoriamento remoto e um de comunicações. Já estão em órbita os satélites de coleta de dados SCD1 (lançado em 1993) e SCD2 (lançado em 1998).

 

 

Outro objetivo importante do programa espacial é o envolvimento da indústria. Para se ter uma idéia, na fabricação do foguete nacional Sonda IV foi necessário à utilização de ligas metálicas de ultra-alta-resistência. Para isso foi desenvolvida uma moderna liga de aço que ficou conhecida como 300M e cuja resistência chega a 210 kgf/mm2. A 300M foi exportada para a Boing, que a utiliza até hoje na fabricação do trem de pouso principal do seu avião Jumbo 747. Esse trem de pouso tem de suportar um peso de cerca de 360 toneladas e só mesmo um aço especial pode atender tais exigências.

 

Bom para todos

A economia nacional vem se beneficiando do esforço para a fabricação do nosso Veículo Lançador de Satélites (ou VLS). O propelente (combustível) utilizado nos foguetes brasileiros é do tipo sólido, cujos principais componentes são produtos estratégicos que antes tinham de ser importados. Hoje, não apenas estão sendo produzidos no Brasil em escala industrial, como vem suprindo o mercado nacional com matéria-prima em geral para a fabricação de colas, tintas, borrachas para o solado de calçados, juntas de dilatação, espumas etc.

O elenco completo de benefícios adquiridos com as pesquisas e o desenvolvimento aeronáutico e espacial é imenso. Somente esses benefícios já são várias vezes maiores do que tudo o que já foi investido em nosso programa espacial. Como bem observou certa vez um especialista, a maior diferença entre o programa espacial do Brasil e o americano não é tecnológica, é publicitária.

 

 

 

 

José Roberto de V. Costa

Do site Astronomia no Zênite

 http://www.zenite.nu

 

 

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