Satélites Brasileiros e a Paz Mundial

 

A pesquisa e o desenvolvimento tecnológico criam desmembramentos aparentemente impensáveis. Veja que até a paz mundial pode ser afetada por esses desmembramentos

Satélites brasileiros? Paz mundial? Que relação existe entre satélites e a paz, ou melhor, entre satélites brasileiros com a paz mundial, você leitor deve estar se questionando? Pois é isso mesmo, o desenvolvimento de satélites brasileiros pode ter uma relação estreita com a paz mundial. Nosso artigo procurará demonstrar isso. Em primeiro lugar vamos falar dos satélites brasileiros.

Vejamos, nos dias de hoje a Paz Mundial passa pelos Estados Unidos, afinal eles são o mais poderoso país do mundo; o orçamento de defesa americano é da ordem de 40% a 45% do total mundial. Quando falamos dos Estados Unidos falamos em seu governo instalado, isto é, qual é o presidente, qual é partido político que está no poder, o republicano ou o democrata? Um governo republicano é conhecido por defender mais “veementemente” os interesses americanos pelo mundo afora, levando isso a várias situações de conflitos armados. Já um governo democrata é conhecido por defender os mesmos interesses, mas usando muito mais o diálogo.

Atualmente temos nos Estados Unidos um governo republicano, fruto de uma eleição presidencial cuja apuração foi motivo de muitas controvérsias. Está indelével na nossa memória a imagem de pessoas olhando as cédulas de votação no intuito de identificar a intenção de voto do eleitor. Por semanas o mundo todo ficou na expectativa de quem seria o próximo presidente americano. Ficou claro para todos nós que o sistema de votação americano é ultrapassado e não confiável. Essa situação é deveras preocupante para o mundo tratando-se da nação mais poderosa do planeta. 

Podemos afirmar com toda a segurança que se os americanos tivessem usado o nosso sistema eletrônico de votação o resultado seria totalmente confiável e talvez hoje teríamos um outro presidente, com uma outra postura frente aos interesses americanos no mundo, e o mundo não estaria tão apreensivo com os novos conflitos. Tudo muito bom, mas novamente, o que há entre satélites brasileiros e a paz mundial, deve você leitor estar perguntando?

No ano de 1993, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) resolveu que deveria melhorar o sistema brasileiro de votação, informatizando a Justiça Eleitoral, tornando-a mais confiável e rápida. Um dos primeiros problemas que apareceram foi como garantir a confiabilidade dos dados (votos) trafegando pela rede. Quem no Brasil tinha experiência e competência para isso? A resposta foi os engenheiros do INPE e CTA, que tinham estudado e montado redes de computadores para o tráfego de dados de satélites. 

Pronto, temos agora a resposta para a pergunta “qual a relação entre satélites brasileiros e a paz mundial”. Caso os Estados Unidos tivessem usado o nosso sistema eletrônico de votação, hoje em dia possivelmente o mundo não estaria tão angustiado com os conflitos armados que estão ocorrendo. Desse modo, nosso artigo procura demonstrar a importância das pesquisas e dos desenvolvimentos tecnológicos, os quais acarretam desmembramentos (spin-offs) difíceis de imaginar. 

Luiz A. R. Bueno - Gerente no Programa CBERS (China Brazil Earth Resources Satellite) do INPE, expressa sua opinião em caráter pessoal. (bueno@dss.inpe.br)

Poucos sabem, mas o Brasil possui há dez anos um satélite em órbita da Terra, construído por brasileiros. Tudo começou no final dos anos setenta. Naquela época nosso governo resolveu ter um satélite em órbita da Terra, que fosse construído por brasileiros, operado por um sistema de controles de satélites brasileiro, colocado em órbita por um foguete por brasileiro a partir de uma base de lançamentos de foguetes brasileira. (Ufa, quanto brasileiro)! Para realizar essa tarefa, o governo constituiu um programa chamado Missão Espacial Completa Brasileira, que ficou conhecido pela sigla MECB. 

As execuções das tarefas desse programa ficaram a cargo do Centro Técnico Aeroespacial – CTA, hoje sob a administração do Comando da Aeronáutica do Ministério da Defesa, e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE, órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia. Foram vários os motivadores desse programa. Desde o aspecto funcional da missão, isto é a criação de um meio de coletar informações ambientais de todo o território nacional de uma maneira rápida e segura, até outros, tais como o desafio tecnológico, o desenvolvimento de uma indústria espacial nacional, e a geração de “spin-offs” (uso da tecnologia desenvolvida em um determinado projeto em outros setores não relacionados). 

Agora, um pouco de tecnologia. Tanto o satélite como o sistema terreno que o opera, pela sua natureza e uso, requerem o máximo de confiabilidade. Esse requisito é devido ao fato que, depois de colocado em órbita, a manutenção do satélite é inviável em caso de falha, e uma operação incorreta pode levar à perda do mesmo. Essa operação, isto é o controle e a supervisão do satélite, é realizada através de envio de sinais de comando e o recebimento de sinais de telemetria por meio de estações terrenas, e é gerenciada por um centro de controle de satélites. Esse gerenciamento é efetuado através de trocas de dados entre as estações terrenas e o centro de controle de satélite por meio de redes de telecomunicações. Obviamente, essa rede precisa ter um altíssimo grau de confiabilidade com os dados que trafegam por ela, caso contrário podemos perder o satélite. Bem, e o que tudo isso tem haver com a Paz Mundial?

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